A Princesa do Gelo

1 Capitulo Único: A Dama Invernal


Notas iniciais
Espero que gostem da ficção! Fiz com muito carinho e estou me esforçando bastante para ser a melhor (aliás, eu quero ganhar o desafio!)

Era provavelmente o inverno mais frio que já havia passado. Nunca em toda a minha vida eu pude ver o reino do Brasil coberto de neve. Sim, a temperatura já não era muito normal dês do século XXI, mas sem dúvidas, estávamos na era mais fria dês de... bom, acho melhor não me perguntar. Não entendo muito bem de clima ou de história. Sempre fui um órfão sem ter para onde ir. Mesmo depois que a Quadrilha do Inverno me abrigou.

— O que é isso? – Perguntou meu líder.

— Eu não sei. – Afirmei, me referindo à algo que respirava debaixo de uma enorme coberta suja dentro daquele vagão de trem.

— Só há uma forma de descobrir. – Disse meu colega.

Eu era apenas um menino quando uma gangue de traficantes de drogas me encontrou e me levou para a casa deles. Isso foi logo depois que o mar tomou de volta a costa do Rio de Janeiro, que antes foi aterrada e várias construções foram feitas. Logo no fim de 2099, houve um desastre uma enorme onda destruiu tudo. Depois disso, foi tudo uma confusão e o século XXII se iniciou com uma monarquia. Nunca entenderei como isso aconteceu.

— Ahá! – Exclamou o líder, tirando o cobertor e revelando a garota.

— Quem é essa? – Perguntei confuso, observando a garota de cabelos, pele e vestido da cor da neve. Então, a reconheci – É a princesa?!

Eu nasci no ano de 2098, no dia primeiro do mês oito; agosto, do signo câncer. Não que eu acredite. Estamos em 2119, ou seja, tenho 21 anos. Queria sair da Quadrilha do Inverno, mas meu medo era maior do que qualquer coisa. E sim, eu vivi em dois séculos diferentes. Me acho o máximo por isso. Bobagem, eu sei, sou um idiota. Fui batizado com o nome Pedro Rocha, o que é um baita de um pleonasmo, já que Pedro significa Rocha. Não me lembro de meus pais, até porque, eu tinha um ano quando eles foram assassinados pela Quadrilha do Inverno e eles me levaram. Não importa. Sempre fui tratado como só mais um órfão solitário prejudicado pelo descaso da família real.

— Não acredito... – Falou Done, meu colega, rindo – A família real não está totalmente morta, então?

— As mortes do rei e da rainha foram confirmadas, tal como do príncipe mais velho, mas a princesa não. – Afirmou Finn, o líder.

— O que faremos com ela? – Perguntei.

A monarquia nunca ligou para os pobres, contando que os ricos mantivessem as aparências de um reino perfeito. Foi por isso que houve a rebelião e o povo invadiu o Palácio Verde Louro para matar a família real, como na Revolução Russa, em 1916... eu acho. Nunca tive muito acesso à estudos ou informações que geralmente os ricos têm. Aprendi a ler e escrever porque os líderes ensinam às crianças que estão entrando para a Quadrilha. Aprendi as quatro operações porque um amigo me ensinou. O resto, aprendi com a vida.

— Eu não sei. – Afirmou Finn – Podemos conseguir uma boa grana com ela.

— Sim, podemos. – Concordou Done.

— Se a princesa Lívia Bianchi está aqui, precisamos esconde-la até que acorde, ou virão atrás dela. – Informei.

— Nós dois sabemos que ela é algo novo. Essa garota é tudo, menos humana.

Conhece a expressão "Sangue Azul"? Pois bem, ela nunca foi tão literal como no Brasil do século XXII. Foi quando tive uma brilhante ideia. O povo não queria mais o reinado, mas os grandes sofriam o luto. A morte da família real foi muito recente e eles procuravam algum vestígio, algum pedaço de esperança, da princesa Lívia estar viva.

— Avise aos outros e convoquem uma reunião. Eu tomo conta dela. – Digo me referindo à garota ainda desacordada.

— Você não é o líder, sou eu.

— Se apresse, Finn. Temos que fazer algo. Rápido.

