Mas ainda sonho com aquela noite, senhor. Não com o
feiticeiro, nem com a lâmina, nem mesmo com o modo como meu membro viril contraiu-se enquanto
ardia. Sonho com a voz. A voz saída das chamas. Seria um deus, um demônio, um truque
qualquer de ilusionista? Não sei lhe dizer, e olhe que conheço todos os truques. Tudo o que sei
com toda certeza é que o homem chamou a coisa, e ela respondeu, e desde esse dia odiei a magia
e todos aqueles que a praticam. — Varys para Tyrion — As crônicas de Gelo e fogo

Rhaegar observou da janela os dragões de Daenerys sobrevoaram Água Negra, enquanto a neve caia silenciosamente. O platinado suspirou em paz, a canção de gelo e fogo estava viva e suas notas estavam sendo dedilhadas, trazendo esperança aquele mundo.

Pensou em Jaehaerys, o único nome o qual Lyanna não se opôs com veemência, outra vez. Não era assim que imaginava conhecer seu filho, mas fora isto que o destino lhe preparou. A criança de gelo e fogo, conhecida agora por Jon Snow, parecia acreditar fielmente ser um bastardo de Ned e certamente essa foi a manobra que o nortenho usou para livrar o menino das garras do usurpador. Na certa, assim como Robert fez a seus filhos, Rhaenys e Aegon, Jon estaria morto se não fosse a mentira do lorde de Winterfell.

Lyanna, que sempre temeu ter um filho criado como um bastardo sem nome, não foi capaz de livrar o seu pequeno de tal destino, mas livrou — o da morte e ele havia se tornado aquilo que devia ser. Um dragão com gelo no sangue, mais do que qualquer Targaryen um dia foi, ou seria. O bastardo Snow, trazia dentro de si não só a magia dos domadores de dragões de Valyria, o sangue guerreiro de Aegon I, mas também algo ainda mais antigo e poderoso, o toque dos filhos da floresta, que acompanhava os Starks desde antes de Brandon O Construtor. Aquilo que os tornava tão ligados às suas raízes, aos lobos, e principalmente ao gelo, ao rei da noite.

Voltou — se de volta ao grande mapa em forma de mesa e encarou-a por instantes. Seus olhos correram até a muralha e nela descansaram pesarosos, quando o púrpura novamente ficou visível e Rhaegar levantou a cabeça. Observou um homem surgir lentamente a sua frente. Muito mais magro, com uma barba ruiva espessa que ainda ostentava um pouco do azul que não era retocado a meses em suas pontas, os olhos verde gritante que refletiam um brilho marejado, emoldurado por cabelos um tanto sujos, mesmo diferente, era reconhecível.

— Connington — Suspirou num misto de estranheza e alívio. Jon permaneceu estático por instantes, sua mente negava — se à acreditar no que seus olhos contemplavam. Rhaegar Targaryen, vivo, em sua frente, apesar das marcas dos anos estarem evidentes em seu rosto ainda impunha aquela mesma bleleza encantadoramente forte e quase divinal da juventude.

Jon se aproximou a passos lentos e levantou a mão devagar até o rosto de seu príncipe prateado, precisava sentí — lo, e assim comprovar aquele não se tratava de um devaneio seu.

A ponta de seus dedos tocou levemente o rosto pálido e quente do homem à sua frente e e em seguida instintivamente o outro braço armou um soco, que fundiu — se à mandíbula do platinado, fazendo — desequilibrar-se e ter de se segurar a mesa para evitar tombar ao chão. Levantou os olhos calmamente e encarou o amigo com um sorriso terno.

— Também estou feliz em vê-lo, meu amigo — fala o príncipe e Jon o ajuda a se levantar.

Trocaram um abraço, que se findou no momento que Rhaegar percebeu Varys a porta. O platinado, afastou-se e voltou o olhar ao eunuco.

— Bem, vou deixá-la a sós, imagino que tenham muito o que conversar — fala o mestre dos sussurros afastando — se e fechando a porta.

— Porque?— Questiona Jon ao amigo.

— Os filhos, eles me manteram vivo, curaram minhas feridas — fala o príncipe voltando — se à janela — e me mantiveram cativo. É tudo que sei.

