A Profecia: Guerra Nos Campos De Tandara

9 O Momento de Um Novo Resgate se Aproxima


Nadja e Oliver encaram boquiabertos Sabina, que aos poucos volta à realidade após a profecia proferida. Lamar tem em seu rosto envelhecido um grande sorriso, e em seus pensamentos agradece aos céus e aos deuses por terem ouvido suas preces após vinte longos anos de espera.

O foco do olhar de Sabina volta à realidade, e ela encara seu mestre totalmente confusa.

― Não consigo compreender, mestre Lamar. – diz Sabina – O que significa isso que acabei de proferir?

― Eu entendi o que acho que entendi? – pergunta Nadja com o coração repleto de esperanças.

Lamar sorri, pois sabe exatamente o que ela e Oliver entenderam. A verdade está ali. Finalmente a resposta para seus vinte anos de espera.

― Sim, Nadja. – responde Lamar, com um sorriso complacente em seu rosto – Todos nós entendemos muito bem a profecia que Sabina acaba de proferir. Os deuses ouviram as minhas preces ao longo dos anos! A princesa Elie está viva!

Os olhos de Sabina e de Nadja se enchem de lágrimas com uma notícia tão maravilhosa. Um pequeno fio de esperança em meio a uma vida tão cruel e anos e anos de infelicidade e desespero. Nem tudo está perdido para Tandara então!

Oliver, sendo mais prático, apenas observa o semblante de Lamar, esperando por respostas para esta lacuna que está em branco. Como isso é possível? Simplesmente não consegue compreender e, apesar da alegria, quer ver suas perguntas silenciosas serem respondidas.

Lamar observa seus três companheiros, percebendo no rosto dos três as perguntas que querem ver respondidas. Não sabe se terá respostas para todas estas perguntas, pois até cinco minutos atrás também acreditava que a princesa Elie estava morta, porém, uma teoria de como ela pode ter sobrevivido acaba de passar por sua cabeça.

― Como isso é possível, Lamar? – Oliver expressa em palavras todas as dúvidas de seu coração – Como a princesa Elie pode estar viva? Eu me lembro perfeitamente bem do que aconteceu há vinte anos, você mesmo disse que ela estava morta.

― Infelizmente a maneira como ela sobreviveu eu ainda não posso responder, Oliver. – diz Lamar de forma calma – Essa pergunta só poderá ser respondida quando estivermos frente a frente com a nossa princesa Elie a única e verdadeira herdeira do trono de Tandara.

― E onde ela está? – pergunta Sabina, sem conter sua curiosidade – Não me recordo de ter proferido o local onde ela está escondida.

― Isso é porque você não proferiu isto, Sabina. – responde Lamar.

― E como vamos encontrá-la? – Sabina continua com seu interrogatório.

Lamar encara seus três companheiros ao longo de vinte anos de exílio. Os três têm muitas perguntas, que ele infelizmente não tem todas as respostas. Tudo o que tem são teorias que não param de inundar seus pensamentos. E seu instinto e grande sabedoria lhe dizem que todas as perguntas só serão respondidas quando a princesa Elie for encontrada.

― Ainda não sei como a princesa pode ter sobrevivido. – Lamar enfim diz – E meus conhecimentos me dizem que esta pergunta só será respondida quando a princesa Elie for encontrada. Mas de uma coisa agora tenho a mais absoluta certeza.

― Do que o senhor tem a mais absoluta certeza? – pergunta Nadja, incapaz de conter a curiosidade.

― De que chegou a hora da virada! – responde Lamar com um sorriso em seu rosto envelhecido – É chegado o momento de reunirmos nossa força de resistência, invadirmos o palácio e resgatarmos o rei Samir e a rainha Madelaine. Ou vocês esqueceram a segunda parte da profecia de Sabina?

― Eles estão vivos? – pergunta Oliver, incapaz de conter a ansiedade que já começa a tomar conta de seu coração.

