A Primavera dos Lobos
6 O cavaleiro da árvore que ri
Notas iniciais

O cavaleiro da árvore que ri.
Lyanna não conseguia controlar a alegria e orgulho que emanava de seu peito ao ter requisitado aos cavaleiros vencidos, que punissem seus escudeiros. Tudo que queria naquele momento era tirar o elmo e mostrar a todos que bravura, não era privilégio dos homens do norte. Tomar todas aquelas honras e aplausos para si, no entanto a jovem sabia o transtorno que tal ato certamente causaria. E apenas deixou a arena o mais rápido que pôde, em direção a campina e a grande árvore oca, onde tratou de esconder suas vestimentas horas mais cedo. De qualquer forma, provaste a ela mesma de sua capacidade, e mesmo que outros jamais soubessem de seu feito no torneio de Harrenhal, ela levaria aquele orgulho com ela, até o fim de seus dias.
Ned por sua vez, se indagava com o sumiço da irmã e os movimentos do cavaleiro sobre o alazão, lhe deixaram inquieto sobre o que Lyanna poderia estar aprontando. Ele caminha por entre a ruela dedicada ao comércio a procura da garota, que segundo a serva, disse ter ido comprar uma pulseira de bronze da terra do sol nascente. Diferente de seu irmão, Ned nunca viu como algo ruim, a paixão da irmãzinha por cavalos e espadas, impróprio para uma menina talvez, mas nada que justificasse todos os transtornos e discussões causados pelo gosto peculiar da Stark. Na verdade, ele sempre admirou a pequena e mesmo tendo passado anos como hóspede dos Arryn, quando estava em casa, dedicava — se a acompanhar a irmã, e garantir que ela pudesse mesmo que pouco, divertir-se fazendo o que gostava. E nessas vezes, a persistência da garota o encantava, mesmo quando Brandon abusava da força, a fim de afugentar a menina das brincadeiras ou treinamentos destinado aos garotos, ela retornava a tentar. Audaciosa, a loba nunca se curvou aos desafios, e apesar da cabeça dura, ela conservava o ar delicado e doce de uma Lady. Fazia belos bordados, cozinhava e simplesmente amava estar na companhia de crianças pequenas. Quando se tornou moça, dizia que tornaria — se mãe de um menino e ninguém a recriminaria por brincar com seu rebento, com uma espada de treino. Se o pai permitisse, provavelmente ela andaria com uma amarrada a cintura, tamanho era a sua fascinação por tais lâminas.
— Ainda está furioso? — Diz Brandon se aproximando do irmão — Tirando — o dos nostálgicos pensamentos de infância.
— E eu não deveria estar Brandon? Você sabia que eu tinha sentimentos por ela, mesmo assim você...
— Eu não a forcei a nada, ela quis... E gostou… — Diz em tom impregnado de malícia.
— Se suspeitasse que a forçou, eu mesmo te mataria. De qualquer forma, não precisa espalhar isso para a toda a Harrenhal, já que não tem consideração pelo seu irmão, tenha pela moça que ficará com a reputação marcada, por sua causa. — Diz irritado, empurrando o irmão e seguindo seu caminho.
Depois de vasculhar cada canto de Harrenhal, o príncipe recebe a informação de que o cavaleiro havia sido visto cavalgando em direção às planícies e ele decide averiguar. Rhaegar galopa por cerca de meia hora, quando de longe avista uma silhueta sob uma frondosa árvore. Um cavaleiro ao lado de seu cavalo sem celas, parece prestes a tirar o elmo e quando este se dá conta da presença de Rhaegar e congela como se tivesse preso no tempo.
Antes que o príncipe possa se aproximar, Lyanna monta o animal, soltando suas rédeas, apertando com força as costelas do cavalo entre as suas pernas, fazendo com que este dispare em alta velocidade em direção a campina. Rhaegar revira os olhos, e esporeia o imenso alazão negro, saindo em disparada ao encalço do cavaleiro.
