A Preceptora
36 Capítulo XXXVI
Notas iniciais
— Eu menti – admitiu assim que a porta revelou um surpreso Sasuke. – Eu o amava. Eu não queria, não desejava, mas me vi amando o homem que eu não devia, contentando-me com a ideia de vê-lo feliz com uma família de verdade. Não sou uma dama com ascendência nobre, não tenho um dote ou um pai para lhe dar a minha mão; nem mesmo tenho idade para casar, esta já foi há muito tempo. Só tenho o meu trabalho, Mr. Uchiha.
"Eu amava sua casa, amava nossas manhãs e sua singularidade; cheguei a amar até seu silêncio. Não imaginei que sentisse o mesmo até aquela noite onde eu disse palavras que não desejava apenas para protegê-lo, para afastá-lo de mim.
"Fugi como uma covarde, mas não consegui fugir do que eu sentia. Não consegui esquecê-lo e continuei me afastando temendo um dia vê-los com outra, pois tudo o que desejava era dizer sim. Dizer sim para o seu pedido e dizer que nada me faria mais feliz do que aquele pedido, mas o destino zombava das nossas diferenças. Eu não fui capaz de dizer a verdade após machucar tantas pessoas que eu amava e isso me sufoca.
"Sinto-me sufocada pelo arrependimento, pela possibilidade do que poderíamos ter sido, pela saudade e pelo sentimento que nunca se alterou."
— Ainda me ama de igual forma? – Questionou incólume.
— Sim – deu um passo à frente. – E o senhor?
— Não.
Ela riu descrente deixando o olhar cair no carpete vermelho, mas o toque em seu rosto a fez reerguer o olhar para os negros que tanto diziam.
— Amo-a mais, pois hoje eu sei o que é viver sem você. Viver num mundo onde a cada dia eu me esquecia de um detalhe do seu rosto, mas não era capaz de esquecer o que eu sentia por você. Como um fantasma, o sentimento persistia e por vezes, após mais um condado que não sabia sobre o seu paradeiro, eu me questionei se tudo foi real ou se vivia na loucura de fantasiar um toque de lábios com gosto de lágrimas. Era aterrador pensar que viveria preso naquele inferno; a intitulei como perversa por me fazer experimentar de um vício para depois tirá-lo de mim.
"Diante de cada novo alvorecer, os antigos receios se tornaram irrelevantes perante a possibilidade de nunca mais vê-la. Independente das vezes que eu refaça essa equação, minha resposta sempre será você. Pois a senhorita, Miss Haruno, é a resposta para a minha felicidade. A única que eu desejo ao meu lado, sendo a mãe de Sarada, a mãe dos meus futuros filhos, por isso – pegou o rosto feminino com ambas as mãos – eu lhe peço a honra de ter a sua mão para amá-la e respeitá-la pelo tempo que ainda tivermos."
Sakura não aguentou, riu de felicidade ao mesmo tempo que deixava as lágrimas rolarem por um motivo diferente do passado quando teve que partir após esconder o diário onde escrevia tanto sobre ele... tanto sobre si.
— Sim – soluçou. – Eu digo sim.
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