— Não foi isso o que perguntei, Varys já havia me explicado. Porque deixou Robert lhe vencer no tridente, porque nós abandonou, Rhaegar?

— Ele me venceu.

— Ele jamais te venceria, você deixou que ele te matasse, você não queria vê-la morrer e por isso você entregou o seu reino.

— Não era pra ter sido assim, tínhamos muito mais homens, Robert não deveria ter vencido aquela batalha. Nós estávamos ganhando quando eu cai.

— Aqueles homens lutavam por você, não pela coroa, no momento que caiu, eles abandonaram a batalha.

— A guerra nunca ia acabar enquanto eu vivesse, sabe disso, todos teriam de morrer, os Baratheon, Aryns e Starks e todos que os seguiam, teriam de ser dizimados. Dei a vingança que Robert queria, jamais imaginei que o seu ódio se perpetuaria mesmo depois da minha morte, não tinha como prever que Tywin, me trairia. Não era para ter acontecido daquela forma, eu só queria acabar com aquilo.

— Não, você queria acabar com a sua dor, estava tão obcecado por as coisas que aquela bruxa lhe disse que não conseguia ver nada além de si mesmo e da sua maldita bobagem de canção de gelo e fogo. E o que conseguiu? Lyanna morreu como disse, mas levou com ela aquela criança. — Fala Jon com a voz impregnada de dor.

— Eu amava Lyanna, ela fez o sacrifício dela, eu o meu. Era assim que tinha de ser, foi para isso que nascemos, era nosso destino e não podíamos fugir dele mesmo que quiséssemos. E agora, sei que tudo aconteceu como devia acontecer, não devia ser diferente do que foi.

— Você é louco, sabe quantas pessoas morreram? Sua família foi assassinada!

— Eu conheci minha irmã e meu filho, eles jamais se tornariam o que são se tivessem crescido sob a proteção da fortaleza vermelha. As lágrimas deles, assim como as minhas, os tornaram fortes, leais, corajosos e principalmente dispostos a se sacrificar, por aquilo que acreditam. Minha irmã, jamais teria trazido os dragões de volta, meu filho nunca teria conhecido a verdade com seus olhos. A canção foi dedilhada por mim, escrita com o sangue de Lyanna, mas pertence a eles, sempre pertenceu.

— Eu não acredito que depois de tudo, ainda acredite nessas profecias e insanidades. Eu estava errado, talvez a moeda da loucura que os deuses jogam para cima quando nasce um Targaryen, só tenha um lado. — fala o amigo com pesar — Não permitirei que Aegon, siga o mesmo caminho que você — Diz fazendo o platinado voltar o olhar a ele com estranheza.

— Eu não falava de Aegon, ele está morto, não está? — Questiona o príncipe dragão.

— Se não falava de Aegon, falava de quem?

— Jaeharys, meu filho com Lyanna. Ele vive e o chamam de rei do Norte, Jon Snow. — fala com certo orgulho — Se acreditava que eu falava sobre Aegon, é porque ele vive, não é?

Connington o encarou com estranheza, conheceu o Snow mais cedo e seus olhos eram inegavelmente os mesmos de Lyanna, no entanto tudo que sabia era que ela fora encontrada numa cama de sangue e morreu nos braços do irmão Ned, que levou seu corpo de volta a Winterfell.

— Responda-me? Aegon, vive?

— Sim, ele vive. Eu o criei como meu, ele está a caminho de Porto Real, ao lado da Companhia Dourada, quer tomar o trono de ferro.

— Disseram-me que ele foi arrancado do seio de Elia e morto na frente dela.

— Varys soube do plano de Twyn sobre matar os herdeiros e junto com Elia, trocaram a criança.

— E Rhaenys?

— Aegon era um bebê, Rhaenys seria reconhecida.

— Seja lá quem criou, não foi Aegon. Elia de Dorne, jamais permitiria que seus filhos fossem assassinados se tivesse tido tempo de agir.

— Ela estava sozinha e desesperada, fez o que podia pelo menos para salvar um de seus filhos.

