A Princesa e a Estrela
2 Primeiro Capítulo: Era uma vez...
Notas iniciais
Ursos dançam no ar, coisas de que me lembro...
E a canção de alguém... Foi no mês de dezembro!
Existiu um reino muito próspero ao sul, fundado em meio á grande floresta dos espíritos da natureza. O rei deste reino chamava-se Hiashi Hyuuga, um humano descendente de uma antiga linhagem mística que só era identificável pela cor lilás perolada de seus olhos. Sem ter de se fazer rei por conta de seu sangue real, mas sim por sua própria honra, ele era um homem muito severo e corajoso, mas também tinha um coração maleável e preocupado com todos os seus governados.
Dias de felicidade! E o cavalos na tempestade...
São imagens á dançar, que eu posso recordar...
Para sua felicidade, em seu terceiro ano de reinado, sua amada esposa concebeu uma filha em uma noite de inverno. Uma menininha linda, com os cabelos negro-azulados de sua esposa e os olhos de seus ancestrais. Uma garotinha afetuosa cujo nome se deu Hinata, para contrastar com a circunstância de seu nascimento. O reino todo deu graças e até mesmo os espíritos vieram derramar suas bênçãos sob a doce menina que nascera pós o Natal e para brindar o Ano Novo com muita felicidade.
Dias de felicidade! E o cavalos na tempestade...
São imagens á dançar, que eu posso recordar...
Conforme os anos iam passando, Hinata só fez confirmar sua bondade e candura para com todos, independente de sua raça ou classe social. Ela aperfeiçoou seus dons naturais: aprendendo logo cedo á bordar, cantar, dançar e pintar, além de se inteirar sobre diplomacia, economia e estratégias. Tudo o que uma princesa – e futura rainha – deve saber para continuar levando aquele reino em constante fartura e felicidade. Embora fosse ainda uma tanto ingênua e sonhadora, a jovem Hinata aprendia fácil sem deixar que seu caráter fosse corrompido por desejos vis e oportunidades interesseiras. A moça jurou para si mesma que nunca deixaria que seu coração fosse tomado de si. E assim, ela continuou a crescer, até chegar ao mês de seu décimo sétimo aniversário.
Muito tempo passou... E o folgor da lareira na memória ficou.
Disso eu sempre me lembro!
E a canção de alguém... Foi no mês de dezembro...
~*~*~*~
Você deve compreender que nem tudo vai ser só diversão. Pois, um dia, meu amor, a tristeza e a dor também virão...
Mas nós vamos ficar juntos em todo lugar quando não há caminho algum!
Você vai nos seguir, e então vamos descobrir: somos mais do que mil... Somos um!
O povo se preparava para a grande festa de Natal, onde todos – sem descriminações – foram convidados para cear no salão real, junto com a família do grande rei Hiashi e seus subordinados.
As mulheres do reino estavam atarefadas com os comes e bebes, além das grandes tapeçarias que iriam decorar o grande salão, os homens se dividiam entre caçar, cortar lenha e preparar o caminho para a chegada de todos os convidados.
Hinata estava perto da grande lareira com as crianças e com alguns outros jovens, contando histórias de Natal. Se existia algo no mundo que deixava a princesa mais feliz, eram as histórias de amor, caridade e coragem. Isso a deixava viva.
Todos nós, todos nós...Somos um!
(independente ao outro)
Todos nós, todos nós... Somos um!
(independente ao outro)
– Então, os dois viveram felizes para sempre mesmo, princesa Hina? – perguntou uma garotinha de cabelos alaranjados.
– Sim, pequena Moegi. – respondeu Hinata, acariciando o rosto da pequena – Depois que tudo fica bem, os bons são recompensados com a paz e a felicidade.
– Mas e os outros? – perguntou um garotinho que acertava os óculos na ponta do nariz – Aqueles goblins malvados que tentaram atrapalhar a vida deles?
– Bem, eles tiveram o que mereciam, Udon. – disse ela, com um sorriso gentil – Lembre-se sempre: “todos nós colhemos o que plantamos”.
– E o que isso quer dizer? – Moegi perguntou, inclinando a cabeça sem entender.
– Quer dizer que crianças que não se lavam para a ceia não comem e nem ganham presentes do Papai Noel. – disse um rapaz austero, aproximando-se com um sorriso brincalhão no rosto – Agora vão para suas mães e preparem-se para o Natal, crianças!
