A Primavera Cinza
1 A Primavera Cinza
Como um relato antigo
Seu sangue escorreu
Escrevendo de modo torto
Os sonhos que nunca esqueceu
E cada corte desmerecido
O corpo se desmanchava
Fino, sem sentido, encolhido
Com a morte ainda sorrindo
Cada lágrima derramada
Cada grito ecoado
São profundas melancolias
São versos ignorados
E ainda que frágil
Nas lágrimas, sorria
Sua alma pequenina
Talhada em agonias
Quem lhe dera uma vez mais
Poder olhar, gentil sorriso
Este que a trouxera de volta
Que ficou só na memória
Nesse, ou talvez outros dias
Nessa, ou talvez outras vidas
Deixava-se apagar sua estrela
Deixava sumir sua alegria
O corte fino, o sangue frio
O olhar gélido, um sorriso apagado
Cada parte, cada pedaço
Ninguém sabe, ninguém viu
O que sobrou de Harumi
Foi apenas a primavera
Soprando longe, mui longe
Sakura no Hana
E assim ela vai viver
Até os deuses permitirem
Escondida em cada flor
Escondida em cada brisa
Esperando gentilmente
A chuva lavar o sangue
De sua honra ferida
De sua vida destruída
Encerrando em púrpura
Sua alma cinza
A morte silencia tudo
Até o sorriso mais gentil
Tudo, exatamente tudo
Desaparece no amanhecer frio
E finda-se mais um sonho
Encerra-se no estio
"Para a flor que nunca desabrochou"
Luciene-Luna
2010
Notas finais
Imagem do texto by: www.kizuna-chan.deviantart.com
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