A Princesa E O Dragão
5 Capítulo 4 - Aprisionada
Notas iniciais
Bem agradeço pelos reviews, continuem assim onegai, e não me matem!!!
Estávamos acampando em meio à floresta. Era uma linda e clara noite, estávamos mais tranquilos, pois Loke tinha conseguido uma informação sobre Fairy Tail. Algo como um velho rico louco. E nessa cidade não tínhamos sido perseguidos. Por esse motivo nos encontrávamos em uma pequena clareira no meio da mata, Lyra tocava uma bela melodia, Câncer decidiu que arrumaria meu cabelo, mesmo contra minha vontade, afinal quem veria? E eu estava acariciando Plue que descansava em meu colo.
Tudo não passava de uma bela e calma noite até Câncer parar suas tesouras no ar, Lyra errar uma nota, algo que ela nunca fez, e Plue encolher seu corpo mais tremulo que o normal contra mim. Fiquei assustada e olhei ao redor, mas não vi nada, nem ouvi nenhum barulho, e por um segundo relaxei.
Esse foi meu maior erro.
O mesmo som ensurdecedor que ouvi no dia do meu aniversário se fez presente. Cai no chão tampando meus ouvidos. Eu me sentia como se milhares de agulhas perfurassem meu crânio e meu abdômen.
Dobrando-me de dor acabei por deitar no chão. Tentei me levantar e me livrar do que quer que seja que tenha segurado minhas pernas, mas não consegui, estava entrando em pânico, incapaz de me mover, quando Cancer me libertou.
Nesse instante percebi que vários homens tinham aparecido ali, todos vestido de preto com capacetes. Tentei livrar-me das agulhas que me perfuravam, mas elas não estavam ali, não eram reais, mas a dor só piorava, aos poucos me impedindo de respirar. O infernal barulho ainda não tinha parado, dificultando-me a compreensão do que se passava a minha volta.
Fechei meus olhos e tentei abrir algum portão, mas não aconteceu nada. Nenhum espirito veio me socorrer, nem sendo chamado, nem atravessando sozinho o portão. Por tudo que tínhamos passado até aquele momento, não consegui compreender o por que.
Caída no chão, lembro-me de que no meio de todo aquele barulho, dor, e desespero no qual eu me afundava, olhei ao redor... E o que vi me fez chorar.
Câncer caído no chão sendo cortado por suas próprias laminas. Seu sangue dourado escorrendo. Lyra tentando se defender com um pedaço de seu tão amado instrumento musical. Tentava afastar alguns homens que a cercavam. Tudo foi em vão, pois um homem a puxou para si e rasgou a touca de sua cabeça a puxando pelos cabelos como um Neandertal.
Por que eles simplesmente não retornavam? O que os mantilha presos a esse mundo?
Um par de botas se abaixou ao meu lado. Não consegui ver seu rosto tapado pelo capacete. Ele pegou meu braço e abriu uma maleta que depositou no chão, logo depois pegando uma agulha com um liquido de coloração estranha. Plue, que até então, estava deitado ao meu lado se levantou e colocou seu pequeno corpo entre mim e o desconhecido, em uma tentativa de me proteger, sendo logo em seguida agarrado pela cabeça e jogado longe.
Tentei gritar, mas o folego me faltava. Senti como se acido estivesse se espalhando por um de meus braços e então apaguei, e finalmente o barulho parou.
Não sei quanto tempo se passou, mas quando acordei senti meus braços e pernas presos. Abri os olhos, e me vi acorrentada a uma parede de rocha atrás de mim. Na minha frente grades de ferro delimitavam o pequeno espaço de minha cela. Ao meu lado esquerdo uma pequena abertura na parede permitia uma fraca iluminação.
Eu estava presa, observei não totalmente surpresa, logo após essa informação adentrar totalmente em minha mente. Observei-me. Graças a Kami-sama eu estava com a mesma roupa de ontem, minha capa costumeira, uma blusa grande branca e uma saia. Percebi que meus cabelos estavam uma bagunça, meu corpo dolorido e minha garganta estava áspera e seca.
– Olá? – chamei vacilante, minha voz saiu tão baixa que mal me ouvi – Olá? Alguém poderia me trazer um pouco d’água? – repeti e então uma luz fraca apareceu.
Dois homens altos surgiram. Estavam com as mesmas roupas pretas de antes, mas sem os capacetes, me permitindo assim, ver seus rostos. Se não fosse aquela má iluminação, suas feições possivelmente seriam caracterizadas de belas. Mas a mim, só causava arrepios.
“Calma Lucy, fique calma. Tudo vai ficar bem. Tudo vai ficar bem” me incentivei. Quantas vezes eu repeti essa mesma frase ali? Simplesmente perdi a conta.
