A Primeira Vez ...
1 A primeira das primeiras vezes - por Nora Grey , vulgo Anjo Observação : Não o aconselho a me chamar de anjo, a menos que queira amanhecer sem os dedos... É sério...
Notas iniciais
Suaves como o toque de uma pena... É exatamente assim que os dedos de Patch percorrem meus cabelos, cautelosamente , sem o seu habitual fervor... Talvez por essa parte do sentir ser nova para ele, e ele querer apreciar cada momento delicadamente... Só que eu não estou tão calma assim...
Eu deslizo minhas mãos pelos cabelos espessos dele , o puxando em minha direção, e selando nossos lábios. Ele me empurra contra a parede, as mãos espalmadas ao lado do meu rosto, e interrompe o nosso beijo com uma risada ao mesmo tempo irritante e sexy...
—Calma, Anjo... – eu sinto meus pelos do antebraço eriçarem quando os lábios dele, tão familiares e macios, se aproximam do meu lóbulo direito, a respiração quente ricocheteando em meu pescoço. – Por que tanta... – Ele se afasta ligeiramente e prende meus olhos com os dele. – pressa...?
Eu ruborizo, tanto por vergonha, ao perceber o quão pervertida eu devo ter parecido agora, quanto por indignação ao cinismo de Patch. Ora,ora... Até parece que somente eu estou com essa súbita sensação na boca do estomago... O desejo crescente pelos lábios dele e talvez um pouco mais... Então uma dúvida nunca antes questionada por mim surge na minha cabeça. Isso tudo é novo para mim, mas será que... Será que Patch é... Será que ele é virgem? Imagens repulsivas de cenas envolvendo Dabria e este quarto passam pela minha cabeça, e de repente, perco toda a pressa.
Alguma coisa deve ter mudado em meu rosto. Talvez o fogo tenho apagado e a fumaça esteja se dissipando, porque os olhos negros dele estão me encarando não mais com provocação, e sim com certa preocupação. Eu o ignoro por um momento, o receio crescendo dentro do meu peito como uma farpa venenosa de ciúme... Será que...
—Nora... – o tom dele está isento de ironia. – O que foi?
Eu o encaro seriamente. A pele nua de seu peito musculoso cria um efeito tom sobre tom com a parede escura ( a camisa dele foi arrancada pelas minhas mãos nem um pouco cautelosas), e eu engulo em seco.
—Patch... – começo, com certa relutância em fazer a pergunta. Talvez por medo da resposta, talvez por apenas não ser uma pergunta exatamente sensata, por assim dizer...
—O que foi? – ele se afastou uns bons metros de mim, o seu olhar continua preocupado. – Eu disse alguma coisa... Olha, Nora, você sabe que...
—Não... – eu não o deixo concluir. – É só que... Bem... Tem algo que eu preciso saber antes de prosseguirmos...
—Olha... – ele agora respira fundo. – Se for sobre aquele negócio de procriação entre nephilins e anjos caídos, não há nada com o que se preocu...
—Não, também não é isso... – é minha vez de respirar fundo. O jeito é falar de uma vez só. – Patch... Você já fez isso antes?
Ele assume uma expressão espantada, como se eu tivesse lhe batido. Então seu rosto adquira um ar de deboche e ele se aproxima, o sorriso mal que eu tanto amo brincando em sua boca.
—Ora... Se o problema é esse... – ele enlaça os dedos em minhas mãos delicadamente e seu rosto fica sério por um instante. – A resposta é não.
Mas é realmente só por um instante mesmo e sua expressão costumeira está de volta. Então subitamente ele prende meus braços ao lado do corpo, me deixando imóvel, e cola os lábios no meu pescoço. Sua voz rouca sussurra em meus ouvidos, me deixando sem ar e sem resposta.
—Se bem que seria bem útil. Mas em todo caso, você sabe que não sou ruim na improvisação...
Suas mãos soltam meus braços e vão para a parte debaixo das minhas coxas, ao mesmo tempo me erguendo e me dando calafrios. Eu enlaço o pescoço dele com os meus braços e o beijo ardentemente. Primeiro ele contorna meus lábios com a língua e então pede passagem e eu sedo, é claro. Nossas bocas parecem um campo de batalha. Dentes, línguas e lábios em uma disputa violenta e instigante. Quando paramos para respirar ele aproveita a deixa e me carrega até a cama. Por um momento permanecemos na mesma posição, ele por cima de mim, mas então como se percebendo simultaneamente o quão próximos estamos do ato, congelamos.
—Tem certeza? – ele pergunta, tentando parecer receoso. Mas ele é o Patch e justamente por isso não consegue. Tento roubar um pouco da sua personalidade por um segundo.
—Eu estou na sua cama, praticamente seminua (calcinha e blusa é semi-nudismo sim) , e você me pergunta se eu tenho certeza? – eu dou um sorriso e tento parecer provocante, mas provavelmente nunca conseguirei causar nele um resquício do efeito que ele próprio causa em mim. – Ora,ora, Sr. Cipriano. Onde está a sua improvisação ?
Parece que consegui, porque juro, que mesmo que tenha sido por um milésimo de segundo, eu o vi ruborizar. Aproveitando essa brecha eu o empurro e inverto nossas posições, prendendo os quadris dele com meus joelhos, minhas mãos segurando os seus ombros e com as sobrancelhas erguidas, digo:
—Tente improvisar agora. – e é a gota d’água.
Ele arranca minha blusa e desliza a mão por cima do sutiã, mas mesmo assim sinto calafrios até os ossos. Eu suspiro quando ele troca nossas posições novamente.
—Entenda, Anjo... Eu sempre fico no controle.
Sinceramente, não me importo com quem está no controle desde que não sejamos interrompidos. Eu me atrapalho um pouco com os botões da calça dele, o que o faz rir, mas logo o calo com um beijo. Ele desabotoa meu sutiã e enrijeço um pouco quando seus lábios percorrem meus seios e minha barriga, mas me solto de tal modo que a única sensação que tenho quando ele tira minha calcinha e me penetra com os dedos é prazer. Ele não parece muito fã de sexo oral, mas não reclama nem um pouco quando chupo sua glande. E quando penso que não pode melhorar ele me penetra. A primeira vez me faz gemer, mas por surpresa que por dor. É uma sensação tão incrível e prazerosa, como nada que eu já tenha sentido, que por um momento me preocupa com o fato de ele sentir o mesmo. Parece que sim, já que ele continua.
Depois do que me pareceram horas estamos exaustos. Sim, mesmo nephilins e anjos caídos cansam. Por fim eu deito em seu peito e dou um sorrisinho, e a última coisa que ouço antes de cair no sono é sua voz, uma voz da qual nunca deixo de me surpreender quando penso que seu proprietário me pertence, sussurrar:
—O que achou da minha improvisação, Anjo?
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