A Princesa dos Mortos
2 Tristeza, vai chover
Notas iniciais
Minha mente se perdia naqueles pensamentos, agora tão dolorosos. Lembrei de como o amava e como ainda o amo e de como eu tinha deixado aquilo que eu conhecia como casa para segui-lo nessa carreira idiota de detetive.
Agora depois de três anos tinha aparecido aquele Caso Kira, complexo, intrigante e difícil. Tinha deixado Bring renovado, estava tão feliz por finalmente ter encontrado um caso a sua altura.
Depois de liberar o seu suspeito, Raito Yagami, do confinamento ele havia se algemado ao rapaz durante 24 horas. Eu não gostava daquilo e odiava ainda mais aquela namoradinha do Raito que Bring achava ser o segundo Kira, Misa Amane. A menina não tinha feito nada para mim, mas eu não podia controlar o ciúme ao vê-la perto de Bring.
Mesmo sem gostar dela e odiando o fato de Bring estar acorrentado a Raito eu estava acompanhando o caso junto com ele.
De um jeito engraçado aquele dia havia começado até bem, quando eu acordei coloquei uma calça jeans e uma blusa de um vermelho muito vivo, minha cor favorita. Ao chegar à sala onde estavam todas as pessoas envolvidas no caso, eu ouço Matsuda falar comigo:
-Bom dia, Kiia.
Era estranho ser chamada assim por outra pessoa sem ser Bring e já ia falar pra ele não me chamar assim quando ouço uma voz dizendo:
-Não a chame de Kiia.
Surgiu aquela peculiar gotinha no rosto de Matsuda e este ficou com vergonha, eu ri da situação. Mas para deixar o dia ainda mais engraçado Matsuda resolve piorar a sua situação.
-Desculpe Bring, é que vocês sempre se tratam assim e acabou ficando na cabeça.
-Também não me chame Bring. Vocês me chamam de Riuuzaki, como já foi dito.
Se Matsuda estava mal antes agora ele estava morrendo de vergonha, deitou sua cabeça na mesa. Eu parei um pouco de rir e sentei ao seu lado, falei baixo para que só ele escutasse:
-Não liga não. Bring é sempre assim, é que esses nossos apelidos são antigos e só eu posso chamá-lo de Bring e só ele pode me chamar de Kiia.
Eu realmente acreditava que aquele dia ia ser bom e no fundo havia gostado muito de ver Bring falando para Matsuda não me chamar de Kiia era uma coisa especial para mim esses apelidos.
A tarde eles discutiam sobre Raito ser ou não Kira enquanto eu escrevia em meu caderno, sempre gostei muito de escrever e aquele caderno era muito especial ele estava sempre comigo.
Quando havia terminado um texto particularmente constrangedor já que falava sobre os meus sentimentos eu levanto a cabeça e ouço L falar:
-Se Raito for Kira eu estarei numa situação ruim. Por que Raito é o meu primeiro amigo.
Fui tomada de uma raiva muito intensa. Eu não cultivava a esperança de ter algo além de amizade com Riuuzaki, mas ouvi-lo falar que nem ao menos uma amiga ele me considerava doía muito.
Levantei num impulso olhei para ele e gritei:
-Ele é o seu primeiro amigo?
Estava enfurecida e sem pensar levantei minha mão e soquei-o com força, queria quebrar o seu nariz, machucá-lo tanto quanto ele me machucou. Mas isso não era possível porque nenhuma dor física era comparada a dor emocional que eu sentia naquele momento.
Riuuzaki não revidou o meu soco apenas ficou me observando, como se estivesse me analisando. Fiquei com mais raiva ainda e desferi outro soco nele. Agora eu havia conseguido cortar a sua bochecha e saia um filete de sangue da sua boca.
Todos estavam espantados demais para tomar alguma iniciativa, eu sempre havia sido alegre e falante era uma surpresa me ver atacando Bring... Espera Bring não, se ele não me considerava sua amiga o chamaria de Riuuzaki como todos... Então, era uma surpresa me ver atacando Riuuzaki de modo tão violento.
Depois do terceiro soco eu parei, senti que eu iria chorar, mas me contive. Riuuzaki nunca havia me visto chorar, eu só fazia isso com Mello que sempre me consolava, e não seria agora que eu me mostraria fraca.
Eu estava saindo enfurecida e disse:
-Então curta a sua grande amizade, Riuuzaki.
Agora, depois de sair correndo de lá, eu estou andando pela rua sem dinheiro ou comida, me lembrei agora que eu esqueci o meu caderno lá e eu o deixei aberto o que é um grande problema porque se alguém mexer nele eu estou ferrada, escrevi coisas lá que, as vezes, tenho medo de admitir até para mim mesma.
Não tenho para onde ir e não posso voltar para lá, não quero nunca mais ver ‘ele’.