― De acordo com a profecia de Sabina e com minhas investigações sim, nosso rei e nossa rainha estão vivos. – diz Lamar com a voz cheia de novas esperanças – E ficarão contentes em saber que de algum modo que ainda nos é desconhecido à filha deles, a verdadeira herdeira do trono de Tandara também sobreviveu. E, assim como Sabina proferiu, chegou a hora de juntarmos toda a força de resistência para mais uma vez invadirmos aquele palácio e de dessa vez sim, conseguirmos resgatar nosso rei e nossa rainha!

― Ótimo! – diz Sabina com a voz cheia de novas confianças e esperanças. – Agora estamos mais fortes e temos mais aliados! Tenho certeza de que dessa vez conseguiremos resgatar nosso rei e nossa rainha sem falhas!

― Dessa vez nós vamos conseguir! – comenta Nadja, contagiada pela onda de esperança que invadiu seu coração desde que ouvira a nova profecia de Sabina.

― Esperem um momento! – diz uma voz masculina muito familiar aos três.

― Ninguém vai invadir o palácio e enganar o usurpador sem a nossa ilustre presença! – diz uma segunda voz masculina muito parecida com a primeira.

― Eu devia saber que esses dois estariam escondidos e ouvindo em algum lugar. – comenta Lamar.

― Podem sair de onde estão escondidos e virem até aqui. – ordena Oliver.

Os gêmeos Paco e Paolo saem de trás de uma grande pedra onde permaneceram escondidos e escutando toda a conversa com um sorriso idêntico em seus rostos.

― O que vocês pensam que estão fazendo? – pergunta Nadja, com uma ponta de raiva em sua voz.

― O que você acha, gata? – pergunta Paolo – Escutando a reunião secreta de vocês.

― Não achamos justo as reuniões secretas e importantes da nossa força de resistência ser apenas com vocês quatro. – continua Paco.

― Nós começamos essa força de resistência caso os dois engraçadinhos tenham esquecido. – diz Sabina com uma ponta de ironia em sua voz.

― Não esquecemos, dona profetiza. – diz Paco.

― Mas nós também fazemos parte dessa resistência e queremos ajudar no resgate de nosso rei e nossa rainha! – diz Paolo.

― E vocês vão ajudar. – diz Lamar, colocando um fim à discussão dos dois – Na hora certa, toda a nossa força de resistência vai ajudar. Por hora, tenho que pensar em um bom plano para conseguirmos resgatar Samir e Madelaine e, dessa vez, não pode haver falhas.

― Dessa vez dará certo e eles serão resgatados! – diz Nadja.

― O senhor já pensou em alguma coisa, mestre? – pergunta Sabina.

― Sim, tenho algo em mente. – responde Lamar – Mas não posso compartilhar com vocês ainda pois minhas ideias estão muito desorganizadas. Preciso coloca-las em ordem e pensar em todos os detalhes do plano antes de compartilhar com vocês.

E, dizendo estas palavras, Lamar deixa o grupo e vai meditar sozinho e pensar com calma em tudo o que ouviu e em tudo o que precisa ser feito dali para frente. Em como vão resgatar Samir e Madelaine e, principalmente em como encontrarão a princesa Elie antes que Hannes a encontre e a mate.

*****

Após deixar tudo combinado para sua primeira aula de manejo de espadas com Raffi, Kacie volta para sua casa com um sorriso contagiante em seu rosto. Nunca, em toda sua ida conheceram alguém que mostrasse o mínimo de compreensão por sua paixão e fascínio por espadas, até agora.

Raffi fora diferente, embora tenha claramente zombado dela, no decorrer do pouco tempo que tiveram juntos vira nela o potencial de uma guerreira, e ela ficou imensamente feliz com isso. Pois é isso que sempre quisera ser, uma guerreira, alguém que gostaria de estar lutando pela liberdade de seu povo oprimido, porém seus pais nunca compreenderam isso e sempre disseram que ela precisa estar segura e longe da força de resistência.

Sabe que há vinte anos os verdadeiros rei e rainha de Tandara tiveram seu trono usurpado, mas não sabe detalhes, seus pais nunca se aprofundaram neste assunto, dizendo apenas que ainda não é o momento, que ela não está pronta. E, quando ela pergunta quando será o momento, quando estará pronta, eles simplesmente respondem que esse momento só os deuses sabem qual é.

