A Profecia
13 CAPÍTULO XIII
Notas iniciais
HELENA
Ouvimos o grito de um garotinho. Quando olho Zyah, vejo que seu rosto perdeu totalmente a cor. Ele demorou muito para agir, ficou perplexo e assustado. Olho para Lert, também assustada, e tento pedir ajuda.
Lert parecia confuso como eu. Ele balançou Zyah com força.
- Zyah! Cara!
Zyah pareceu ter voltado um pouco ao normal, e saiu em disparada. Adentrando na floresta sem hesitar. Eu e Lert fomos correndo logo atrás.
Zyah correu até a fronteira entre a Floresta do Verão, pelo o que dedusi. E ele estava certo, eu teria achado aquele lugar a coisa mais linda de todas. Iluminada por uma luz amanteigada e brilhosa, suas árvores eram incríveis e vivas, e flores se espalhavam por todo o lugar. Era perfeito.
Se não fosse pelo corpo moribundo aos meus pés.
- Sagrada seja Lyra. — murmurra Lert.
O corpo era de um garotinho, com talvez 12 ou 11 anos. Ele estava de barriga para cima, mas a cabeça estava completamente virada para trás. Não havia sangue em lugar nenhum. Apenas o corpo pálido e sem vida daquela criança.
- Que horror — murmuro.
- É Kirin, o irmão de Faya — diz Zyah a ponto de chorar loucamente — Deuses, é o irmão de Faya!
- Devemos levá-lo para a Aldeia Primeira. E avisar a Faya. — digo.
Lert assente.
- Ele merece um enterro na própria Aldeia — afirma — vamos levá-lo para a nossa e chamar seus pais.
Lert pega a criança no colo. E quando o faz podemos ver o rosto dele. Assim que o vemos Lert o deixa cair no chão de novo, após dar um grito.
Não havia nada no rosto dele. Nem boca, nem nariz, nem seus olhos. Sei que as pessoas da Aldeia Segunda não são assim porque já vi Faya. Parecia algo sombrio... E completamente ruim.
- Isso é obro da Aldeia Décima — Zyah afirma — tenho certeza disso.
- Sim, mas ninguém da Aldeia Décima tem forças para vir para as 5 primeiras Aldeias. Tem que estar totalmente sólido para isso — Lert comenta.
- Não foi ninguém da Aldeia Décima — eu digo.
- Como assim? — Zyah e Lert pareciam mais confusos.
- Foi alguém de outra Aldeia, mas que sirva aos Décimos. Foi um espião.
Os dois prendem a respiração.
- Não sei qual é a pior notícia do dia — diz Zyah.
- Temos que ir. O que quer que matou Kirin pode estar aqui perto — eu digo.
Lert pega ele no colo e saímos as pressas da Floresta do Verão.
Quando chegamos nos Portões da Aldeia Primeira, Zyah nem precisou dizer a senha. O Porteiro olhou o corpo nos braços de Lert e cochichou a senha para os Portões.
Não pudemos evitar os olhares assustados, é claro. Nem os olhares de acusação para mim.
Quando entramos no castelo, a criada de Zyah dá um grito e sai correndo gritando socorro.
A mãe e o pai de Zyah vêm correndo. A criada abraçava Cyra, talvez dizendo que ela não deveria ver aquilo. Eu concordava.
O pai de Zyah quase desmaia, mas a mãe dele tinha um olhar triste, como se soubesse que algo assim aconteceria.
- Ah, Santa Lyra — murmura o pai de Zyah.
- Onde está Faya? — Zyah pergunta.
- Sendo interrogada pelo Capitão.
- Devemos chamar os pais dela.
- Vou madá-los uma carta.
O pai de Zyah sai. E colocamos o corpo de Kirin em cima da mesa de jantar.
Eu ainda estava perplexa demais. Dois assassinatos na mesma semana. Nunca desejei tanto ir embora de um lugar.
Esperamos pelos pais de Kirin muito desconfortáveis. De vez em quando nós levantávamos suspeitas de como pode ter ocorrido a morte dele... Mas a discussão para de repente. E voltamos ao silêncio assustador que se mantinha.
Quando ouvimos a porta bater, ninguém sabia o que sentir, ou que reação ter.
A criada atende. A mãe de Faya, tão linda quanto ela, vem desesperada e se agarra ao corpo do filho. Chorava muito. E logo as roupas do cadáver estavam molhadas. Não conseguimos tirá-la de lá.
- Primeiro Torin, e agora Kirin. Minha esposa não suportará perder Faya — diz o pai de Faya em uma voz melancólica.
- Espera — diz Zyah — Torin está morto?
- Nós o encontramos a alguns quilômetros de onde você disse ter visto Kinrin. Nas mesmas condições que o irmão.
Perder os dois filhos num dia. Não consigo imaginar a imensa dor que ambos estão sentindo agora. Nem a dor que Faya vai sentir quando chegar. Eu mesma não posso nem imaginar na possibilidade de perder André.
Ficamos quietos de novo. Só se ouvia o choro da mãe de Kirin sobre o corpo do filho.
Então Lert disse:
- Achamos que há um espião décimo entre nós.
O silêncio permanece e demora a ser quebrado de novo.
- E o que devemos fazer? — pergunta a mãe de Zyah — esperar outro assassinato e tirar nossas conclusões?
- Acho que devemos fazer o que os Quintos nos disseram — disse Zyah — devemos convocar os Governantes. Algumas Aldeias podem ter mais notícias que podem nos levar ao culpado.
- Se vamos convocar um Conselho — diz o pai de Zyah — devemos fazer isso o mais rápido possível. Antes que mais alguém morra.
- Seria melhor se madássemos uma carta aos Quintos. — eu digo. Todos olham para mim, surpresos, como se nem tivessem notado minha presença.
- E você deve ser um dos principais assuntos do Conselho, suponho — diz o pai de Kirin com uma ponta de desdenho na voz.
- Acho que há coisas mais importantes e desesperados do que uma garota que atravessou um espelho, Tür.
- Como sabe meu nome?
Então eu paro. E percebo... que eu realmente não sabia a resposta.
- Eu não sei — murmuro.
- Isso não importa agora — diz Lert — mas, Helena tem razão. Devemos mandar uma carta aos Quintos. E pedir que eles convoquem logo esse Conselho.
Então ouvimos a porta bater novamente. A criada vai atender, e todos estamos duvidosos quanto a quem seja.
Quando a porta se abre, vemos o rosto belo e divino de Faya.
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