Para terminar o dia com chave de ouro está chovendo e eu estou chorando sem rumo, me abraçando para tentar manter o pouco de calor que ainda tem no meu corpo.
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L’s POV
Kiia está muito brava comigo, mas isso é necessário. Quando eu falei que Raito era meu primeiro amigo eu sabia que ela iria ficar com raiva e iria embora. Ela é muito carente e me considera um grande amigo ao ver que eu não a considerava uma amiga ela se deixou levar pelos seus sentimentos.
Mas eu achava que ela ia brigar comigo somente depois, sem fazer aquela cena diante de todos. E depois eu lhe daria dinheiro para ela não ficar na rua. Eu calculei mal o quanto ela iria ficar irritada, mas mesmo ela na rua é melhor do que deixá-la aqui.
Esse caso é muito perigoso, se ela continuasse investigando poderia ser morta por Kira. Eu acredito que Raito seja Kira e que ele, de alguma forma, vai recuperar o seu poder e se eu estiver correto e Misa for o segundo Kira, ao olhar para o rosto de Kiia ela poderia matá-la quando adquirisse seu poder novamente.
Mas se ela for mantida longe das investigações e caso eu não consiga desvendar tudo até que eles tenham seus poderes de novo, eles não a veram como uma ameaça e a deixarão viva.
Eu prometi para mim que não deixaria ninguém machucá-la e se para isso seja necessário irritá-la contando uma mentira e a deixando na rua, eu farei isso.
Por precaução eu enviei uma mensagem codificada a Watari pelo celular, para que ele localizasse Kiia e levasse dinheiro para ela, também percebi que ela esqueceu seu precioso caderno e o peguei e guardei. Eu sabia o quanto aquele caderno era importante para ela e, mesmo sem nunca tê-lo lido, sabia que podia conter coisas constrangedoras ou que ela simplesmente não queria que ninguém lesse.
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OnYeen’s POV
As lembranças de vários dias atormentavam minha cabeça. Momentos com L, com Mello, com Near, risadas infantis, sentimentos que eu escondi, lágrimas que escorreram pela minha face e até lágrimas que escorreram pela pele de Mello enquanto eu me consolava com ele.
Lembrei de todas as vezes que eu me fiz de forte, enquanto por dentro sentia medo, sempre fui boa em camuflar o medo, o choro e todos os sentimentos que me faziam fraca. Sempre fui forte. Porém agora eu deixava a chuva lavar minhas lágrimas, estava cansada de ser forte cansada de esconder meus sentimentos, de fingir ser alguém que eu não era.
Eu era Maddy Onnyx, uma garota apaixonada de 15 anos que não tinha nada nem ninguém, tinha largado a sua única casa por um amor idiota e agora pagava o preço pela sua burrice.
A chuva não diminuía então eu sentei no banco de uma praça qualquer em que eu estava passando, não tinha ninguém lá e mesmo se tivesse ninguém ia se importar comigo mesmo.
Sentada ali eu parei de chorar e pensei que se ele não se importava comigo, Foda-se... Eu ia provar o meu valor, não para ele, mas para mim mesma.
E lembrei a primeira maior regra de todo o orfanato, entre nós crianças: Kami ama OnYeen acima de todas as outras pessoas.
Ao me lembrar disso eu ri. Essa regra tinha sido feita porque eventos muitos estranhos aconteceram comigo e continuam acontecendo até hoje. Por exemplo, a aposta que Riuuzaki perdeu para mim. Havia se formado um casulo de borboleta no jardim do orfanato. Eu arrastei L até lá para ver e ele disse que não duraria mais que uma semana, eu de birra falei que duraria até um mês se eu quisesse.
Então nós apostamos, ele que duraria no máximo uma semana e eu que só cairia depois de um mês. Passaram-se uma, duas, três semanas e seis dias... Riuuzaki estava morrendo por dentro, aquilo era impossível ia contra a natureza. No dia que completou um mês, um pouco depois da hora em que nós fizemos a aposta uma borboleta saiu do casulo.
Ela tinha as asas vermelhas, com as bordas negras e alguns detalhes na sua asa eram negros também. Alguma força sobrenatural gostava muito de mim para ter mexido até com o ciclo da natureza para que eu ganhasse uma aposta qualquer.
Como ele perdeu me disse seu verdadeiro nome, L Lawliet, e eu disse o meu, não era necessário, mas o fiz. Naquele dia surgiram os apelidos Bring e Kiia também.
Depois disso outras coisas estranhas aconteceram, como quando eu me irritava com alguém e, de repente, essa pessoa começava a ter um azar terrível. Toda vez que eu ficava muito tempo triste ou quando eu estava doente chovia e o tempo fechava, como agora.
