A Profecia
19 CAPÍTULO XIX
Notas iniciais
ZYAH
Todos os Herdeiros se reuniram no jardim. Lyra pegava seu machado duplo, roxo escuro e completamente demoníaco. Wai-Zi pegava sua katana. Ley lutava com duas espadas médias encobertas por algas marinhas. Droi e Drei usam espadas idênticas exceto pelas cores. Uma com fogo laranja, outra com fogo amarelo.
Faya sempre luta com sua faca espelhada, que sempre ajudava a ver seu reflexo enquanto lutava. Eu sou o único que luta de arco-e-flecha. Wuley usa uma lança comum, mas é muito boa com ela.
Até Syr iria lutar. Ele tinha um martelo bem grande e não pude acreditar que ele conseguia carrega-lo.
— Muito bem, Herdeiros – diz Lyra – antes de iniciarmos o treinamento devemos repassar umas coisas.
— Nunca vamos vencer o Ysill – falou Ley consigo mesmo.
— Claro que vamos!
— Qual é, Lyra – este é Droi falando – sabemos muito bem que é impossível. Os Fundadores estão mortos e esquecidos embaixo da terra. Não vão nos ajudar.
— E ainda por cima perdemos o Espelho – reclama Wuley.
— O Espelho será recuperado. – todos se surpreenderam, pois quem falou foi Helena.
— E como você sugere que façamos isso? – pergunta Faya.
Ela olha para mim, muito segura, ela me lança um sorriso miúdo, mas confiante. Depois olha para eles novamente.
— Indo na Aldeia Décima e pegando ele de volta.
— O QUÊ? – todos gritam em uníssono, sim, incluindo eu.
— Vocês dizem que o Espelho é poderoso. E faz mais coisas do que simplesmente atravessar mundos...
— Sim – eu digo – o Espelho pode invocar os Antigos Poderes dos Fundadores. Pode fortalecer muito nosso exército e nosso poder espiritual... Mas entrar na Aldeia Décima é suicídio.
— Ele veio até nós não é?
— Sim, Helena, mas nós somos mais fracos que nossos pais. Se nem eles podem passar imagine nós... Helena imagine você! Não posso... Não podemos te perder.
— Qual seria a diferença, Zyah? – Lyra me pergunta – ela começou todo o problema. Mande-a para a Aldeia Décima nessa missão suicida. Se ela voltar, perfeito. Se não, ótimo.
— Sinceramente você não tem sentimentos, não? – eu pergunto cheio de ódio.
Lyra ultrapassa os limites. Diz sobre amar Nitha incondicionalmente e só pensar no bem das Aldeias e até do que tem além delas. Mas no final ela não passa de uma sociopata fria e calculista.
E pensar que eu pude beijar alguém como ela. Que eu gostava dela. Bom, uma hora as máscaras caem. Mas parece que todos a admiram como se ela fosse a própria Lyra.
Mas a Grande-Mãe, a Criadora, não deve ser comparada com uma adolescente. Guerreira ou não.
De qualquer forma, Lyra (a mortal) não respondeu minha pergunta.
— Escute – diz Wai-Zi – é maluquice e completa frieza mandar alguém sozinho para roubar o Espelho dos Poderes na Aldeia Décima.
— Eu concordo – diz Syr, que apesar de mais novo, é um dos mais inteligentes entre nós. Obviamente sendo da Aldeia Quinta.
— Obrigada – murmura Wai-Zi.
— Não com você. Concordo com Helena.
— O que? – pergunto incrédulo.
— Ela está completamente certa – Syr continua, Helena o agradece baixinho – mas não deve ir sozinha, tal como Wai-Zi falou. E, sendo ela Guardiã, tem muitas vantagens.
— Deveríamos ir todos juntos. Recuperar o Espelho.
— Teria de haver um exército a postos para caso algo aconteça – diz Ley.
— Posso falar com meus pais – Syr diz – eles não são tão quadrados como os pais de vocês.
— E quanto a Ysill... E a Besta? – pergunta Faya.
— Se partirmos cedo – diz Helena – talvez não dê tempo de a Besta despertar. O que acha Zyah?
Respiro fundo.
— O plano pode dar certo. Mas é muito perigoso.
— Eu sei disso. Por isso devemos treinar. Treinar fisicamente e Espiritualmente.
Drei se levanta da pedra na qual ele estava sentado.
— Wai-Zi dê as adagas para ela. Vamos lutar!
Wai-Zi vai até atrás de uma pedra e tira duas adagas embainhadas. As bainhas eram vermelhas com detalhes dourados.
— Parecem Orientais – comenta Helena rindo nostálgica, como se fosse uma piada interna que a trouxesse lembranças boas.
— Bom, não sei o que é “Orientais”, mas essas coisinhas são muito boas de luta.
Helena prendeu as adagas no cinto e tirou uma da bainha. A lâmina era prateada e mais polida que um Espelho. Helena dá um meio sorriso satisfeito.
— Isso aqui é melhor que arco-e-flechas. Sem ofensa, Zyah.
— Ainda bem que arcos ainda são meus exclusivos. – comento.
— Chega de piada – Lyra comenta – um de cada Aldeia vai ensinar à mortal uns golpes de adaga ou qualquer outra coisa que eles sabem. Devemos ensinar o máximo que sabemos.
— Tradicionalmente: da Primeira à Nona. – diz Syr.
Helena desembainha a outra adaga e olha fixamente para mim. E percebo que também estou olhando fixamente para ela. E que Faya está olhando nós dois com ódio e desconfiança.
— Vamos começar? – Faya pergunta quase aos berros.
— Bom, Helena. – eu digo – minha especialidade é arco-e-flecha como você sabe. Ou seja, armas de distância. Então vamos treinar aqui como lançar adagas num ponto fixo, tudo bem?
Ela faz que sim com a cabeça.
Chego mais perto dela e deixo meu arco encostado na árvore.
— Me empresta uma adaga.
Ela me estende uma.
— Você deve segurá-la pelo cabo...
— Não, Zyah, pela lâmina – Droi comenta sarcasticamente. Ouço risos.
— Muito engraçado, Droi.
— Continue – Helena diz.
— Tudo bem. Segura bem na ponta do cabo. E lance. É como atirar num arco e flecha, mas sem o arco... Vou acertar aquela árvore ali. Veja.
Lanço a adaga na árvore à frente, e ela cai bem no meio dela.
— Deve ser como atirar facas de cozinha... – Helena comenta.
— É isso aí – eu digo – sabe fazer isso?
— Eu tentava lançar algumas em André quando ele me enchia o saco, enquanto eu lavava louça. Isso acontecia todo santo dia. Mas eu não queria acerta-lo de verdade então eu mirava na parede. Isso já fazia parte da minha rotina.
— Bom tenta atirar naquela árvore. Encima da adaga que lancei.
Helena joga sua adaga em direção à árvore e cai exatamente onde eu disse para ela lançar.
Aplausos.
— Muito bom, Helena.
— Obrigada. – ela responde.
Syr vai pegar as adagas na a´rvore.
— Quem é o próximo? – ele pergunta.
— Eu.
Quase temo que ambas de matem ali mesmo. Pois a próxima a ensinar táticas de guerra à Helena, é Faya.
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