A Profecia Oculta
4 Algumas Descobertas Sobre Um Passado
Notas iniciais
– Qual é o seu problema? Tentar explicar pra sua nova irmã que a melhor amiga dela morreu, e ainda por cima tentar explicar nosso mundo e dar um tratamento especial á ela, sem nem me deixar falar com Quiron antes! Você sabe o que pode acontecer se ela descobrir coisas que não pode?
– Mas ela já sabe de praticamente tudo o que ninguém quase sabe...- disse eu, cortando Annabeth.
–... e você ainda deixa aquela tal de Senhorita Calypso voar no seu pescoço na minha frente, ai me abandona e me deixa ir com Hefesto, que me queimou inteira. E agora ainda quer que eu fique bem e calma com toda essa historia? Uhum, tá, e Perséfone é princesa do Sea World. Ah, Percy.
–Sabe de uma coisa Annabeth? O problema não sou eu, é você com esse seu ciúme não sei da onde. Nem tudo é minha culpa, sabia? Não adianta ficar nesse joguinho de cutuques sem motivos. Se o que você realmente quer é esfregar na minha cara que você é muito melhor do que eu, já conseguiu. Não precisa ficar brincando de guerra com o coração dos outros. Seja o que você prefere de você, e eu digo que eu prefiro aquela menina que eu encontrei há alguns anos atrás, que eu aprendi a conhecer.
Só depois que eu disse todas essas coisas sem pensar, percebi que o que sentia não era exatamente uma raiva de vê-la me criticando. Mas sim, confusão, sabendo que o precisava dizer, mas sabendo que não era a hora certa. Annabeth com certeza devia estar abalada, mas eu poderia ter dito que ela estava com ciúmes, só, e não todo esse discurso. Agora eu fiz a tecnicamente garota que eu amo estar à beira das lagrimas e com raiva de mim, me desaprovando e observando com o olhar.
–Está bem, Percy. Faça como quiser – disse Annie, firme– mas não é você que não é ninguém. Eu não posso ser comparada a você, herói. Você é tão... você não ganha privilégios porque foi o herói porque não acha isso certo... você é a minha razão de estar aqui, mas eu tenho que respeitar o que o seu coração manda. – Annabeth olhou-me profundamente nos olhos, me dando calafrios – eu vou fazer a inspeção e caso você não me queira por perto... peça para trocar de turno de monitor com Quiron. – Sua expressão era como uma careta, que dizia estar escondendo tristeza com força. Virou-se e saiu andando pela porta da frente.
E eu estava sozinho de novo.
Sozinho por dentro e provavelmente com ninguém no andar em que eu me encontrava.
Sentei-me na escada e olhar para a porta que Annabeth tinha deixado aberta e consegui vê-la correndo com os cachos loiros atrás, para a praia. Quando me dei conta, estava sentindo um vazio como quando pensei que minha mãe tinha morrido. Ela me amava e eu fui idiota de dizer que ela não me amava. Dá pra entender? Acho que não. Dói. E meus olhos estavam úmidos.
– Idiota, idiota, IDIOTA!- disse para mim mesmo. Sensação? De mais raiva ainda.
– Percy? – perguntou algum idiota.
Não era um idiota. Era Amy.
Enxuguei os olhos e me virei para a escada. Ela ainda estava lá em cima.
– Estava chorando? É... Bom, eu ouvi. Brigou com Annabeth, não foi? Vocês têm sintonia. São muito diferentes.
Sinceramente, acho que essa garota saca as coisas rápido demais e gosta de paradoxos. Além do fato de ela ser inteiramente paradoxal.
– É, é, eu briguei com ela, mas você não devia estar lá em cima? Onde esta o curandeiro de Apollo? E Chris?
– Ah, uma tal de Clarisse chamou Chris e ele foi embora... e o curandeiro evaporou, fez puf. Não se onde ele está.
– E você veio ouvir uma coisa mais interessante?– resmunguei.
– Na verdade, eu quis descer, mesmo. Só que quando estava no topo da escada, escutei vocês dois discutindo. Daí eu parei e esperei terminar, e... Olha, — disse ela descendo os degraus– não que eu tenha muita experiência nesse departamento amoroso, mas... dói. Quando alguém especial deixa agente, ou até mesmo quando nós fazemos essa pessoa nos deixar... é ruim. Posso não saber exatamente como você se sente, mas a coisa mais difícil que tem, é achar alguém que te ame nesse mundo tão grande, tão louco, tão confuso e tão pequeno, que você ame também. Mas você teve sorte de achá-la. Pelo que Mitchie me dizia, Annabeth é muito dedicada, confiável, racional. Uma pessoa que nasceu para ser admirada.
Foi nesse momento que eu me toquei quem era essa tal de Mitchie.
Mitchie era uma das novas crianças que chegaram no acampamento que os deuses tinham nomeado como filhos, logo depois da promessa que eles me fizeram. Só que no caso dela, foi a única a ser nomeada como indeterminada. Era uma garota com cerca de dezesseis anos e foi logo umas das primeiras, mas já estava sendo vigiada parecendo ser outra dos Três Grandes fora da promessa, porque muitos monstros a perseguiam todos os dias.
