A Peça Que Faltava
5 Capítulo 4 - Primeiras Impressões
Notas iniciais
Muito muito muito obrigada!
E claro, obrigada do fundo do meu coração há MissBieber que me fez uma recomendação linda! :) Sigam o exemplo dela tá?
Também queria dedicar esse cap a todas as búlimicas do mundo. Por favor meus amores, isso vai acabar com vocês... percebam, sim? Desistam dessa ideia de serem perfeitas. Vocês são lindas de TODAS AS MANEIRAS!
Ok, e querem saber as novidades?
Estou de castigo :c aqui em Portugal - é, eu vivo um pouquinho longe de vocês - estamos em épocas de exames, e eu comecei com o pé esquerdo, dando um trombo no teste de matemática :s
Pois é... eu prefiro letras kkkk :D
Então vá meus anjinhos... Boa Leitura.
Nos vemos lá em baixo (:
– Kensie –
–-Kensie é para vir almoçar. – ouvi Marg dizer do outro lado do quarto.
Suspirei. Minha porta estava tranca da à chave. Eu realmente não tinha vontade de sair de meu esconderijo, de meu mundo. Estava demasiado confortável deitada na cama, escrevendo uma nova música.
Só o fato de saber que teria que agir como se tudo estivesse bem, como se não tivesse tido uma porra de discussão com a Sindy dois dias à trás, como se nós realmente fossemos uma família, me deixava enjoada e sem vontade nenhuma de comer.
Por momentos, pensei em ignorar e fingir que estava dormindo, mas isso não ia resolver meu problema. Porque quer eu quisesse quer não, hoje teria que levar Cassie ao concerto. E quer eu quisesse que não, teria que olhar para Sindy e quer eu quisesse quer não, teria que viver enrolada num mundo de mentiras, onde nem eu mesma me conhecia.
Um dia, isso vai mudar, não vai?
–-Estou indo. – disse, seca, sem nenhuma emoção na voz.
Ouvi passos se afastarem do meu quarto. Passei a mão pela cara. Estava emocionalmente cansada e para piorar meu corte ardia para caralho. Desde há dois dias que só saía de casa para ir à empresa ou apanhar um pouco de ar. A minha vida é uma merda, e eu só tinha que aceitar esse fato.
Me levantei, arrumando a letra da música , ajeitei meu short de ganga, prendi o cabelo castanho longo num coque a abri a porta. Me mentalizei que hoje era um grande dia para minha irmãzinha do coração – a Cassie, claro – e depois de descer as escadas, coloquei um sorriso forçado no rosto.
Ao aproximar-me da cozinha, de onde provinha um cheiro gostoso, ouvi vozes. Continuei andando e logo que abri a porta fui recebida com um grande abraço.
–-K!
Olhei para a criaturinha fofa que me tinha abraçado. Cassie também me encarava com seus cabelos loiros, soltos. Sorri.
–-Bom dia amor – disse, com um sorriso agora, talvez um pouquinho mais verdadeiro, pegando-a ao colo. – Bom dia . – disse para os restantes.
–-Kensie, vem-se sentar na mesa, por favor, ou daqui a pouco a comida esfria. – disse Marg.
Bufei. É, pelo menos eu não era a única de mau humor naquela manhã. Olhei para eles. Tanto Marg como Peter e Sindy estavam sentados à volta de nossa mesa quadrada. O lugar de Cassie também estava reservado. Só faltava eu.
Suspirei, levando Cassie até seu lugar e sentando-a lá. Ela não parava de sorrir. Tomara… Sonhava com esse dia há mais de quatro meses. Me dirigi ao meu lugar, fazendo com minhas havaianas raspassem no chão de azulejo verde. Afastei a cadeira de madeira e me sentei, ainda encarando o chão. Era apenas impressão ou todo mundo estava calado? Não, realmente reinava uma certa tensão naquele lugar.
A mesa estava posta e me perguntei onde estaria Dáh, nossa… bem, eu não gosto de chamá-la por empregada doméstica, mas de certa forma é isso que ela é. Inspirei fundo. Cheirava a carne e arroz.
–-Então, agora que estamos todos na mesa, podemos começar a comer. – disse meu pai. Olhei para ele que também me encarava. Seus olhos azuis me olhavam com certa curiosidade. O cabelo castanho, agora não tão castanho assim, uma vez que ele já estava na casa dos “enta”, esta cortado.
Todos nos servimos. Margaret estava entretida demais para falar ajudando Cassie a cortar o bife. Peter coçava a cabeça. Não sei ao certo o que se passava com o meu pai, mas eu já o conhecia. Ele queria me dizer algo, ou perguntar, porém não encontrava as palavras certas. Preciso dizer que, apesar de ainda não ter falado com Sindy, a presença dela estava me incomodando?
Fitei o prato, sentindo o sabor do arroz na boca. Se pudesse hoje não falaria com ninguém. Não conversaria com ninguém. Me esconderia do mundo. Estávamos todos em silêncio enquanto Cassie cantava com um sorrisão uma das musicas de seu futuro marido, quando Peter disse:
–-Kensie, — Olhei para ele — Er… Sua mãe ligou e disse que queria falar com você.
