A Procura Da Minha Personalidade
4 Capítulo 4
[Quarto de William e Emily]
—Que droga é essa!?—berrou William ao ser acordado por um som tão alto que lhe explodia os tímpanos.
—O quê? Bebé eu não faço ideia! Deve ser a China atacando a Inglaterra—disse Emily com o mesmo tom de voz, tirando a máscara tapa olhos.
—Desde quando essa casa tem alarme para ataque terrorista? E não estamos na Inglaterra, e sim nos Estados Unidos Da América.
—Ah tudo bem!? Mas o que é esse som!?
—E eu te perguntei o quê!?
[Quarto de Harper]
—AI, SANTA MADAME! Que barulho é esse!? Quem ousa interromper a sonolência de Madame e não senhorita, Harper Graham!? CHAMEM A POLÍCIA! WILLIAM O QUE É ISSO!? Ladrões!? Assassinos em série ninjas!? LILI O QUE VOCÊ APRONTOU!? Eu disse que depois de bolas de papel voadoras, haveriam drogas e crime. Eu sabia!
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—Mas o que seria isso moça!?—disse minha mãe entrando no meu quarto irritada enquanto eu batia a panela de pressão com a colher de pau de olhos fechados, em pé sobre a cama. Continuei batendo a panela ignorando minha mãe.
—Lili pára com isso é desconfortável, são três horas da madrugada, o que deu em você para acordar a essas horas para cozinhar? Pára com isso porque eu já estou pensando que você está drogada!—disse meu pai. E nem por isso eu parei de bater na panela de pressão.
—LILI PELO AMOR QUE VOCÊ TEM A AQUELE VESTUÁRIO ESTRANHO QUE SE CHAMAM CALÇAS PARA COM ISSO!
—Misericórdia, Harper, também não precisa gritar tanto, são três horas da madrugada. Provavelmente se um ladrão tinha seus planos de assalto acabou de fugir por pensar que aqui tem uma bruxa.
Parei de bater na panela, juntei as palmas das mãos, e com os olhos ainda fechados comecei a emitir o som que eu percebi ser muito usado na televisão para a meditação. Era semelhante à: —Ammmmm, ammmm, ammmm, ammmmmm.
—AI CARAMBA!— Saltei da cama abrindo os olhos e tive pouco sucesso em me equilibrar que terminei caída numa posição estranhamente esquisita, no chão. Eu estava toda molhada devido a água que meu pai havia lançado em mim.
—O que é isso?
—Água e muitas pedras de gelo—respondeu meu pai mostrando sono no comportamento.
—E porquê?! E para quê?! Pocha, eu estava num momento único de transe, vocês acabaram com ele—levantei-me do chão.
—Você acordou todos aqui, MADAME! Arruma-te e vai dormir—disse minha mãe.
—Nãooooooo! Eu-tenho-que-entrar-em-transe.
—O que é isso? Algum tipo de macumba?
—Nem todos aqui são como você Harper— meu pai olhou para minha mãe e voltou-se para mim.—Querida, numa das minhas reportagens eu visitei um local de meditação, se você for dormir, sossegar ou apenas ficar quieta eu te levo lá.
—Isso é sério?
—Eu coloquei ela de castigo, você não pode tirar ela de casa!
—Quanta maldade no coração, agora são três horas da madrugada e você não se esqueceu que colocou alguém de castigo. Que se dane o seu castigo, eu preciso dormir e estou subornando a minha maneira. Boa madrugada e passar bem. Obrigada. De nada.
—Eu aceito o suborno.
—Tudo bem—meu pai bocejou.—Agora vá tomar um banho, porque a água que eu despejei em você provavelmente era do vaso de flores.
—Eca, pai!—meus pais saíram do meu quarto para voltar a dormir e eu demorei cinco minutos para ir tomar um banho. Era a pura preguiça da madrugada, mas eu pensei que talvez a água Comtesse sementes e imaginei flores brotando do meu corpo, as abelhas vindo até mim para tirar néctar e no fim não pude resistir correr para o banho.
Quatro horas depois meu pai levou-me ao lugar o qual me falou. Era uma espécie de academia para ginástica aeróbica, exercitação de ioga ao ar livre,que ficava em DownTown, um lugar quase vazio(em termos de decoração).
Haviam pessoas sentadas em grupos formando um semicírculo, estas pessoas estavam sentadas com os pés cruzados e as mãos sobre as pernas. O ambiente era silencioso, um pouco quente devido ao incenso espalhado por todos cantos, e só se ouvia uma música exótica repetidamente.
—Pai, eu estava praticando xamanismo e você me trouxe para aulas de Yoga.
—Ah é? Dá no mesmo—bufei.
Despedi-me dele, mas antes pedi-lhe algum dinheiro.
—Pai, você pode me oferecer dinheiro?
—Para se drogar como na madrugada de hoje?
—Sabe, eu gosto quando você sabe quais são os meus planos. Assim me poupa a saliva e tempo para uma explicação. E já agora, vai me dar ou não?—um senhor de idade com roupas exóticas bem grandes virou-se para nós e fez: shiuuuu!
A pergunta que não queria se calar era: como um senhor daqueles chegou ali?