– O que foi lindinha? – falou um deles, sua voz destilava veneno.
– Eu gostaria de... – parei e clareei a garganta – Eu gostaria de um pouco de agua...
O mesmo que falou antes, saiu e retornou com um copo, enquanto o outro abriu a cela e o deixou entrar. Em vez de me dar o copo, ele se abaixou ao meu lado.
– O que está fazendo? – perguntei, minha voz saindo esganiçada.
– Te dando de beber oras – respondeu pegando meu queixo forçando-me a engolir.
A agua desceu mais rápido do que pude beber me arrancando uma tosse desenfreada. Enquanto tossia e engasgava o homem ao meu lado começou a abrir os botões da minha capa. Arfei engasgando outra vez. Um por um ele os abriu até chegar ao ultimo e descer as mãos até as minhas pernas.
– Ora, ora o que temos aqui? – falou com a voz asquerosa – Que surpresa! Quem imaginaria que a desconhecida princesa dos Heartfilia seria tão deliciosa...
Ele começou a levantar minha saia, quando foi interrompido pela voz do outro homem que continua parado no mesmo lugar.
– Não podemos tocá-la Bryan – disse o outro serio – ela não é como as outras.
– Verdade, verdade – suspira o tal de Bryan – o mestre a quer intocada. Bastardo sortudo!
Quando começaram a sair soltei o folego que estava preso, mas abruptamente Bryan se vira e vem em minha direção, ele se inclina e começa a tirar minha saia descendo-a lentamente, o pânico me corrói, no final ele a rasga e sai.
– Uma lembrancinha – diz ele exibindo a saia rasgada.
Lembro-me do ódio e do pavor que senti desse homem, mas logo surgiria alguém que eu odiaria e temeria mais.
Todas as vezes que eu precisava de comida, agua, ou usar o banheiro, vinham os mesmos homens da primeira vez. O primeiro ficava no mesmo lugar todas às vezes, enquanto o Bryan me tocava, me fazendo sentir nojo de mim mesma e de ter nascido mulher. Ele nunca foi mais afundo. Tudo não passava de toques. Tocava meus seios, minhas intimidades. Toques que me traumatizaram.
Ser uma princesa e a maga estrelar portadora das 12 chaves de ouro, me rendeu alguns privilégios, tal quais visitas ao “banheiro” e não ser estuprada. Nos primeiros dias tentei impedi-lo de me tocar, mas nada adiantou, e incisivamente eu sabia que se me mantivesse quieta e mais “dócil”, seria bem mais fácil.
No segundo dia apareceram três homens. Eu tinha tido bastante tempo para pensar sobre o por que estar ali, mas não passavam de teorias vagas, e naquele dia finalmente esclareceram minhas duvidas.
Dois dos homens que apareceram estavam vestidos com a mesma roupa preta e capacete, em minha mente eu os apelidei de capanga 1, o mais alto, e capanga 2 o mais baixo, o outro homem nunca havia visto seu rosto só conhecia sua voz grossa.
Esse homem vinha e ficava parado no mesmo lugar, mandava os outros dois me injetaram agulhas com líquidos de cores estranhas que obscureciam minha visão e corroíam minhas veias. Logo me entregavam minhas chaves, que me foram confiscadas, e me mandaram abrir um portão. Eu não consegui. Então ele mandou trazerem um cubo que ao se abrir liberou o mesmo som que eu tinha ouvido duas vezes antes, causando-me agonia e dor.
– O que é isso? – perguntei tampando meus ouvidos, o que não adiantou muita coisa.
– Gostou Lucy? Eu a chamo de Pandora's Box – falou o homem orgulhoso.
– Que tipo de magia é essa?
– Isso não é magia, e sim ciência. A Pandora's Box é um dispositivo criado por mim, que libera ondas sônicas e psíquicas que causam dor e incapacitam o inimigo. – falou com tom animado. depois voltou a seu tom serio habitual – Deixem-na um pouco assim como punição.
– Por que faz isso? Por que faz isso comigo? Por que estou aqui? – perguntei soluçando.
– Para ficar mais forte, e me ser útil. Afinal você é a filha de Layla Heartfilia, a guardiã das 12 chaves – falou se virando e saindo.
Essa foi só a sua primeira visita. Na segunda eu consegui me livrar das correntes de minhas pernas. Na terceira aconteceu algo diferente. Ele chegou e me aplicou as já familiares e dolorosas injeções depois me entregou as chaves e mandou-me abrir um portão. Dessa vez consegui abrir o portão de Leão. Loke apareceu correndo em minha direção preocupado, enquanto o homem batia palmas, presumindo que ele fosse o chefe de tudo ali, decidi chama-lo de mestre.