— Acredite, ela não permitiria. Se não houvesse saída ela os mataria antes que alguém pudesse dar uma morte cruel como a que eles tiveram, ela não sabia. Varys não salvou meus filhos, provavelmente os entregou a Twyin para provar sua lealdade ao novo rei, é um tolo se pensou outra coisa. Agora prove-me a sua lealdade vá atrás do maldito, traga-me a cabeça dele, Varys já viveu por mais tempo que deveria, Sor Connington.

(...)

Illyrio saiu da cabine do capitão do navio irritado e tomou o rumo dos aposentos de Aegon. Sem cerimônia, adentrou a porta e contemplou Lydia e Aegon em frente a uma baixela com fogo que se apagou sozinha assim que a mulher percebeu a sua presença.

— Precisamos conversar, meu jovem — fala em tom altivo e vê o loiro se levantar e beijar a testa da sacerdotisa antes de o acompanhar.

Illyrio, o questionou sobre a mudança de rota, que agora não visava mais a capital e sim ponta tempestade e o jovem o revelou que Lydia disse que ele devia conquistar as terras do usurpador, antes de tentar tomar o Trono de ferro, que esta era a vontade do Senhor da Luz.

— Tomar Ponta Tempestade, só avisará de nossas intenções, a Cersei e também a Daenerys é isto que quer?

— Sim, é exatamente o que quero. Cersei sentou-se ao lado do usurpador por anos, foi o pai dela que ordenou a minha morte, não quero nem por um instante que ela pense que estou a seus serviços. E quanto a Daenerys, ela tem um exército de dotrhakis, outro de imaculados e três dragões, se ainda não atacou Porto Real e tomou o trono, deve haver um motivo não acha? Além do mais é em ponta tempestade que o Senhor da luz, me quer.

Illyrio bufou de raiva e deferiu um olhar mortal a ele, conhecia Aegon muito bem para acreditar que ele mudaria de idéia. O jovem estava obcecado por tudo que é saia da boca da sacerdotisa vermelha, eles seguiriam para as terras da tempestade, e quando tomassem o castelo, tanto Cersei, quanto Daenerys saberiam sobre a chegada deles a Westeros. Era uma manobra perigosa, um risco o qual não necessitavam correr. Mesmo assim, não foi capaz de conter a investida do jovem e ao alcançarem ponta tempestade, um massacre se iniciou nos arredores do castelo.

Sob o comando de Aegon, a companhia dourada avançou sobre a fortaleza, antes sede da Casa Baratheon, os Senhores Supremos das Terras da Tempestade.

O castelo localizado no Ponto de Durran, ao norte da baía dos Naufrágios, um dos mais fortes dos Sete Reinos, dizia-se protegido por feitiços tecidos em suas próprias paredes que impedem a magia de atravessar suas paredes.
Sua grande muralha exterior com trinta metros contínuos de altura, sem seteiras ou poternas, com as pedras ajustadas com tanta destreza que não havia em parte alguma uma fenda, um ângulo ou uma falha por onde o vento pudesse entrar, não foi páreo para a fúria dos mercenários que arrebentaram-lhe o portão principal com uma explosão de fogo vivo, que tornou-se a obsessão do comandante da companhia, depois das notícias sobre a destruição no Septo de Baelor.

Adentraram o castelo manchando-o de sangue, não haveria misericórdia a qualquer um que empunhava o brasão Lannister ou Baratheon. Nem mesmo mulheres ou crianças, seriam poupadas, todos pagariam pela traição de seus senhores, segundo o comandante da Companhia Dourada, mas Aegon interviu oferecendo benevolência aqueles que se curvassem diante dele e o aceitassem como seu rei, assim como Aegon I, fez durante a conquista.

A noite, um banquete foi servido em meio ao cheiro de sangue. No salão principal, ornamentado com madeira de alto padrão e diversas cabeças empalhadas de veado, que foram arrancadas e reunidas para servirem de combustível as lareiras, Aegon sorria imponente enquanto bebia vinho ao lado de Lydia.

A sacerdotisa, estava certa mais uma vez, ela o viu matar um veado e tomar suas crias, ela o viu derrubar os muros impenetráveis de Ponta Tempestade e ela o viu sentar no Trono de ferro, este era seu destino.

