Notas iniciais
Foi tenso de escrever, espero que gostem.

– De vagar garoto. — repreendeu Victor. — Se você morrer Vitória pode me prender, sabia?

Brandon gritou com animação, enquanto Saul corria a toda velocidade pelos campos. Estavam fora do palácio, perto de uma mansão azul desocupada no momento.

– Ele nunca aprende. — Victor sacudiu a cabeça.

– Casa bonita. — comentou Maria.

– Sim, realmente é linda. Alberto tinha planos para ela, mas a anos desistiu da compra.

– Que pena... Eu gostaria de morar ali. Por falar.nele, o que estava acontecendo na sala com ele e Isabel?

Victor agradeceu aos deuses e deusas de qualquer religião por Brandon estar longe naquele momento.

– Sexo. — Respondeu o homem, simplesmente assim.

– O que é sexo? — Maria parou de cavalgar e Victor também.

– Cientificamente falando, é quando queremos fazer um humano, procriação.

Maria Alice abriu a boca.

– Então ele quer ter um filho com Isabel? Por quê?

Victor sorriu.

– Na verdade ele só quer tentar.

– Por que? Isso nem faz sentido.

– É gostoso fazer, prazeroso. É como comer chocolate.

– O que diabos é chocolate?

– Esquece.

Começaram a cavalgar devagarinho em silêncio.

– Victor, tenho a dúvida.

– O que é?

– Por que ele não "tenta" com mamãe?

Victor olhou para a árvore mais próxima, não queria falar disso, mas sabia que precisava.

– Para ela não morrer.

– Isso mata? — As engrenagens do cérebro de Maria Alice pareciam soltar faíscas de tão rápido q giravam.

– Não uma mulher comum, em alguns casos até ressuscita, mas Vitória é diferente, e a culpa é toda minha.

– O que você fez?

– Salvei a vida dela, mas isso é conversa pra outro dia.

– Mas eu preciso saber hoje. — Ela cruzou os braços.

– As lembranças não são boas, nem todos são imunes a sentimentos, pirralha.

Maria Alice cerrou os dentes.

– Pra você é vossa majestade.

– Tudo bem, senhorita vossa majestade, sabe onde está Jessie?

– Você tem algum fetiche por damas de companhia?

– Não é isso. Só estou preocupado com ela. Faz tempo que não a vejo.

Maria Alice olhou para o céu.

– Ela estava bastante triste hoje cedo. Disse que sentia saudades de Leon e de Cristine.

Sua cabeça parecia estar pesada, da primeira vez que matou, não se sentira assim, mesmo a tal pessoa sendo bem mais próxima dele. Talvez estivesse triste por Jessie, ou por ter quebrado a promessa que fez à sua irmã, Karen. Naquela hora, Victor percebeu que não podia fugir para sempre, e que os fantasmas do passado sempre voltariam pra assombra-lo.

"Talvez seja isso mesmo."

Maria Alice arquivou a lembrança. Jessie não estava mais tão triste, estava ajudando-a vestir um vestido preto meio estranho.

– Não gosto dessa cor. — comentou a princesa.

Jessie forçou um sorriso.

– Não acho que seja uma cor, mas eu também não gosto.

Alice se virou para encarar a garota loira, ainda não vestida para o funeral.

– Você acha que senhorita Cristine ia gostar?

Maria Alice percorreu uma lista inteira de memórias, nunca vira a dama usar preto.

Jessie se lembrou do sorriso que brotara no rosto da dama quando a ajudara a se vestir pela primeira vez, a cor de pele exótica que trouxera do novo mundo, de quando elas conversaram no quarto novo, quando ela sugeriu que Maria Alice a aceitasse como dama...

– Não. — uma lágrima caiu do rosto da garota. — Definitivamente não.

– Então por que eu deveria fazer algo que ela não ia gostar? Eu gostava de Cristine.

– As pessoas iriam falar coisas indevidas sobre vossa majestade. Não ia ser bom, confia em mim.

Jessie amarrou os cordões do Corselet.

Ouviram batidas na porta.

– Por favor, entre. — Disse Jessie.

Um guarda cujo o nome ela desconhecia abriu a porta para que o príncipe e a rainha passassem.

Maria Alice não gostou muito da visão, porém sabia que não era hora para aquela conversa.

– Mamãe. — Exclamou a garota, andando apressada até a rainha.

Vitória a abraçou e fez um sinal para Jessie se aproximar.

Anne não seria nunca respeitada caso se tivesse se casado com Victor, mas Vitória era outra coisa. As duas não conversavam muito, porém Vitória conquistara sua confiança desde o dia que pediu para que trocasse de quarto. Jessie sabia que ela dera aquele último dia para ela tentar Victor, de algum modo, ela sabia.

