A Princesa E O Dragão

3 Capítulo 2 - Fuga, Loke e as irmãs Aguria


Notas iniciais
Yoo minna-san, esse capítulo demorou né? Não fiquem chateadas e não me matem onegai!
Aconteceram uns probleminhas e eu tentei postar aqui o mais cedo possível, e ele só iria ser postado amanha tbm, outros probleminhas...
Agradeço a todos as pessoinhas abençoadas por Kami-sama que comenaram, me fazem feliz e me incentivam.
Mas enfim esse cap está o mais longo até agora e espero que gostem. Boa leitura! ^^

O acordo entre Poluscka e meu pai era de que eu viveria com ela até completar 18 anos, a partir daí eu iria me casar com alguém que Jude escolheria, de preferencia alguém poderoso que garantiria muitas vantagens para o reino Heartifilia. Mas não foi assim que aconteceu.

Era primeiro de julho, o dia do meu aniversário de 16 anos quando percebi que sempre estaria sendo perseguida.

Naquele dia eu receberia oficialmente minhas chaves, era um ritual antigo, mas que me concederia todos os poderes de todos os magos de minha família, e também o dia em que eu, assim como todos os meus antepassados, seria levada até a presença do Rei dos Espíritos.

Logo quando levantei encontrei na cabeceira de minha cama uma capa azul marinho, era do mesmo tecido da de Poluscka, com botões na frente que iam desde o pescoço até a cintura, do lado estava um cinto de couro com algo que parecia uma carteira acoplada para guarda as chaves, que já estavam lá.

Troquei-me e fui até a cozinha, onde encontrei um pequeno bolo e ao lado um bilhete mais ou menos assim:

Lucy,

Fui procurar um local seguro para a cerimonia de hoje a noite. Volto depois que aqueles bandos de carniceiros forem embora.

Poluscka

Por “eles” ela se referia a pequena comitiva de servos do meu pai. Todos os anos, no mesmo dia, na mesma hora, ás nove da manhã, aparecia na pequena estrada que conduzia a minha casa, uma carroça sendo puxada por um Javali. Quem olhasse nunca adivinharia que vinha direto do castelo e que estivesse carregada com presentes e servos para visitarem a princesa Lucy Heartifillia.

Eu odiava essa parte do dia, ter que receber os presentes, eles me lembravam quem eu realmente era e não quem eu gostaria de ser, e receber os servos que vinham, uma costureira para fazer ajustes nos vestidos que eu recebia, dois pajens e um mago responsável pela segurança, todos da confiança do rei.

Eles eram pessoas desagradáveis que olhavam com cobiça para todo o dinheiro e roupas que eu recebia e com desprezo para a minha querida moradia, mas felizmente eles não demoraram mais do que o necessário, e ao meio dia já tinham ido embora.

Geralmente eu recebia dois vestidos da mais alta classe, uma quantidade absurda de dinheiro e uma carta que relatava todos os acontecimentos importantes do ano do reino, então logo após a saída da “comitiva de aniversário da Lucy” eu estava pegando o envelope para ler o que o meu “querido” pai tinha escrito.

Todas as vezes que começava a ler algo escrito por ele, eu me sentia como se tivesse perdido algo extremamente importante, mas não soubesse ao certo o que. Lembro que a carta daquele dia foi escrita com a mesma impessoalidade de sempre, mas para a minha surpresa ao abrir o envelope encontrei um pequeno medalhão de prata com uma pedra negra no centro, dentro havia uma foto de minha família no meu aniversário de 8 anos e uma inscrição:

“Apesar das adversidades, um laço não pode ser rompido facilmente, ainda mais um laço familiar”.

Maior ainda foi ao terminar e ver uma nota final dizendo:

“Esse medalhão era de Layla, foi passado de seu avô para ela e da bisavó para ele, toda a linhagem de sua mãe esteve com ele, acho que ela gostaria que ficasse com você Lucy.”

Acho que fiquei um bom tempo olhando para os dois, por que quando Poluscka chegou eu ainda me encontrava onde estava. A tarde tinha transcorrido tranquilamente, como a maioria dos outros dias, ela estava trabalhando na horta do lado de fora da casa e eu estava lendo. De repente ela surge a porta ofegante, interrompo a minha leitura e olho para ela, que pegou uma bolsa e começou a enfiar algumas ervas. Fico mais ou menos 1 minuto assim até que ela para o que está fazendo e me olha.

– Por que está aí parada me olhando? – ela me pergunta e volta ao que estava fazendo.

– E por acaso eu deveria estar fazendo alguma coisa? – respondo ainda no mesmo lugar.

