Notas iniciais
Olá de novo galerinha. Cheguei a conclusão de que não vou terminar a tempo e com certeza não vou ganhar o concurso :'( mas não vou parar de escrever, então desculpem pela demora, espero que gostem desse capítulo e que nos encontramos nos reviews. Beijos de metal e boa leitura. ;)

Algumas pessoas se impressionam facilmente com os bailes e as festas Vitorianas, porém quando o assunto eram funerais a celebração ainda era mais bela, chegava a dar vontade de querer morrer para ter um.

O funeral de Cristine seria em três dias.

Victor foi até os aposentos de Vitória e entrou sem nenhum aviso.

A rainha estava debruçada sobre uma folha de papel escrevendo alguma coisa. Ao seu lado estava uma garota pequena para a sua idade que se parecia mais com a mãe do que aparentava.

Antes que o médico pudesse pronunciar uma palavra, Vitória se manifestou:

– Não, você não pode destruir o La Fountain's Girls com o navio. — Disse Vitória como se lesse a mente dele.

Victor decidiu não perguntar como ela sabia do pedido.

– Por favor Vitória. Você viu o que fizeram com ela!

Vitória olhou nos olhos de Victor.

– Você pode ir até o principal porto chinês e pegá-lo se quiser, mas ia perder o funeral.

Victor se jogou em uma poltrona na frente de Vitória.

– O que está fazendo? — Ele perguntou.

– Propondo medidas e ameaçando o governo Chinês na esperança de que a maldita guerra acabe.

Victor trocou olhares com Maria Alice.

– Você está aqui para aprender medidas ofensivas com ela?

Maria Alice balançou a cabeça.

– Não, Mylorde. — Victor ficou orgulhoso quando ela disse isso. — Estou aqui para ajudar com o discurso fúnebre da senhorita Cristine.

Victor ficou calado.

– Alice. — Disse Vitória. Victor não gostou do nome que ela escolhera chamar a criança. Ele sabia que estava sendo infantil, mas ainda assim parecia que ela dava mais valor a Melbourne do que a ele.

– Sim, mamãe. -Ela abaixou a cabeça respeitosamente.

– Por favor, acompanhe Victor à Elizabeth Tower, onde ele costumava se encontrar com Cristine e Anne todas as noites, tenho certeza que ele quer falar com você.

Victor não perguntou como ela sabia desses encontros, nem mesmo imaginou possibilidades.

Maria Alice segurou a mão de Victor e o guiou à porta. Quando estavam fora da sala, ela perguntou:

– Por que ela fez isso? Foi culpa sua?

– Em parte. — respondeu o médico. — Ela odeia que as pessoas a vejam chorar.

Aquilo deixou a ciborgue confusa.

– Pensei que ela não chorava. Ela estava tão confiante antes...

Victor sorriu e percorreu o cabelo da princesa com os dedos.

– Não garota, ela estava triste. Mais que qualquer um de nós, aposto que queria morrer junto com Cristine. A única diferença entre nós e a rainha, é que ela sabe esconder os sentimentos melhor.

Maria Alice deu um tapa na mão dele.

– Não ouse atrapalhar meu cabelo. Você nem imagina o quanto é dificil fazer um penteado desses.

– Por que fala de cabelo em uma hora como essa?

Eles estavam chegando na base da escada quando ela finalmente respondeu.

– Por culpa sua.

Victor a fitou.

– Como posso ter culpa?

– Você me fez assim. — os olhos da garota não estavam marejados. — Eu não consigo entender o que vocês sentem, eu não estou triste por ela, não consigo chorar. Por que você também não chora?

– Criança, eu te fiz para ser forte, uma rainha ideal. Sentimentos são apenas fraquezas, tudo o que fazem é te desviar do seu objetivo. Raiva, ódio, tristeza, amor...

– E se eu fugir disso, sou uma covarde! — Ela retrucou. — Pelo que eu sei, a dor ensina, é o que molda a pedra no mais fino diamante, é o que faz uma pessoa, um humano!

Victor sentou se no último degrau e gesticulou para que ela o acompanhasse.

– Você não quer ser um humano. Eles são podres, fracos e egoístas. Nunca consegue fazer algo certo.

Maria Alice sentou se ao lado do médico. Seus olhos estavam ameaçadores.

– Você está se referindo aos humanos ou a você mesmo?

– Eu não sou um humano, sou pior do que isso. Sou podre e impiedoso. Eu matei meu próprio filho.

Ele não queria dizer isso, mas precisava contar para alguém.

– Você matou o Brandon?

Victor abaixou a cabeça.

– Não, o meu filho biológico. Eu tinha me esquecido dele, fazia anos que não me lembrava de seu rosto. Sou um monstro.

Maria Alice segurou o queixo de Victor e o obrigou a olhar nos seus olhos.

