A Procura Da Minha Personalidade
2 Capítulo 2
Aula de Geografia, tem outra mais sonolenta que esta? A professora começou a explicando enquanto alguns alunos babavam nas carteiras, outros estavam com cara de ressaca, e eu apenas lutava pela abertura das minhas pálpebras. Esse era o verdadeiro cenário das aulas de segunda-feira.
O sinal tocou e todos corpos caíram sobre as carteiras, e soou um som semelhante a uma escola de samba. Houve tempo suficiente para fazer uma soneca até o sinal tocar novamente para a aula de química, e o cenário mudar.
Eu prestava atenção na explicação do professor, mas não completamente, por ter indivíduos, pessoas indígenas, lançando papéis pela sala, fazendo voar aviões de papel e um deles era Aiden. Meu melhor amigo.
Tudo começou quando Austin tentou arremessar uma bola de papel para a lata de lixo, mas por acidente—que para os meus colegas foi uma bênção—foi bater na cara de Payton. A pessoa mais vingativa que eu conheço.
—Aiden, pára com isso—cochichei enquanto ele lançava papéis para minha cara, fazendo com que todos fizessem o mesmo.—Parem com isso—balancei os braços para impedir que os papéis chegassem até mim.
Nenhum dos meus colegas parou com a brincadeira, e eu que já estava nervosa, decidi retribuir as batidas com os papéis, e falando seriamente eu não sei como, mas mais tarde aquilo virou uma guerra de bolas de papéis, e eu estava metida naquilo( mentira! Foi porque eu quis e porque estava muito divertido).
Pelos vistos não foi uma boa ideia.
—Lince, Aiden, Payton, Austin, Chloé e Bart, já para a diretória!
—Mas professor eu agi em legítima defesa da minha cara. Porquê eu?
—Eu mando quem eu quiser para a sala do diretor, e para que sirva de exemplo para futuras brincadeiras como estas—e lá fomos nós.
Pés batiam no chão, mãos soavam, unhas eram roídas e a situação só piorou com a entrada do diretor.
—Então, comecem a contar o que aconteceu—disse o Sr.Emet girando com sua cadeira. Mas nós permanecemos em silêncio.
—Não vão me contar?—ninguém reagiu.—Eu acho que vocês preferem na presença dos vossos pais—ele ameaçou pegar no telefone.
—Austin quis arremessar uma bola de papel na lata de lixo e a bola foi para a cara de Payton que lançou de volta para Austin e todos lançavam papéis e Lince pedia para pararem e Aiden lançou na cara de Lince e todos lançaram na cara de Lince e Lince lançava na cara de todos—disse Bart sem uma única pausa.
E Lince, e Lince, e Lince. Esse menino tem um dom, o dom de ferrar com a vida dos outros. Ele pronunciou tantas vezes o meu nome, que até eu pensei que fui a protagonista baraqueira da luta de papéis.
—O quê?!—eu e os outros perguntamos em uníssono.
—Minha nossa que adrenalina!—disse o Sr. Emet ao bater palminhas fazendo-nos erguer as sobrancelhas.—Ah, eu quis dizer… que mau comportamento!—estalou ele os dedos.
—Nada que esse menino disse é verdade. Ele tem problemas de nervos—disse Chloé.—Não é, Bart?
—Não.
—Argh! Idiota!
—Com que então Austin, tens alguma coisa a di…
—Falando a verdade, fui eu que desafiei Austin a lançar a bola de papel para a lata de lixo—disse Aiden.
—Sim, foi ele!—Austin apontou-o.
—Cala a boca Austin, não me irrita, ainda desisto disso—sussurrou Aiden para Austin.
—E porque você o desafiou em plena aula?
—Porque eu pedi—disse Chloé limando as unhas. Nem em situações difíceis consegue deixar atos de patricinha.—Todo mundo sabe que Aiden tem uma queda por mim…
—E eu tenho?—perguntou Aiden arqueando as sobrancelhas.
—…ele só queria me impressionar, mandando o Austin lançar a bola de papel na lata de lixo, para que eu acreditasse que ele manda em todo o mundo.
—E você menina Vallmor, onde entra na história?
