No dia seguinte, todos acordaram muito cedo e fizeram o café da manhã: frutas. Após isso, cada um foi atrás da escola que iriam aprender. Na aula de Vergil:

– Bom Sr. Vergil, veremos se você tem a fibra para ser lutador – disse o instrutor. Era um homem de aparência madura, tendo cabelos esbranquiçados e um olhar muito severo. Era muito alto e não parecia ser ágil.

– Estou pronto!!! – afirmou Vergil, determinado.

E começou a luta: Vergil tentou usar alguns golpes de Taekwondo (pois já havia praticado), mas o instrutor desviou de todos os golpes. O instrutor atacou Vergil, que só conseguiu desviar de alguns, enquanto os outros pegavam em cheio. Ainda ofegante, ele tentou novamente, só que além de chutes, tentou socos, mas nada adiantou:

– Você está muito lento, precisa saber posicionar os golpes e se mover com velocidade. Na arte marcial, não existe a força e sim a velocidade. Vamos, me acerte agora!!! – falou o instrutor, tentando instigar o aluno.

E Vergil tentou, se concentrando para que conseguisse lutar direito e acertar o instrutor, mas nada que ele tentasse conseguia surtir efeito. E pior: havia recebido tantos golpes que mal estava conseguindo ficar em pé:

– Você está muito lento ainda! E nem consegue ficar em pé! Não irá conseguir! Você irá falhar! – falou o instrutor com um tom de desdém.

Isso foi a gota d’ água, pensou Vergil. Reunindo toda sua concentração, conseguiu ser rápido o suficiente para acertar um soco no instrutor, bem ao meio do abdômen:

– Muito bom! Enfim foi um progresso! Mas eu percebi que você ainda não está utilizando toda sua velocidade e concentração. Percebi que você tem um dom, um poder oculto, que só poderá ser libertado quando você controlar sua raiva. Ataque-me agora e veremos do que você é capaz!!!

E continuou a luta, não conseguia se concentrar mais. Só existia raiva nele, queria atacar o instrutor para que ele sentisse sua ira. Sentisse dor. Foi quando a resposta veio a ele mesmo: estava conseguindo se mover tão rapidamente quanto o instrutor – ou até mais. E então voltou à luta: estava 2 vezes mais rápido. Atacara o instrutor sem levar nenhum golpe, desviando de todos com uma enorme facilidade:

– MUITO BOM!!! – disse o instrutor, ofegante pelos socos e chutes que levou, mas ainda permanecendo bem firme – Você tem uma grande velocidade! Muito bom! Você está aprovado, mas terá quer ter mais aulas para saber controlar bem esse dom.

– Obrigado, mestre – cumprimentou-o e saiu.

Enquanto isso na aula de Kenneth:

– Sr. Kenneth? Sr. Kenneth?

– Sim?

– Sua vez. Hora de ir para o monastério.

– Obrigado.

Então Kenneth prosseguiu para uma das alas do grande monastério. Quando entrou, encontrou uma arena de luta que era decorado como uma igreja, só que com mais rigor que uma igreja normal: tinha formas rebuscadas, parecendo com o estilo barroco, decorada com ouro em muitas das partes, sendo o altar feito de madeira com um crucifixo de Deus:

– Bom Sr. Kenneth, o que o trouxe aqui? – disse um monge que estava à sua frente.

– Eu queria seguir o caminho de Deus – falou Kenneth confiante.

– Para você seguir o caminho de Deus, você não poderá seguir sozinho, você terá que abdicar de usar armas cortantes ou perfurantes, porque Deus não admite derramamento de sangue de um de seus seguidores.

– Estou pronto.

– Bem, então vamos aos testes.

O monge fora por uma porta lateral e voltara com um arco e muitas flechas:

– Vamos ver sua capacidade de desviar ou bloquear flechas.

– Vamos!!!

Ele começou: atirou uma flecha que raspou sua perna, mas conseguia se manter em pé. Atirou outra: quase o acertara no braço. Atirou outra: acertou em sua mão, que agora estava machucada e sangrando um pouco:

– Você não pode defender os outros se não consegue defender você mesmo! – falou o monge, com uma autoridade imensa.

– Eu vou conseguir! – ofegou Kenneth.

E então se seguiu várias sucessões de flechas, Kenneth conseguindo bloquear parte delas com as mãos, mas as machucando seriamente:

– Arg! – disse Kenneth, caindo no chão e vendo as mãos ensangüentadas.

– Você ainda não está sabendo bloquear direito essas flechas! – disse o monge, se preparando para atirar mais.

– Não posso cont... – disse Kenneth, mas tarde demais: o monge atirou uma flecha que iria de encontro a ele.