– Você não é um monstro, é só um idiota. Eu estou viva a quase uma semana e não conheço muito do mundo, mas conheço você e sei que teve um forte motivo para fazer tal coisa. Monstros não sentem remorsos, eles matam por matar. O único monstro que conheço é o tal Jack.

– Não sei como ele pode gerar algo tão puro quanto Brandon.

Ele olhou nos olhos da sua cria. Não parecia com a mulher que ele conversara minutos antes em aparência, sua personalidade agora ele notava, ela não era uma cópia de Vitória, era sábia de outro modo... Como Anne Key.

– Por que está me olhando assim? Está me assustando.

Ele sacudiu a cabeça.

– Me desculpe. Você se tornou uma garota melhor do que eu esperava, estou orgulhoso de você.

Ela sorriu como uma criança. Queria tanto ouvir aquelas palavras da boca dele...

– Então o que esperava? — Ela brincou — Que ficasse como mamãe?

– Não. Eu esperava que você fosse ser a filha que eu não poderia ter.

Passos foram ouvidos em algum lugar nas escadas.

– Victor, eu nunca vou conseguir entender você. — Ela deu lhe um beijo na testa. — Te vejo depois.

Maria Alice desceu as escadas enquanto Anne subia.

– Victor? — Ela chamou.

O médico olhou a linda dama.

Ela estava usando um vestido violeta de mangas que iam até os pulsos. Era um vestido justo e sem decote. Seus cabelos loiros estavam soltos, era a primeira vez que Victor os via assim desde muito tempo.

O médico se levantou e a abraçou. Não se importava se Melbourne aparecesse de repente, só queria o calor familiar da mulher.

– Como você está? — Ela perguntou quando ele finalmente a soltou.

– Estou com raiva de Jack e triste por Cristine.

Ela abaixou a cabeça.

– Eu sinto muito pela sua perda.

Ele caminhou para a porta que o levava até a sua torre favorita.

– Não foi só minha. — Victor sentou se no único espaço onde não havia grade nenhuma no perímetro da torre. — Eu não a conhecia direito. Ela era sua amiga não era?

– Sim, ela era. Mesmo não conhecendo a, ela escolheu passar a vida ao seu lado. Ela amava você.

Victor olhou para o céu azul. Era como se Deus estivesse brincando com ele. Victor iria adorar passar um dia assim com Cristine.

– Eu também a amava. — Seu olhar estava distante. — Cristine queria queria uma família. Ela me disse que queria ter filhos.

Anne sentiu uma pontada de ciúmes, mas nada disse.

– Você me queria me contar algo aqui naquele dia. O que era?

Anne mordeu o lábio.

– Não é uma boa hora.

– Você já pensou em ter filhos, Anne? — Victor não esperou a resposta. — Uma criança parecida com você, que mesmo longe continuaria te amando, buscando pais que nunca existiram?

Anne abaixou a cabeça.

– Você sabia.

– Sim eu sabia. Acho que sempre soube. — Victor se levantou e olhou para ela. — Ele não era meu filho, era um assassino. Um filho do estripador. Ele teve uma segunda chance, mas escolheu desperdiçá-la. Não quero que se culpe nunca mais por isso.

Anne Key se virou.

– Seu relógio está atrasado. — foi só o que ela disse antes dê adentrar no palácio.

Victor voltou ao quarto minutos depois. Brandon estava no computador, escrevendo de novo na sua história.

– Toc Toc. — Disse Victor entrando no quarto.

– Victor! — Exclamou o garoto. — Você me assustou.

– Desculpe por isso. O que você está escrevendo?

– É sobre um médico que queria fazer uma vida, superar a Deus.

Victor olhou para o computador.

– Victor Frankenstein? Acho que já ouvi essa história.

– Não me leva a mal, Victor, mas Frankenstein é melhor que Áurea.

– Então vou começar a te chamar de Brandon Frankenstein de agora em diante.

Brandon sorriu, mas seu riso logo morreu.

– Você quer falar comigo não é?

Victor deixou-se cair na cama.

– Sim. Preciso saber coisas sobre o seu outro pai.

Brandon encarou Victor.

– Mas ele morreu...

O médico suspirou.

– Brandon, Joe acha que seu pai pode ainda estar vivo. Ele disse que não encontraram o corpo dele.

– Mentira! — Brandon gritou. — Ele morreu. Ele tá no inferno! Eu vi.

– Por que ele foi para o inferno?

Lágrimas caíram do rosto do garoto.

– Por me fazer. Eu vou te contar tudo, eu prometo.

Victor então entendeu tudo. O por que Brandon não gostava de seu pai, o por que ficara tão feliz quando lhe contara da morte do homem. Ele era mais parecido com Victor do que o medico pensara, Ambos eram fruto de um estupro.