—Eu só peguei nas bolas de papel que caíam na minha carteira para lançar à quem batia em Aiden. Ninguém bate no meu melhor amigo—sorri para Aiden que mandou um beijo no ar, o que me fez adquirir a cara de tédio perante a atitude cliché dele.
—Payton?
—Eu não fiz nada Senhor.
—E o que você está fazendo aqui?
—Se o senhor quiser eu posso voltar para a sala de aula—todos formamos um “O” com os lábios.—Está bem, eu só quis fazer um ato humanitário. Peguei na bola de papel que Austin lançou e bateu em mim e coloquei na lata de lixo.
Tecnicamente, a criança não sabia inventar um acontecimento. Só de olhar para ele, qualquer pessoa já tinha impressão de que ele era um fugitivo da polícia, e ele queria mesmo que alguém nada mais e nada menos que o director da escola, a pessoa que lhe dá duas repreensões por semana, acreditasse que numa tediosa segunda-feira, ele estava fazendo um ato humanitário, na escola e em plena aula.Nem Emily acreditaria nisso.
—Dou-vos cinco minutos para contar a verdade.
—Mas nós estamos falando a verdade—disse Chloé olhando Bart sobre o ombro.
—Se não falarem a verdade eu ligo para vossos pais.
—Nós juramos que dissemos a verdade—falamos os cinco em uníssono.
—Eu dou-vos suspensão e convocação.
—Nós juramos que dissemos a verdade—já estava parecendo formação de agentes da polícia.
—Eu darei a cada um, uma falta disciplinar, se não explicarem agora o que vocês fizeram.
—Okay, nós retiramos o juramento nada que nós dissemos é verdade, o único culpado é o Austin e nós só agimos para nos defender das batidas das bolas, e o professor? Ah o professor, tsc tsc tsc, ele apontou para nós sem saber porquê e nós estamos aqui por acidente—disse Payton.
—É—eu e Aiden concordamos. Chloé abanou a cabeça em sinal positivo e disse:—Aham.
—O quê?! Não. Vocês estão enfeitiçados pela verdade, SAI DEMÓNIO!—fizemos todos cara de aversão.— Chloé você pediu ao Aiden que lançasse a bola de papel, Aiden você aceitou, eu lancei a bola porque você pediu, Lince tentou defender-te e Payton bateu em mim com a bola porque entendeu errado—a criança já tinha nascido com problemas.—Foi assim que aconteceu, certo?
—Vocês os 6 estão suspensos por três dias—após o Sr.Emet dizer isso, a sala parecia um bazar.
—O quê!? Como assim!?—exclamou Chloé.
—Além de cometerem indisciplina, vocês mentiram para mim.
—Nós não mentimos, mas sim omitimos—disse eu com o dedo indicador para cima.
—Dá no mesmo!
—O professor de português não nos disse isso. Viu como o senhor não pode nos dar suspensão? Nós prestamos atenção às aulas, e até sabemos a diferença entre mentir e omitir.
—Ah, não estamos na aula de português.
—Mas o senhor não pode fazer isso, eu tenho treinos de basquete—disse Austin.
—Já fiz.
—Eu não posso ficar sem assistir as aulas—apelou Chloé.
—Eu sou inocente e minha mãe vai me azucrinar com um monte de discursos—disse eu com a mão no peito.
—Não pode ser, esta é a minha sexta suspensão neste mês.—disse Payton e todos cravamos o olhares nele.—O que é?
—E eu? Eu contei a verdade logo de primeira.
—Você, cala a boca seu traidor!—dissemos os cinco ao mesmo tempo fazendo-o encolher.
—E quem são vocês para falar de traição?—perguntou Austin com cara de aversão.
—E quem é você para nos perguntar isso?—retrucou Chloé com a mesma expressão facial.
—Calem-se todos vocês!—estremecemos com a voz alta do diretor.—Vocês estão suspensos, eu vou enviar convocação para os vossos pais e não se fala mais no assunto. Agora vão já para a sala de aulas.—levantamo-nos indo em direção a porta.
—Sim, senhor! —respondemos.
Iríamos assistir o resto das aulas, e durante todas estas restantes aulas eu pensava em como salvar a minha pele, da minha mãe .
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