Quando o festejo acabou, Aegon se instalou no quarto que um dia pertenceu a Robert, e depois a seu irmão mais novo Renly. Ele admirou os objetos e pinturas que denunciavam o gosto refinado de seu último ocupante.

— Queria estar aqui, durante a guerra dos Cinco reis. Queria poder ter matado Stannis, Renly, vingado minha família.

— Não era hora, provavelmente acabaria morto como eles. Havia outra sacerdotisa ela acreditava que Stannis era o príncipe que foi prometido, estava enganada, não via o que senhor da luz lhe dizia, e sim o que queria ver. E agora ela acredita que outro que não você é Azor ahai. Ela é poderosa, muito mais experiente que eu.

— Então, talvez ela esteja certa e não você?

— Por acaso eu errei em algo que vi nas chamas? Melisandre vê o que quer ver, mas ela é poderosa, ela sabe que estamos aqui e vai tentar nos impedir. A menos que o façamos antes, deve matar o impostor que ela trouxe da morte.

— Como sabe dessas coisa?

— Eu vi no fogo.

— E como faremos para impedí-los?

— Nós já fizemos, meu príncipe. — fala pegando a mão do rapaz e a pousando sobre seu ventre.

— Está gravida? — Questiona com um leve sorriso

— Não, da maneira que está pensando. Terá seus herdeiros e um dia, eles sentaram no trono de ferro, graças a sombra que concebi. Mas agora apenas descanse, outras batalhas virão.

No dia seguinte, as notícias sobre a tomada da companhia dourada já alcançaram a fortaleza vermelha em Kingsland. Cersei cerrou os olhos por instantes e sentiu-se encurralada. Voltou ao olhar para o piromante que agora era seu conselheiro e depois a montanha, que lhe servia com a mesma lealdade de um cão de guarda.

— Quero Euron aqui, antes do pôr do sol de amanhã. Envie corvos a pedra do dragão e outro a Ponta tempestade, quero saber o que está acontecendo, a companhia dourada tem um contrato comigo e com o banco de ferro.

— Já sei o que se passa, minha rainha. As informações são de que Aegon, está vivo e que a compahia dourada o representa.

— Não diga bobagem, cansei de ouvir Robert contar que as crianças de Rhaegar foram colocadas aos seus pés, mortas e envoltas em mantos Lannisters.

— E eu também, minha rainha. Mas ouvi dizer que o bebê Aegon estava tão ferido que mal pode ser reconhecido — fala o piromante e Cersei se aproxima do guarda postado a sua porta.

— Você matou aquele menino, não foi? Esmagou a cabeca dele contra a parede e depois estuprou a sua mãe enquanto ela tentava alcançar o filho morto, não foi assim, Sor Clegane? — questiona ao encarar os olhos leitosos por baixo do elmo.

— Ele vive, mas não é mais o que era, magestade e mesmo que lembrasse, o que eu duvido muito, não poderia responder às suas perguntas — relata o piromante.

— Não importa, talvez seja nosso maior trunfo. Sendo ou não quem diz ser, se Daenerys acreditar que ele ele é tão perigoso quanto ele acha que é, ganharemos tempo. Envie um corvo a mãe dos dragões e conte a ela que seu sobrinho está ao lado da companhia dourada, sob contrato da coroa. Diga que enquanto ela não libertar Jaime, o povo que ela diz querer liderar e libertar, sofrerá e eu queimarei cada maldito camponês até que ela o liberte. Que diferente do pai dela, eu não tenho mais nada a perder e não hesitarei por um só instante em a fazer rainha de um monte de cinzas.

(...)

Rhaegar viu a Connington se retirar apreensivo com suas palavras. Nenhuma palavra que saiu da boca do amigo lhe pareceu verdadeira, Aegon estava morto e mesmo que seu coração de pai quisesse crer nas palavras de Jon, de alguma forma ele sabia que não eram verdades. Seu filho estava morto, assim como Elia e sua amada princesinha Rhaenys.

