A Procura do Desconhecido
21 Treino de futebol, desabafo e beijo!
Notas iniciais
(Versão Clary)
– Ótima idéia. Estava para combinar isso com você há alguns dias, mas aconteceu tanta coisa que acabei me esquecendo. – Disse para Milena, uma menina que participava junto comigo do grupo das Líderes de Torcidas.
– Pois é. Muitas das meninas queriam saber... – Ela estava falando quando vi James e Rebheka bem próximos e íntimos conversando escondidos sobre alguma coisa que não conseguia ouvir. Minha atenção saiu de Milena e se focou totalmente neles. Ficaram lá por alguns poucos minutos, até que Rebheka saiu em direção à biblioteca deixando James. – Clary você está me ouvindo?
– É... Oi... Desculpa... Não, pode ser isso mesmo. – Concordei com ela sem saber do que se tratava, pois ainda estava olhando na direção em que Rebheka tinha ido.
– O.k. Te mando uma mensagem mais tarde.
– Eu espero! – Falei com ela se distanciando de mim.
Por mais que queria seguir Rebheka, não o fiz, fiquei apenas parada ali, anotando algumas coisas sobre a reunião e o treino que tinha na semana que vem das Líderes de Torcida. Quando estava indo para o jardim, alguns minutos mais tarde, vi Lizy correndo pelo corredor enquanto lágrimas escorriam dos seus olhos.
– Lizy?! O que aconteceu? – Perguntei sem pensar duas vezes antes que ela fosse embora.
Ela olhou para mim, não falou nada e continuou correndo corredor a fora. Não se passaram nem dois segundos, John apareceu afobado a procurando.
– Viu a Lizy?! – Ele perguntou todo esbaforido.
– Vi, mas o que aconteceu?
– Ela me viu beijando a Rebheka. Mas me fala para onde ela foi! – Ele insistiu.
– Eu não acredito! Você beijou a vadia da Rebheka?
– Não, eu não beijei ninguém, ela que me beijou. – Ele respondeu olhando em volta à procura de Lizy.
– Como?! Eu a vi agora a pouco e estava no maior Love com James!
– Clary, você tem que acreditar em mim, sabe como ela é, me beijou para acabar tudo que tenho com a Lizy... Mas agora me fala para onde ela foi.
– Ela foi por ali. – Disse apontando a direção em que ela tinha ido.
Ele não demorou. Segundos depois já estava longe. Estava indo para o jardim quando o sinal tocou. Fim de intervalo. Aula, e pra piorar, matemática.
(...)
Sabe quando você entra na sala de aula com aquela tremenda vontade de aprender matemática e encontra seus amiguinhos todos quietos e sentados? É eu também não sei, pois isso NUNCA aconteceu comigo. Na verdade o que aconteceu agora foi totalmente o contrário. Encontrei um menino dormindo e babando no fundo da sala, a outra menina aqui na frente lixando a unha enquanto fofocava com aquela que se diz amiga; outros dois garotos gritavam para ver quem fazia a América inteira os ouvir primeiro, até que encontrei alguém normal, ou melhor, um pouco mais normal do que o restando da sala.
– Oi Luke! – Disse me aproximando e puxando uma cadeira para me sentar ao lado dele.
– Clary, como vai?
– Bem!
– Todo mundo sentando essas coisas gordas que vocês chamam de bunda na cadeira e ficando em silêncio! – Nosso professor entrou na sala ordenando. É deu pra ver como ele nos ama.
– Tava pensando, você não ta a fim de ir me ver treinar hoje mais tarde? Quer dizer, pode chamar suas amigas... – Ele me convidou antes que o professor nos visse conversando.
– Séria bom! – Respondi com um sorriso, afinal o que tem de mais em uma amiga ir ver seu amigo treinar? (Versão Autora: Repararam na discrição, amigos?! Ta e eu sou o Batman).
– Te espero lá.
– Estão prontos? – O professor perguntou com um sorriso maléfico na cara. Já te contei que não gosto desses sorrisos?
– Prontos para o quê? – Várias pessoas perguntaram juntas.
– Prova surpresa!
Quando ele disse isso, todo mundo soltou um “AHHH” ou um “Droga!” inclusive eu.
(...)
– Vai ter recuperação? – Eu aluno lá no fundo perguntou quando estávamos fazendo a prova.
(...)
Quando a aula acabou, dei graças a Deus. Bom, acho que não fui muito bem na prova, mas não vamos perder as esperanças, quem sabe minha prova pega fogo misteriosamente, ou ele fica bêbado na hora de corrigir e dá dez pra todo mundo?! Vamos crer irmão! Ta parei.
– CLARY! – É alguém esgoelava meu nome igual um louco. Olhei pra trás e vi Care, tentando correr com aquelas muletas. Sério, estava engraçado. – O QUE TEM NOS PÉS? RODINHAS?
– Não! – Respondi irônica.
– Sabe o que aconteceu com a Lizy? – Ela perguntou puxando ar.