Então Kenneth não agüentou ver isso: se levantou e aparou a flecha com as mãos, perfeitamente bem. Estivera tentando se concentrar para bloqueá-la:

– Isso sem dúvida foi um progresso! Você está pegando o jeito da coisa! Vamos! Continue – falou o monge, atirando flechas loucamente em direção a Kenneth.

As flechas zuniam e iam para todas as direções... Ou iriam: quando elas chegavam a Kenneth, simplesmente paravam no ar, sem o atingir. Ele então estava se concentrando muito fortemente, parecendo ter custado todas suas forças.

– Isso! Louvado seja Deus! Enfim apareceu um protetor divino em nossas terras! – disse o monge, chegando em Kenneth e curando seus ferimentos instantaneamente com um murmúrio de palavras.

– Quando irei aprender a curar ferimentos? – disse Kenneth, examinando as próprias mãos.

– No tempo certo você aprenderá, vossa divindade – falou o monge, cumprimentando-o e o dispensando.

Enquanto isso, na aula de Cole:

– Vamos entrem todos! – falou um homem barbado.

Então todos os alunos e Cole, no meio deles, entraram em uma sala enorme. “Isso parece com Hogwarts!!” pensou ele. Era um salão que tinha várias cadeiras para se sentarem e um grande quadro de giz:

– Nossa! Como aqui é grande! – disse Cole.

– Todos, por favor, se sentem – falou uma mulher velha que estava na frente.

Então Cole e os outros foram se sentar, enquanto a mulher velha chamava um por um para uma mesa e para uma sala à frente.

– Sr. Cole? – chamou a mulher velha.

Cole se dirigiu à mesa e viu 3 objetos lá: uma varinha de madeira, um cajado e uma esfera que parecia uma pérola:

– O senhor deve pegar cada um dos objetos e ver qual que você tem compatibilidade, se você não conseguir pegar nenhum, teremos que desmatricular você.

Cole então pegou o cajado, certo de que iria passar de primeira, mas não consegui segurar por mais 2 segundos. Parecia que o cajado estava em chamas. Tentou pegar a pérola, mas a soltou imediatamente também: parecia que tinha congelado a própria mão. E então respirou fundo e pegou a varinha. Respirou aliviado porque conseguiu pegá-la sem se queimar ou congelar a mão:

– Muito bem Sr. Cole! Prossiga até a porta seguinte para o seu teste.

E então Cole entrou na sala: viu que ela tinha uma grande mesa e um alvo no final dela. Viu também que tinha um bruxo jovem chamando-o:

– Você deve ser o senhor Cole, não é? – perguntou o bruxo.

– Sim, sou eu mesmo – respondeu com firmeza.

– Veremos se você tem a fibra de um grande bruxo

– Estou pronto. Eu tentarei ser o melhor – falou Cole

– Não! Nada de tentar! Faça ou não faça! Essa é a regra no mundo da magia – respondeu o bruxo com rispidez.

– Está bem. Irei ser o melhor.

– Assim está melhor. O feitiço que você terá que lançar é o feitiço “Flipendo”. Apenas fale o feitiço com concentração e firmeza e atinja o alvo. Então veremos qual o seu poderio mágico.

– Está bem! Flipendo! – ordenou confiante. Um raio de luz branca saiu da ponta da varinha e atingiu o alvo, resultando em 10 FM (Força Mágica).

– Tsk, Tsk, Tsk. Isso nem faria cócegas em ninguém – falou o bruxo.

– Vou de novo! FLIPENDO! – gritara o feitiço, mas não conseguiu ocasionar uma força maior. Resultaram apenas 5 FM.

– Você está atacando mais fraco que uma criança de 5 anos! – repetiu o bruxo com desdém

Eu vou conseguir, pensou Cole. Tentando se concentrar, falou pausadamente e com clareza “Fli-pen-do!”, saindo um poderoso raio de luz branca. Resultaram 50 FM.

– Isso!!! Isso ainda dá pra melhorar! Vamos! – falou o bruxo com renovada energia.

– Não consigo... – começou Cole se sentando, mas o bruxo o levantou pelo cangote.

– Vamos! Você pode conseguir mais! Eu sei que pode! Vamos, ataque de novo! – falou o bruxo com rispidez.

– Vou tentar de novo! FLI-PEN-DO!!! – berrou com todas as forças restantes. Um raio muito branco e muito forte saiu da ponta da varinha e atingiu em cheio o alvo. Resultou uma pontuação incrível: 3.000 FM:

– INCRÍVEL! Realmente muito incrível! Você tem um poder arcano muito grande, mas que só é utilizado quando está a ponto de ser derrotado. Hum... Venha no dia seguinte, Sr. Cole, e terá aulas para controlar sua magia muito bem.