– Fez um ótimo trabalho, senhorita Jessie. — Disse Alberto.

– Obrigada. — Ela abaixou a cabeça. — Vitória, posso lhe pedir algo?

– Tudo o que estiver ao meu alcance, querida.

– Quero que demita a Srtª Isabel,

A expressão de Alberto era indescritível.

– E quais seus motivos, Milady?

– Roubo e chantagens, acredito.

– É uma acusação bem séria. — Vitória olhou em seus olhos. — Tem certeza do que está falando?

Jessie assentiu.

– Os brincos de esmeralda de Cristine, eu a vi pegando nos aposentos de Anne Key. Também a vi entrando e saindo várias vezes da sala de armas do príncipe e do seu escritório. Victor também a viu, ele pode confirmar.

Alberto soltou a mão de Vitória, pois estava esquentando.

– O que diabos ela fazia em sua sala?

Alberto olhou de Jessie para Maria, que deixaram um esboço de sorriso irónico no ar.

– Eu não sei Milady, talvez tentando roubar outra coisa.

– Juro que se ela aparecer daqui a nove meses com um bastardo eu mesma matarei ela e o bebê. — Voltou se para a porta. — Owen!- Um guarda entrou na sala. — Procure brincos esmeralda nos aposentos de Isabel. Se encontrarem tragam na a mim.

O guarda saiu.

– Alberto e Maria, para fora agora. Preciso conversar com Jessie.

Depois de alguns minutos Vitória sentou se na cama de Maria Alice e gesticulou para Jessie sentar-se ao seu lado.

– Obrigada. — Ela forçou um sorriso. — Acha que Alberto me traiu?

"Sim"

– Não sei dizer Milady, todas as vezes que a vi estava sozinha.

– Menos mal. — o sorriso morreu. — O que acha da atitude dela agora? Durante todos esses anos, ela nunca me roubou e sempre foi fiel.

Jessie ficou quieta.

– Por que a quer fora? — Vitória perguntou de uma vez.

A garota suspirou.

– Eu estava ajudando Anne. Isabel quer ter um filho com Victor, e assim manchar o nome de Cristine. Daria a impressão que...

– Que Victor não a amava. É verdade, não seria nada bom. Mas eu duvido que você fez isso por Anne.

Jessie sorriu.

– Eu gosto de Victor.

Vitória sorriu também.

– Entendo você. As vezes ele é mesmo um fofo, mas sempre consegue estragar tudo uma hora.

– Vocês parecem se conhecer bem. Ele fala muito de você.

Jessie notou um leve movimento no lábio direito de Vitória, quase imperceptível.

– Ele te contou como nos conhecemos?

– Não...

– Seria uma boa história para se ouvir, mas não hoje. Hoje o dia é de Cristine.

Jessie abaixou a cabeça.

– Ela morreu muito jovem. Nunca vou superar isso.

– Eu também não. Ela era uma boa amiga. — Vitória sorriu ao se lembrar de algo. — Ela entrou escondida em um navio cargueiro para chegar até mim. Foi tão incrível quando vi aquela garota nobre coberta de fuligem se recusando a deixar o palácio... Agora nunca mais a verei.

Jessie não sabia o que dizer, então disse simplesmente:

– Eu sinto muito.

– Você devia dizer isso ao Victor. — Vitória percorreu os dedos pelos cabelos loiros da garota. — Ele deve estar ainda mais arrasado.

– Faz tempo que a gente não se vê... Eu não consigo olhar pra ele sem lembrar de Leon.

– Eu soube. Ele fez isso para salvar sua vida.

– Sim, e sou grata a isso. Mas não posso acreditar que Leon me traíria assim. Ele foi meu primeiro e único namorado.

– É um assunto delicado. O melhor a se fazer é encontrar um homem em que você confie. Desde que não seja um velho de luto.

– Não confio no Victor. Quando nos conhecemos ele me envenenou.

– Disso eu não sabia. Mas mesmo assim, ele nunca fez mal você depois não é?

Jessie assentiu.

– Ele ama você Jessie. Não acho que tenha dificuldade em demonstrar.

– Você é amiga de Melbourne não é?

Vitória deitou a cabeça de Jessie em seu colo.

– Sim. Ele é um cara legal, embora perca o controle quando fica perto de Víctor.

– Melhor avisá-lo sobre Victor e Anne. Ele ia pedi-la em casamento sabia?

Vitória cobriu a boca.

– Não. Quando ele pretendia fazer isso?

– No dia que ele foi exilado.

– Então era isso que ele queria me falar... Ah meu deus, não acredito nisso.

– Ele não ter te contado?