– Sei que ela brigou feio com o John. Pelo que parece, ela viu o moreno beijando a Rebheka.
– POSSO BATER NELE?! – Ela gritou na minha orelha.
– Não, assim como não pode gritar no meu ouvido.
– Se acho ele, ou a vadia da Rebheka pego os dois de pancada.
– Acho melhor nem tentar. Esqueceu que está com perna machucada?!
– Não, mas dou um jeito. – Ela disse batendo as muletas no chão.
– Calminha aí colega!
– Coitadinha, ela deve estar mal agora! – Care disse fazendo cara de dó.
– Isso eu sei, mas onde ela deve estar? – Perguntei olhando em volta. Ta, ela iria se tele transportar e aparecer na minha frente só porque falei seu nome.
(Versão Lizy)
John estava demorando demais para voltar da biblioteca, então decidi ir atrás dele. Quando cheguei à porta da biblioteca, o encontrei. Sim eu o encontrei, mas não do jeito que queria. Ele estava beijando aquela idiota da Rebheka. Acho que nunca odiei tanta alguém na minha vida. Meus olhos não esperaram nem dez segundos e já começaram a sair água deles. Não queria falar nada, não queria ouvir ninguém. Antes mesmo que ele pudesse se defender ou falar para eu não sair correndo, já tinha me afastado deles rapidamente.
– Lizy! Espera! – Ele me gritava, mas minha consciência falava para eu continuar correndo, não parar e nem olhar para trás. Corri o mais que pude, com ele atrás de mim, até que vi a ruiva. Clary queria saber o que estava acontecendo comigo, mas não podia parar e explicar, pois John estava se aproximando. Virei à esquerda, entrei no primeiro banheiro feminino que encontrei pela frente e fiquei ali, sentada no chão, com o joelho dobrado e as mãos escondendo meu rosto.
Passaram-se alguns minutos. A porta fez barulho de alguém entrando. Esperava que não fosse ninguém de importante, e que ela logo fosse embora, mas infelizmente minhas preces não foram concretizadas. Era Julie, e para piorar ela estava com Rebheka.
– Ora, ora... Quem nós encontramos aqui?! – Julie perguntou com deboche enquanto me olhava de longe. Nesse momento me senti muito frágil no chão, então me levantei.
– Não sei... Viram o Bozo aí fora? – Perguntei tentando me manter firme.
1 Lizy X Julie/ Rebheka 0
– Vimos Julie? – Rebheka perguntou olhando para ela com aquele ar de dúvida, enquanto queimava os miolos para tentar se lembrar se tinha visto ele mesmo. Já falei como ela é lerda? Acho que nem precisa né?!
Julie olhou para ela com desdém e revirou os olhos. Não respondeu essa pergunta inútil e continuou falando comigo.
– Seus olhinhos estão vermelhos. Estava chorando? – Ela perguntou enquanto olhava para Rebheka sorrindo descarada.
– O que você acha? – Respondi com outra pergunta enquanto revirava os olhos. Quem acha que essa pergunta foi idiota levanta a mão!!! Hehehehe todo mundo.
2 Lizy X Julie/ Rebheka 0
– Acho que foi por causa do John. – Rebheka falou dando um sorriso bem aberto e maldoso.
2 Lizy X Julie/ Rebheka 1
Bem aquilo me afetou. Dei um passo para trás, fechei meu pequeno sorriso que tinha em meus lábios e tentei pensar numa boa resposta.
– Olha se você veio aqui falar dele é melhor não perder seu tempo. Eu sei o que eu vi, eu sei o que aconteceu. E se acha que eu vou ficar chorando por todos os cantos da escola por causa de um mal agradecido, está enganada. Não sou nenhum bebê e nenhuma menininha bobinha. – Devolvi bem irritada.
10 Lizy X Julie/ Rebheka 1
Pelo o que parece, elas ficaram bem surpresas pelo meu comentário. Não disseram nada, então resolvi sair daquele lugar.
– John?! – Dei de cara com ele assim que sai do banheiro. Ótimo dia...
– Lizy, por favor, me escuta! – Ele foi falando enquanto vinha andando atrás de mim.
– Sabe, eu não tenho nada pra falar com você. Meus olhos não mentem e eu sei muito bem o que eu vi.
– Mas você não viu o que aconteceu antes.
– Me poupe dos detalhes John. Não estou a fim de saber o que aconteceu com vocês dois antes de eu chegar. – Disse fazendo careta.
– Você tem que entender. Volta pra mim!
– Foi você me mesmo que me fez prometer que se eu dia você me trocasse ou fizesse alguma coisa com o nosso namoro, eu o deixaria sem pensar duas vezes. E eu prometi, então estou cumprindo minha promessa. Acabou! Acabou mesmo. – Afirmei saindo rumo a minha sala de aula e o deixando paralisado no corredor digerindo as informações.
(Versão Clary)
– Graças ao bom Deus que é o fim de aula, fim do dia. – Alice disse animada, o que foi uma surpresa, pois ela já tinha desabafado comigo sobre o que aconteceu com Chris e Steven. Aquilo a deixou muito chateada.