Mitchie era aquela garota que me lembrava muito Bianca, só que com o cabelo marrom com as pontas pintadas
de loiro claro, com um corte muito moderno, meio desfiado, meio reto. Usava uma franja nas sobrancelhas, toda desfiada. Ela andava sempre com os olhos pintados muito forte de preto. Só usava jeans e cada tênis um mais colorido e diferente do outro. Sempre com o mesmo colar com uma estrela completada por um coração, parecendo cristal, mas era gelo do Styx. Eu me encontrei com Quiron no dia em que ela chegou e perguntei a ele como era a vida de Mitchie. Ele me respondeu que ela era uma modelo órfã, com fotos espalhadas por várias cidades.
Tinha fama de quebrar muitos corações, mas era muito enigmática. Tímida, não falava com quase ninguém, só com Annabeth ,raramente, e mais umas três ou quatro pessoas, além de ser muito conquistadora no chalé de Hermes. Só que ela não ligava para ninguém. Quando eu falei com ela pela primeira vez, que foi em uma aula de esgrima, Mitchie me pediu para aconselhá-la, porque ela estava se sentindo
muito perdida, e eu fui.
Então ela me perguntou como eu me sentia quando cheguei.
–Eu também estava muito perdido, Mitchie. Eu não conhecia ninguém, só Grover, o sátiro, que era meu melhor amigo. Foi muito difícil no começo, mas acho que você deveria ser menos tímida.
– Pois é, já me falaram isso. Annabeth tem sorte de tê-lo. E você tem muita sorte de tê-la. Ela é muito legal. Formam um belo casal, mas o único problema é que eu não entendo como vocês se suportam. Bom, eu sei que vocês se conheceram há um bom tempo, e foram se conhecendo, acho que é por isso que se amam tanto. Os dois são perfeitos. Olha, Percy, eu nunca conheci alguém muito bem. Sempre fui meio isolada no mundo, e as pessoas falavam comigo porque diziam que eu era bonita. É como ter pessoas
falsas falando com você, e depois você as descobre. Eu não tenho ninguém e não dá pra falar sobre isso com Annabeth, por isso vim falar com você. Vocês se entendem. E... a única coisa que sei que tenho é que procurar alguém, mas não
sei quem. E esse alguém fará alguma coisa muito grande e estranha acontecer comigo, e me fará conhecer alguém que preciso muito. Ela está lá fora. Achei que você entenderia.
– Olha, Mitchie... – falei, meio surpreso com a afirmação – na verdade, as pessoas falsas são descobertas depois. Sabe, eu conheci Cronos. Só que quando ele ainda não era Cronos. Ele era meu amigo. – então contei e Mitchie toda a historia sobre Luke, e o que eu havia descoberto com May Castellan também. – mas só que às vezes, as pessoas falsas não são falsas de verdade. Elas sempre querem chegar a um objetivo: de ter aquilo o que querem. Mas, mesmo que dê certo, uma hora elas vão descobrir que não foi a coisa certa a fazer, e vai se arrepender de algum jeito. E depois vão implorar por você. E, pode acreditar, sei disso por experiência própria. Ninguém imgina o que eu, Annabeth e Grover passamos. Só sabem superficialmente das histórias.
– Que agora são lendas. – disse Mitchie, admirada – só que...
De repente, Mitchie ficou com o olhar perdido em algum lugar. Não importava o quanto eu a chamasse, não iria responder. Por isso eu não a chamei. Já havia visto esse olhar antes.
Logo depois desse momento de estupor dela, murmurou:
– Obrigada, Percy. Agora eu sei o que fazer. Sei mesmo.
E saiu correndo, com a aura mais decidida que já havia visto, e o olhar mais feliz que eu nunca a vi ter.
Na noite seguinte, ela sumiu e colocamos todos os sátiros e meio-sangues possíveis a procurando. Mas ninguém achou Mitchie. Mesmo ela sendo uma meio-sangue poderosa, os monstros não a acharam. Só hoje, alguns meses depois, descobrimos onde ela estava. Só fomos saber o que aconteceu com ela... espera, só eu sei o que aconteceu com ela!
Mitchie tinha que procurar alguém, mas não sabia quem, estava destinada a uma coisa importante, mas não sabia o que. A pessoa era Amy, Amy era filha dos três grandes e quem a descobriu foi Mitchie, mas depois ela morreu...
– Percy? Você esta bem? Perdeu-se por um tempo, sumiu do mapa e nem me ouviu
gritando.
– Ah, me desculpe, Amy, é que... Mitchie. Eu sei quem ela é. Sei o que aconteceu
com ela.
– Ah, Percy, meu Deus! O que? Onde ela está? Esta num dos chalés? Por favor, me diga! Você sabe Percy, ela era a única amiga que eu tinha...
– Acho ela não está aqui, Amy. Ela morreu, e você sabe disso. Não achamos o corpo dela, mas sonhei com Mitchie na noite passada quando, bem, você descobriu que sua tia era Medusa, e que Juniper te trouxe para cá... Eu sonhei com tudo isso. E no final, Mitchie morria. Olha, me desculpe, mas temos que falar com Quiron muito seriamente sobre você.
– Mas como assim?
– Acho que já esta na hora de você conhecer nosso mundo, Amy.
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