– Muito obrigado, senhor – falou Cole, se retirando.

Enquanto isso na aula de Suzan:

– Srta. Suzan, dirija-se à ala de treinamento.

– Certo.

Ela andou até um local aberto que tinha muitas coisas: muitas pessoas treinando com espadas, outros treinando com arcos, e outros treinando com cavalos atingir alvos com lanças:

– Onde está o instrutor desse local? – perguntou.

– Estou aqui – falou uma mulher com aspecto de que já lutara muitas vezes – Você deve ser a novata. Bom... Veremos primeiro como você se sai com as espadas.

– Mas eu queria treinar com as flechas primeiro.

– Não, você deve primeiro treinar com as espadas e depois com os arcos. Deve melhorar sua técnica corporal para depois tentar atacar à distância.

– Está bem...

– Está vendo aquele alvo? – apontou para um boneco de um soldado, todo amarrotado e com um símbolo de alvo no peito – Ataque-o até que eu veja se você está preparada para ir para os arcos – e entregou uma espada de madeira para Suzan.

Ela começou: atacou com um golpe perfurante, mas o boneco apenas foi um pouco para trás. Depois atacou com golpes cortantes (apesar de não cortar nada), mas era como se não surtisse efeito nele:

– Você deve atacar com mais vontade esse boneco. Ataque-o com toda a raiva, com toda sua força – gritou a mulher para ela.

– Estou tentando! – ofegou Suzan

Continuou golpeando, mas não conseguia ver o sentido daquilo. Por fim, dera um golpe tão mal calculado que acabara por machucando o pulso.

– Ai! Esse boneco idiota!!! – gritou e atacou com toda sua força o boneco.

Mas o boneco não resistiu apenas ao golpe dela: fora lançado para fora da escola, por volta de uns 100 metros de distância:

– Caramba! Consegui! Finalmente! – falou ela feliz.

– Boa, novata! Você tem bastante força guardada em si, só precisa saber canalizá-la para atacar muito fortemente o adversário. Venha amanhã e treine também um pouco no arco.

– Ok! – disse e saiu.

Já na aula de Jane:

Ela estava em um lugar muito escuro da cidade, mas deu para discernir os vultos dos alunos e do professor.

– Bom Srta. Jane. Você deve pegar duas adagas e tentar me acertar, lembrando que você tem que ser rápida e ao mesmo tempo forte. Você acha que consegue?

– Sim! Vamos ao combate.

E então se dirigiram a uma arena um pouco mais iluminada, mas mesmo assim a visibilidade estava muito ruim:

– Na arte das adagas, temos que ser rápidos e furtivos para não nos ver e não nos acertar. Agora me ataque para eu ver sua velocidade.

– Ok!

Assim começou o combate: Jane, sendo rápida, tentou acertar o mestre, mas este era tão rápido que só se via o vulto negro se movendo rapidamente. Ela tentou várias vezes, mas não conseguiu. Por fim, atacou com as adagas no ar de fúria e atingiu o mestre no peito:

– Como é possível?! Eu saí da trajetória dela e ela me acerta como se estivesse atirando lâminas? Muito bom senhorita Jane, tente me acertar de novo.

– Está bem!

E Jane continuou tentando acertar o mestre, mas não conseguia. Não conseguia mirar os golpes de adaga direito. Por fim, jogou uma das adagas no chão e atirou a outra no mestre, que desviou facilmente:

– Você não pode desistir! Você foi a única em 5 anos a me acertar! Você tem jeito pra isso! – repetiu o mestre, tentando incentivá-la.

– Não consigo! Nem consigo acertar nada, mesmo que esteja parado! Desisto! – disse isso e foi se retirando, mas o mestre apareceu repentinamente a sua frente.

– Você consegue sim, só precisa saber se direcionar e conseguirá seu objetivo – repetiu o mestre.

– Está bem, só vou mais uma aula, mas se não conseguir me direcionar, vou embora.

– Você conseguirá, apenas não sabe o potencial que você tem!

– Já vou indo, e só voltarei amanhã – falou e saiu.

E todos voltaram à casa de Claire de noite, exaustos do dia que tiveram:

– Caramba, tô muito cansado – falou Vergil, se jogando numa cadeira.

– Eu também – falou Kenneth.

– Todos estamos – disse Cole.

– Vou dormir, porque tenho aula amanhã – falou Suzan, indo para a cama.

– Está bem, vou com você – disse Jane.

E os outros ainda ficaram especulando por um tempo, mas foram dormir também.