– Incrível! Conseguiu abrir pela primeira vez um portão nessa cela, na terceira tentativa. Em uma cela especial contra magia que fiz especialmente para você. E ainda por cima uma chave dourada. Parabéns! Iniciem os experimentos – disse saindo.
Os próximos momentos se arrastaram lentamente. Meu coração assim como meus punhos estava machucado. Eles fizeram vários tipos de testes que mais pareciam tortura.
Torturaram meu espirito, e amigo, bem na minha frente e eu não pude fazer nada. Eu era responsável por tê-lo invocado. Olha no que deu? Mas a pior parte naquilo tudo, foi estar presa observando aquela cena. Enquanto observava aquilo tudo, Loke tentava me consolar.
Naquela hora pensei no quanto era patética. Ter que contar com amigos para lutar por mim e não poder fazer o mesmo por eles. Nem ser forte o bastante para mandar Loke de volta a seu mundo e o livrar da dor.
– Pare! PARE! – gritei desesperada.
O sangue de meus punhos manchavam o chão. Meus gritos foram em vão. Eles não me escutaram.
Depois do que me pareceram horas eles pararam. Observei o corpo de Loke se dissolver em luz. O susto foi tanto que parei de chorar e perguntei friamente.
– Ele... Ele morreu??
– Provavelmente não. Nós não permitimos que cobaias morram, ele deve ter retornado.
– Como vocês fizeram isso? Como o impediu de voltar mesmo machucado? Antes de ser capturada isso também aconteceu com Cancer, Lyra e Plue...
– A Pandora's Box, essas correntes, essa cela, as injeções, tudo foi desenvolvido para controlar sua magia. Nós decidimos se você pode usá-la e como. – falando isso eles sairam me deixando sozinha com meus pensamentos.
Na quarta visita mal ele chegou já fui dizendo:
– Eu não chamar meus espíritos. Não depois da ultima vez, não vou submete-los a sua tortura de novo.
– Que surpresa, a princesinha está mostrando suas garras. Pegue-a – mandou ao capanga 1.
Ele soltou minhas correntes dos braços e me arrastou até uma cadeira que trouxeram, logo depois me empurrando e jogando as chaves no meu colo.
– Feche os olhos – fecho e logo depois colocam algo na minha cabeça – é melhor mantê-los fechados se quiser poder enxergar novamente.
Um choque percorreu meu corpo e gritei. Em algum lugar da minha mente ouvi outros gritos junto ao meu, em outro lugar. Me senti como se estivesse vendo 12 paisagens diferentes ao mesmo tempo.
– Ótimo! Eles estão ligados o suficiente – foi o que ouvi, ao me recuperar da confusão. Só não entendi o que significava. Fui levantada e arrastada.
– Abra – berrou ele.
– O que? – perguntei zonza
– Abra o portão negro – ele me diz outra vez apertando meu braço.
Um braço forte, uma grande barba branca, foi tudo o que pude ver do meu misterioso captor antes de vomitar nele. Levaram-me até a cela e me jogaram lá. Naquele dia não me acorrentaram os pulsos pela primeira vez.
O tempo que decorreu entre nosso quarto e quinto encontro foi vago para mim. A angustia corroía meu peito. Angustia por não aguentar a realidade desconhecida em que eu me encontrava.
Ele voltou a aparecer, como sempre na sombra, o mestre daquele bando de sádicos malucos que me mantinham confinada.
– Veja bem Lucy – ele disse – abra o portão negro para mim, sim?
– Eu não sei do que está falando – falei me encolhendo no canto onde estava.
– Sim você sabe. E também sabe como abri-lo.
– Eu não sei! – gritei querendo ficar em paz.
– Não sabe? Se não sabe é uma inútil – falou se virando.
– Espere! Por que é tão importante eu saber disso?
– Porque é o futuro Lucy. Um futuro que exige você como sacrificio – falou se virando – Você ficará aqui. Sei que mudará de ideia.
Esse felizmente foi o dia que me devolveram as chaves, mas também foi o dia que perdi a consciência de mim mesma.
Depois de tudo que passei ali tudo se tornou vago. O tempo, as sensações e meus pensamentos que me assolavam a cada momento. Os acontecimentos naquela cela fria passavam pelos meus olhos sem eu sentir de verdade.
Não me importava mais nada ali, meus longos cabelos loiros, meu motivo de orgulho se tornou um fardo, quantas vezes o arranquei para depois ficar lucida e me espancar mentalmente? O que estava fazendo?
Meus únicos amigos no mundo me foram separados, as chaves se transformaram em somente recipientes vazios e sem vida. Uma parte de mim sabia que não era culpa deles, a outra chorava e gritava lastimando indignada. Por que me abandonaram? Sem nem um “até logo Lucy” ou então “Não nos veremos mais minha amiga e confidente, quem sabe um dia nossas linhas do tempo se cruzem?”