Antes que ele desapareça entre as árvores, o príncipe retira o arco das costas e depois uma flecha da aljava, já com seu cavalo parado, ele analisa o percurso do fugitivo. Ele se posiciona e dispara a primeira flecha, que funde com a parte de trás da armadura de Lyanna e por pouco não a perfura, fazendo com que a garota sinta a dor da força de seu impacto. A loba mira para trás e puxa as rédeas fazendo o animal forçar — se a uma curva fechada, na esperança de se desvencilhar da mira certeira do Targaryen. Mas antes que possa fazer qualquer outra manobra, uma flecha atravessa o pescoço do cavalo que relincha de dor, levantando as patas frontais e lançando a moça ao chão.
Lyanna sente suas costas baterem contra a grama da campina e uma dor imensurável na sua coluna. Seus olhos estão confusos e a boca é preenchida com o gosto de sangue, mesmo assim ela se esforça, levantando — se do chão e caminhando cambaleante até o animal agonizante. O Cavalo sangra devido ao ferimento feito pela flecha, mas é sua pata quebrada pela queda que faz Lyanna soltar um suspiro triste. Enquanto ouve o galopar do príncipe, ela retira uma adaga da cintura e tenta mapear o coração do animal, golpeando — o logo em seguida, a fim de não prolongar o sofrimento dele.
O príncipe desce cauteloso de seu cavalo e impõe sua espada, vendo a arma na mão do pequeno cavaleiro.
— Rende — se em nome do rei. — Diz em tom de ordem. Lyanna porém não consegue ouvi-lo, o zumbido em seu ouvido e a comoção ao ver o animal morto a impedem de qualquer reação.
— Entregue — se cavaleiro, o rei requisitou tua presença e te levarei até ele, vivo ou morto. — Retire esse elmo e mostre seu rosto. — Ordena Rhaegar
— Eu não cometi crime algum, desafiei aqueles cavaleiros e os venci justamente, não tem motivos para que eu seja levado sob custódia — Diz Lyanna tentando impor a voz, ao se levantar.
— Retire o elmo. — Insiste Rhaegar, apontando sua espada para a jovem, que sem escolha desprende o capacete de sua cabeça, deixando que os longos cabelos desgrenhados, cairem sobre os seus ombros e seu rosto, um pouco sujo de sangue seja revelado.
Rhaegar contempla a morena com espanto e fascínio, desde que a conheceu algo nela o enfeitiçara. Já era estranho que um cavaleiro franzino como aquele tivesse vencido outros três, que apesar de não serem tão hábeis, eram homens fortes. Uma garota então, era quase impossível de se acreditar, mas Lyanna estava ali, diante de seus olhos, com os cabelos esvoaçando ao vento, olhos firmes, pele suada e enrubescida pelo calor, manchada de sangue. Ela segurava o elmo em uma das mãos, um rosto doce envolto em ares de uma guerreira, tal qual ouvira contar histórias sobre sua antepassada Rhaenys, a qual homenageou no nascimento de sua primogênita.
— Lyanna? Você é o cavaleiro da arvore que ri? — Questiona intrigado enquanto se aproxima circundando a garota.
— Sim. — Responde ela, deixando o elmo cair e comprimindo o abdômen machucado, com uma das mãos. Tomada pela vergonha de ter sido descoberta.
— Que disparate foi este? Porque fizeste uma coisa assim? És uma lady. — Fala o príncipe enxovalhando — a de perguntas.
— Se vais me prender ou me punir, faça. Sermões eu ouço de minha família. — Diz a jovem, já imaginando o quão encrencada estava. O que para ela foi um ato de honra e coragem, para sua casa e para todos seria uma vergonha, ela teria de conviver o resto de sua vida com o desapontamento de todos, isso se não fosse seriamente castigada pelo rei Aerys.
— Está ferida? — Diz ele a observando de cima a baixo.
— Estou bem, mas você matou meu cavalo! — Ela esbraveja, sem conseguir controlar seu temperamento, mesmo na presença de vossa graça.
— Sinto muito, mas não haveria como eu saber que era uma mulher que estava sob a armadura. Podes me contar porque vestiu — se como um cavaleiro, causando todo este alvoroço em Harrenhal? — Questiona ele.
— E que culpa tinha o animal?
— Minhas ordens eram para trazer o cavaleiro, vivo ou morto. Você não facilitou as coisas mocinha, devia estar agradecida que eu escolhi o cavalo e não a você. Sua conduta foi de extrema imprudência. — Ele fala com uma paciência e calmaria irritante a loba.