Ele concordou e desceu do vagão do trem com Done. Voltei minha atenção à princesa, de 18 anos, mas parecia tão pura e inocente. E achar uma garota de 18 anos pura, só na realeza mesmo. Isso ainda sim é duvidoso. Nunca se sabe. Mas tínhamos uma certeza: A garota era valiosa. Todos concordavam. E logo ela vir parar em nossas mãos era surpreendente. Uma sorte para não se desperdiçar. Ela se remexe no chão e tenta se erguer. Seu vestido estava imundo, mas ainda era branco como a neve. Uma neve suja, mas ainda sim parecia. Era linda. Conforme seus olhos se abrem lentamente, enquanto ela, em fim, consegue se apoiar na parede do vagão:

— Garota? Se lembra do seu nome? – Perguntei.

— Não. – Ela respondeu confusa.

— Você precisa fugir. – Afirmei – Mas não se preocupe. Vou despistá-la.

— Quem é você?

— Alguém que quer te ajudar. Mas você deve se mantes escondida.

Eu precisava me despistar e ela precisava encontrar sua família. Desaparecer sem deixar pistas. Era o que eu e ela precisávamos. Me despistar. Ela me encara com seu olhos azuis claros e os cachos longos e brancos. Muitos dizem que ela é fruto de um adultério, mas outros afirmam que ela é parecida com seu pai. O que resta pensar que ela nasceu albina por algum dano genético. Isso foi comprovado quando, não apenas deu positivo para seu pai verdadeiro, o rei Diogo, mas também se fez descoberto que seu sangue tem a cor azul. Ela tem o sangue literalmente azul. Dizia-se que ela tinha poderes de gelo, como o velho conto da rainha da neve.

— E quem sou eu? – Ela perguntou.

— Seu nome é Lívia.

— Como sabe?

— Agora não é importante. Temos que sair daqui...

— Pedro! – Meu nome é gritado do lado de fora.

Finn passa pela porta segundos depois da garota, por ordem minha, deitar novamente e fingir que nada havia acontecido.

— Conseguiu alguma coisa?

— Sim! – Ele respondeu – Vamos filma-la e divulgar, pedindo uma recompensa pela garota.

— E se mandarem alguém para nos matar e resgatar ela? – Questionei.

— Nos defendemos. Somos muitos.

— Eles também podem mandar muitos.

— Acorde a garota e prenda ela. – Finn deu a palavra final.

Logo que ele saiu, Lívia se levantou e seguimos, atravessando vagão por vagão, até o fim do trem, que não demorou muito, já que ele não era muito longo e estávamos na metade dele. Quando saímos do último vagão, entramos no meu carro e seguimos para longe. Porém, olhei pelo retrovisor e vi Finn, Done e Lay, uma ex-namorada membro da quadrilha que eu nunca gostei de verdade. Foi complicado, mas consegui despista-lo.

Quando as coisas se acalmaram, eu pude refletir na decisão que tomei: fugir com a princesa. Soa heroico e romântico falando assim, mas foi o fim de uma vida inteira na Quadrilha do Inverno. Eu contava com a nobreza apagar meus crimes por eu salvar e levar de volta a princesa, mas e se isso não acontecesse e eu morresse? Lívia me tirou dos pensamentos:

— Vai dizer como sabe meu nome? – Ela perguntou.

— Você é famosa.

— Como?

— Você é a princesa Lívia Bianch.

— Eu? Uma princesa? – Perguntou surpresa.

— Imagino eu que você seja a esperança para o Brasil. Seus pais e seu irmão sempre foram negligentes com o pobres, mas você era diferente.

— Gr! – Ela reclamou – Tem alguma coisa no meu vestido me incomodando!

O vestido dela era longo, branco, rodado e cheio de rendas. Estavam no meio do baile de aniversário dela quando foram atacados. Lívia retira de seu vestido uma esfera transparente. Ela põe sobre suas mãos juntas e a observa. O objeto me era completamente estranho.

— O que é isso? – Ela perguntou.

— Não faço ideia.

— E o seu nome? Faz alguma ideia? – Ela tem um leve tom de zombaria.

— Sim, e Pedro.

— Você tem cara de Daniel! – Ela comentou.

— Sim, mas é Pedro. Pedro Ro...

Sem que eu pudesse terminar, um pequeno projétil atinge o espelho retrovisor e nos assusta. O carro de Finn estava na nossa cola. Engoli seco e pisei fundo no acelerador para rugir deles. Precisava despista-los. Quando achei que estávamos perdidos, a princesa colocou parte do corpo para fora do carro, estendeu as mãos para os perseguidores e um vento gelado sai de seu pulso, se transformando em neve e ar frio, atingindo o carro que ainda atirava e, como de esperado, o carro atrás congelou.