– Não. Eu cometi um erro. Anne estava triste por ele ter saído sem se despedir. Pensei que ele ia apenas brincar com ela e depois fugir, como fez com as outras... Não sabia que de fato estava apaixonado.

– Victor fica estranho quando está apaixonado. Com Cristine era assim... Tão óbvio...

– Eu pensei que ele ia tentar de novo.

– Tentar o que?

– Me pedir em casamento.

Jessie abriu a boca. O que diabos acontecera no passado deles? Aquilo estava parecendo uma novela literária.

– O carro já deve ter chegado. Venha.

Vitória deu a mão para Jessie e saíram pela porta.

Na frente de um enterro Vitoriano sempre vinha uma carruagem puxada por seis cavalos, onde ficava o caixão contendo o corpo do falecido. Geralmente havia sessão de fotos pós mortem antes e o caixão ficava aberto, para que pudesse ter uma última visão da cidade antes de chegar ao cemitério, mas devido a condição que o corpo de Cristine estava, Victor insistiu em manter o caixão fechado, e também não quis ficar no carro preto onde ficava as pessoas mais próximas a ela, como família e amigos.

Victor ficou ao lado do caixão, conversando com Cristine como se ela ainda estivesse ali.

No carro preto, Alberto e Maria Alice estavam conversando.

– Por que fez aquilo com Isabel hoje?

Maria Alice virou o rosto.

– Não gosto da ideia de você amá-la mais que mamãe.

Alberto soltou uma gargalhada.

– Qual a graça? — Maria Alice agradeceu por ninguém estar ali naquele momento.

– Como você pode achar que eu amaria uma mulher mais que Vitória?

– Eu vi vocês na sala de armas. Victor disse que vocês estavam fazendo sexo.

– Me lembra de matar Victor depois do enterro. — Alberto colocou a mão na testa. — Sim, nós estávamos fazendo sexo, mas isso não quer dizer que eu a amo.

– Quer dizer que você a usou, como um brinquedo.

– Quase isso. Eu precisava ter matado a maldita vontade mais cedo ou mais tarde, ou não ia aguentar dormir com Vitória mais. E se eu o fizer, ela pode morrer.

– Victor me disse. Só por isso não contei a ela.

– Espero que nunca aconteça. Ela é incrível, tenho sorte por ela ter me pedido em casamento.

Maria Alice colocou um dedo nos lábios.

– Pensei que os homens deveriam fazer isso.

– E está certa, a menos que ele se case com uma princesa.

– É uma regra estranha. Então quer dizer que devo pedir um homem em casamento quando fizer dezoito?

– A menos que você não queira. Você seria a rainha, pode fazer o que achar melhor.

– Hmmm... Isso parece legal.

– Mas antes, espero conhecer esse cara e aprová-lo, não quero ninguém casando com minha filhinha por interesse.

Ela encarou o homem, que sorria de um modo estranho, puro como ela nunca vira antes. Ele estava simplesmente alegre, nada se escondia no semblante. Enquanto Victor era um mistério, Alberto era um livro aberto.

– O que queria me dizer na sala de armas? Temos um tempo aqui agora.

Maria o abraçou.

– Só queria dizer que amo você, papai.

Alberto retribuiu o abraço enquanto uma lágrima rolava de seu olho. Ela o chamara de papai pela primeira vez... Era tudo o que ele sempre quis, uma filha ou um filho que ele realmente podia amar.

– Também te amo.

Não era apenas parentes próximos que vinham no funeral. A maior parte do cortejo era formado por desconhecidos e parentes distantes, alguns a pessoa nunca vira em vida.

Quatro homens deveriam levar o caixão até o cemitério quando se tratava de uma lady de respeito: o pai, o marido, o irmão e o filho mais velho.

Cristine não tinha nada daquilo ali. Victor, Melbourne, Joe e Alberto eram o que chegava mais próximo de família para Cristine.

Minutos depois, Brandon e Joe se encontraram com Victoria e Jessie. Faltavam duas pessoas ali apenas: o visconde de Melbourne e a dama Anne Key.

Foi uma surpresa para Victor quando eles apareceram nas portas dê vidro da carruagem.

– Victor... Eu sinto muito. — Disse Anne entre lágrimas.

Victor a abraçou.

– Tudo bem... Ela não ia querer te ver triste assim.

Victor a soltou e apertou a mão de Melbourne.

– Meus pêsames Victor... — Disse Melbourne — Sinto muito mesmo.

– Obrigado. Sentem-se, por favor me acompanhem.

– Será que eles vão mesmo deixar isso acontecer?

Victor deu de ombros.

– Se intrometerem-se não terá apenas um funeral hoje.

