A Primeira Neve
7 Capitulo 7
Não sei há quanto tempo estou nessa casa, depois do beijo que o Suho me deu e em seguida desmaiou ou algo parecido, na realidade acredito que estivesse delirando, eu fiz mais algumas compressas, chequei a temperatura e vi que estava melhorando, então resolvi descer até a sala e acabei adormecendo e depois de acordada perdi um pouco a noção do tempo, agora já está escuro e estou morrendo de medo de sair do sofá a procura de luz.
Mas não conseguia pensar no medo que sentia da casa vazia, pois ainda lembrava o beijo que o Suho havia me dado, mesmo supondo que ele estaria delirando tenho que confessar que foi muito bom e isso me trazia uma enorme confusão, pois não era uma pessoa de me apegar a alguém facilmente, desde jovem eu sempre fui muito desapegada no que diz respeito a namorados, o primeiro que realmente me apaixonei foi o Jin, mas ele simplesmente desapareceu e depois disso prometi para mim mesma que não me apaixonaria mais por ninguém aqui na Coreia, até por que meus dias aqui tinham prazo de validade, eu iria retornar para meu país de origem e outro relacionamento só me causaria mais dor.
Agora só estava ansiosa pela hora que todos retornassem e eu fosse para meu alojamento, tenho certeza que essa seria a última vez que veria esse povo, pois não existe motivo algum para eu me envolver com pessoas famosas.
Resolvo enfrentar meu medo e ir procurar uma tomada a fim de acender uma lâmpada e por sorte consigo achar, então resolvo ir até o quarto do Suho conferir como ele está, afinal de contas eu estava ali para isso, quando chego à porta eu paro por um momento afinal ainda estava bastante constrangida com o que aconteceu, e se ele lembrasse de tudo? Por que tudo na minha vida precisava de situações constrangedoras?
Resolvo que enfrentar meus medos é a melhor escolha e ao entrar no quarto vejo que é um ambiente diferente ao que era quando entrei pela primeira vez, agora as cortinas das janelas estavam abertas o que tornava o quarto bastante claro, a cama que antes estava desarrumada agora está impecável, o pano molhado estava pendurado em uma cadeira como se alguém tivesse o estendido ali, e o mais importante o Suho não estava ali.
― Onde ele pode ter ido? – Vejo uma porta no quarto que não é a de saída e estou prestes a abrir quando sou surpreendida com ela abrindo pelo outro lado, e estou um pouco em choque com o que vejo na minha frente, agora sei o que tinha no outro lado da porta e pelo estado do Suho só poderia ser um banheiro, ele estava ali na minha frente apenas com uma toalha em volta de sua cintura, não pude deixar de notar sua pele clara, possuía músculos bem definidos, nada de muito exagerado, seus cabelos molhados pingavam em seus ombros.
― Me desculpe, eu não tinha a intenção de vir aqui, mas precisava saber se estava melhor. – Começo a tentar me explicar, mas não sei se estava falando coreano, inglês ou português ou se era a mistura de todos esses idiomas.
― Você tem uma péssima mania de abrir portas sem bater, você ia abrir a porta do banheiro mesmo? – Quando ele me pergunta isso noto que minha mão ainda está na maçaneta da porta e de imediato tiro ela.
― Claro que não, só estava vendo se estava fechada corretamente e também como eu ia saber que aqui é um banheiro?
Ele se aproxima de mim e fala:
― Da próxima vez você bata na porta antes de entrar. – Começo a sentir que estou corando e me afasto.
― Já estou vendo que você está bem melhor e não precisa mais dos meus cuidados, sendo assim já posso ir embora. – Começo a caminhar em direção a porta quando sinto que repentinamente ele segura em minha mão.
― Você não pode ir agora. – Ele me diz.
― Por que não? Já terminei meu trabalho.
― A não ser que você queira ir a pé não tem como você ir, pois meu motorista não está aqui e não posso chamar um táxi, pois não podem descobrir o local onde moramos.
Quando ele fala isso começa a chover e nós dois olhamos para a janela, ele dá um sorrisinho como se dissesse “agora mesmo que queira não vai conseguir ir a pé” e eu fico com cara de decepção.
Depois de sair do quarto percebo que estou com muita fome, pois pelo que me recordo a ultima vez que comi algo foi antes de vir para esta casa, então decido ir para a cozinha, por que apesar de ser péssima na cozinha eu espero achar algo como frios, mas abro a geladeira e só vejo vegetais e peixes, tudo para preparar, então resolvo beber agua mesmo.
― Está procurando algo para comer na minha cozinha? – Me viro já sabendo quem fala, e vejo o Suho vestido com uma blusa branca que caía muito bem no seu corpo, fiquei sem palavras por alguns instantes, mas recobrei minha consciência.
― Estava, mas não achei nada.
― Como nada? – Ele abre a geladeira e começa a tirar vários alimentos e colocá-los em cima de um balcão, pega faca e panelas e começa a cortar verduras e peixes, se eu não soubesse quem ele era eu diria que era um chef de cozinha.
Passaram-se meia hora e tudo estava pronto, ele havia colocado todos os pratos no balcão e estávamos sentados comendo, e realmente estava muito bom, estava impressionada com o fato de esse homem ser tão perfeito, sabia fazer tudo me sentia até um pouco envergonhada por não saber fazer essas coisas, ficamos em silêncio por um tempo, eu porque estava com muita fome e concentrada em comer mesmo, ele eu já não sei, mas resolvi quebrar o silêncio.
― Você acha que eles ainda vão demorar para voltar? Estou querendo voltar para a minha casa.
― Você acha que ainda consegue voltar para seu alojamento hoje? Eles chegarão bem tarde, o melhor seria você dormir por aqui hoje.
― Dormir aqui? Estou muito cansada para questionar isso, só me mostre um quarto para eu poder dormir. – Ele pareceu um pouco surpreso com o que eu disse, mas realmente estava exausta, o dia não parecia ter fim e eu só queria descansar e poder organizar meus pensamentos.
Ele me mostrou onde eu deveria dormir, era um quarto bem ao lado do dele e muito aconchegante, após ele sair reparei que o quarto deveria ser de alguém anteriormente, pois o quarto era bem decorado, vi que tinha uma foto em um porta retrato, era de duas crianças, pareciam estar brincando em um parque, de alguma forma estranha senti uma sensação de que já as conhecia, mas não saberia dizer de onde, estava muito cansada então resolvi me deitar, sentia que amanhã seria um longo dia.
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