Desceu as escadas, e como um fantasma pálido, se pôs a perambular pelo seu antigo lar. Algumas memórias estavam vividas em sua mente, outras pareciam-lhe borrões desconexos e sem sentido. Caminhou até a sala de reuniões que ainda impunha um trono de pedra, no qual conheceu sua irmã mais cedo. Aproximou -se e sentou -se. Correu olhar pelo enorme salão, que outrora testemunhou a apresentação de seus dois filhos aos vassalos de Pedra do Dragão. Prometeu a Lyanna que Jaehaerys também teria a mesma honra. Deveria ele contar a Jon sobre sua origem? Seria cedo demais? Ou demasiadamente tarde para um homem que cresceu como um bastardo de Winterfell, saber que na verdade tem sangue de reis correndo em suas veias?

Tyrion avistou Rhaegar sentado ao trono de sua rainha pensativo, desde que viu Daenerys queimar os Tarly vivos em sua frente, a temia. Mas temia mais ainda o misterioso príncipe, ressurgido dos mortos. Ele era apenas um menininho quando a Rebelião de Robert, caçou e matou os Targaryens, Jaime tornou-se um regicida e seu pai um assassino de crianças, e por mais que nao estivesse envolvido, ainda era um Lannister. Respirou fundo e tomou um lugar jo corredor que levava ao trono.

— Príncipe Rhaegar — chamou a atenção do platinado que parecia perdido em seus pensamentos. — Sou Tyrion Lannister, mão da rainha Daenerys — apresentou-se com altivez.

— Eu sei quem é anão — responde Rhaegar voltando os olhos púrpura ao pequenino.

— Como mão da rainha sinto no dever de informar, que Daenerys é herdeira por direito. Quando morreu ou pesaram ter morrido, vosso pai lhe retirou da sucessão.

— E mesmo assim o seu pai, mandou matar os meus filhos — disse Rhaegar se levantando e caminhando a passos lentos na direção de Tyrion.

— Meu pai aconselhou Robert, a decisão não foi dele. Seria o conselho de qualquer mão.

— Será seu conselho a Daenerys quando ela se tornar rainha?

— Os herdeiros de Robert, já estão mortos. — Retruca o anão.

— Mas não os de Tywin, seu pai governou por anos, diziam que ele era mais rei do que Aerys, ele também fez o mesmo por Robert?

— Meu pai está morto, eu o matei. — fala o anão e o príncipe sorri de forma irônica.

— Eu fui tolo em confiar num Lannister, não permitirei que minha irmã também seja.

— Eu tenho servido muito bem a Daenerys, sou um servo leal, acredito nela e nos desejos dela para este reino. Ela será uma grande rainha, a melhor que os sete reinos já testemunharam, e estarei ao lado dela, quer queira, quer não.

— Veremos, até onde vai sua lealdade, Lannister.

Jon Connington adentrou o salão ja companhia de Varys, e o dragão sorriu levemente.

— Requisitou minha presença, meu príncipe.

— Não, requisitei sua cabeça — responde o platinado estendendo a mão a Jon, pedindo sua espada, enquanto Tyrion arregala os olhos na direção de Varys temeroso — Deixou meu filhos morrerem. Traiu o seu rei.

— Não, principe Rhaegar. Fui eu quem aconselhei o seu pai a não abrir os portões da cidade para o exército Lannister, eu fiz o que estava ao meu alcance para manter sua família a salvo. Mesmo assim, não foi a mim que pediu que protegesse sua família, não é? — fala o eunuco com uma calmaria na voz assustadora — Jaime Lannister, ele matou seu pai, faltou com seu juramento e com a promessa que fez a você, quando deixou porto Real.

— Jaime era pouco mais que um menino — retruca Tyrion em defesa do irmão.

— Ele está aqui, é um prisioneiro de guerra da rainha Daenerys — relata Varys — Ele atacou Jardim de Cima, também destruiu os Martell.

— Cale a boca! — Protesta o anão.

— Leve-me até ele — fala Rhaegar tomando a espada de Connington.

Jon passou o resto do dia a coordenar a extração do vidro e na sua estocagem no navio. O príncipe Targaryen ainda era uma incógnita para ele, na verdade, tudo aquilo, parecia mais com as lendas contadas pela velha ama, antes de dormir do que algo que acontecia diante de seus olhos. Uma parte sua, queria crer que aquele homem era realmente a resposta para manter a defesa do mundo dos vivos, e a força descomunal que demonstrou essa tarde, os olhos flamejantes como fogo, pareciam realmente haver algo mágico dentro dele. Algo que ele também sentiu ao encarar o rei da noite e isto, era o que ele temia.

