O Dragão estava procurando o jovem elfo. Mesmo escondido, sua presença foi detectada pelo monstro e ele rapidamente correu para outro esconderijo. A princesa o acompanhou e juntos eles subiram o morro pelo qual desceram, tentando fugir para a floresta e se esconder em uma caverna. O dragão voou na direção deles e arrastou a areia da praia para cima do morro. Sammus e Luna correram desesperados na direção da floresta, quando de repente o garoto tropeça em uma raiz de pinheiro, e cai sobre umas folhas que caíam da árvore.

–Vamos Sammus! Levanta, o dragão está se aproximando! – A garota o chamava, mas ela não sabia que o elfo tinha machucado a perna – Acho que eu quebrei a perna, Luna!

–Droga, isso só irá nos atrasar! –Ela passa o braço dele no seu pescoço e o ajuda a andar até a árvore mais próxima.

–Olha Luna, não podemos parar agora. Eu posso te carregar e juntos voaremos para longe daqui. Anda, se segure em mim!- Ela segurou o seu pescoço e ele rapidamente conseguiu levitar o corpo como uma pluma no vento. A princesa e o herdeiro começaram a voar na direção oeste sobrevoando o oceano que ligava as terras geladas ao grande continente de ferro. O dragão percebeu a fuga e seguiu os dois até alcançarem o limite marítimo do país de Lumiera. Eles cortavam os céus tentando fugir do monstro, que os seguia para onde quer que tentem voar. Ele liberou várias torrentes de fogo pela boca tentando acertá-los mortalmente, quando um vulto negro gigante rasgou os ventos e desceu com tudo em cima do dragão. Quando a luz do sol reluziu em seu rosto e em seu corpo, todos viram que era outro dragão gigante que viajava por aquela região. Diferente do outro, esse monstro dos céus tinha como armadura escamas azuis reluzentes, os olhos da mesma cor e asas como as de um morcego. O dragão vermelho e o azul se enfrentaram em pleno ar, lutando usando as garras e as presas afiadas para causar o maior dano possível. O dragão vermelho usava as asas para tentar acertar o adversário, que desviava incansavelmente dos golpes e revidava atacando com as garras e com mordidas mortais que causavam uma dor imensa e o deixavam tonto. O dragão azul subiu o mais alto que pode, e a toda velocidade, desceu como um raio com as garras traseiras para baixo e acertou o corpo do inimigo em cheio. O dragão vermelho despencou do céu e caiu no mar, espalhando água em toda a praia e quase causando um maremoto. Sammus estava ficando sem forças para continuar voando, então sem pensar desceu em cima do pescoço do dragão e perguntou para a princesa, que ainda estava agarrada nele:

– Você sabe por que aquele dragão vermelho veio até aqui? E esse aqui, por que nos defendeu? –Luna tinha uma expressão de quem estava adorando aquele momento, mas logo retomou a pose:

–Bom, eu pensei que eles estavam extintos. Sinceramente, eu não sei o que dizer. Mas por que aquele outro queria te matar? –O dragão azul levantou a cabeça, e inesperadamente respondeu:

– Aquele dragão era um enviado do deus da morte, Ellian. –Os dois elfos se entreolharam assustados, sem entender nada, mas o dragão continuou: — Ele veio buscar o herdeiro para que os cavaleiros da morte possam matá-lo. Apenas os três herdeiros têm poder para ressuscitar a deusa Eiwa, e se um estiver morto, todo o esforço dos três grandes reis no passado terá sido em vão. Eu sou Amarth, e fui enviado pelo deus Heith para salvá-lo de qualquer ameaça vinda de Ellian. – A princesa e o arqueiro estavam impressionados com tanta informação, e pelo fato de um dragão conseguir falar.

Eles continuaram voando na direção oeste. Após de dez dias de viajem, finalmente eles chegaram ao grande continente, às terras do ferro. Já era quase cinco horas quando eles avistaram terra firme, e logo ficaram ansiosos para conhecer esse lugar, que por muito tempo foi palco de grandes batalhas épicas, guerras, cruzadas e heróis medievais. Alguns arriscam dizer que um dos deuses abençoou esse continente para que sempre prosperasse. Os viajantes estavam indo para Kringodh, o país de origem do grande rei humano.

Depois de sobrevoar uma boa parte da região, eles desceram em um campo próximo a uma vila de camponeses. Sammus se apoiou em Luna e os dois desceram juntos das costas do dragão, que ficou calado durante o pouso. Uma luz azul se expandiu diante da princesa e do arqueiro e como mágica o dragão desapareceu. Depois que a poeira levantada começou a se dissipar, se podia ver uma sombra de uma pessoa se levantando como se tivesse acabado de acordar, tossindo um pouco e murmurando:

–Desculpe por isso. A luz azul cegou vocês? – Sammus e Luna estavam confusos diante da atual situação.

–Quem é você? –perguntou o arqueiro, não o reconhecendo. –E onde está Amarth, o dragão?

–Eu sou Amarth. Eu sou um animago sacerdote, e sirvo aos deuses. –Animagos são seres semelhantes aos elfos, que podem se transmutar ou se transformar em animais. – o deus Heith me enviou para protegê-lo, jovem elfo. A deusa precisa ser ressuscitada o mais rápido possível, antes que Ellian firme seu reino de caos nesse mundo. –Sammus não podia imaginar que aquele cara podia se transformar em um dragão. Ele usava roupas rasgadas e um par de botas de couro de crocodilo. Não usava espada, apenas um cajado com uma pedra brilhante na ponta.

Os três caminharam por um tempo e pararam perto de um riacho para descansar. Já eram sete horas da noite quando a lua caminhava em direção ao centro do céu estrelado, iluminando a floresta de redwood que dividia o vale onde eles estavam e uma pequena cidade de humanos. Como estavam com muita fome, os três viajantes decidiram adentrar na floresta para caçar algum animal e pegar umas frutas, mas logo se espantaram com o que viram lá.