A Princesa E O Arqueiro
17 Kringodh
Os três cavaleiros da morte avançaram e atacaram os viajantes, que se defenderam como puderam para não morrerem. Luna Thyna, a bela princesa de Lumiera, retirou de sua mochila de couro seu poderoso cetro e atacou o cavaleiro que carregava uma espada longa. Ele foi lançado longe, mas logo se recompôs e contra-atacou. Tyr, o bardo, sacou sua espada e investiu contra aquele que segurava as correntes, o atacando no abdômen. Seu alvo revidou usando suas correntes e laçando suas pernas, logo em seguida o puxando para si. Com ele caído e Luna ocupada, só restara o paladino Sobekk a lutar contra o arqueiro maligno. Eles lutaram bravamente durante muito tempo, superando os próprios limites, até que não agüentaram tamanho poder vindo dos cavaleiros e caíram em batalha. Os servos de Ellian eram muito poderosos, e rapidamente renderam seus adversários benignos e os prenderam em uma pilastra violeta que em sua extremidade superior emanava um fogo negro e poderoso. Essa pilastra fora invocada pelos três cavaleiros e requisitava muita energia deles, e para não fadigarem durante a viagem, resolveram descansar por ali mesmo. Porém, antes de fazê-lo, eles lutaram contra os pobres soldados do rei de Lumiera e expulsaram todos eles para oeste, onde talvez pudessem buscar ajuda no reino de Kringodh.
O rei covarde fugiu dali, deixando sua filha correndo risco de vida, junto de seus parceiros Tyr e Sobekk. Amarrados, eles estavam impossibilitados de fazer qualquer coisa, até que Tyr viu caindo das vestes de um dos cavaleiros uma taça dourada que reluzia à luz do sol que baixava com a chegada da noite. De início ele não se importou, mas depois de um tempo ele percebeu que não conseguia parar de olha para o belo objeto.
–Ei, guerreiro, você tem um lindo cálice aí com você!
–Fique quieto, ou eu o matarei. –respondeu rudemente o arqueiro maligno. Entretanto, Tyr não se importou com a resposta, pois estava fascinado com o cálice dourado. Foi então que a princesa Luna percebeu a fixação do bardo e perguntou:
–O que você tanto olha naquela direção?
–Aquele cálice que está com aquele cavaleiro. Não é lindo?
–Sim, mas, tem algo de errado com ele. Eu sinto uma enorme energia vinda dele, uma energia muito poderosa!
–O que você acha que é? –Sobekk entrara na conversa.
–Talvez ele tenha roubado isso de algum reino devastado. Nós precisamos pegar esse cálice, provavelmente é o que nós estamos procurando!
O cavaleiro se levantou, sacou sua espada longa e ameaçou os três viajantes:
–Já disse para calarem a boca! Fiquem quietos, ou eu mato vocês agora mesmo! –O arqueiro que estava se recuperando se levantou e alertou:
–Acalme-se, Kwaad. As ordens são de levar eles três para o castelo de tormento, nas terras de desolação. Já recuperamos nossas energias, então vamos andando. –Os três cavaleiros da morte se levantaram e ao pronunciarem a palavra musta hevonen, três cavalos negros surgiram do nada como fumaça e se materializaram na frente de todos. Antes de subirem, eles soltaram Tyr, Luna e Sobekk da pilastra e os amarraram em cima dos cavalos. Eles tentaram fugir, mas a pilastra sugara todas as suas energias. Dois dos três cavaleiros começaram a cavalgar na direção do reino de Kringodh, mas Kwaad os advertiu:
–Ei, têm certeza de que devemos ir por aí? O mestre Amarth ordenou que nós os levássemos para as terras da desolação!
–Eu sei. Porém, uma das jóias de Eiwa está escondida no reino de Kringodh, e não podemos perder essa chance de capturá-la.
–Asurh tem razão. Não iremos demorar, será bastante rápido. –Endredod, o cavaleiro que usava as correntes malignas, passou confiança para seus parceiros Kwaad e Asurh para que pudessem seguir em frente.
Já eram sete horas da noite quando eles se aproximaram das dependências do castelo de Kringodh. Uma maravilhosa construção de pedra e tijolos fora erguida no meio de um vale, e agora se mostra imponente e poderosa, protegendo vilas e cidades próximas e defendendo a nação de Kringodh. Uma grande muralha se estendia ao redor do castelo, com duas torres ao norte, duas ao leste, três ao sul e uma a oeste. Em cada torre havia várias sentinelas e guardas esperando uma ordem de ataque por parte do rei contra aqueles que tentavam invadir e destruir o reino. Eles continuaram cavalgando, até ficarem a cinco metros de distância do portão principal. As sentinelas que estavam numa das torres leste fizeram sinal para que os três cavaleiros misteriosos parassem, mas eles não pararam. Os vigias deram um segundo sinal, mas também fora ignorado. Foi então que eles receberam permissão para atacar e rapidamente atiraram diversas flechas velozes na direção dos cavaleiros. As três criaturas malignas desceram dos cavalos negros e correram da direção da torre que os atacava. Eles se desmaterializaram e reapareceram no alto da torre e atacaram os atiradores. Mais soldados estavam chegando e atacando, mas para a surpresa de todos os presentes os cavaleiros da morte não foram sequer feridos. Luna, Tyr e Sobekk estavam muito fracos por causa da pilastra que sugara todas as suas energias, e por isso não conseguiam fugir dali. Eles estavam amarrados no lombo dos enormes cavalos negros, que transportavam os enigmáticos cavaleiros para onde quer que fossem sem se fadigar.
Uma distância de trinta metros separava a muralha defensora do maravilhoso castelo de Kringodh, e neste espaço estavam pequenos acampamentos de soldados prontos para batalhar a qualquer momento. Um jovem recruta, de calças rasgadas na bainha e com um capacete de ferro na cabeça correu por entre as barracas militares e alcançou a entrada principal do castelo, eufórico e determinado. Ele ganhou uma escada enorme e pulou os degraus até chegar a um salão amplo que era sustentado por enormes colunas de mármore cor de bronze. Na parede norte, ele pôde ver um corredor largo e logo entrou nele. Nas laterais se encontravam diversos vitrais coloridos que iluminavam o lugar até um altar onde um homem de aparência de meia idade se sentava em um trono dourado reluzente, e ao seu lado havia um trono prateado e acolchoado com seda vermelha em que se sentava uma mulher de aparência jovem, cabelos castanhos e cacheados que caíam sobre seus ombros e seu vestido branco. O jovem foi até ela que se sentava no trono de ouro e disse ofegante:
–Majestade, a muralha está sendo atacada por três cavaleiros da morte invencíveis! – o rei que estava bebendo uma taça de vinho tinto levantou o olhar para o soldado e disse:
–Tenho certeza de que nossos soldados irão liquidar esses maléficos servos do mal. Mais alguma coisa?
–Meu rei, os guardas estão sendo destroçados pelo enorme poder dos cavaleiros negros, se não fizer algo, eles invadirão o castelo! – nesse momento chega um guarda real e se apresenta:
–Meu grande rei Tanatius, as sentinelas e os soldados foram derrotados e nenhum sobrevivente quer enfrentar os ofensores. O que faremos? – O rei Tanatius pousou a taça sobre uma travessa que era segurada por uma criada e respondeu:
–Chame aquele pirralho para resolver isso.
–Vossa majestade está dizendo para chamar...
–Sim, chame Aladar.
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