– Sim, príncipe Neji! – responderam todas as crianças em uníssono.
Assim que as crianças saíram, o príncipe abriu os braços e recebeu aquela que era sua prima com afeto. Os dois sempre foram muito próximos e nutriam um amor de irmão um pelo outro.
Neji era o filho do grande general de guerra e irmão gêmeo do rei, e por tanto, também tinha a mesma herança sanguínea e real, transmitida por seus olhos lilases. Ele se vestia com as cores do exército real, mas ostentava as medalhas e os louros de capitão. Este Hyuuga de longos cabelos castanhos era um rapaz sério e muito perspicaz, sendo dito como o gênio por trás das batalhas e um grande defensor da paz. Ele acreditava apenas no que estava ao seu alcance e pesava tudo com a realidade, ao contrário de sua amada prima mais nova. Neji sempre foi muito coerente e lógico, enquanto Hinata era uma destemida sonhadora.
Se há tanto pra aprender, só queria viver como eu sou...
Sigo o meu coração, ou escuto a razão, pra onde for?
– Hinata, Hinata... – murmurou o jovem, acariciando os cabelos da prima – Não acha que está na hora de deixar para trás esses contos de fada? És moça crescida, não se pode dar ao luxo de viver na ilusão.
– Bem, é como dizem: toda fábula tem um fundo de verdade... – respondeu a princesa, ainda abraçada ao primo – Eu só quero...
– Quer...? – instigou ele, erguendo o rosto dela – O que?
– Um herói... – respondeu ela, tentando disfarçar sua tristeza – Um amor eterno...
– Há de chegar o dia em que eu casarei minha amada prima com o mais valoroso herói que esta terra viu ou verá. – disse Neji, com um sorriso afetuoso – Pois o homem que conseguir seu coração e a benção de seu pai só poderá ser um herói! E logicamente ele deverá ter o meu aval também...
– O teu? – riu-se a jovem, fazendo uma careta de descrença – Céus! Nunca acharei marido...
– Só se ele for o melhor... – respondeu ele, erguendo a mão e dando um peteleco no nariz da mais nova – Bem, devo seguir meu caminho. Ainda devo rever o plano de contingência para esta noite. Vejo-a na festa, Hina...
– Até mais ver, Neji!
Mesmo quem já morreu, quem você nem conheceu, nos segue pois nós somos um!
Na alegria ou na dor, nossa força é o amor! É só ver para crer: somos um!
O mais velho tomou a mão da princesa e deu-lhe um beijo casto, afastando-se para retomar seus afazeres reais. Enquanto ela, ainda desejosa por seu futuro, prostrou-se na sacada e ergueu seus olhos para a Montanha Proibida. Uma montanha ao norte, tão escura quanto amedrontadora, mas que zelava a luz mais brilhante, pois acima dela estava a estrela mais brilhante. Uma estrela que nunca se apagava, seja dia ou seja noite, e que os mais antigos diziam ter um poder imensurável.
Numa só direção, temos um só coração. Não temos mais medo algum!
Você vai conseguir a coragem pra seguir! Então vai descobrir: somos um!
– Estrela tão branca, estrela tão cheia de luz, a primeira estrela que eu vejo e que me reluz. – sussurrou a jovem princesa, com os olhos lilás perolados refletindo o brilho longínquo – Transforma o meu desejo em realidade, trazendo o destino que me trará a felicidade.
E como se a estrela pudesse escutá-la, brilhou no horizonte que já se escurecia. E mais uma vez, o coração de Hinata se encheu de esperança.
Todos nós, todos nós...Somos um!
(independente ao outro)
Todos nós, todos nós... Somos um!
(independente ao outro)
~*~*~*~
O dia gelado deu lugar á noite estrelada, banhada pela luz celestial da lua cheia, com a música e risos preenchendo a vastidão do reino. Todos os convidados do rei estavam presentes no grande salão real, ceando com alegria e paz. As mesas eram fartas, a música se fazia presente á todo momento e todos conversavam e brindavam á espera do Natal com grande comoção.
Hinata estava á direita de seu pai e Neji á sua esquerda com seu tio na mesa central, junto com alguns de seus outros familiares e alguns outros servos. A jovem princesa era afável e próxima a todos, fazendo questão de não apenas ser servida, mas ajudar aos próximos também. “Quem não vive para servir, não serve para viver”, dizia ela. Seu pai a olhava com admiração e orgulho, sabendo que melhor filha não poderia pedir aos céus.