– Ah é verdade, eu ainda não te expliquei nada... – fala consigo mesma – Vá arrumar suas coisas Lucy, estamos de partida. Peque uma bolsa e coloque todo o dinheiro que seu pai lhe mandou e acrescente uma muda de roupa, qualquer uma, não importa qual, pegue sua capa nova, a que eu te dei hoje de manhã, suas chaves, não esqueça suas chaves Lucy!!! Onde eu estava? Ah... seus sapatos, os mais confortáveis, peque sua escova de dente, a sua escova de cabelo... Eles estão chegando, calculo que em cerca de meia hora eles já estarão aqui... Temos que ser rápidas... – enquanto ela estava falando consigo mesma eu fui arrumar minhas coisas.

Lembro-me que entrei em pânico enquanto arrumava tudo. A pergunta que martelava em minha cabeça era: O que está acontecendo?

Entrei no quarto e joguei todo o dinheiro que podia dentro de uma mala, como não havia lugar para roupas, troquei-me para uma calça e minha blusa preferida, coloquei botas e peguei a capa e o cinto com as chaves mais a joia de minha mãe e a carta que a acompanhava, tudo isso em uns 15 minutos, quando voltei Poluscka tinha acabado de encher um cantil de água, quando ouvimos um som.

Lembro-me dele como um pequeno som de alerta e dela pegando minha mão e me arrastando para fora de casa, corremos durante mais ou e menos meia hora antes de diminuirmos o ritmo.

– Poluscka-san, para onde vamos? Quem são eles? E por que estão nos perseguindo? E o mais importante, onde esteve a manhã toda?

– Nós vamos até uma pequena caverna depois do rio, que passei a manhã inteira procurando para hoje a noite, e não está obvio quem eles são Lucy? Você já deveria estar preparada para um ataque desses. Eles são os homens que perseguiram sua mãe, e agora estão atrás de você.

Depois disso fiquei calada, andamos mais um pouco e eu tornei a perguntar.

– Me responda mais uma coisa Polucka-san, o que vai acontecer hoje a noite?

– Eu não sei Lucy, simplesmente seguia o que sua mãe pediu para ser feito, achar um local seguro para a noite do seu aniversário de 16 anos, e levar você para lá antes dás 21 horas. E antes que me pergunte o porquê, foi o horário em que você nasceu, agora vamos fazer silencio que eles ainda estão aqui.

Já fazia quase uma hora desde nossa última conversa, o céu já se tingia de escuro, e eu já tinha perdido a conta de quanto tempo se passou desde o inicio dessa confusão, só pensava em como meus pés estavam doendo, o quanto eu estava cansada e isso somando ao fato de minha mente estar confusa procurando teorias sobre o que aconteceria de noite, que não reparei quando a maga a minha frente parou até eu me chocar contra ela.

– Chame o Loke – ela diz simplesmente. De repente ouvimos um som agudo e minha cabeça começa a latejar, o mesmo parece acontecer com Poluska, pois lembro-me dela tampando os ouvidos – Lucy! Chame o Loke!! – ela grita por cima do barulho.

Eu estava paralisada, meu corpo se recusava a obedecer qualquer ordem e ainda tinha aquele barulho enlouquecedor, me lembro do pânico corroendo minha mente e da visão de Poluscka ao meu lado dizendo para chamar o meu espírito, quando uma luz dourada e familiar aparece ao meu lado tirando-me do torpor ao qual estava envolvida.

– Vamos Lucy! – diz ele me ajudando a levantar.

– Lo... Loke!?! Como?

– Shh depois – e sai me carregando, no primeiro momento eu deixei, mas depois me lembrei de minha querida amiga e mãe.

– Polucka-san!! – grito e corro em sua direção.

– Lucy – ela me abraça, mais tarde eu percebo que nessa hora ela colocou sua bolsa no meu ombro – vá com o Loke até a caverna que eu te disse antes, ele saberá o que fazer. Leve-a.

Foi a segunda vez que disseram para me levar a um lugar que eu não queria ir. Nesse momento Loke me pega no colo novamente e me carrega correndo.

– Polucka-san!!

– Vá Lucy, não se preocupe eu ficarei bem – ela disse com o olhar mais dócil que jamais vi e depois se virou para o que quer que seja, nessa hora comecei a chorar lagrimas que tinha jurado não voltar a derramar. Lagrimas de solidão.

Depois disso as coisas foram meio vagas, algo como uma fogueira para esquentar uma fria noite de verão, da tentativa falha de Loke de me reconfortar, das perguntas não respondidas e da angustiante espera. Tenho certeza que dormi por um bom tempo, pois me lembro do rosto dele perto do meu me dizendo que estava na hora.