O que é esse vazio no meu peito? Eu sabia que um dia poderia estar em uma situação como essa, e meu frio e frágil coração procurou se proteger fazendo laços com poucas, mas especiais pessoas, para depois nem “foi um bom tempo vividos juntos” eu ter?
Com seu jeito serio e louco Virgo foi minha melhor amiga. Loke meu irmão. Aquarius, aquela amiga séria e implicante com um lugar especial no meu coração. Câncer foi aquele que eu sempre poderia contar. Plue, o ser esquisito que roubou meu coração e ainda os outros...
Esse seria o adeus?
O que é essa dor no meu corpo? O que é essa dor de cabeça? Aquele barulho infernal novamente. Pandora abriu sua caixa soltando seus demônios que assolam minha mente?
Estou ouvindo vozes, um estranho calor toma meu corpo.
Isso é real? Estou finalmente sendo envolvida pela loucura?
Sei que tenho que acordar! Eu percebo!
Eu posso ouvir vocês agora meus amigos! Sei que tenho que mudar meu rumo, e acordar desse mar de fantasias. Mas como? A escuridão me afoga...
Alguém fora desse mundo me ouve? Alguém sabe que estou morrendo lentamente nesse chão frio?
Sinto que me chamam novamente, qual o meu nome? Sou mesmo Lucy Heartfilia ou sou somente um objeto do destino cruel?
Por favor, quem me chama, pare o barulho, pare a dor, seque minhas lagrimas, faça-me parar de sangrar, pois meu coração sangra despedaçando a esperança que ainda me resta.
Uma musica? Sempre gostei de musica, isso é uma canção de aniversário? Quem faz aniversário hoje? Será que se lembram?
Sinto vários braços gentis me abraçando, mas não vejo nada. Eu gosto disso, me faz sentir segura e completa.
Quem sou eu afinal?
Um beijo na minha face. Alguém me ama nesse abismo em que caí?
Sinto-me perto de alguém especial... Ou é minha mente que quer preencher meu vazio com algo mais vazio ainda?
Por que não desisto? A dor parará. Não interessa se a minha existência também. Se não vou viver nesse mundo que diferença faz? Há alguma razão para não mergulhar de vez na inconsciência?
Dia, noite. Noite, dia. Que diferença faz aqui onde estou? Quanto tempo se passou? Tenho uma mente nova em corpo velho ou uma mente velha em corpo novo?
Por que tudo isso não acaba de uma vez? Não tenho para onde fugir nem me esconder, não tenho motivos de viver, nem tenho alguém que se importa comigo no mundo.
Mesmo me amando, aqueles que considero amigos e família me abandonaram, então o que faço nessa prisão?
Meu sangue e minha herança são os responsáveis por traçar o meu destino? Ou são aqueles com quem vivi? Aqueles com que viverei?
Não tenho poderes, nem forças. Sou uma inútil. Uma inútil boneca que foi abandonada e esquecida.
Não sou um ser humano? Não deveria ser eu aquela a tomar a decisão? Os outros mesmo me amando, não deveriam me apoiar?
Está quente aqui. Por que está tão quente?
Chamas estão ao meu redor. Estou no inferno? Finalmente morri? O que eu fiz para estar aqui? Eu tinha certeza de que vivi perfeitamente...
Dois seres aparecem na minha frente. São anjos ou demônios? Ou são fruto da minha imaginação?
Ei meu anjo rosado, para onde me carregas?
Mus amigos, mesmo me abandonando então no meio daquelas chamas, não posso os deixar lá!
Meu demônio pelado onde achou essa capa? Foi minha segunda mãe que me deu...
Como, em meio a tanto calor vocês não derretem?
De onde apareceu essa cor escarlate e esse azul?
Deixem-me ser envolvidas pela escuridão, então me ouvindo?
Eu ouço, eu vejo, eu sinto. Eu respiro uma fragrância agradável, embalada por um calor bom. Não há mais escuridão.
Eu estou viva.
Obrigada por me fazer perceber. Há uma chance nesse mundo para a minha vida vazia.
Notas finais
Ficou meio depressivo, né? Mas desde antes de escreve-lo já o imaginava assim, e depois o escrevendo eu não estava legal e chorei um pouco e já viu né?
Espero que não tenha ficado viajado, devo dizer que até agora esse foi o que mais me deixou insegura.
Estou esperando os comentários de vcs!!!!
Ps: Qualquer erro culpem a minha beta Ishitar!
~risadas~
Não fique chateada comigo viu vadia? Tu saber que apreço muito...
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