A Princesa Perdida
6 Bakshan
Bakshan Kesller,Hans Tryvor e Magnus Sheppard — os líderes dos Demônios/Damas da Noite,Lobisomens e Vampiros, respectivamente — se tornaram os soberanos do reino de Haram na madrugada da noite em que o rei Thomas falecera.
Seus filhos e suas esposas tomaram posse do povoado que um dia ecoara risos e felicidade , que agora estava amedrontado e fechado para o mundo depois da Queda. Os seguidores de Sheppard,Tryvor e Kesller aterrorizavam os habitantes ao cair da noite, quando a Lua já mostrava sinais de aparição, mas não ousavam chegar próximo do reino das ninfas e das feiticeiras. Mal sabia Bakshan que sua neta sobrevivente da queda estava sob a guarda das ninfas, cujas Dahlia pediu o favor como último ato para sua fiel amiga, a ninfa-líder, Ikham.
Após a morte de Dahlia, Kesller não foi mesmo. Quando a filha ainda vivia, ele era um homem compreensivo e até piedoso com algumas de suas vítimas. Porém, a perda da filha não só influenciou seu coração, mas também sua cabeça quanto ao modo de agir por sua amada filha ter morrido de forma tão bárbara e tão cruel sem ao menos ter tempo para chorar e dar-lhe um último adeus. Com os lobisomens vivendo da caça, o gado dos camponeses Haranos foi diminuindo até que o reino passou por um assustador estado de escassez de suprimentos, levando a multidão á morte aos poucos.
As coisas ficaram mais assustadoras e perigosas quando o povoado ficou praticamente restrito á crianças, já que os adultos estavam se adoentando e morrendo mais rápido. O que só levou á fazer com que os Lobos e os Vampiros recuassem, fazendo com que Kirsti Anne pudesse dar sua re-entrada no reino de forma mais suave e brusca.
Ao fazer treze anos, a princesa foi mandada pelas ninfas até o castelo, onde Bakshan morava desde que a filha havia sido morta. Semanalmente, ele convidava os amigos — e um súdito — para lhe fazer companhia durante um jantar. Acontece que, agora era a vez da princesa de visitar o castelo.
Trajando um vestido azul celeste, Kirsti entrou nos domínios sob vigilância dos guardas. Assustada por estar em meio á criaturas das trevas, a pobre menina nem uma palavra pronunciara por medo do que poderia lhe acontecer. Ao chegar aos olhos de Bakshan, algo nele se acendeu ao notar as feições de Dahlia na menina que havia sido escolhida.
Suspeitoso, a tratou tão bem quanto fora com os outros súditos durante o jantar e a reunião depois de se fartarem como nunca tinham feito antes.
– Com licença, minha jovem. — Cumprimentou-lhe Kessler. — Mas acho que seu rosto não me é estranho. Talvez eu já a tenha visto em algum lugar, possivelmente nas lavouras que são onde as moças mais jovens e fortes trabalham.
– Não trabalho lá, tenho apenas treze anos. — Respondeu Kirsti Anne delicadamente para não ter de lidar com a fúria de Bakshan numa noite tão tranquila.
– Treze anos, não é mesmo? — Ele perguntou. — Qual seria sua data de nascimento?
– 23 de setembro de 1740.
– Interessante. — Bakshan sorriu um sorriso nada simpático. — Minhas duas netas nasceram nesse mesmo dia.
– Não sabia que o senhor tinha filhas,muito menos netas.
– Ah, que isso querida, eu sei que minha aparência não diz muito de mim, mas sou muito antigo.
– Vai me dizer que tem mais de 100 anos? — Perguntou Kirsti Anne, brincando.
– Quase duzentos... — Ele lhe disse; Assim que terminou a frase o sorriso sumiu do rosto da princesa. Você se parece com a antiga rainha...
– O que quer dizer? — Perguntou Kirsti Anne,confusa.
– Magnus... Hans... — Bakshan chamou. Os dois companheiros se aproximaram rapidamente. — Creio que reencontrei a princesa. Amigos, deem as devidas boas vindas á princesa Kirsti Anne Annabeth Grace de Haram-Kessler.
