A Profecia Das Gêmeas
2 Dúvidas
A noite caiu e as duas irmãs nem se quer pensaram em olhar no relógio. Rayssa estava com fome e desceu para pegar uma bolacha. Ela seguia para a cozinha quando ouviu uma discussão, curiosa ela encostou-se à parede para escutar.
— Não Não Não! Eu já disse que não podemos mandá-las para lá.
— Por que não? Vamos, dia! Você me esconde isso há onze anos.
— Porque é perigoso!
Eram seus pais, aparentemente o pai era contra algo que sua mãe não entendia o motivo. A cabeça de Rayssa se encheu de perguntas... Mandar quem? Para onde? E o que seria tão perigoso?
— Mas o que tem de tão perigoso?
A mãe dela pareceu ler os pensamentos da filha, logo ela teria a resposta para a terceira pergunta.
— Tyna e Taynara foram mortas, todos achavam que era seguro até... você-sabe-quem entrar e matá-las.Ninguém até hoje tem ideia do motivo e nem precisa.Se tratando desse ser...ele nunca precisou de motivos.
— Ah pelo amor de Deus!As duas eram mais caladas que estátuas, a posto que nem a sua mãe sabia o que acontecia com elas.
Ali estava uma das respostas, se é que era possível considerar como uma já que era tão enigmática que mais perguntas surgiram na cabeça. Quem eram Tyna e Taynara? Quem as matou?Por que não diziam o nome? A discussão se seguiu:
— O importante é que elas não precisam saber, não é importante elas irem para lá e ponto! – O pai encerrou a discussão sem maiores explicações.
O silêncio tomou conta do local, após ambos se calarem, Rayssa subiu para o quarto correndo. Ela precisava contar tudo para Ayellen o que acabara de ouvir e foi o que ela fez. A irmã ouviu tudo sem saber se retrucava ou acreditava em Rayssa, mas a gênio da família nunca mentiria então lhe restou a segunda opção.
Dois dias se passaram com um clima tenso. Uma noite, Rayssa e Ayellen desceram para jantar, ambas ainda cheias de dúvida.
— Ai!— reclamou Ayellen depois de Rayssa ter parado bruscamente.
— Escuta! — respondeu fazendo sinal para a irmã prestar atenção.
— Me diga então...Qual é o motivo de toda essa importância delas saberem?
— Lá vem você mais uma vez com essa história... RAYSSA, AYELLEN EU NÃO VOU CHAMAR NOVAMENTE. — A mãe as chamou gritando
Elas se entreolharam.
— Vamos, antes que ela nos mate.
As duas chegaram correndo e sentaram-se à mesa já se servindo.
— Ayellen, passa o purê para mim?
Ela passa, mas não demorou muito para Rayssa dar outra “ ordem”
— Ay, pega o suco.
Ayellen retruca:
— Ah Rayssa, que saco!Estou cumprindo ordens para você o dia todo. Você tem mãos, pega você!
— Você está mais perto da geladeira!- Diz Rayssa
Ayellen se levanta, abre a porta da geladeira e responde:
— Sua cadeira deveria quebrar para você deixar de ser folgada!
Sem mais nem menos, as pernas da cadeira se quebram e Rayssa cai no chão derramando a comida em cima do pijama. A mãe olha para o pai com cara de que o que aconteceu respondia a pergunta feita antes do jantar.Ayellen – assustada- se vira para os pais já se livrando da culpa.
— Eu não fiz nada!
Outro silêncio constrangedor tomou conta da cozinha, aqueles pausas haviam se tornado freqüente na casa deles desde o dia em que as garotas viram as corujas. Rayssa se levanta, o pai tira do bolso algo parecido com uma varinha, um objeto que as gêmeas apenas deduziram ser uma, já que elas nunca haviam visto antes.
Apontando para a cadeira quebrada o pai pronuncia duas palavras:
— Cadeira reparo
— Ok, você tem razão. Vou contar a elas.
O pai nem precisou se preocupar em como falar, as gêmeas já haviam entendido a parte mais impressionante, elas mesmas deduziram que ele era um bruxo, a partir daí, o resto foi mais fácil de explicar. Rayssa ficou brava por ele não ter contato aquilo antes, ela se vira para mãe ao perguntar.
— Você também é mãe?
— Não sou. Deixem o seu pai terminar. — ela respondeu sorrindo
— Essas cartas são de uma escola de magia e bruxaria, lá eles ensinam feitiços, poções e como lidar com essa habilidade. Eu sou contra essa ida, mas fica a critério de vocês. Amanhã vocês me respondem.
Após o jantar, as duas subiram as escadas ainda impressionadas.
— Dá pra acreditar? Somos bruxas. A vida ficará bem mais fácil — dizia Ayellen
— É, sim. — Rayssa respondeu distraída analisando a carta em sua mão— Olha, era milhares dessas que as corujas estavam entregando, por isso tinha tantas corujas aquele dia.
O dia seguinte demorou a passar, talvez pelo fato de que ambas estavam muito ansiosas para dar o veredicto à família naquela noite. Ayellen passara o dia todo imaginando como seria a tal escola; já Rayssa pensou pouco sobre o assunto, o que mais atiçava a curiosidade dela eram as matérias, o que de novo ela aprenderia? Como seriam os livros de magia?
Quando o pai finalmente chegou do trabalho, elas desceram correndo anunciando que já tinham tomado uma decisão.
— Pensamos muito e nós já tomamos nossa decisão.
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