A Profecia de Hécate

1 [PERCY] A alma do mundo inferior


Pela terceira noite consecutiva, Percy sonhou com a senhora parecida com uma hippie. Em todos estes sonhos, ela usava um vestido feito de tecido tie-dye, mantas rasgadas e sacos de plástico de supermercado. Seus tufos de cabelo crespo eram marrom-cinzentos, como espuma de root bear, amarrados para trás com uma faixa com o sinal da paz. Verrugas cobriam seu rosto. Era sempre carregada por um menino que possuía um cabelo curto louro, brilhantes olhos azuis, e uma cicatriz no canto do seu lábio superior. Ele era alto e tinha um corpo atlético, com braços musculosos e bronzeados. Também tinha uma tatuagem no braço a qual possuía doze linhas retas com uma águia e as letras SPRQ.

Percy não sonhara desde a última guerra contra o titã Cronos, que aconteceu no mês passado, e estava louco para compartilhar esse sonho com Annabeth. Sua namorada, que encontrará somente na próxima férias de verão, quando retornará ao Acampamento Meio-Sangue. Um acampamento para semideuses, filhos de mortais com deuses.

Sonhos de semideuses são péssimos. O problema é que eles nunca são apenas sonhos. Acabam sendo visões, premonições e todas aquelas coisas míticas que fazem o cérebro doer. O cenário deste sonho é sempre impossível de identificar, Percy tem a visão da senhora sendo carregada pelo menino e rapidamente acorda.

Esta noite não foi diferente, a cena escureceu e ele acordou rapidamente. O que foi diferente é que ele viu alguém do lado de fora da janela de seu quarto ao acordar. Imediatamente, sem pensar, pegou sua caneta que estava ao lado do abajur que se encontrava na cabeceira de sua cama e a destampou, revelando sua contracorrente, Percy a adorava. Ele poderia perde-la agora mas a encontrava em seguida em seu bolso como uma caneta esferográfica comum. Era fácil de carregar e de ativa-la em sua forma de espada de bronze celestial. Um metal com uma substância letal a monstros.

Quando se é um semideus sua vida é um caos, nunca se sabe se sua professora de álgebra vai se transformar em um monstro ou se um deus vai aparecer no metrô pedindo um favor para você. Favor que te pendurará em um outdoor na Times Square sem calças, prestes a cair para a morte, por exemplo.

O homem apontou o pé para janela e deu um chute, imediatamente, transformou todo o vidro em estilhaços. Assim, pulou para dentro do quarto de Percy. Em seguida, apontou uma varinha em punho para os estilhaços e pronunciou:

— Reparo. — E a janela se reparou como mágica da mesma maneira que ela se quebrou. Era como se ele tivesse apertado a opção replay do controle remoto do DVD para rever sua cena favorita.

— Quem é você? E como fez aquilo? — Perguntou Percy, depois de saltar de sua cama e apontar a contracorrente para o homem.

O homem tinha os cabelos enrolados e todo acinzentado, como se ele tivesse saído de uma lareira. Vestia uma camisa toda rasgada, como se tivesse chegado da Primeira Guerra Mundial. E tinha um olhar de uma alma do Mundo Inferior, como o olhar de Nico Di Agelo, um filho de Hades que explora os reinos de seu pai e não gosta de conviver no Acampamento junto aos outros semideuses. Ele encarou Percy e disse:

— Agora não há tempo para explicações, precisamos ir! — Olhando para seu relógio.

O homem abriu as portas do quarto de Percy com tanta violência que por um momento ele pensou que iria dividi-la em zilhares de partes como o vidro do seu quarto. Sally, mãe de Percy, provavelmente acordara e ele estava torcendo para que isso de fato tenha ocorrido.

Eles atravessaram o corredor e ela estava no sofá da sala. Vestia sua roupa de dormir e com olhores de preocupação. O homem olhou para ela e disse:

— Tive que usar a rede flu. Cai em uma casa de trouxas no centro de Nova York que por sorte não estavam em casa. Depois, pude desaparatar no telhado da foto em que você me enviou, que na verdade era a janela do quarto do Percy que fui obrigado a quebrar. Mas ela já foi concertada, agora precisamos ir!

Sally olhou para Percy, que não entendeu uma palavra que o homem pronunciou. O garoto estava viajando no mar de maionese e rapidamente perguntou:

— O que está acontecendo, mãe? — Disse ele com um olhar retorcido.

— Você descobrirá Percy, agora vá e boa sorte!

Percy mal acabou de sair de uma guerra e já estava saindo para uma nova missão ou sei lá que coisa maluca estava pestes a acontecer. Ele seguiu o homem pela porta de sua casa, deu uma última olhada nos olhos de sua mãe e fechou a porta atrás dela.

As ruas de Manhattan estavam silenciosas na escuridão da madrugada. O vento frio era refrescante. Só era possível escutar o som das indústrias e dos animais noturnos da ilha cheia de becos que chega a dar medo na madrugada. Ainda mais se você é um semideus.

O homem entrou no beco mais próximo, este tinha pouco iluminação. Seguiu para o canto mais escuro e disse:

— Vamos apartar, segure na minha mão e não solte! Tudo bem?

— Tudo bem! — Respondeu Percy.

Ele segurou na mão do homem, ela era fria e estava ressecada. De repente Percy começou a girar e foi obrigado a soltar sua mão. Tudo em sua volta escureceu e ele mal conseguia respirar. Girava por todas as direções. Seus olhos foram forçados contra a cabeça e seus tímpanos estavam sendo forçados contra o crânio.

Logo tudo parou, Percy sentiu um frio diferente de Manhattan. Ele abriu os olhos e paisagem a sua volta tinha mudado completamente. Estava agora em frete a uma estação de trem. O sol estava brilhando a leste. Observou as construções da cidade e pode perceber uma grande torre com um grande relógio que marcava nove e meia.

Percy já vira aquela construção em algum livro de Geografia de uma das escolas que havia sido expulso. Um ônibus panorâmico passou por eles e ele perguntou:

— Estamos em Paris?

— Paris? Bem-vindo a LONDRES! — Respondeu o homem que na luz do dia parecia mais ainda como uma alma dos reinos de Hades.

Notas finais
Comentem se gostaram, para que eu possa continuar.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.