– Hinata, não vai dançar uma música com teu velho pai? – pediu o rei Hiashi, com um leve sorriso nos lábios.
– Achei que não ia pedir, papai! – respondeu ela, verdadeiramente contente.
Ela então se levantou da mesa e ergueu a mão, estendendo-a para o pai. Todos bradaram e começaram á bater suas palmas, quando o rei e sua amada filha foram ao centro do salão e começaram a valsar ao som de uma música animada.
Hiashi abria seus melhores sorrisos ao ver sua pequena rodopiando no salão, com sua saia esvoaçante e seus movimentos fluídos. Logo mais, outros vieram se juntar á dança e assim trocavam de parceiros, dançando numa grande roda. Conforme a música ia passando, a jovem princesa sorria e tratava cada parceiro como igual, independente de quem fosse – nobre ou vassalo. Ela dançou com seu tio, com o barbeiro, com o filho de um barão e até mesmo com o pequeno Udon. Seu coração se enchia de felicidade e amor á cada volta que ela dava.
Porém, no meio da dança, Hinata acabou indo parar nos braços de um homem que nunca havia visto antes. Ao perceberem a presença do homem, os outros moradores do reino de afastaram rapidamente e os músicos pararam de tocar. Ele era um homem alto e de físico moderado, com um longo cabelo negro e uma pele pálida e fria como a de um morto, quase toda coberta por sua veste negro-arroxeada.
A se ver encarando fixamente os olhos tão negros quanto o ébano, emoldurando um sorriso maléfico, Hinata teve certeza de sentir a aura negra que envolvia aquele homem. Era um mago negro, um mediador das artes das trevas.
– Danças muito bem, pequenina. – disse o homem com sua voz torpe, enquanto ergueu uma de suas mãos e começou a acariciar o pescoço e o colo de Hinata – Meu coração estaria batendo freneticamente... Se eu tivesse um.
– Como ousa tocar em minha filha dessa forma?! — perguntou Hiashi, aproximando-se tempestuosamente.
– Eu deveria me sentir ultrajado por ver que não sabes receber os velhos amigos, Hiashi. – respondeu o homem, soltando a princesa sem qualquer delicadeza – Mas, o que esperar de um homem que não sabe controlar a própria vontade, mesmo sabendo que isso irá ferir um amigo?
– Madara?! – murmurou o rei, surpreso.
Ao ouvir o nome, vários seres míticos suspiraram de medo, assim como alguns outros humanos. “É o destruidor da paz! Ele vai matar a todos nós!”, disse um elfo da floresta. “Ele é aquele que trás a discórdia! Eu vi ele acabar com a tribo do leste com meus próprios olhos!”, disse uma mulher. “Ele é um monstro!”, disse a pequenina Moegi, tremendo no colo da mãe. Hinata olhou do pai para o homem ao seu lado, tentando buscar na memória onde ela havia ouvido aquele nome, ou visto aquela face. Quem poderia ser, para fazer com que seu pai se sentisse surpreso ou até mesmo assustado?
– Madara Uchiha? – questionou o rei, aproximando-se mais cautelosamente – É mesmo você?
– Achou que eu ficaria nas sombras para sempre, velho amigo? – disse o mago, com um sorriso sarcástico.
– Você jurou que nunca mais voltaria á este reino. – respondeu Hiashi, voltando a compostura de rei – Jurou que eu nunca mais veria a sua face...
– Bem, o plano é esse. Porém, eu devo levar algo comigo, antes de retornar para o submundo e terminar os arranjos que comecei á dezesseis anos. – disse Madara, com uma expressão tão tempestuosa que vibrava em negativo – Um plano que você implantou em meu ser, ao me apunhalar pelas costas!
– Eu nunca fiz nada para ferir você! – tornou o rei, alteando a voz – Nem eu e nem ninguém destas terras!
– Você tomou algo de mim em nossa juventude! – bradou o homem, com um olhar vidrado e perverso – Agora eu vou tomar sua essência de volta, como era para ter sido!
– Somos um povo de paz, mago. – respondeu o rei altivo, jogando sua manta para trás e revelando seu sabre encrustado de rubis – E eu serei aquele que manterá essa paz, mesmo que eu tenha de passar por cima de você.
