A Primavera dos Lobos

7 O conto do dragão de três cabeças


Notas iniciais
Eu sei...vocês querem me apedrejar e me esquartejarem igual fizeram com o Tiradentes...e vai por mim, não vou tentar me defender porque eu mereço! Eu peço zilhões de desculpas pela demora em postar o capítulo, eu estava totalmente absorta nos meus projetos de faculdade e não mexi em nenhuma fic minha nesse meio tempo. A boa notícia é que a temporada de caça do meu curso finalmente e agora posso desfrutar de uma boa e merecidas férias! Capítulo mostrando o presente...o que será que ele nos reserva? Boa Leitura!

O grupo se entreolha temeroso e um silêncio reina até ser cortado por Tyrion que afirma a morte do príncipe Rhaegar pelas mãos de Robert Baratheon, ali mesmo no Tridente, tendo seu corpo encontrado dias depois e queimado numa pira como a tradição Targaryen exigia.

-Boatos, o corpo de Rhaegar nunca foi reconhecido oficialmente, diferente do próprio Rei e daquelas pobres crianças, não teve o cadáver exposto. Sempre achei que Baratheon ocultou o corpo do príncipe temendo uma revolta, aqueles soldados não lutaram ao lado dele porque defendiam a coroa do Rei Louco ou mesmo o amor insano que Rhaegar nutria por Lyanna Stark, lutaram porque o amavam porque acreditavam nele e o povo também. — Diz Davos mirando firme, os olhos de Jon Snow.

—Amor? Se me lembro bem este homem sequestrou e estuprou minha tia Lyanna, por conta disso meu avô e tio foram mortos e outras milhares de pessoas na guerra que ele causou. Se ele é quem diz ser, definitivamente não merece viver. — Diz o bastardo desembainhando a espada.

—Espere Jon Snow, me disse que seu irmão não te mandaria aqui sem um motivo, agora vai preferir vingar o sangue da sua família a descobrir no que ele pode ajudar? — Fala Sor Jorah se postando a frente dele, fazendo um nó se formar na garganta do moreno, que recoloca a espada em seu lugar.

—Espero que Bran saiba o que está fazendo. — Diz Jon caminhando na direção do homem misterioso.

O grupo se aproximou de forma cautelosa e em seguida se puseram a desprender as raízes do corpo pálido, algumas delas adentraram a pele fundindo-se a sua carne, uma a uma são arrancadas e quando enfim terminam seus trabalhos, o homem, que agora acreditavam ser o príncipe Rhaegar Targaryen, finalmente livre, permanecia desacordado e com uma respiração quase que imperceptível. Davos cobre o platinado com sua capa e com a ajuda de Jorah, retiram o príncipe da caverna.

Decidem acampar por ali mesmo e, enquanto Davos despende tempo a dar cuidados médicos ao príncipe, Jorah e Tyrion tocam algumas palavras a beira da fogueira enquanto se alimentam com pães e carne seca.

Jon Snow permanece mergulhado em pensamentos, embora tenha ouvido por diversas vezes a história da grande revolução de Robert e de como seu pai, Ned Stark venceu os mantos dourados, incluindo o maior espadachim de Westeros, Sor Barristan SeImy, na tentativa de resgatar a sua amada irmã na torre da alegria.

Pouco ele ouviu da boca de Ned sobre as batalhas e Lyanna. A velha ama costumava dizer que era um assunto difícil para Ned, pois ele nunca se perdoou por não ter conseguido trazer a jovem com vida para casa, mas de alguma forma, a guerra afastou os amigos Robert e Ned. O rei que recebeu todo o apoio dos lordes do norte e que supostamente amava tão intensamente a jovem Lyanna, demorou quase duas décadas para visitar os nortenhos e o túmulo de sua amada.

(...)

O retorno a pedra do dragão acontece de forma tranquila, o príncipe permanece num sono profundo e Jon, começa a pensar que talvez a viagem tenha sido uma total perca de tempo, devia estar coordenando a extração do vidro de dragão, que até agora era tudo que ele sabia ser eficaz contra o exercito de mortos e tentando convencer Daenerys a levar seus exércitos e dragões para o Norte e quem sabe assim, conseguir proteger seu povo e todo o reino de Westeros.

Ao adentrarem o palácio, a Rainha já estava em espera, ela parecia ainda mais bela em um vestido de tom azul e uma capa cinza de um veludo grosso e brilhante.

Incapaz de controlar um leve sorriso, a Targaryen não consegue esconder a alegria com o retorno dos viajantes, principalmente ao encarar os olhos de Jon. O nortenho era uma incógnita para ela, ao mesmo tempo em que parecia exalar segurança, força e ímpeto de um verdadeiro Rei, possuía o olhar mais temeroso e melancólico de uma criança assustada.

— Vejo que voltaram em segurança, encontrou o que procurava Jon Snow? — Questiona a Rainha com altivez e o moreno troca um olhar inquieto com o anão, disposto ao seu lado.

-Ainda não tenho certeza se é o que eu estava procurando, Rainha. Na verdade, diz mais respeito a você do que aos meus propósitos. — Ele diz, Daenerys esboça um sorriso desentendido e o nortenho faz um sinal para os guardas postados a porta do salão.