Eu já estava acostumada com essas loucuras e não ligava, no início me irritava quando algumas crianças tinham medo de mim, mas depois todas viravam amigas minhas. Eu acho que era a única que falava com todos do orfanato.
Eu sentia falta deles, de ter o apoio de Mello, de abraçar Near mesmo que ele não gostasse muito, sentia saudade até mesmo de Matt com aqueles joguinhos irritantes dele.
Fui percebendo que eu estava errada, eu tinha amigos, tinha pessoas que se importavam comigo e que não iriam querer me ver naquela situação. Não era porque Riuuzaki era um idiota que eu também deveria ser, se ele não queria minha companhia é realmente uma pena, porque quem saiu perdendo foi ele.
Resolvi que investigaria o Caso Kira sozinha, e se Kami, o destino, ou quem quer que fosse que estava me ajudando desde criança continuasse ao meu lado, eu tinha certeza que conseguiria. Nunca me foi necessário pedir ajuda para esse ser que me auxiliava, ele sempre fez isso de bom gosto, mas agora... Eu precisava mesmo dele.
A chuva havia parado, com certeza porque o meu humor havia melhorado, eu ainda estava encharcada, mas agora sorria como se soubesse de alguma coisa que mais ninguém soubesse, não que eu realmente tivesse alguma chance contra L, mas seja lá quem fosse que estivesse me ajudando todos esses anos não me deixaria perder tão facilmente.
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L’s POV
Minha boca ainda sangrava e só agora eu percebia que ninguém tinha entendido nada. Olhei para Raito talvez ele tivesse conseguido entender alguma coisa pelo seu olhar ele havia entendido. Agora bastava explicar aos outros.
-Não se surpreendam. Eu já sabia que ela reagiria assim.
Watari me trouxe um lenço onde eu limpei o sangue que escorria.
-Ela saiu irritada, por que eu disse que Raito era meu primeiro amigo. Ela se sentiu ofendida, pois se considerava minha amiga. Então, como perceberam, ela se deixou levar pelos seus sentimentos. Kiia sempre foi muito espontânea.
-Só não entendo uma coisa. Se sabia que ela reagiria assim por que falou aquilo? – Perguntou o Yagami-Pai
-Porque aqui ela corria perigo e esse era o único método de mantê-la longe das investigações.
Todos se surpreenderam com a resposta. Lá no fundo Misa gritou animada:
-Riuuzaki, que fofo. Você gosta dela.
Ninguém deu atenção a ela, nem mesmo eu. Eu não gostava da Kiia, apenas não queria que se machucasse por minha causa. Isso não significa que eu goste dela. Claro que a considero minha amiga, mas só isso. Eu tenho 18 anos e ela 15, é natural que eu tente protegê-la. Ou será que não é natural que eu queira protegê-la? Será que eu gosto dela?
Eu achei melhor tirar aquilo da cabeça por enquanto. Tinha que me concentrar no Caso Kira e aqueles pensamentos eram além de perturbadores, um tanto quanto ilógicos.
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OnYeen’s POV
Deviam ser umas cinco, quase seis horas da tarde. Iria começar a pensar sobre o Caso Kira pela manhã, agora eu tinha que arrumar um lugar para passar a noite. Não seria fácil, precisava de dinheiro.
Andei sem rumo durante algum tempo pensando nas possibilidades. Não adiantava me fingir de mendiga, primeiro porque eu me recuso a fazer isso e segundo que minhas roupas, mesmo encharcadas ainda estão um pouco novas e limpas.
Talvez eu pudesse ir a algum lugar que abrigasse moradores de rua, mas eu não iria ser aceita.
Pensei em inúmeras hipóteses cada uma mais impossível do que a outra, parte de mim queria voltar ao prédio de Riuuzaki e dormir no meu quarto, na minha cama quentinha... Mas eu não podia fazer isso, eu era orgulhosa demais para tal ato.
Algumas hipóteses eram descartadas por eu não parecer japonesa, minha mãe era brasileira e nunca me falaram sobre o meu pai. Eu nasci no Japão, mas minha pele é morena e tenho cabelos cacheados e negros.
Eu tive uma idéia louca, mas podia dar certo. Eu resolveria dois problemas de uma vez só. Nas investigações L desconfiava que o poder de Kira tivesse sido passado para um dos membros de uma organização chamada Yotsuba, eles devem estar saindo do trabalho daqui a pouco, se eu for andando (como se eu tivesse outra opção) eu chegaria lá em meia hora, e com sorte eles vão sair da empresa nesse horário.
Eram oito os empresários se eu conseguisse chamar a atenção de apenas um eu teria onde passar a noite e poderia ter algum contato com eles.
Eu tinha um plano, claro que iria precisar de muita sorte e, com certeza, era uma tentativa louca, mas é a única coisa que eu tinha, então... Foi nessa linha de esperança que eu me agarrei.
Continua...
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