– Oh, não, não, não! Queira me desculpar, grande rei... – disse Madara, com sua risada sarcástica – Eu não quero iniciar uma guerra contigo, ainda mais numa noite como essa. Não... Hoje eu estou aqui para dar uma oportunidade de escolha á vossa filha única.
Madara voltou a olhar para Hinata, mas dessa vez com um olhar diferente. Não era ódio, era desejo. Como se visse nela algo único, diferente.
– Não se atreva á se aproximar dela! – disse Neji, brandindo a espada e partindo para cima do mago.
– Não se intrometa, verme!
Antes que alguém pudesse prever, Neji foi içado por uma força invisível e lançado contra a parede próxima á lareira. Hinata correu até o primo para socorrê-lo, mas o mesmo já estava desacordado e com belo corte aberto na testa. E quando ela menos esperou, lá estava o seu algoz, tomando-a nos braços como na outra vez.
– Hoje, doce Hinata, dar-lhe-ei a oportunidade de mudar sua vida por completo. – disse o mago, com uma voz de falsa brandura – Você pode fazer com que tudo fique bem, com apenas uma simples palavra...
– Mas... – ela gaguejou com apreensão – O que eu poderia dizer para acalmar um... Um homem como você?
– Diga que me aceita como seu esposo! – respondeu Madara, exibindo um sorriso quase gentil – Diga que será minha e que viverá pela eterna escuridão ao meu lado.
Hinata arregalou os olhos de surpresa e temor diante de tal pedido. Como um mago como aquele poderia se contentar apenas com uma garota como ela? Ela era uma princesa, mas não havia nada de especial em sua essência. Era como um quebra-cabeça, com todas as peças espalhadas e sem conexão.
– Eu não permitirei! – bradou Hiashi, sacando o punhal – Solte minha filha agora mesmo, Madara! É a mim que você quer, então eu lutarei com você!
– E você acha mesmo que é páreo para mim, rei estúpido? – perguntou ele com a voz carregada de ódio, e depois tornando a olhar para a princesa – Você acredita que existe algo que possa me parar, pequenina?
– E-eu... – ela olhou do captor para o pai, respirando fundo e respondendo – Sim! Eu creio!
– Então vamos ver...
Hinata foi jogada sem qualquer cuidado no chão de mármore do salão, ao mesmo tempo em que Madara começou a entoar uma de suas maldições ardilosas.
“Quod infirmum saxa fiunt tenebrae,
et octo gradibus ascendebatur ad faciendum
rex solium tenebrarum attingere ebenum!”
Conforme as palavras torpes preenchiam o salão, uma forte luz arroxeada começou a envolver cada um dos presentes no salão real, menos a própria princesa. Alguns gritavam de medo, outros tentavam se libertar com seus próprios feitiços, mas nenhum deles conseguia se libertar do temível agouro. De pouco em pouco, cada ser – mítico ou não – foi sendo transformado em estátuas de ônix, como os olhos daquele que os amaldiçoava.
Hinata ergueu o rosto para o pai, que já estava transformado até a cintura. Hiashi apenas pode olhar a angústia de sua filha, que se levantava desajeitada do chão e corria ao seu encontro, chamando seu nome. Num último lampejo de sanidade, o sábio rei soltou seu punhal de rubi, fazendo com que o mesmo batesse ruidosamente no mármore aos seus pés. E quando sua amada filha chegou até si, seu olhar temeroso ainda existia, orando para que – de alguma forma – ela se safasse daquele terrível destino.
A jovem princesa soltou um grito desesperado, chamando pelo pai, mesmo sabendo que não haveria uma resposta. Nem do rei ou de qualquer outro. Ela estava sozinha, rodeada por estátuas amedrontadas, daqueles que um dia foram seus amados conterrâneos. Ninguém foi poupado, nem velho nem criança, nem forte ou inválido. Todos foram amaldiçoados por conta de uma única escolha. A escolha da própria Hinata, que causara todo esse infortúnio.
– Porque choras bela princesa? – questionou Madara, com a voz carregada de inocência fingida – Não gosta de estátuas para a decoração do castelo?
– Po-por quê? Por quê sois tão cruel? – balbuciou Hinata, com os olhos lilases banhados em lágrimas – Que fez este povo para merecer tão macabro destino? Que fiz eu para ti?!
