A Procura da Felicidade
5 Uma chance, uma perda
—Oi com licença, eu vi a placa ali fora e gostaria de saber se estão precisando de entregador. Disse eu meio sem jeito.
—Ola boa tarde meu jovem, isso mesmo seria pra você?
—Sim senhor... expliquei para ele minha situação, sabia que com certeza não conseguiria a vaga, mas para minha surpresa ele disse que passado é passado, e que todos mereciam uma segunda chance, me deu um quarto no fundo da loja para ficar e eu não precisaria pagar nada apenas demonstrar serviço, me ensinou tudo o que eu deveria fazer, e logo que completasse 18 anos me registraria, não faltava muito, apenas um mês.
"Roberto esse era o nome do cara que me ajudou, tinha 1,85 de altura mais ou menos, cabelos grisalhos, aparência cansada, mas sempre trabalhador, no dia do meu aniversário fez uma festinha teve até presente, sem dúvida aquele foi um dos meus melhores aniversários, uma coisa que me deixava confuso era, como que uma pessoa humilde com muitos problemas financeiros e pessoais, conseguia ser feliz, mesmo assim ele foi como um pai para mim, ele era viúvo fazia 8 anos, e perdeu seu único filho em menos de um ano envolvido com gangues, talvez devia ser por isso que me tratava como um filho".
Um dia sai como de costume, apenas andar, passei em frente a um bar e vi um rosto familiar, encarei por alguns segundos, e sim eu o conhecia, era Peter um dos meninos que andava nos tempos de escola.
—E ai firmeza?. Perguntei com um sorriso enorme no rosto, enquanto entrava no bar.
—I ai Jão haha suave moleque, chega ai e senta aqui com a gente. Falou Peter pegando mais uma cadeira e me apresentado para seus amigos.
—Esse cara aqui é firmeza, conta ai o que aconteceu com você. Disse ele enquanto enchia um copo de cerveja para mim.
"Peter era apenas dois anos mais velho que eu, mais alto e forte, loiro dos olhos claros, digamos o sucesso das meninas, pelo menos no tempo do colégio.
Ficamos lá por um tempo, conversando e bebendo. Todos os dias após a mercearia fechar eu saia com os caras, festas, bares, qualquer lugar que me chamassem.
Roberto sempre dizia para eu ter cuidado, mas eu já era maior de idade, sabia me virar sozinho.
Até que uma noite, estávamos em uma festa na casa de um dos amigos de Peter e as drogas começaram a rolar solta, eu já havia fumado e cheirado e não havia ficado viciado, e por isso achei que não ficaria, fumamos, bebemos, cheiramo, misturamos as drogas, e me lembro que foi bom demais até eu apagar e acordar no hospital, tive uma overdose, quase morri.
Roberto me levava para casa enquanto me dava uma bronca.
—Gabriel isso não é vida para você rapaz, você quase morreu! Poderia ter ficado com sequelas, nem os médicos acreditaram que você se recuperou tão bem e rápido, aqueles caras não são seus amigos, e sabe não concordo mais e não quero que você ande com eles entendeu?
—Ah que palhaçada, você não é meu pai e não manda em mim...Falei irritado.
—Pois é não sou seu pai, mas me importo com você. Falou ele entristecido com minha atitude.
—Sabe o que eu acho? Você tem inveja de mim, só por que sou jovem e bonito e ainda tenho muita disposição pra fazer o que bem entender. Disse eu sem pensar.
—Inveja do que? Você não tinha nada, te dei abrigo, sustento, emprego, te acolhi e confiei em você.
—Agora vai jogar na minha cara é? Mais quer saber de uma coisa, cansei de você sempre querendo mandar em mim, eu vou embora, não quero nada de você!!
Chegando lá peguei minhas coisas e sai vagando pra qualquer lugar sem rumo... Liguei para Peter, e ele me arrumou um lugar para ficar na casa dele, fiquei durante algumas semanas.
—Ei Jão final de semana agora to indo embora, morar com meu primo...
—Ah sim, tudo bem cara, valeu por tudo e...
—Não estou te mandando embora, tava pensando se você não gostaria de ir junto mano. Falou ele me dando um soco de leve no ombro.
Confesso que fiquei ansioso, pois nunca havia saído de SP, e o RJ era um lugar muito bonito e tinha muita vontade de conhecer.
Sábado cedo já estávamos indo para o aeroporto, pegamos o voo das 13:45 hr e chegamos por volta das 15:00 hr, a casa dele parecia mais um alojamento, morava ele e mais um par de caras.
JK era assim que todos os chamavam, ele era um traficante muito respeitado naquela região, nem mesmo os policias batiam de frente com ele.
—Olha cara te aceito aqui porque você é amigo do meu primo, mais se ta ligado que não vou te dar moleza.
Ele me passou as regras , mas resumindo, não poderia fazer nada sem avisar a ele antes. Logo ganhei um cargo de sentinela, tanto na hora de vigiar a venda de drogas como cuidar dos baile funk, tinha em minhas mãos uma submetralhadora MP5, andava me sentindo poderoso, não temia nada, morava no topo da favela visão privilegiada.
Até que um dia, logo que amanheceu ouve uma rajada de tiros, me levantei assustado e peguei minha metranca.
—Vamos lá Jão, os sentinelas eles já pegaram...Gritou Peter.
—Eles quem?
—A facção rival.
Aquilo havia virado um campo de guerra, não dava para saber de onde vinha os tiros, corri entre os parça e atirava em qualquer coisa que se mexia, estava assustado, era pessoas caindo machucado, outros caindo morto, havia alguns rivais correndo em nossa direção, acertei alguns que caíram de imediato, mas em um momento de descuido um deles me acertou com uma 38, tiro certeiro bem na testa, foi muito rápido só senti um choque quando cai no chão, minha cabeça doía e tudo girava, podia sentir o calafrio da morte, meu sangue começou a gelar e minha vista ficar embaçada e escura, senti que aquele era meu fim, não podia enxergar e nem ouvir nada, a única coisa que consegui ouvir foi quando uma doce voz disse.
"Eu sou a ressurreição e a vida; o que crê em Mim, ainda que tenha morrido, viverá".
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