— Eu… apenas queria defender a honra da família Reed, não era minha intenção causar tumulto no torneio. — Explica a moça, tomando ciência da gravidade de seus atos.
— Tens sorte que não partilho das mesmas preocupações que meu pai. Sei que não és um conspirador. De qualquer forma, foi um ato muito impensado, poderia ter se machucado e não seria nada bom que aqueles cavaleiros descobrissem que foram derrotados por uma criança, uma menina! Traria muitos problemas, não só para você, mas para toda a sua casa. — Ele diz em tom sério, tentando manter- se firme.
— Eu não sou uma criança! E tería os vencido com uma mão amarrada às costas — Protesta a garota com certa soberba.
— Então não se comporte como uma. — Retruca o príncipe se aproximando da jovem, encarando — a firme nos olhos, tão próximo que ele podia ouvir a respiração forte e entrecortada da moça. Por instantes seus olhos ficam presos aos dela, e ao mesmo tempo que tenta parecer duro com a transgressão da jovem, seu íntimo vibra ao perceber o quão destemida era a garota lobo que lhe despertava tanto interesse.
— Perdoe me príncipe Rhaegar, as vezes não consigo controlar meus impulsos, mesmo sob as tantas recomendações de meus irmãos e tudo que é me ensinado desde que nasci, mesmo assim, às vezes me comporto como uma selvagem além da muralha, sinto me terrivelmente envergonhada por isso. — Ela diz em tom de apelo, com um pouco de sorte, quem sabe, não poderia ele esquecer tudo aquilo e deixá-la ir.
— Admiro a sua coragem, e mesmo sendo muito imprudente, devo admitir que faz jus ao apelido de loba do norte. — Rhaegar solta o ar dos pulmões _ Tire essa armadura, te levarei de volta a Harrenhal. Não contarei sobre este incidente, mas prometa — me, que não vai voltar a arriscar — se desta forma.
— Perdoe — me se pareci aggressiva, eu... És um bom homem príncipe Rhaegar. Tenho de pegar meu vestido na árvore oca, e obrigado por sua compreensão majestade, nem sei como agradecer-lhe. — Ela diz num suspiro aliviado.
— Cavalga como um Dothraki. — Observa o príncipe, embora ser comparado a um selvagem de Essos não costumava ser um elogio em Westeros, mas Lyanna abre um sorriso, sabendo que agraciá — la era a intenção do príncipe herdeiro.
— Minha ama costumava dizer o mesmo, mas num tom muito decepcionante. — Relata corada com o elogio.
Os dois cavalgam até a antiga árvore oca, onde Lyanna escondeu suas vestes. O príncipe se afasta para dar privacidade a moça, que minutos depois retorna um pouco curvada devido a dor que sentia, porém tentando ser forte para não demonstrar fraqueza.
— Esta ferida?
— Foi apenas um arranhão, ficarei bem.
— Onde aprendeu a cavalgar e manusear uma espada? não creio que seja costume no norte ensinar tais coisas a uma Iady?
— Não com certeza não é, mas eu fui mais teimosa que o meu pai, então desde que eu não deixasse de ser uma mocinha prendada, ele me permitiu treinar com meus irmãos, é claro que ele nunca me permitiu empunhar uma espada de verdade.
O príncipe pega o escudo pintado e diz que o entregará ao rei. Em seguida estende a mão mais uma vez a Lyanna que agora aceita a ajuda. Na garupa do cavalo seus rostos quase se encontram, os olhos púrpura do príncipe, pareciam entrar dentro de sua alma, e ela sente mais uma vez seu peito disparar, e agora não pela adrenalina de uma fuga iminente. Rhaegar lutou contra o instinto que parecia querer levar seus lábios ao encontro dos dela. Incontrolavelmente os dois se aproximam ainda mais, tão perto que Lyanna consegue sentir o toque suave dos lábios do dragão contra os seus.
Lyanna abre passagem para que os lábios dele se apossem dos seus e os dedos do príncipe se fecharam nos cabelos dela, apertando — a contra si . Os lábios da loba se abriram, enquanto respirava sentindo o cheiro amadeirado que ele exalava.
Imediatamente Rhaegar se torna uma pedra sem resposta. Suas mãos gentis, mas com uma força irresistível, afastaram o rosto da jovem e os dois continuaram a mirar- se por alguns instantes.
