Notas iniciais
Esse primeiro capítulo será menor quando comparado aos que virão a seguir, isso porque, é apenas o início de toda a trama que está por vir na obra "A Primeira Cruzada". Tentem ler mais de um capítulo antes de decidir se gostaram ou não da história, obrigado.

Quando abro meus olhos, consigo ver que agora o céu escuro paira sobre toda a cidade. A janela metálica que reside ao lado de minha cama está aberta e o ar sujo da metrópole se espalha por todo o meu quarto. O som de motores invadem minha mente, o barulho estava vindo de fora. Me acomodo no colchão onde consigo enxergar a origem de todo o som; caminhonetes blindadas e carros fortes se dirigem para o centro da cidade. Qual era o destino daquilo? A fileira de automóveis era imensa, até demais, para uma mente lesada após despertar, como a minha naquele exato momento.

Tornei a olhar para o lado com a esperança que a presença de minha irmã mais nova, Nathalie, me acalmasse naquele momento, mas ela não estava lá. Por algum motivo sua cama estava desarrumada, com seus lençóis largados no chão e seu travesseiro de penas desaparecido. Utilizando um pouco mais de força que o necessário — admito que não estou em tão boa forma assim — me levanto da cama cogitando andejar até fora de meu quarto, que agora já estava tão poluído quanto a área industrial da cidade. Tentava ao máximo não fazer barulho, caminhando com leveza e calma. Lembro-me de quando quase fiz minha família ser expulsa daqui. Nós moramos em prédios, todos nós. Não existem casas ou mansões por aqui, pelo menos não atualmente. Eles — os governantes — decidiram que reformar a cidade e criar prédios enormes seria mais eficiente e acabaria com a desigualdade entre todos nós, afinal, para eles alguns serem mais pobres que os outros é mil vezes pior do que todos trabalharem arduamente até o fim de suas vidas. Talvez o meu descaso com o silêncio tenha cooperado um pouco com a falta de simpatia que os vizinhos tinham conosco.

Chego na porta e a abro, não conseguindo impedir um alto rangido que a mesma solta. Felizmente, meus pais — e os vizinhos — não acordaram com o barulho, o que prolonga a minha sobrevivência nesse lugar por mais um tempo. O corredor está apagado, não consigo ver absolutamente nada. Está tudo em silêncio, exceto por um som baixo e distante que consigo ouvir vindo da sala. Meus passos estão mais trêmulos agora, eu não tinha certeza se a origem daquele choro era Nathalie, mas se fosse... Por que diabos ela estava assim?

A porta que separava o corredor da sala estava semi-aberta e quanto mais eu me aproximava, mais era possível ouvir as lamentações. Estava a poucos metros e lá estava ela, minha irmã, sentada sobre o piso frio e branco da sala com uma carta de coloração negra em suas pequenas mãos. Não me lembrava de ter visto aquilo no correio mais cedo. Abro a porta rapidamente, batendo-a contra a parede. Consigo retirar um grito de sua boca e um olhar amedrontado de sua face, molhada pelas lágrimas que saiam de seus olhos.

–Amy? — Sua voz trêmula pronunciou meu nome, ela não entendia o que eu fazia ali. — O que você...

–Deveria esclarecer as coisas antes de começar a fazer perguntas. — eu sabia que ela não tinha a mínima intenção de me acordar, mas isso não importava naquele momento. — De quem é essa carta?

Nathalie olha receosa para mim e em seguida para a folha em suas mãos. Ela me entrega o papel negro com certo receio.

– É do governador... — as lagrimas que antes haviam secado em seu rosto agora voltavam a surgir, caindo sobre suas bochechas rosadas. — Me diga que eu entendi errado o que está escrito aí...por favor...

Abri a carta em minhas mãos, observando-a. Seu papel era inteiramente negro e o texto estava escrito com uma tinta dourada, da mesma cor que o selo usado no seu envelope (também de coloração negra). Eu temia ter a mesma reação que minha irmã ao ler o que ali estava escrito. Sem dúvidas, havia vindo direto do governador, já que seu nome estava escrito em letras cursivas no final da folha:

Prezados Senhor e Senhora Bronwen , a guerra vem despercebida e acaba roubando tudo de mais importante de nossas vidas. Nossos inimigos estão matando crianças, acabando com famílias, destruindo vidas. Nós, como reais defensores da paz e da harmonia entre os nossos países não podemos permitir tais atrocidades. A batalha está sendo árdua, nosso pessoal não está sendo o suficiente para suprir as necessidades que uma guerra impõe. Após semanas e meses de reflexão de todos os nossos líderes, nosso conselho decretou que todos os cidadãos do país com mais de 10 anos aptos à lutar em uma guerra serão recrutados, treinados e mandados para a linha de frente das batalhas com toda a supervisão e ajuda possíveis vindas de nós. Esse projeto será chamado de " A Cruzada ", e eu como governador informo por meio dessa humilde carta que os seguintes membros de sua família : Nathalie Bronwen, Amélia Bronwen e Philip Bronwen estão listados como recrutados para lutar como nossos soldados. Esperamos que entendam nossa necessidade, e colaborem para a paz de nosso país. Nossos homens irão buscá-los amanhã, o mais tarde possível. Estejam atentos. -Nichollas Mazzoni

A cama de Nathalie permaneceu desocupada pelo resto da noite, assim como a minha.

Notas finais
Espero que tenham gostado desse primeiro ( e pequeno ) capítulo de "A Primeira Cruzada". Muita coisa está por vir, se continuar acompanhando irá se impressionar bastante. Não esqueçam de avaliar a história e comentar o que acharam.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.