A Princesa E O Dragão
2 Capítulo 1 - Poluscka
Notas iniciais
Mesmo sendo considerado "pouco" para comparar com outras fics, fico imensamente satisfeita, pois para um primeiro cap de uma primeira fic que também é uma longfic, isso para mim é como um sonho, quando li os coments não consegui dormir de noite de tamanha ansiosidade para escrever um novo cap logo e agradar a todos...
Bem sem mais delongas vamos ao capítulo.
Eu tinha 8 anos na primeira vez que a vi. De cabelos rosas, olhos vermelhos e uma roupa estranha, Polucka era uma imagem inusitada para meus olhos inocentes. Com uma pose e uma expressão severa eu não sabia como classifica-la.
Minha infância não foi uma das mais felizes, mas dentre as minhas melhores lembranças, depois da morte de minha mãe, ela foi uma figura constante.
Tudo começou no dia do enterro, me lembro dela discutindo com meu pai, na época fiquei surpresa: Como alguém tinha coragem de enfrentar o grande rei Jude? Quando passou por mim no final ela me olhou irritada, mais tarde descobri que essa expressão lhe era característica.
Nosso seguinte encontro foi aos meus 12 anos. Ela me passou uma imagem que me deixou tão surpresa como na primeira vez. Lembro-me que durante os dois anos passados eu tinha mudado muito, meu cabelo estava bem mais longo, eu o tinha deixado crescer, pois me lembrava o cabelo de minha mãe quando ela me colocava para dormir, eu tinha crescido poucos centímetros e principalmente passava os meus dias sozinha, revessando o meu tempo em passear pelo jardim do palácio, que mais parecia uma floresta, e desenhar no meu quarto.
Foi em um desses passeios que a vi novamente, ela estava com a mesma roupa do enterro e estava andando sozinha em minha direção. Naquela época eu era uma garota solitária, quando via algum adulto ou alguém desconhecido eu me fechava ou me escondia, se não fosse pela maga provavelmente me tornaria mimada e insuportável, detestada por todos, por isso quando a vi me escondi atrás de um arbusto esperando ela passar.
No próximo instante vejo-me frente a frente com seu rosto, e me encolhi assustada, ela simplesmente cruza os braços e me diz para levantar, quando não faço nada ela diz:
– Vamos Lucy, seu pai nos espera – e saio andando na direção em que veio – ande, ande, venha comigo.
Fazia uma semana que não era chamada a presença de meu pai, mesmo morando na mesma casa, se é que posso chamar aquilo de casa. Minhas refeições eram servidas no quarto e apesar de ser um lugar muito grande, onde uma criança acharia vários lugares para se esconder, eu sempre era chamada por algum serviçal e muitas vezes por desconhecidos por isso não estranhei e a segui silenciosamente fazendo birra, como toda criança que se vê obrigada a fazer algo que desgosta.
Nessa época eu já tinha desistido de chamar a atenção do meu pai, por isso quando entramos na sala foi uma surpresa o encontrar encarando furiosamente a porta aguardando pela nossa chegada.
Lembro-me quase perfeitamente da conversa tida naqueles aposentos, por que mudaria completamente o rumo que minha vida estava tomando.
– Você realmente pensou que simplesmente poderia vir ao meu palácio e buscar a minha filha e eu não saberia!?! – perguntou meu pai completamente fora de si.
– Não Jude, se eu quisesse sequestra-la eu não teria a trazido para o seu escritório – respondeu sarcasticamente a maga.
– Então acha que sou algum idiota!?! Por acaso eu dei-te permissão para uma entrevista particular!?! Eu sou o rei caramba!! Como ousa traze-la aqui! Ainda mais para ouvir essa conversa!!
– Essa conversa se repetiu tantas vezes que o único jeito de te convencer foi trazendo-a, além do que você não teria me deixado entrar... – ele a interrompeu.
– Exatamente nós já conversamos centenas de vezes e minha resposta sempre foi não!!! – com isso ela pareceu perder a paciência.
– Você acha que tem sido fácil para mim!?! Vir aqui e sempre ser enxotada por que o rei não quer me ouvir!?! Ter que me deslocar quilômetros várias vezes ao ano para nada!?! Ter que ficar perto de humanos odiáveis!?! – ela disse isso tudo com um folego só, depois de respirar algumas vezes ela continuou agora mais calma – Quantas vezes teremos que ter essa mesma conversa para você aceitar? Eu não gosto disso tanto quanto você, mais eu fiz uma promessa a Layla, sua esposa, e pretendo cumpri-la. O tempo está passando Jude, e tudo será em vão...
Esse discurso não pareceu surtir efeito no meu progenitor, mas sim pareceu irrita-lo ainda mais.
– NÃO, NÃO E NÃO. O fato de ter a trago tentando me amolecer não muda nada! ELA FICA!
Eu estava confusa, minha mente relativamente infantil não acompanhava os fatos e eu continuava parada no mesmo lugar de quando entrei, mas o mesmo não se passava com Poluscka, ela se aproximou e sussurrou algo como “vai perder as duas” O que pareceu surtir efeito, pois ele se sentou e abaixou a cabeça passando os dedos pelos cabelos.