– Alice você tem certeza que vai sair com nosso professor? – Perguntei preocupada enquanto saiamos da sala de aula carregando nossos materiais.
– Não vejo mal algum. Ele é gente boa, e além do mais me apoiou e ajudou nessa situação com Chris.
– Toma cuidado. Nunca fui muito com a cara dele. – A alertei guardando meus materiais no armário.
– Aí calma mamãe. É apenas um encontro, nada de mais. – Ela respondeu revirando os olhos para minha preocupação.
– Já vai? – Perguntei para ela, que começava a andar em direção à saída.
– E você não? – Ela respondeu me olhando.
– Não... Luke me chamou para assistir seu treino hoje.
– Ahh que lindinhos vocês dois. – Ela falou com um sorriso malicioso.
– Para! Amigos? Lembra?
– É... Não!
Ela riu e isso me fez rir também.
– Quer fazer o favor de ir embora e me deixar ir para o campo? Estou atrasada.
– Nossa, está me expulsando da escola? Tudo bem, não precisa falar duas vezes. – Ela falou levantando as mãos e começando a andar.
– Beijos, morena. Toma cuidado! – Gritei quando ela estava ao longe.
– Pode deixar! – Ela devolveu fazendo uma jóia com o polegar acima da cabeça.
Depois de algum tempo tentando chegar ao campo, já que era tanta gente num lugar só, tentando ir para um lugar só, eu não conseguia passar no meio daquele tumulto de gente, demorei mais ainda. Quando estava lá, finalmente, vi que eles ainda não tinham começado do treino, então decidi procurar Luke. Olhei no campo, onde tinha um povo de colete vermelho conversando, mas não o encontrei. Então para minha tristeza, ou nem tanto assim, fui entrando no vestiário. Cara, meu ar sumiu. Bem, acho que nem precisa de muito detalhes pra vocês entenderem do que estou falando e sentindo. Olhei lá no fundo e finalmente o encontrei.
– Então... Oi... – Falei me aproximando e atraindo muitos olhares do outros que ali estavam.
– Oi Clary.
– Vamos embora pro campo seus bandos de maricas! – O treinador gritou enquanto guiava todo mundo até o campo. Daquele bando de homem, vi Enzo.
– Clary! – Ele falou quando me viu. Veio até mim e meu deu um beijo na bochecha ignorando totalmente o Luke que estava na minha frente.
– Enzo. – Respondi sem graça enquanto olhava disfarçadamente para sua barriguinha sexy descoberta.
– Vai ficar para o treino?
– Vai, ela vai. – Luke responde antes de mim todo mal educado.
– Então te vejo na arquibancada.
– Ta. – Concordo enquanto o olho se afastar.
– Esse cara me irrita. – Luke diz bufando quando ele já está longe.
– Sei bem!
Naquele momento fica o silêncio mais constrangedor da minha vida. Eu olhando pra ele, ele olhando para mim, eu algumas vezes namorando o chão ou a parede.
– Você já não deveria estar no campo? – Pergunto depois de segundos.
– Não sei... – Ele responde rindo. – Acho melhor eu ir.
Quando ele passa por mim, seguro seu braço. Ele para, me olha, aí eu faço a coisa mais estranha da minha vida. Dou um beijo na bochecha dele carinhosamente.
– Bom treino. – Sussurro no seu ouvido, então ele retoma seu caminho para o campo, mas na metade do caminho ele para, se vira e vem andando na minha direção. Para a poucos centímetros de mim, coloca sua mão em minha nuca abaixo dos meus cabelos, segura em minha cintura e me leva para mais perto dele.
– Preciso fazer isso... Se quiser pode me bater depois. – Ele diz antes de me beijar. Não recuo. Aproveito e coloco meus braços em volta do seu pescoço. O beijo começa devagar, e depois vai ficando mais intenso, e só paramos por falta de ar. Assim que nos separamos, ele me olha, sorri e corre para o campo, enquanto eu fico ali parada, sorrindo abobalhada para o nada com a mão na boca pensando no melhor beijo da minha vida.
Alguns minutos mais tarde, já estava no campo. Fico ali sentada olhando aquele intenso TREINO de futebol. Quando digo tenso não estou exagerando. Enzo e Luke estavam brigando por qualquer coisa. Uma rivalidade se via nos olhos dos dois. Tiverem que os segurar, enquanto a bonita aqui na arquibancada morrendo de vontade de invadir o campo e perguntar o que estava acontecendo. Não era possível que isso era por causa do jogo. Sei que homem amo futebol de mais, mas dois jogares do mesmo time ficar brigando toda hora tinha que ter um motivo em especial. Então pensei, eu estava ali mais cedo, aquela vez na festa, eles discutiram porque Enzo queria dançar comigo, mas Luke não deixou, Luke odeia o coitado do loiro. É por isso.
– Por mim! – Falei baixinho sorrindo e olhando para certo Luke que também retribuiu o olhar.
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