A Prisão Da Medusa
22 Sou capturado de novo
Notas iniciais
Simon
Eu poderia passar o resto da minha vida daquele jeito com Alice, mas as nossas vidas estavam por um fio. Nos levantamos, e meu braço estava melhorando, só que eu conseguia sentir as pontadas de dor. Continuamos a caminhar, quando ouvi o som de passos.
Puxei Alice para atrás de uma árvore, e depois de um tempo decidi espiar.
Nos primeiros minutos, não consegui acreditar. Ambrosia tem algum efeito colateral?
Percy estava montado em um pégaso, que eu sabia o que era, por causa de todos os filmes que eu costumava assistir. Apoiada em suas pernas, estava Annabeth. Apenas pela expressão do seu rosto, não era um cochilo.
– Venha — murmurei — É quem estávamos procurando.
No que ela olhou, ele estava saindo de cima do animal, e apoiou a cabeça em suas costas. Segurei a mão de Alice, e juntos fomos em sua direção.
– Percy? — perguntei.
Ele se virou em total rapidez, e seus olhos brilharam.
– Meus deuses! Vocês estão vivos! O que estão fazendo aqui? — um sorriso apareceu em seu rosto, mas logo desapareceu — O que é isso no rosto de vocês? No corpo de vocês? Machucaram?
– Semideuses deviam estar acostumados com isso, certo? — Alice respondeu de forma irônica — Por que esta tão preocupado?
– Eu não sei — foi tudo o que disse. Senti uma leve ponta de ciúmes, então me lembrei de Annabeth.
– O que houve com ela? — perguntei, apontando para o dorso do pégaso.
Percy suspirou, e disse:
– Escorpião das Profundezas. Ela foi picada, e isso pode mata-la. Não temos Ambrosia. Temos que sair daqui o mais rápido possível.
– Se o problema é Ambrosia — ressaltei — Temos aqui.
– Vocês têm? — a voz dele saiu em tom de exclamação.
Peguei a minha mochila e entreguei.
– Não fomos tão maltratados como achamos na prisão — Alice falou por mim — Recebíamos toda vez que necessário Ambrosia e Néctar. Acho que Medusa não queria estátuas com cara de doente.
Vi a postura dele relaxando, como se agradecesse por nada de tão mal tivesse acontecido.
– Só que não foi apenas isso que aconteceu — ela continuou — Enfrentamos Ortros, Quimera e Manticore. Conhece algum deles?
– Conheço — ele respondeu, pegando a Ambrosia — E para vocês, isso foi um grande avanço. Só de saírem vivos, já foi uma vitória.
Aos poucos Annabeth foi voltando ao normal. Ela se levantou assustada.
– O que aconteceu? — perguntou.
– Escorpião — Percy respondeu.
Depois de um tempo, nos reconheceu.
– Alice... Simon... — falou. Em um salto, fomos sufocados por seu abraço — Pensei que nunca mais veria vocês dois.
– E não vai mesmo — a voz era familiar. Infelizmente.
Como se tivéssemos ensaiado, viramos nossos corpos ao mesmo tempo.
Medusa.
– O que está fazendo aqui? — Annabeth falou em um tom duro, como se quisesse ter o mesmo poder que ela. Como se ela quisesse petrificar Medusa apenas com as palavras.
– Vim pegar as minhas crianças. Elas ainda me pertencem. Vocês já as salvaram? — Ela respondeu de forma tão suave, como se todos os nossos documentos estivessem em uma de suas bolsas.
– Nós os salvamos — Percy protestou — Era esse o trato. Até meia-noite de hoje. Eles já estão conosco, e vão embora.
Medusa soltou uma gargalhada intensa.
– Não era esse o trato meio-sangue. Vocês tinham que salva-los, da minha prisão. Aqui é a prisão? Não estou enxergando — ela virava sua cabeça para todos os lados.
– Nós fizemos isso por conta própria — Alice se virou para Percy e Annabeth — Na verdade é minha culpa. Eu arrastei Simon até aqui — então se voltou à nossa "dona" — É minha total responsabilidade. Por favor, deixe-os ir, mas me leve. Se é uma estátua nova que quer, eu estou em sua disposição, apenas não machuque nenhum deles.
A cada palavra, sua voz falhava cada vez mais. Percebi que seus olhos estavam cheios de lágrimas.
– Eu queria duas, mas uma já é boa o suficiente — Medusa sorriu — Venha minha querida. Vamos ao meu jardim.
Quando ela ameaçou dar um passo, falei sem ter que pensar:
– Você não vai leva-la. A não ser, que passe por mim.
– Ótimo! — ela exclamou — Duas estátuas então!
Antes de conseguir pronunciar qualquer coisa, fui engolido pela névoa.
...
Chegamos em um jardim cheio de estátuas. De várias formas e tamanhos. Havia uma placa no começo, e consegui ler. Empório de Anões de Jardim da Tia Eme.
– Você não vai conseguir nos transformar em estátuas — falei.
Alice me olhou, e vi a força que estava fazendo para não chorar. Ela havia se culpado para tentar me manter vivo. Abracei-a com todas as forças que eu ainda tinha. Era a última vez em que eu falhava.
– Alice, querida, você primeiro — Medusa disse, como se fossemos clientes.
– Ela não vai — tentei soar o mais furioso que podia, e acho que consegui.
- Não vai? Nem que tenha que ser a força! — ela tirou seus óculos, e imediatamente, abaixei a cabeça — Me entregue a garota meio-sangue, então coloco meus óculos de novo.
– Me deixe ir — Alice sussurrou — Eu sei que você consegue, apenas me deixe ir.
Confiava nela. Soltei seus braços, então Medusa cumpriu o que disse.
– Por que está tentando proteger essa menina Simon? — ela me perguntou de forma incrédula — Olhe isso. Tem tantas por aí. Sua vida em risco, e ainda que mante-la salva?
Uma onda de raiva me atingiu com força, usando ela, retruquei:
– Porque é a primeira vez que eu tenho esse sentimento... — a vergonha de dizer amor me impediu de falar, mas decidi continuar — Não vou deixar que ela escape assim tão facilmente de mim. Não vai ser você que fará isso Medusa.
– O amor é uma coisa tão bonita e poderosa, mas tão estúpida — do jeito que isso saiu, parecia que ela nunca tinha amado ninguém — Vai deixar mesmo que isso te impeça de viver?
– Qual seria o sentido de viver se eu não tivesse Alice do meu lado? — olhei diretamente nos olhos dela, e o verde brilhou como se agora fosse o momento perfeito para soltar uma das lágrimas. Suas bochechas ficaram vermelhas.
– Quanta melação garoto! Então, venha comigo mocinha, que você será a estatua mais bonita do jardim.
Não deixaria isso acontecer. Apertei meu pingente, e ataquei Medusa por trás.
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