Sem dizer quaisquer palavras, o platinado toma as rédeas do alazão, e cavalga rapidamente em direção a Harrenhal, enquanto Lyanna o acompanha na garupa, tentando manter seu corpo o mais longe possível. Dentro deIa, as chamas daqueles sonhos de donzela, que ela tanto tentava reprimir, ardiam. E quando a imagem da princesa Elia, vem a sua mente e com ela um sentimento de culpa, que na certa também fora o que causou o afastamento repentino de Rhaegar, a moça segura o cordão de lobo com uma das mãos, tentando afastar todas aquelas sensações mundanas que tomaram conta de seu corpo e mente.
Ao se aproximarem do acampamento, ela desce do cavalo e ainda sem reação sob o que aconteceu, dá alguns passos se afastando dele.
— Lady Lyanna. — Fala o príncipe chamando sua atenção.
— Sim?
— Perdoe — me por minha indiscrição, eu não deveria… Boa sorte e não volte a disputar justas, não me agrada matar cavalos. — Diz ele com um sorriso forçado.
— Creio que eu já aprendi a lição, e agradeço por não me denunciar. Fala ignorando a “indiscrição” citado pelo rapaz. Era o melhor a se fazer, esquecer o pequeno incidente e seguir com as festividades do torneio.
Rhaegar a vê se afastar até desaparecer entre as tendas, ele coçou os cabelos, pegando a coroa entre is dedos e a admirando. Sempre fora um homem fiel, e mesmo quando solteiro, sabia muito bem controlar seus impulsos. Mas Lyanna balançava qualquer uma das barreiras, que aprendeu a criar ao longo dos anos.
— Rhaegar, Rhaegar… tire essa menina da sua cabeça, você já tem problemas demais. — Sussurra o príncipe a ele mesmo.
Ele toma as rédeas e se põe a caminho do castelo. Diferente dos lordes e visitantes que tiveram de disputar um lugar para fixar suas tendas, a família real estava confortavelmente instalada no suntuoso castelo de Harrenhal, ao rei fora destinado um andar inteiro de uma das torres, o príncipe e os altos funcionários da corte dividiam o andar abaixo deste.
Rhaegar caminha pelos corredores de pedra, iluminados por lamparinas de óleo, com o escudo do cavaleiro da arvore que ri em punho. Chega a grande porta de madeira trabalhada, dos aposentos que foram destinados a ele e a esposa, segura o escudo a frente dos olhos e contempla o represeiro um tanto disforme estampado nele.
O rosto sujo de sangue, olhos cinzentos e vibrantes emoldurados pelas longas melenas rebeldes surgem na sua mente, a imagem parece ter saído das antigas histórias e profecias que o fascinavam desde a infância. Ele segura o escudo com a mão esquerda e leva sua mão direita aos seus lábios e por instantes sente o toque e o gosto de Lyanna outra vez. Com um esforço ele consegue dissipar aqueles pensamentos de sua mente e adentra o quarto. O príncipe admira Elia vestida apenas com uma fina camisola, enquanto escrevia algo sobre uma mesa de madeira. A Martell embora não fosse conhecida por sua beleza, era uma mulher atraente, de um corpo bem feito, aliados uma personalidade gentil e doce. E embora o casamento fosse apenas um arranjo político, os dois aprenderam a gostar um do outro em pouco tempo. Eram amigos, confidentes e às vezes amantes. A dornesa era uma boa esposa e apesar de sua saúde debilitada, sempre fazia questão de estar disposta para acompanhá — lo e estar ao lado de seu amado dando — lhe o apoio e atenção. Mesmo assim ele não conseguia entender o fascínio que a loba o causava, era uma menina que provavelmente acabara de se tornar mulher, nem de longe tinha a elegância e a educação de Elia, qualidades que ele sempre admirou nas mulheres.
Rhaegar se aproxima da esposa e a envolve num abraço, afundando sua face no pescoço da morena que acaricia — o com uma das mãos.
— Está cedo para já estar preparada para dormir minha querida — Diz o príncipe depositando um beijo em seu pescoço.
— Estou um pouco indisposta para outro banquete, e eu odeio esses vestidos formais. Entendo que seu pai não quer que as pessoas lembrem o tempo todo, que a esposa do filho dele é uma dornesa, mas são por demais desconfortáveis. — Reclama a mulher.