Com os anos estes detalhes foram perdendo o interesse para ela, embora, não saiba explicar porque, sempre lhe dói o coração quando ouve falar do rei e da rainha que tiveram seu trono usurpado e a filha, a verdadeira herdeira do trono, assassinada quando ainda era recém-nascida, no dia do golpe que mudara toda a história de seu mundo.

Mesmo não conhecendo o rei e a rainha, sente uma imensa pena deles, e não sabe explicar o motivo. Gostaria que eles estivessem vivos e que pudessem lutar para recuperar o que é deles por direito. E, se pudesse entrar para a força de resistência e ajudar nesta luta seria melhor ainda.

Não sabe explicar, mas quando se pega pensando no rei e na rainha, de quem apenas ouvira falar, sente algo em seu coração, um sentimento nobre que não consegue nomear. Mesmo sem conhecê-los, sabe em seu coração que são pessoas nobres e que merecem todo o seu respeito e admiração.

Seus pais sempre lhe disseram que o verdadeiro rei e a verdadeira rainha merecem seu respeito e admiração e que, se eles estiverem vivos, ela lhes deve o total respeito, e ela admira-os, mesmo sem conhecê-los. Tanto, que quer se tornar uma guerreira forte e destemida para entrar para a força de resistência a ajuda-los a recuperar o trono que é deles por direito. Mesmo que a filhinha deles esteja morta, se recuperarem o trono eles podem muito bem ter outro filho para herdar o trono de Tandara. E, suspeita que eles sejam reis muito melhores que esses usurpadores, que governam o mundo na base da opressão.

De qualquer forma, mesmo contra a vontade de seus pais, já tomara sua decisão. Raffi será seu professor e, quando for uma guerreira forte, pois já se acha destemida, irá se juntar a força de resistência, embora não saiba como encontra-los. Mas para isso ela dará um jeito, quando chegar o momento.

Sorri ao avistar o jardim de sua casa ao longe e, percebe que ainda está com a velha espada de seu pai em mãos. Precisa escondê-la se quiser continuar com seu plano, pois se eles descobrirem que está de novo com a espada tornarão a escondê-la para que ela não aprenda e, não está disposta a isso. Aprenderá a manejar corretamente uma espada custe o que custar.

Andando pelo bosque encontra um grande carvalho, com uma pequena abertura em seu tronco.

“Perfeito”, pensa Kacie.

Esconde a espada ali e volta para casa, onde encontra Marie esperando por ela na porta de casa com um ar bastante preocupado.

― Kacie! – diz Marie – Onde você estava, menina? Não vê que seu pai e eu estávamos aflitos e preocupados com você?

― Eu estava por aí. – responde Kacie com um ar inocente – Já sou adulta, mama! Não entendo porque a senhora e o papa se preocupam tanto com minhas saídas!

― Porque não é bom que você saia sozinha e se distancie da aldeia! – retruca Kacie – Já pensou o que aconteceria se você fosse encontrada e capturada por um dos homens do usurpador?

― Não entendo porque a senhora e papa tem tanto medo de que eu seja vista por homens desse usurpador. Não sou uma donzela em perigo! Posso muito bem me defender deles!

Marie sorri, incapaz de dizer porque tem tanto medo de que ela seja encontrada pelos homens do usurpador. Não sabe se ela já está pronta para a verdade, os deuses ainda não mandaram o sinal. Mas, ainda é seu dever e de Jon protegê-la das forças das trevas.

― Um dia você entendera, querida.

― Sei. Ouço essa frase da senhora e do papa desde que me entendo por gente.

― Kacie, você ainda não respondeu onde estava. Já lhe dissemos que vivemos em tempos perigosos e que não é aconselhável que saia sozinha.

― Já disse que estava por aí e que não sou uma donzela em perigo. Sei me cuidar!

― A questão não é essa, Kacie!

― Então qual é a questão?

― Os homens do usurpador são perigosos! E o usurpador é mais perigoso ainda! Você pode ser morta se chegar a se encontrar com ele!