Anne forçou um sorriso e sentou se ao lado de Victor e de Melbourne. Em sua frente, em um altar estava o caixão de sua amiga. Era como se a dama estivesse sentada sobre o caixão, usando um vestido azul turquesa e sorrindo para eles... Mas ainda assim faltava algo na imagem.

Anne retirou de sua bolsa duas esferas verde esmeralda e entregou-as a Victor.

– Era importante para ela, ia gostar que ficasse com você.

Victor encarou os brincos.

– Ela sempre os usava. Irónico, depois de tudo que passamos juntos, eu nem sei o que significam. Anne trocou um olhar com um marido.

– Você conta?

Anne assentiu.

– Parece que foi o pai dela que deu a sua mãe quando a pediu em casamento. Quando seu pai morreu, as coisas ficaram apertadas na família dela e sua mãe teve que vender a coisa mais valiosa que tinha para que eles pudessem sobreviver.

"Isso era tudo o que sobrou de seu amado pai, pois a lembrança estava sumindo de sua mente. Cristine então fugiu de casa e embarcou em um navio de carga para Londres, a terra natal do comprador. Durante meses ela ficou escondida dentro daquele maldito navio, até que o navio finalmente aportou.

Coberta de fuligem e com apenas o vestido que usava, a garota buscou informação, até encontrar o comprador, que era Vitória.

Cristine invadiu o palácio e se recusou a sair até que a rainha a atendesse. Quando soube da história, Vitória ficou admirada com a força dela e devolveu a joia e de presente lhe deu uma pequena fortuna para voltar. Mas minutos depois ela recebeu a notícia que sua mãe havia falecido. Vitória ofereceu a ela uma casa e o cargo de dama de honra. Desde então, Cristine usou os brincos por toda a sua vida, até sua morte."

Victor abaixou a cabeça. Se sentia orgulhoso por merecer o amor de uma mulher daquelas e também um lixo por não conseguir defendê-la.

– Acalme-se, Victor. — Disse Melbourne. — Não vai ficar assim, vamos pegar esse cara e ele vai pagar.

– Vou garantir isso. — rosnou o homem.

A carruagem começou a andar.

Passaram por vários monumentos históricos, pelas paisagens mais belas da Inglaterra. Uma música linda era tocada em violinos.

Ao chegar no cemitério, Victor, Melbourne, Joe e Alberto se ofereceram para carregar o caixão até o túmulo.

Depois do longo discurso de Vitória, foi a vez de Victor.

O médico se virou de frente para a multidão e começou seu discurso improvisado.

"Meu nome é Victor Áurea, fui o último amante de Cristine Von Stockmar.

Sinceramente, eu não merecia o ser. Cristine era uma mulher forte, não demorou para eu aprender a amá-la, pois não havia como resistir àquele sorriso. Me lembro de nosso breve primeiro encontro, antes de tentarem nos matar. Naquela hora eu percebi que ela era mais que algum dia sonhei, que não aguentaria triste nunca e faria de tudo para protegê-la.

Quando ela me disse que queria uma família, eu não sabia o que sentir. Queria tê-la abraçado ali mesmo, dito que sim, que era tudo o que mais queria, mas eu fui um covarde. Eu tive medo. Por um momento cheguei a pensar que ela estava brincando, já que eu nunca mereci uma mulher como ela, acho que não existe uma garota assim.

Cristine era única, seu rosto nunca deixará minha mente enquanto eu viver. Tudo o que queria dizer a ela uma última vez para ela, é que eu a amo e sempre vou amar."

Victor limpou as lágrimas.

Por um momento, pensou vê-la em sua frente.

Aquele sorriso exótico em seu rosto, lágrimas de felicidade e tristeza se misturando em sua face, percorrendo um caminho até seus rosados lábios.

Em suas orelhas haviam um par de brincos verdes, em contraste com o azul turquesa do vestido.

Victor piscou e ela sumiu. Não! Victor queria vê-la de novo.

Piscou mais uma vez, nada. Piscou várias e várias vezes e nada.

Vitória notou a hesitação do amigo e envolveu sua cintura com o braço, guiando o rumo ao carro preto

Ao chegar, viu pelo reflexo a figura de um velho com a mão enfaixada.

Tomado por uma onda de fúria, Victor o atacou. Um soco forte que derrubou o homem no chão como se fosse um inútil pedaço de carne.

Victor se ajoelhou sobre ele repetiu o golpe várias e várias vezes, até que o rosto dele sangrasse.

Alberto e Joe o afastou do homem. Melbourne ajudou o velho a se levantar.

– Está bem, senhor?

– S..S.S...Si..Siii. .Sim — gaguejou o velho.

– Então de esse recado ao Jack!

Com o soco de Melbourne, o velho desmaiou.

Notas finais
O que acharam? Me contem nos reviews, beijos de metal