– Oras, mas eu não fui cruel, Hinata. – disse o homem sombrio, aproximando-se e erguendo o rosto da pequena para si – Você me desafiou e eu respondi á altura. Ninguém pode me vencer... Mas, você pode mudar as coisas, agora que já provou do meu poder.
– Co-como? – choramingou ela, fechando os olhos – Eu... Eu não sou... Ninguém...
– Ah, você é muito... – disse Madara, tomando o rosto dela nas mãos e encarando-a com intensidade – Aquela que te deu a luz era simplesmente a aura mais bela que esse mundo poderia pedir. E quando você nasceu, tomou o lugar dela, como a mais bela de todas. Você, Hinata, é a mulher perfeita para comandar o mundo escuro ao meu lado.
E, aos poucos, o homem foi se aproximando, como se fosse tomar os lábios daquela a quem aprisionava entre os dedos. Hinata sentia o coração bater desenfreado, como se ele pudesse romper sua pele e suas vestes, saltando para fora de tanto terror. Ela não queria ser a esposa daquele homem, não queria que ele a tocasse por mais nenhum minuto sequer!
Foi quando ela sentiu o punhal de rubi próximo de sua perna. Rápida, como Neji havia lhe ensinado, ela tomou a adaga em mãos e fez um movimento rápido, mirando a jugular de seu opressor. Mas o movimento saiu em falso, pois o mago previu que isso aconteceria e transformou-se em uma forma irregular e nebulosa.
– Há, boa tentativa, mas isto é insuficiente...Você terá até a noite do seu aniversário para repensar sobre a minha proposta. – ele respondeu sorrindo, ao mesmo tempo em que seu corpo começava a ficar disforme como fumaça – Pense bem no futuro, bela Hinata. Você pode se tornar a mais mortal rainha das trevas, ou definhar na solidão com suas estátuas de ônix. Decida com sabedoria.
E com a risada mais amedrontadora que ela tivera o desprazer de ouvir, Hinata viu seu futuro pretendente simplesmente evaporar no ar, levando consigo todos os bons votos e esperança que juntara na vida, deixando-a sozinha em meio aqueles seres petrificados.
Como ela poderia viver ao lado de um homem tão ruim como aquele? Como poderia viver o resto de sua vida em plena escuridão? Lógico que ela não sobreviveria... Mas também não poderia deixar que o seu povo pagasse por uma escolha que fizesse errada. Uma vida em troca de outras, era um preço baixo.
Com os olhos embaçados e ardidos por conta das lágrimas que os fustigavam, a princesa solitária se desesperou em meio ás estátuas com rostos contorcidos em medo e dor. Desajeitada, começou a se afastar e correr em direção ao grande portão do castelo. Ela precisava se afastar daquela cena, precisava se afastar do seu erro.
O vento frio da noite trazia alguns flocos de neve consigo, gelando qualquer parte do corpo exposta. A respiração entrecortada da jovem levitava como fumaça aos céus e tudo parecia absurdamente sombrio. O que ela deveria fazer? Para onde ela poderia ir? Por mais que Hinata soubesse que não haveria uma escapatória, só o fato de saber que não veria mais nenhum de seus amigos ou familiares já era dor o suficiente. Madara realmente era um homem cruel... Ele queria que ela experimentasse a dor e o desespero antes de toma-la para si.
Com dificuldade de respirar, Hinata parou e se apoiou em uma das colunas do pátio externo, tentando recompor-se. Ela ergueu mais uma vez seus olhos lilás perolados aos céus, mirando a Estrela sob a Montanha Proibida. Não era aquele o destino que havia planejado para si. Não havia herói, não haveria amor... Não, o seu destino não poderia ser aquele!
O relógio do grande salão começou a primeira de suas doze badaladas, enchendo o lugar silencioso com seu poderoso som e fazendo com que Hinata pulasse de susto. Chegara a meia noite do dia 25 de dezembro, dia de Natal. Eram dois dias para o seu aniversário.
O que ela poderia fazer?! Piscando os olhos com força, a princesa pode em fim perceber uma fumaça branca que vinha do meio da floresta dos espíritos da natureza. Deveria haver alguém ali! Alguém que pudesse lhe dar uma direção, uma ajuda... E ela teria de ir até lá!
Sem pensar duas vezes, a jovem princesa apertou o cabo do punhal de seu pai em suas mãos e saiu correndo para fora do castelo ao som das badaladas do relógio. Aquela poderia ser sua última chance.
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