― Não tenho medo dele. Aliás, nem dele e nem de ninguém. Agora se a senhora me der licença vou pata o meu quarto, mama, preciso descansar.

Marie apenas observa Kacie entrar em casa para ir direto ao pequeno quarto, e sente um pesar em seu coração. Se ela ao menos soubesse... Tantas coisas dependem dela, todo o futuro de seu belo mundo e ainda nem sabe se Kacie, ou melhor, Elie, está preparada para seu destino, que, é bem longe e muito maior que esta humilde casa que a vida inteira ela chamou de lar...

*****

A madrugada rapidamente chega a Tandara e com ela o vazio e a escuridão de mais uma longa e silenciosa noite para a maioria dos habitantes de Tandara. Menos para Lamar, que aproveita a madrugada para agir sozinho e começar os preparativos desta invasão que promete ser a primeira etapa da hora da virada para as forças do bem.

Desde que ouvira dos lábios de Sabina a profecia que para ele é o início de uma nova esperança para o povo de Tandara, sua mente brilhante começou a trabalhar sem parar, traçando planos e estratégias para que possam resgatar com toda a segurança Samir e Madelaine daquele palácio, pois rei e rainha já permaneceram por tempo demais como prisioneiros do demônio em forma de homem e que atende pelo nome de Hannes.

Para sua sorte e também para o completo desconhecimento de Hannes, mantivera contato com alguns servos do palácio que nunca deixaram de ser leais a Samir e a Madelaine, assim como a grande maioria do povo deste mundo.

Ao contrário do que Hannes pensa, ele não tem completo domínio sobre o mundo. Ele pode usar a coroa e se achar rei, mas no coração das pessoas ainda existe a esperança de que Samir e Madelaine recuperarão o trono que lhes pertence por direito.

E agora, a nova esperança, a notícia de que a princesa Elie está viva. Não esperava por isso e ainda não faz ideia de como ela sobreviveu, mas no momento isso não é importante. No momento, a única coisa que importa é que este é o início de uma nova era para Tandara, uma era que trará Samir e Madelaine de volta ao trono que lhes pertence por direito e que voltarão a governar com justiça. E que a futura rainha de Tandara será a Elie, que está em algum lugar deste mundo esperando para ser encontrada.

Ele começa a avistar os grandes e fortificados muros do palácio de Tandara e sorri, hora de colocar seu arriscado plano de recolher informações em prática. Fechando seus olhos, o mago começa a concentrar todo o seu poder e sua aparência começa a mudar de forma. A grande túnica branca dá lugar a trapos imundos de mendigos. Seus traços envelhecidos dão lugar a uma aparência mais jovial, um rosto completamente desconhecido e sujo, seus cabelos e barbas brancas pela idade transformam-se em cabelos e barba tão negros como a mais escura e sombria das noites, e seu cajado de mago dá lugar a uma velha bengala de apoio.

Sorri. Ninguém, nem mesmo Bernadette seria capaz de reconhecê-lo assim.

Aproxima-se do palácio e encontra de guarda um dos homens da Legião Maligna de Perrin, um destes bastardos que é fiel a Hannes. O homem aproxima-se com espada em mãos e não parece saber quem ele é.

― O que quer, mendigo? – pergunta o guarda de forma brusca – Você não tem permissão para entrar no palácio! São ordens de Vossa Majestade o rei Hannes! Ninguém pode entrar ou sair sem a permissão dele!

― Não quero entrar. – diz Lamar disfarçando sua voz para parecer cansada e faminta – Apenas estou procurando por Pablo, ele costuma me alimentar com restos de comida.

― Aquele idiota não tem permissão do rei Hannes para fazer isso! Vá embora desgraçado se não quiser que eu lhe mate!

Lamar olha bem no fundo dos olhos do guarda, e um estranho brilho dourado sai de seus olhos, enquanto ele encara de forma firme o guarda da Legião Maligna de Perrin.

― Vá chamar Pablo! – ordena Lamar.

― Sim, senhor! – responde o guarda.

O homem de Hannes adentra para além dos muros do palácio deixando Lamar sozinho com seus pensamentos no meio da madrugada. O homem volta cinco minutos depois acompanhado de Pablo, que sorri ao ver Lamar.