—Me dá logo, ele já está nos matando com os olhos. Bem provável que nos mande para outra dimensão—meu pai sorriu e o senhor fez novamente:—shiuuuu!
Papai tirou duzentos dólares e entregou para mim.
Não me lembro como, mas pouco tempo depois eu estava num jardim, com um professor de meditação, afastada dos outros e ele me perguntou porque eu estava ali, qual era meu propósito e de que orientação eu precisava. E eu expliquei-lhe tudo sobre a faculdade, os meus pensamentos baralhados e a minha tentativa falhada de entrar em transe(menos a parte da queda e da água do vaso de flores, é óbvio que eu não iria contar sobre isso).
—Minha jovem, nem sempre entrar em transe significa ter tambores soando, os tambores são apenas instrumentos que nos estimulam. Tem os livros, a meditação, a interação com os espíritos e outras entidades…
—Hã!?—levei um susto dos grandes quando o professor de viagem falou sobre espíritos e entidades. Eu havia assistido vários filmes sobre espíritos, rituais, entidades, no momento eu dizia “não tenho medo”, mas na hora de dormir eu olhava em volta do meu quarto e tudo se transformava no cenário, eu me cobria da cabeça aos pés mesmo quando sentisse calor, porque eu imaginava que se uma parte do meu corpo estivesse descoberta um espírito maligno iria puxá-la.
—Shiuuuu—fez o professor.—Não me interrompa quando eu estiver falando.— Aqui é uma escola meditação como você pode ver, um lugar calmo e silencioso, é do que precisamos.
—E o que seria exatamente interação com espíritos?—cochichei para ele.
—Durante a meditação, transe ou uma experiência súbita podemos encontrar outros seres. Eles podem ser espíritos da natureza, da vida após morte e deuses, eles podem dar-te a orientação da qual estás precisando.—ele fez uma pausa, respirou fundo e perguntou:—Você não consome drogas, pois não?
—CLARO...
—Shiuuuu. Você tem a língua muito solta, e está interrompendo a meditação alheia.
—Desculpe, eu quis dizer claro que não consumo drogas—cochichei.
—Hmmm, eu já sabia, porque tens uma aparência pura, o físico saudável—ele fechou os olhos, respirou fundo e abriu os olhos.
—E porquê perguntou se eu consumo drogas? Tem alguma coisa haver?
—Jovem curiosa você é. Sim, tem tudo haver, muitas vezes os rituais que envolvem drogas e sacrifícios atraem entidades malévolas ou difíceis de lidar. Isso não seria bom para você.
Fiquei com medo de tudo quanto o professor me falou, eu não achei que envolvesse tantas coisas assim na meditação, também nem, só me lembrava de ter lido um terço do artigo da internet.
—Feche os olhos e junte as palmas das suas mãos—pediu o professor. Eu obedeci, mas quando ele fez o mesmo eu abri o olho direito.
—Inspire—ele inspirou, e depois de três segundos espirou e disse:—Espire.
Eu fazia os movimentos da respiração, e mantive o olho direito aberto. Aquilo estava me deixando tonta e sem fôlego, também nem, eu não estava a fazer corretamente pelo medo que tinha de encontrar os mortos, ou a malévola, o dormamu, um sem forma ou até mesmo a bruxa da casa dos doces.
—Você está sentindo? —perguntou o professor ainda nos seus movimentos respiratórios.—Essa paz.
E eu respondi com o tom da voz extremamente baixo:
—Uhum,esplendido,libertador,cativante,estonteante.
E ele disse:
—Você não está sentindo,iriam faltar-te palavras. Tente entrar em contacto com a natureza, ela age naturalmente, o vento sopra e balança as folhas das árvores porque elas simplesmente se deixam levar, é assim que você deve estar, leve como uma pluma.
E eu disse:
—Estou chegando lá.
E ele disse:
—Não,você não está chegando lá. Falta-te concentração.
E a minha mente entrou em ação: CARA,EU ESTOU FAZENDO UM ESFORÇO TÃO GRANDE,MAIOR DO QUE EU FAÇO PARA ESTUDAR. MENTIRA NÃO ESTOU. MAS NEM, ESTOU COM MEDO DOS TEUS AMIGOS E TRISAVÓS ESPÍRITOS! BOMBEIROS!POLICIA!BATMAN!SOCORRO!
Ele abriu os olhos e eu fechei rapidamente o meu olho aberto.
—O seu espírito é inquieto, não consegue interagir com os outros, vá para casa e tente em um outro momento ou se puderes, podes cá voltar.
NUNCA, NEVER,NIE, QUE EU VOLTO AQUI. NÃO ESTOU A FIM DE ENCONTRAR SEUS BISAVÓS OU ANTEPASSADOS VINDOS DA TUMBA DO DRÁCULA. FUI!
—Obrigada—levantei-me e antes que me virasse para ir em direção a saída, o professor de viagem, disse:
—Lembre-se "Pense o que quiser pensar, você tem que viver com
seus próprios pensamentos, mas
ouça...ou a sua língua a manterá surda"
Olhei para ele com uma cara de “ não intendi nada” e lhe disse:
—Está bem.
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