O que a abrem, dois Dhotrakis se aproximam trazendo um homem sobre uma maca de madeira, coberto por grossos cobertores, até o encontro da Rainha. Daenerys mira incrédula e em seguida toca levemente o rosto do homem levando os dedos finos até seus cabelos prateados e demasiadamente sujos.

—Quem é ele? — Questiona Daenerys já com a certeza de que se tratava de um Targaryen.

—Davos acredita que seja Rhaegar, seu irmão. — Diz o Rei do Norte.

—Rhaegar está morto. — Afirma ela.

—Tudo que encontraram dele, foram os rubis de sua armadura minha senhora. — Fala Davos. -Eu vi o príncipe poucas vezes e há muitos anos, mas levando em consideração onde o encontramos, quem mais ele poderia ser?

-Zhat, mande chamar Varys, ele conheceu meu irmão. — Diz a Rainha se afastando até as sacadas consternadas.

Jon dá alguns minutos à Rainha antes de caminhar até seu encontro e se postar ao lado dela.

—Quero que saiba que eu não tinha ideia do que encontraria no Tridente, na verdade, eu nem queria trazê-lo, mas preciso entender que importância ele tem para esta guerra, jamais traria uma ameaça ao seu reinado, Daenerys.

—Disse o homem que não quer se ajoelhar... – Riu irônica. — Acha que estou me sentindo ameaçada por aquele homem praticamente morto? Eu tenho exércitos e três dragões. — Diz a rainha orgulhosa.

—Se ele for quem achamos que é não será mais a herdeira legitima do trono de ferro. – Jon a fitou.

—Durante anos Vicerys e eu pensamos ser os últimos Targaryen. Meu irmão era detestável, ele me vendeu aos Dhotraki como uma égua, mas quando ele morreu, eu fiquei sozinha, tem ideia do que é não ter nenhuma família? – A Rainha suspirou pesadamente.

—Sim, eu tenho. Sou um Snow e por mais que tenha crescido com meu pai e irmãos, nunca fui um Stark. Sempre serei um bastardo da neve. — Fala Jon com o olhar perdido no horizonte.

A Targaryen coloca a mão sobre a dele e o Rei se volta a ela, durante segundos seus olhares conversam profundamente.

—Obrigada por tê-lo trago, Rei do Norte. — Diz a Rainha com um suspiro e em seguida toma o caminho de volta ao grande salão do trono.

(...)

Depois de Varys analisar cada centímetro do corpo do homem, não restavam dúvidas de que se tratava de Rhaegar Targaryen.

No passado o eunuco acreditou que o príncipe traria paz e prosperidade aos Sete Reinos, mas tudo mudou quando o jovem pareceu mergulhar cada vez mais naquele mundo de profecias e misticismos, o qual Varys tinha verdadeiro asco. Como um rei, preocupado com magia e atormentado por visões de um futuro recheado com príncipes prometidos, dragões e fantasmas poderia reinar com sabedoria? Assim como os meistres, passou a acreditar que Rhaegar seria outro a chafurdar o reino na lama como seu pai vinha fazendo, precisou ser contido e os Targaryen destituídos de uma vez por todas do trono de Westeros.

No entanto, agora, Jon Snow vinha ao encontro de sua Rainha falando sobre as mesmas coisas que o príncipe já o alertara há anos atrás, todo o esforço e sangue derramado pareciam ter sido em vão. O mundo, mais uma vez, parecia mergulhar no caos de forças sobre humanas e feitiçaria, armas tão poderosas que fariam os Dragões de Daenerys parecerem meras distrações da natureza.

Depois de banhado, tratado e devidamente instalado num dos aposentos do castelo, o príncipe permanecia em seu sono profundo, que nem mesmo ervas e fortes unguentos puderam desperta-lo, acharam que talvez seu corpo precisasse descansar por alguns dias. E conforme os dias foram passando a extração do vidro já estava quase por completa e depois da serendipidade encontrada no Tridente, a Rainha já não era mais descrente das palavras do bastardo, que dedicou-se as contar-lhe em detalhes tudo que viu além da muralha.

No palácio, porém, Tyrion seguia preocupado com o novo hóspede que, embora tenha quebrado um pouco de seu ceticismo, a presença dele e o modo como foi encontrado, não trazia somente mitos e profecias a tona e sim anseios muito mais terrenos e palpáveis ao anão.

Rhaegar se proclamaria o herdeiro do trono? O que ele faria ao saber que os Lannisters foram os principais responsáveis pela queda da dinastia Targaryen e o extermínio de sua família? Se a situação de Jaime já era complicada nas mãos de Daenerys, como seria quando Rhaegar acordasse? Atormentado em pensamentos o anão, busca os conselhos de Varys, que também não acredita que o retorno do príncipe traria algo auspicioso a Daenerys ou a Westeros. Depois de muito discutir e criar teorias, Tyrion e Varys acreditam ter entrado em um consenso, pelo bem de sua Rainha Rhaegar Targaryen jamais deveria despertar.

(...)