Curiosa me aproximei, a primeira coisa que percebi foram suas lagrimas, ele chorava silenciosamente contendo pequenos soluços, logo depois notei que ele murmurava algo e me aproximei mais ainda, “não posso perde-la novamente, não posso perde-la Layla, me perdoe, não posso perde-la” ele balbuciava continuamente.
Minhas pequenas mãos pegaram as suas numa tentativa de consola-lo, ele parou de chorar e apertou minhas mãos, me espantei tanto com esse ato de afeto quanto ele, apreciei esse pequeno gesto de afeto do meu pai.
– Papa... – sussurrei sem ao menos perceber, minhas palavras ecoando pelo aposento silencioso pareceram libera-lo de uma espécie de transe. Afastou-se de mim bruscamente.
– Leve-a – ele disse finalmente encarando a maga, que ficou observando tudo silenciosamente, com uma expressão severa – Leve-a ainda hoje. Arrume tudo com os empregados, agora vão, não quero vê-las novamente. – dito isso se virou e ficou olhando pela janela.
– Papa... – falei outra vez, não entendendo nada, só sabia que algo importante estava acontecendo e eu não gostava nada. Poluscka me segurou pela mão e tentou me arrastar até meu quarto.
– O que está acontecendo? Qual o seu nome e o que vai fazer comigo? Me solte!!! Eu não vou a lugar algum! Quero respostas! Responda a sua princesa!!
Acho que esse foi um enorme erro, pois a cara que ela fez para mim foi assustadora.
– Não gosto de garotinhas mimadas. Você vai viver comigo Lucy, nós estamos indo arrumar suas coisas vossa majestade. Ah, eu me chamo Poluscka e aprenda a me respeitar. Agora vamos.
Não me lembro como fui parar em uma pequena carroça do lado dela e com algumas malas minhas, nem me lembro como fui para uma agradável casa no meio de uma floresta, nem como quando acordei no outro dia já era a hora do almoço e eu estava com outra roupa.
A única coisa que me lembro é a sensação de abandono, minha visão embaçada e minha garganta dolorida, e da dor de cabeça ao acordar no outro dia e descobrir que tudo não era um horrível pesadelo.
Já estava a mais ou menos dez minutos sentada na minha nova cama, no meu quarto novo e na minha casa nova quando ela apareceu. Pela primeira vez reparei no seu rosto, seus olhos vermelhos e as linhas que marcavam todos os seus anos vividos e todas as suas dores e alegrias a faziam parecer assustadora, mas lhe davam um toque de gentileza que me fez sentir segura.
– Venha – ela disse, e eu a segui.
Ela me mostrou a casa, era uma pequena cabana, metade dela dentro de uma arvore gigante, havia dois quartos, um meu outro dela, um banheiro simples, uma ampla sala e uma cozinha que dava para o lado de fora, onde se viam uma vastidão de uma natureza verde. Em todos os lugares da casa podiam-se ver plantas e ervas, ela me explicou que como era uma maga curandeira aquilo fazia parte de sua natureza.
Depois desse pequeno tour, ela me serviu um prato com sopa e pão mais suco de laranja, enquanto como, ela começa um dialogo.
– Me desculpe por ser tão dura ontem, não gosto de seres humanos, eles em sua maioria são pessoas ambiciosas e imorais que não respeitam a natureza nem aos seus iguais, e por viver reclusa muitas vezes me esqueço de como tratar crianças...
– Eu não sou criança, já tenho 12 anos...
– Que seja... Olhe Lucy seu pai te mandou para viver comigo porque quer o seu bem, por min você passaria a sua vida inteira com seus pais, e eu não precisaria ter gasto mais de dois anos com um cabeça dura...
– Você estava dizendo...
– Ah sim. Bem eu já disse que odeio humanos, mas uma vez eu conheci uma mulher boa e admirável, ela estava esgotando suas energias para proteger a todos que amava, ela sabia das consequências por trás dos seus atos, mas mesmo assim ela continuou durante dois anos dando cada fibra do seu ser para proteger. Ela dizia: “Espíritos, plantas, animais, humanos, todos tem sentimentos que devem ser respeitados e tratados de igual para igual”. Você sabe quem é essa mulher Lucy?
– Não – Respondi concentrada na história.
– Ela era sua mãe, ela me fez prometer que depois de sua morte eu lhe contaria toda a sua história, te ensinaria e te ajudaria a usar toda a sua magia, e tomaria conta de você até tudo ter passado. Provavelmente você ficará comigo até os seus 18 anos, mas isso esta no futuro. Agora termine de comer.
Com o mesmo tom que ela me contou toda essa historia, ela me mandou comer, Poluscka era desse jeito, o seu modo de dizer que se importava: severa, rude e gentil ao mesmo tempo.
Essa mulher me ajudou com tudo que tinha prometido naquele primeiro dia e muito mais, ela me ensinou um pouco de sua magia, e me mostrou o que era um bom caráter.
Nosso tempo juntas foi menor do que o previsto, é graças a esse tempo que encontro forças para seguir em frente.
Desde aquele fatídico dia que fomos forçadas a nos separar...
Notas finais
Eita pera ~le medo~ tomara que não esteja ruim para eu merecer alguns xingamentos...
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