— Foi você quem insistiu em agradar o rei, sabe que por mim fica melhor sem nada disso. — Diz virando a esposa contra ele e abrindo o cordão que prendia a camisola no alto do busto, fazendo com que ela deslize pelos ombros da morena, revelando seus seios fartos e firmes. A pele em tom de cobre que cheirava a canela e os fios castanhos escuros desciam alinhadamente por seus ombros cobrindo parte de seus seios, esbanjavam a pura sensualidade de Dorne.
Ele puxou — a colando seus corpos e com um sorriso malicioso desceu seus lábios pelo pescoço da mulher, percorrendo um caminho sinuoso até se apoderar de um de seus seios.
Elia solta um gemido tímido, ao sentir a língua quente do príncipe contra sua pele, enquanto que com uma carícia, ela retira a coroa dele, emaranhado seus dedos nos longos cabelos prateados. Rhaegar a beija com volúpia, tentado esquecer-se dos lábios doces de Lyanna. O marido a envolve num abraço a colocando sobre a mesa, fazendo com que ela, enrosque as pernas em sua cintura. Após derrubar os objetos, Rhaegar se afasta, tentando livrar se com rapidez do colete de couro negro, depois da camisa, sob o olhar atento da esposa. Ele volta a juntar -se a ela e termina de despi-la, retirando a camisola que ficou presa aos quadris bem desenhados da mulher. Como era bela a sua senhora, e a quanto tempo não partilhavam de um momento tão íntimo? Fora há muito tempo. Certamente este poderia ser o motivo de se sentir tão desconcertado pela menina loba. Precisava afogar-se em Elia, inebriar-se de prazer com a mulher que jurou a vida. E pela manhã, Lyanna seria apenas mais uma, das tantas jovens que conheceu em Harrenhal.
Ele volta a beijá-la, sugando seus lábios com certa ansiedade, enquanto passeia as mãos pelo corpo quente da Martel. Sua língua desceu pela pele despida da mulher chegando a parte mais íntima de seu corpo. Ela curva as costas até se encostar a mesa. O gosto dela o excita, tal como anos antes, quando eram apenas recém casados, descobrindo os prazeres que seus corpos poderiam lhes proporcionar e o príncipe sente uma satisfação inflar-lhe o peito.
“Ainda sou apaixonado pela mulher, que aprendi a amar”— Ressoa na mente do príncipe.
Rhaegar se afasta mais uma vez, para livra-se das calças de montaria, quando percebe o semblante incógnito da esposa. Ele se aproxima levando uma de suas mãos a nuca da morena a trazendo contra seu peito.
— O que foi? — Questiona acariando -lhe o queixo suavemente.
— Nada, nunca mais me sentirei uma mulher por completo, nada mais crescerá em meu ventre, isso tudo perde um pouco do significado. — Desabafa ela, com um suspiro triste.
— Pelos Deuses, achei que havia casado-me com uma dornesa e não com uma donzela da cidadela. — Brinca o príncipe com um sorriso nos lábios, tentando aliviar o peso das palavras, seguindo com beijos pelo ombro da mulher.
— Apenas não vejo mais os propósitos de antes. — Ela diz e Rhaegar solta o ar dos pulmões e se afasta pegando a camisa lançada ao chão.
— Então o único propósito de fazermos amor era deixar herdeiros a coroa? — Questiona ele em ares de decepção.
— Eu não disse isso meu amado.
— Foi exatamente o que disse. — Ele fala vestindo a camisa e em seguida pegando o escudo do represeiro se encaminhando a porta.
— Onde vai? — Questiona ela.
— Entregar o que o rei requisitou, peça para uma das servas levar a minha Harpa até a tenda de Connington. Prometi a ele caçaríamos na companhia de Richard Lonmouth, Arthur Dayne e sor Barristan Selmy na floresta , será bom ter música enquanto aguardamos o assado. Retornarei pela manhã. — Informa o marido sem delongas.
— Rhaegar, perdoe — me. Me fere muito não poder lhe dar a sua terceira cabeça do dragao, não imagina o quanto. — Fala a mulher em tom se súplica.
Rhaegar se aproxima e beija a testa da esposa.
— Não há do que desculpar-se. Agora descanse, tenha uma boa noite.
Fale com o autor