A velha ama contou uma vez, que os outros eram guiados por um rei, um ser, que um dia foi humano, que um dia foi um Stark. Cansou de ouví-la dizer que os Starks carregavam sangue de lobo e gelo dentro de suas carnes.

“Quando o inverno chegar...
Não se ouvirá o rugido dos leões...
Não haverá veados pastando no campo...
Não haverá rosa crescendo nos prados ...
E nem serpentes nas areias ...
As lulas congelarão nas profundidades...
Os homens esfolados apodrecerão ...
Não haverá trutas nas terras fluviais...
O voo da águia cessará ...
Nem o vapor da narina do dragão aquecerá os salões…
Somente os lobos uivarão na noite fria...
O inverno está chegando..." — ressou as palavras da velha em sua mente.

Voltou-se a cama pensativo, e se ama falasse sobre o rei da noite? E se não houvesse como conter o inverno? Tirou gibão de couro negro e depois a camisa. Em frente ao espelho contemplou a cicatriz no peito, vestiu-se rapidamente ao ouvir o ranger da porta. Davos adentrou sem cerimônias com um bilhete em mãos vindo de Winterfell. O moreno abriu com cuidado e notou a caligrafia de sua irmã, Arya. Sorriu ao ler a primeira frase porém seu sorriso esmoreceu ao fim do pequeno bilhete.

A muralha o chamava outra vez.

— Alguma coisa vai acontecer ou está acontecendo na Muralha. Precisamos rumar ao norte o mais rápido possível — Diz ele a Davos — Mande preparar os homens, partiremos ao amanhecer, preciso falar com a rainha — fala vestindo o gibão outra vez.

Jon caminhou a passos largos até os aposentos de Daenerys, quando Tyrion cortou seu caminho apressado.

— Onde está Daenerys? — Questiona o anão.

— Também estou a procura dela, algum problema?

— Rhaegar, ele quer matar o meu irmão.

Os dois caminharam apressados na companhia de sor Davos até a prisão situada na parte subterrânea do castelo. O lugar mal iluminado, exalava um cheiro de mofo e fezes de rato. Jon avistou Rhaegar com a espada em punho levantada sobre o pescoço do Lannister.

— Faça! — Gritou Jaime intempestivo.

Rhaegar bradou a espada e Tyrion congelou-se no mesmo lugar, o Snow, pulou para cima do platinado porém não fora rápido o bastante para evitar que a lâmina alcançasse o pescoço de Jaime. O sangue jorrou pela pedra coberta de musgo, ao mesmo instante que Jon derrubou o príncipe ao chão.

Tyrion sentiu uma lufada de sangue quente tocar seu rosto e encarou o irmão de joelhos levando a mão ao pescoço a fim de estancar o sangue que jorrava incontrolavelmente.

O snow armou um soco contra Rhaegar e este por sua vez empurrou o jovem, com tamanha força que o fez chocar-se contra a parede de pedra, seus olhos eram vermelhos, ardentes como chamas de dragão. O bastardo se contorceu de dor, e viu o dragão tomar a espada outra vez, caminhou até o Lannister que esvaia-se em sangue e destilou um golpe contra as suas costas atravessando a lâmina até o peito. Tyrion permaneceu estático, enquanto Davos foi na direção do príncipe ao lado de dois guardas e este, imediatamente recuou um passo rendendo-se a eles.

O anão encarou o platinado e depois o corpo do irmão que parecia dar seus últimos suspiros.

— Jaime — suspirou em dor.

— Até onde vai a sua lealdade, Lannister? — Fala Rhaegar quando seus olhos tomaram a cor violeta outra vez. O Snow mais uma vez avançou sobre ele, desta vez acertando-lhe com um empurrão tão forte que o fez perder o equilíbrio e cair de costas contra o chão, desferiu um soco com a esquerda e outro com a direita, e repetiu a sequência diversas vezes até ser arrancado de cima do príncipe por Davos e outros dois dothrakis.

Notas finais
E ai pessoas, parece que a magia dos filhos da florestas deixa todo mundo meio revoltado...