Os raios do dia atravessavam as janelas de madeira trançada, seu corpo doía a cada pequeno movimento. O homem de longos cabelos prateados abre os olhos e encara o teto de pedra e concreto, recoberto com madeira entalhada em forma de chamas. Ele senta-se na cama e correu os olhos púrpuros pelos aposentos.

Estava em casa.

Rhaegar se levanta da cama coberto por uma túnica vermelha e de pés descalços caminha até um espelho imponente cuja a moldura, é adornada por entalhes da grande conquista de Aegon I. Observa seu reflexo e curioso leva uma das mãos ao rosto, há quanto tempo não via a própria imagem? Quanto tempo havia se passado desde que Robert acertou-lhe o peito com uma machadada tão forte que foi capaz de dilacerar sua armadura, de quebrar seu peito e fazê-lo cair de joelhos diante do traidor.

Ele solta o ar dos pulmões, confuso. Seu corpo estava demasiadamente magro e seu rosto ganhara marcas do tempo, a última coisa que lembrava da vida de antes, era de estar caído a beira do rio Tridente.

Lyanna.

Foi a última coisa que seus lábios conseguiram pronunciar, antes que seus olhos se entregassem a escuridão. Depois disto, ele despertou nu, sangrando, com vinhas enredando — lhe, com força as raízes do represeiro na escuridão infinita da caverna. Ele gritou por dias a fio, até que da sua garganta, não se ouvia mais que uma rouquidão tenebrosa. E ele adormeceu e em seus sonhos podia ver e sentir a dor das arvores coração e tudo que as rodeava.

O príncipe passa algum tempo na frente do espelho, tentando assimilar sua aparência, entender os pesadelos que tivera durante o sono, que agora, ele compreendia ter durado por anos. Um ranger na porta chama a sua atenção, e diante dele uma figura assustada, diferente, porém, reconhecida, depois de um breve hesitar adentra ao cômodo de cabeça baixa.

-Varys? — Diz Rhaegar como um sussurro.

—Meu senhor. — Responde o servo, que percebeu estar atrasado par cumprir a sua missão.

—Quanto tempo se passou? — Fala Rhaegar voltando a encarar o espelho.

—Mais de vinte anos meu senhor.

—Mais de vinte anos? E o Rei, ele vive?

—Não meu senhor. O rei Aerys pereceu diante a guerra, o mesmo pensamos que havia acontecido com vossa majestade. A coroa perdeu a guerra meu príncipe, os revoltosos tomaram o poder com ajuda… Com o auxílio da casa Lannister, eu tentei avisar seu pai sobre o perigo de abrir os portões de Porto Real para eles, mas infelizmente ele preferiu os conselhos do Meistre Pycelle. – Varys pigarreou

-O que houve com Lyanna? Elia e meus filhos? Onde eles estão?

—Mortos, Ellia e seus filhos foram executados, quando Robert tomou o poder aconselhado por Tywin Lannister.

—Não… — Murmura o príncipe se dando conta de que seus pesadelos eram reais.

—Eu sinto muito, seus filhos foram esfaqueados, Elia foi estuprada e morta. Robert também ordenou a morte de sua mãe Rhaella e de seus irmãos Viserys e Daenerys.

Rhaegar volta o olhar para Varys que sente um arrepio percorrer a coluna. Seja lá o que tivesse acontecido ao príncipe naquela caverna, não o manteve apenas vivo, mesmo ostentando as mesmas feições, Rhaegar não lembrava em nada o tocador de harpa, gentil e bondoso que outrora conheceu. Havia algo maligno nele. O eunuco retoma as palavras e continua, enquanto o príncipe caminha lentamente, dando voltas em seu entorno com um semblante enigmático.

—Por sorte, Sor Willen Darry, conseguiu retirar as crianças de Westeros, a Rainha, faleceu durante o parto de sua irmã Daenerys. Ela está aqui, veio reivindicar o trono que é dela, por direito. — Diz Varys com certa hesitação, esperando algum protesto do príncipe.

—E meu filho? Onde esta meu filho?

—Como disse antes, Aegon morreu meu senhor. – Varys o olhou confuso.

—Estou perguntando do bebê que Lyanna esperava.

Varys arregala os olhos sem entender, mas em instantes ele se lembra do bastardo que Ned trouxe para casa depois da guerra.

—Jon Snow… — Ele sussurra engolindo a seco. — Não sei dizer meu senhor. Tudo que sei sobre Lyanna Stark é que ela morreu naquela torre.

Rhaegar leva uma das mãos a cabeça, empurrando os cabelos para trás visivelmente consternado.

-Então, todos nós estamos mortos, junto com a criança que ela esperava. Quero conhecer minha irmã. Vá. — Ele diz voltando- se a uma das janelas e abrindo a grade de madeira.

—O senhor não me perguntou quem governa os Sete Reinos agora. — Diz Varys sem entender.

—Já não importa mais. O inverno já chegou. — Fala enquanto vê a fina neve, tornar branco o terreno cinzento de Pedra do Dragão.

Notas finais
Eita...o negócio agora ficou sério...apostas do que esteja por vim?