Eu já havia ouvido falar do poder da princesa, mas nunca havia visto nem de longe. Muitos diziam que ela era amaldiçoada por isso, outros falavam de genética, outros de abdução alienígena ou experimento o governo. O certo é que a princesa tem poderes de gelo, por algum estranho motivo, e dês de que ela nasceu, neva no Rio de Janeiro todos os anos, no mês de julho. Eu até perguntaria como ela fez isso, mas sabia que ela não tinha uma resposta. Ela me encara surpresa e pergunta:

— Como eu fiz isso?!

— Você tem poderes criocinizicos ou... algo assim. Poderes de criar e controlar o gelo. – Expliquei. Hoje, me corrigiria: criocinéticos.

— Isso não e normal, okay?

— Não, não é.

Com eles congelados, a viagem prossegue com mais tranquilidade. Sim, os despistamos, mas tínhamos que chegar no palácio do governo o quanto antes. E foi impossível de o fazer naquele dia, pois o sol se pôs e precisamos de um lugar para dormir. Encontrei uma casa abandonada no meio do caminho, na Lapa, e consegui invadir. Muito provavelmente, a família que lá morava foi despejada por não conseguir pagar impostos.

A casa não tinha moveis, mas bastava para dormirmos por aquela noite apenas. Me sento no chão e Lívia se dentou ao meu lado. A mesma suspira e se ajeita, apoiando a cabeça no meu peito. Nunca imaginei que poderia me encontrar naquela posição: em uma casa abandonada dormindo (no sentido mais inocente) com a princesa do Brasil.

— Por que me ajuda? – Perguntou ela – É um criminoso, estou certa?

— Há tempos que eu não quero ser um criminoso. Queria fazer o bem, só para varear. – Brinquei.

— Você é bom em fazer o bem. – Ela afirmou – Podia fazer mais vezes.

— Eu espero ter essa chance.

— Boa noite, Pedro. E obrigada.

Embora sua pele fosse fria como o gelo, algo quente parece brotar em mim. Um sentimento que eu nunca havia sentido. Eu a via apoiada no meu peito, tão calma e tão linda, que me senti extasiado apenas em ver que ela estava lá. Que não era fruto da minha imaginação. Naquele momento, percebi que eu devia proteger ela de tudo e todos, mesmo que custasse minha vida. Mas afinal, o que estava acontecendo comigo?

— Boa noite, princesa Lívia.

Envolvi meus braços em seu corpo e beijei sua testa. Como resposta, ela sorriu e apoiou sua cabeça ao meu peito, ouvindo o som do meu coração. A noite foi mais tranquila do que eu pensei e logo nos levantamos. Ela estava sumida há dias. Durante a viagem, se queixou de dores de cabeça e fome. Dizia ter fleches de sua memoria e que pode estar perto de se lembrar.

Comprei um lanche para ela em uma lanchonete de rua e continuamos o percurso ate o Palácio Verde Louro. Conversávamos muito durante a viagem e o meu coração sempre se surpreendia com ela. Acabei por achar que estava apaixonado, mas ignorei essa hipótese. Havia a conhecido no dia anterior, como já poderia estar apaixonado?

Então chegamos e não queriam nos deixar entrar. Bom, não queriam até eu revelar que estava com a princesa. Mesmo assim, ficamos esperando o tio dela do lado de fora, e ele a recebeu minutos depois inacreditavelmente feliz e aliviado por ver a sobrinha a salvo.

— Muito obrigado! Toda a corte brasileira agradece por sua coragem, meu jovem.

— Não precisas gradecer. Fiz o necessário. – Respondi ao príncipe.

— Há algo que possamos fazer para agradecer?

Eu queria uma ficha limpa e dinheiro para viver sozinho, investir, sem precisar recorrer ao crime de novo. Mas isso não me enchia os olhos. Não mais. O que me enchia realmente os olhos era uma bela dama de olhos, vestido, cabelos e pele branca. Então pedi.

— Quero ficar perto dela. E protege-la.

— Assim será feito! Como se chama?

Se eu recomeçaria minha vida, não poderia mais ser Pedro Rocha.

— Daniel. – Respondi.

Bom, eu até poderia dar mais detalhes do que aconteceu depois. Nosso primeiro beijo, namoro, noivado, casamento, coroação... esse não é o meu objetivo, príncipe Erik. O que eu queria contar, já contei.

Foi assim que conheci sua mãe, meu filho.

Notas finais
Espero que tenham gostado! Me dediquei absurdamente!
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!