Lembro-me de ser envolvida por uma luz amarelada e por um circulo mágico. A próxima coisa que me recordo é de estar em pé em um lugar estranho.

Minhas roupas tinham sido trocadas, eu estava com um vestido fluido branco, minhas chaves não estavam comigo e muito menos Loke.

Olhei ao meu redor, o céu era purpura, planetas e estrelas se encontravam tão perto que dava para ver claramente suas formas, tudo brilhava e bolhas se movimentavam livremente pelo ar, a minha frente estava um jardim com árvores e flores de cristal vivo, suas formas eram tão diferentes do mundo humano... Sem dúvida o Mundo Espiritual foi uma das coisas mais belas que já vi na minha vida.

Em pé a minha frente estava um samurai gigantesto, sua cabeça com um capacete com chifres e uma estrela na testa, chegava aos céus. Somando tudo isso o Rei dos Espíritos foi uma visão meio bizarra. O momento que esperei desde que me foi explicado os meus poderes e uma parte do meu futuro tinha chegado. Quando ele finalmente falou sua voz era grave e ressoante.

– Lucy Heartifillia. – pausa – Essa é uma situação incomum, geralmente os que vem a mim estão sendo julgados por crimes que cometeram, a exceção sempre foi a sua família, mas mesmo assim seus antepassado sempre tinham as 12 chaves juntas. E para podermos continuar com todo o processo que os que te antecederam tiveram, você deverá conseguir com Angel e Yukino Aguria as cinco chaves que estão faltando.

Eu não estava entendendo nada, mas concordei e segui na direção que ele indicou. Agora, onde antes existiam arvores de cristal, formou-se um arco do mesmo material conduzindo para um labirinto de plantas também de cristal.

– Ah e mais uma coisa, você não poderá usar o poder das chaves, ou seja, não poderá invocar nenhum espírito.

Assenti e voltei a andar. Por mais ou menos 15 minutos fiquei observando tudo ao meu redor, não sabia mais por onde eu tinha entrado. Um pouco mais a frente, encontrei duas jovens mulheres de cabelos branco-azulados. Ambas vestiam vestidos com cores em azul e branco decorados com muitas penas. A mais velha me olhava com superioridade e ferocidade enquanto a mais nova me olhava simpática.

– Então é você? Lucy Heartifilia? A vadia que quer roubar nossos poderes? – falou a mais velha

– Mas nee-san – disse a mais nova – se a mãe da Lucy-san não tivesse nos confiado as chaves nós não teríamos espíritos nem como usar poder algum...

– Urasai Yukino!! – disse a outra que presumi fosse Angel – Você não vai conseguir nada de nós duas! A diferença de nível entre nós é grande.

– Com licença, mas do que você esta falando? – perguntei.

– Você não veio aqui para pegar as cinco chaves do zodíaco que estão em nossas mãos? – perguntou Yukino surpresa.

– Bem sim...

– Então prepare-se para perder, pois não vou entregar nada sem uma luta! – falou Angel

– Mas eu não quero lutar! Não tem como resolvermos isso amigavelmente? – tentei encontrar um modo de agradar todo mundo.

– Abra-te portão do Carneiro, Aries! – nada aconteceu, então ela tentou novamente – Abra-te portão do Carneiro, Aries! – nada outra vez – Aparece sua imprestável!!!!!

– As chaves não funcionam aqui – eu disse. De repente uma luz rosada aparece revelando uma moça kawaii vestida de branco e de cabelos rosa com pequenos chifres.

– Sumimassem... – ela disse.

– Aries onde você esteve!?! – pergunta Angel exaltada

– Sumimassem... Eu apareci para avisar que nosso contrato foi suspendido, eu e os outros não podemos te ajudar em nada... Sumimassem!

– Venha cá Aries, isso aí está ótimo. – e começou a espancar o pobre espirito – Como assim não pode lutar!?! Quantos magos inúteis eu derrotei só para tentar arranjar uma chave decente e quando aparece alguém vocês se recusam a lutar!?! Já que não pode ser útil tem algo que gostaria de dizer a muito tempo! Pare com isso sua vadia imunda! Sempre com esses insuportáveis “Sinto muito” e “Me desculpe”, extremamente irritante!! – enquanto eu presenciava essa cena triste, Yukino virava o rosto com pena.

– PARE COM ISSO! – gritei não aguentando mais e correndo para ajudar Aries a se levantar – Deixe a coitadinha em paz! Ela também sente dor, não a trate como um nada!! Você está bem?