Pablo o reconhece de imediato, pois o disfarce de mendigo vem sendo o disfarce que Lamar usa para se comunicar com ele ao longo desses vinte anos de sofrimento, tortura e lei marcial.

Os dois deixam os muros do palácio e vão conversar em uma floresta nos arredores, em que Lamar cria um escudo invisível para que ninguém veja e ouça os dois e volta a sua forma física original.

― Meu coração se alegra em vê-lo, mago Lamar. – começa Pablo – Espero que o senhor tenha boas notícias e que estas alegrem meu coração.

― As notícias que lhe darei dependerão das respostas que você me dará as perguntas que preciso lhe fazer. – responde Lamar.

― Não compreendo, mago Lamar.

― Pablo, ao longo desses vinte anos você me manteve informado de tudo o que acontece dentro dos muros deste palácio. Inclusive, sobre o estado de nosso amado rei Samir e nossa querida rainha Madelaine.

― Não é justo eles serem tratados como dois animais por aquele bastardo do Hannes.

― Realmente não é justo. Hannes vem fazendo o que quer ao longo desses vinte anos. Mas Pablo, já está chegando o momento da virada do jogo para as forças do bem.

A expressão preocupada de Pablo dá lugar a um sorrido de espanto e surpresa. Esperara ao longo de vinte anos por uma notícia como esta e, finalmente ouvi-la é algo que vai muito além do impressionante. É simplesmente mágico.

― Isso... Isso é verdade...? Mago Lamar... Eu... Eu simplesmente não consigo acreditar no que o senhor está me dizendo... Isso é... Simplesmente maravilhoso... Não consigo encontrar palavra melhor para definir tamanha alegria... O senhor mais do que ninguém sabe o que sofri todos estes anos vendo com meus próprios olhos o que aquele maldito usurpador faz com meu rei e minha rainha.

― Sei. Mas como disse. Está chegando o momento de Samir e Madelaine recuperarem a liberdade, e, este será o primeiro passo para a nova esperança de nosso mundo.

― O que o senhor quer dizer com nova esperança de nosso mundo?

― Ainda é um pouco cedo para que eu revele sobre isso. Entenda que ainda não é o momento certo de você e os outros membros de nossa resistência saberem disso. Mas agora preciso que você me responda algumas perguntas.

― Estou a seu dispor, Mago Lamar.

― Como é a segurança de Samir e Madelaine?

― Acho que o senhor gostará de saber que o usurpador está tão confiante que a “relaxou” por assim dizer. Dois guardas da Legião Maligna de Perrin guardam a entrada das masmorras. E, os corredores que levam a ela hoje em dia não tem nenhuma vigilância.

― Muito diferente do que era há vinte anos. – observa Lamar.

― Sim, mago Lamar. Como eu disse, esse desgraçado do Hannes acha que ninguém mais será capaz de lhe roubar o trono. Hoje em dia ele também não tortura mais os dois, acho que cansou-se, não sei bem. A única coisa que sei, é que o rei e a rainha continuam vivos e fracos. De vez em quando o usurpador vai vê-los para tripudiar em cima dos dois. Humilhá-los, como se já não fosse humilhação suficiente viver como prisioneiros em seu próprio castelo.

Lamar escuta com atenção cada palavra dita por Pablo, e, conforme ouve cada palavra, seu plano vai se aperfeiçoando em sua mente. Dois guardas na entrada do corredor que leva as masmorras... O resto do caminho livre... Agora, só uma dúvida lhe resta...

― Então imagino que o mais difícil será passar pela segurança das entradas do palácio. – Lamar não está perguntando, está afirmando.

― Sim, senhor. Como o senhor sabe, a segurança daqui de fora é a mais reforçada de todo o palácio.

― Difícil mas não impossível.

― O que o senhor quer dizer?

― Pablo, guarde isto em segredo. Mas na madrugada de amanhã eu e a força de resistência daremos início a invasão deste palácio para devolvermos a liberdade ao rei Samir e a rainha Madelaine.