– Um arrepio correu pelo corpo de Kirsti Anne ao perceber o que estava acontecendo.
– Eu não sou nenhuma princesa, eu sou apenas uma ninfa diferente das demais.
– Uma ninfa que possui... Isso? — Asas negras como as de um corvo surgiram partindo das costas do líder dos Demônios da Noite. — Asas negras? Chifres ? — Ele sussurrou no ouvido dela, rodeando-a. Kirsti Anne engoliu em seco.
– O que quer dizer com eu ser a princesa? Como sabe de todas essas coisas?
– Minha querida, eu sou o seu avô. Minha filha, sua mãe morreu poucos dias depois de você ter nascido junto com sua irmã gêmea.
– As ninfas me criaram esse tempo todo. — Protestou Kirsti Anne, ela se recusava a acreditar que era a possível princesa perdida do reino de Haram.
POV Kirsti Anne
Por mais que as palavras de Bakshan tivessem penetrado em meus ouvidos, eu ainda não as havia processado. Eu estava tão confusa e tão assustada com aquilo que mal conseguia raciocinar. Foi então que eu vi um rapaz,recostado numa das pilastras do outro lado da sala, ele bateu palmas algumas vezes.
– Oi Kirsti. — Ele chamou. Quando mencionou meu nome apesar de eu não o conhecer, senti uma pontada de medo. — Tryvor e Sheppard,seus dois idiotas, acham mesmo que é atitude de um cavalheiro aterrorizar uma garotinha indefesa?
– Não pense em nos provocar moleque! — Vociferou Sheppard.
– Calma Mag, ele só veio nos visitar. — Disse Bakshan
– Juli sumiu. — Disse o rapaz.
– Ela o quê? — Bakshan berrou de tal forma que posso jurar ter visto labaredas de fogo em seus olhos. Então, a cena que presenciei foi mais assustadora: Asas negras surgiram das costas de Bakshan e então tive ideia do que poderia vir á acontecer. Ele levantou voo,mergulhou na direção do rapaz e o empurrou contra uma das colunas. O rapaz aparentou não se machucar e então asas negras também surgiram de suas costas. — Não pense que pode me ferir garoto. Sou mil vezes mais forte que sua mãe Klaus.
Não sei porque, mas quando ele mencionou o nome do rapaz, um arrepio passou por todo o meu corpo.
– Você o conhece? — Perguntei á Bakshan. Ele e Klaus pousaram sob o chão mas ainda continuaram com as asas á mostra.
– O que eu andei perdendo? — Perguntou uma voz masculina, aveludada.
–Ah, Ansel! Já estava na hora. Chegou atrasado. — Ao olhar na direção do homem, ele estava no mesmo lugar que Klaus estivera quando chegara.
– Parem de atormentar essa pobre senhorita. — Ansel me estendeu a mão. — Venha comigo, meu bem. Não irei machucá-la. — Eu não sabia como, mas senti que podia confiar nele, pois apesar de ser das trevas, ele aparentava ser gentil. O segui até os jardins do castelo e nos sentamos num banco. — Está ferida? Quer alguma coisa?
– Eu só estou com sede.
– O que acha de suco de uva? — Ansel perguntou, sorrindo.
– Se o senhor puder me oferecer, eu aceito.
– Sendo assim... — Ele girou a mão direita sob a esquerda, fazendo surgir uma taça com suco de uva até a borda, me dando em seguida.
– Obrigada. Mas por que está sendo tão gentil comigo?
– Acha mesmo que nenhum Ser das Trevas pode ser gentil? Nem todos somos ruins, sua mãe sempre gostou muito de mim e nós sempre andávamos juntos desde que ela era pequena pois naturalmente eu era alguns anos mais velho.
– O senhor conheceu ela? — Meus olhos estavam levemente marejados na hora. — Como ela era?
– Tenho um segredo para te contar.
– O quê é? — Perguntei, meio assustada.
– É melhor que eu lhe mostre.
Fale com o autor