Não sei de onde, mas Loke apareceu, seu rosto estava contorcido de raiva olhando em direção a Angel, ele chega perto e pega Aries no colo passando a mão em seus cabelos rosa.

– Tudo bem? – ela assente – Lucy deixo tudo com você, eu não posso me envolver, não sei por que essa baka se preocupa tanto com sua mestra, além do mais essa não é a primeira vez que isso acontece... – disse olhando carinhosamente para a moça no seu colo – Vamos Áries... – e desapareceram.

Lembro-me do ódio que senti. Como ela ousava vir a casa desses pobres seres vivos e ainda por cima machuca-los? E para piorar, na minha frente? Algo que não posso perdoar, e foi isso o que disse a Angel, o que causou risadas na maga.

– E como você pensa em fazer isso Hertifilia? Você não passa de uma princesinha mimada. Em uma luta corpo a corpo só perderia...

Não a deixei terminar de falar, avancei com toda a fúria que possuía, não sei exatamente o que aconteceu, mas no final eu estava em cima de uma Angel desacordada e a voz do Rei dos Espíritos soava em meus ouvidos.

– Parabéns Lucy Heartifilia! Você passou no primeiro teste. Mostrou saber tratar os espíritos como seus companheiros e amigos e não como peões e maquinas de guerra. O comportamento da maga Angel Aguria a muito tempo é de meu conhecimento, mas como espirito não posso quebrar o contrato, mas você sendo humana conseguiu! E também o direito ás chaves de Gemini, Aries e Scorpion!

Olhei procurando o dono da voz, mas não achei em lugar algum e pelo jeito eu não era a única a ouvir a voz do bigodudo, Yukino estava ao lado de sua irmã caída no chão, mas parecia concordar com o que foi dito, aproveitando isso olhei para mim mesma: Eu não tinha saído ilesa. Sentia algumas costelas fraturadas e metade do meu vestido estava rasgado exibindo cortes, estava checando se algo mais estava ruim quando ouvi uma voz do meu lado.

– Sabe minha nee-san nem sempre foi desse jeito. Nossa infância não foi a melhor, e fomos forçadas a nos separar. Ela só queira fugir dessa triste realidade, poder voar, fugir da tristeza, se transformar em algo inabalável. Nós sempre gostamos de pássaros, e depois que nos separamos isso se tornou o laço que nos unia. No inicio ela só queria o poder para transformar nossas fantasias em realidade, mas em algum momento do caminho ela se perdeu e se tornou obcecada... Mas eu já falei de mais, tome Lucy-san fique com elas – e me estendeu a palma de suas mãos com duas chaves.

– Yukino-san, eu não posso – falei surpresa, ela se levantou e chegou mais perto de mim pegando minhas mãos.

– Desde de que sua mãe as confiou a mim, eu decidi que quando chegasse a hora as entregaria sem nenhum rancor. Foi uma honra, mas esse momento chegou. Sendo assim pegue. – disse depositando as chaves nas minhas mãos.

– Eu não posso aceitar isso. Vocês tem laços que os unem, e eu não quero separa-los... – não cheguei a completar minhas palavras, pois fui interrompida pela voz do Rei, que mais uma vez ressoou em nossos ouvidos.

– Aceite Lucy.

– Ma... Mas... Eu não posso!

– Lucy Heartifilia, em outros tempos eu partilharia a mesma opinião, mas esses são tempos de guerras, e o pior são guerras travadas silenciosamente, então aceite. Nesses tempos sacrifícios tem que ser feitos.

Eu assinto e começo a chorar, o mesmo acontece com a maga a minha frente.

– Tenho certeza de que será uma ótima mestra Lucy-san, cuide bem deles.

– Eu aceito, e obrigada.

– Parabéns Lucy Heartifilia, você passou no segundo teste! Mostrou que sabe reconhecer laços importantes e que procura valorizá-los. Assim Pisces e Libra se juntam ao time! Não se preocupe, laços como esse nunca podem ser rompidos. E como conseguiu a posse das doze chaves, vamos festejar!!!!

E fogos foram ouvidos e vistos estourando. Francamente o bigodudo começou a me irritar naquele momento. Engraçado como toda a minha vida dali pra frente seria rodeada de pessoas irritantes que eu aprenderia a amar, assim com o Rei dos Espíritos.

Notas finais
Peço que não abandonem a fic pelo atraso e tbm pela falta do Natsu-fofuxo, como respondi em um dos reviws eu quero apresentar a vida da Lucy antes de "juntar" o casal.
Vou "me forçar" a escrever para poder postar fixamente ás segundas e quartas ou quintas dependendo da minha beta.
Espero vcs nos coments, onegai, não deixem de comentar....