Por momentos fiquei ser ar. Senti o mundo parar e uma comichão percorrer o meu cérebro. Minha mãe tinha ligado? Sophie? Ligado para… para… mim?! Senti o meu sobrolho se erguer mas ignorei. A verdade era que eu não falava com minha mãe há alguns meses, e nem quero. Nossos telefonemas se revelam sempre numa queda brusca de minha auto-estima – ou o que resta dela – o que é triste, uma vez que uma mãe nos devia compreender e dar concelhos e blá blá blá. Pois, não a minha.
–-Quando eu tiver tempo ligo para ela. – disse, pondo mais um pedaço do meu almoça na boca. No entanto, tinha ficado sem fome.
Mentira, ainda tinha, mas só o fato de minha mãe ter sido mencionada no almoço me fizera sentir culpada. Culpa… um outro sentimento que me persegue A partir desse momento não falei mais nada durante o almoço. Me sentia culpada só por estar almoçando. Na verdade, me perguntava porque Sophie queria falar comigo. Ela raramente se preocupava, de onde vinha esse interesse? Talvez por o natal estar chegando, não? Suspirei encarando a comida à minha frente. Eu sabia que não devia fazer aquilo. Eu sabia que não devia comer. Eu sabia que depois me arrependeria disso. Mas eu estava com tanta fome que não consegui evitar. Uma garfada, seguida da segunda e da terceira. E assim foi, até meu prato estar limpo. Quando encarei o trabalho feito, senti meu estômago se revirar. Eu tinha falhado, outra vez. Tinha feito o que tentava não fazer. Antes que alguém notasse as lágrimas que desejavam sair dos meus olhos, eu disse rapidamente, já saindo da cozinha e me dirigindo ao meu banheiro:
–-Eu não estou muito bem, vou só lá em cima ao banheiro.
Subi as escadas a correr sentindo a culpa de apoderar de mim, sem me preocupar o que papi ou Sindy ou qualquer outra pessoa pensaria se visse aquela cena. Como você quer ser uma modelo comendo desse jeito? Como você quer ser uma modelo gorda como uma baleia? As palavras de minha mãe, no nosso último jantar ecoavam na minha cabeça. Eu não posso acreditar nisso! Você não percebe, Kensie? Será que você não percebe que não pode comer calorias? Que tem que ser perfeita? Todas as filhas de minhas amigas são lindas e magras. Você quer ou não ser famosa devido à sua beleza? Então se esforça mocinha! Se esforce!
Abri a porta do banheiro e a tranquei. Minhas mãos soavam e minha respiração estava acelerada. Precisava de um momento para me mentalizar do que ia fazer. Fechei os olhos durante dois segundos. Você tem que fazer isso. Você tem que o fazer. As pessoas que dizem que isso faz mal não compreendem. Faz. Isso só te faz bem – dizia uma parte de mim. Porém, a outra parte tentava me convencer que se continuasse fazendo isso com frequência ia acabar internada no hospital. Que estava me magoando a mim mesma. Que isso era uma estupidez.
Mas como sempre, a parte má ganha. As garotas que vão parar ao hospital já estavam numa fase mais avançada. Eu não vou deixar isso intrometer na minha vida. Não vou deixar que me afecte. Nunca. Tenho controle sobre meu corpo, porque isso me iria magoar?
Me ajoelhei sobre o azulejo azul frio e me debrucei sobre a privada, levantando a tampa. Levei os dedos ao fundo da minha garganta e fiz pressão. Aquele processo já era tão automático que deixara de me meter nojo. Era algo que eu precisava fazer se queria ser perfeita. Algo que fazia sempre depois de tomar uma refeição. Uma rotina. Senti o vomito vir e fechei os olhos. Todo o meu almoço já estava cá fora. Respirei fundo duas vezes, acalmando-me. Aquilo estava certo. Eu sabia que sim. Dei descarga, pus perfume no local, e saí do compartimento. Sorri. Se continuasse assim ia impressionar Sophie. E era isso que eu queria. Que pelo menos uma vez, ela sentisse orgulho de mim. Em me chamar como filha. Em eu ser sua filha. Sem me preocupar em comer sobremesa, voltei até ao quarto, continuando a escrever a canção. Tencionava ficar a tarde toda trabalhando na canção. E lá fiquei, até Cassie me avisar para mudar de roupa, pois tínhamos que ir ao concerto.
Suspirei com a ideia de ter que interromper minha actividade para ir ver a super-estrela Justin Bieber. E mal eu sabia que não seria sequer a última vez que ele ia interferir em meus planos.
–Justin-
–-Bieber, está na hora. – Scooter disse.
Acenei com a cabeça, respirando fundo. Hoje era o dia do último show da “My world Tour 2”. O último show antes das minhas longas, desejadas e merecidas – espero eu – férias. Estava no meu camarim improvisado e faltavam exactamente vinte minutos para estar cantando diante de todo o Rio de Janeiro. Ontem, tinha passado o dia a ensaiar. Queria que tudo saísse perfeito. Ajeitei o microfone diante do espelho, penteei a franja e fechei o casaco branco.
Scooter olhava para mim, com braços cruzados, com uma t-shirt preta e umas calças jeans. Saí de frente do espelho e fui para seu lado, tropeçando numa sapatilha que estava desarrumada. Por pouco não caí. É… ter bons reflexos à vezes dá jeito. Sorri assim como Scooter por causa do meu quase-cái-de-bunda-no-chão. Ele pôs a mão no meu ombro e nos encaminhou pelo caminho correcto. Eu podia dizer que não estava nervoso, mas isso era mentira. Meu coração batia forte e eu era capaz de o ouvir, minhas mãos estavam suadas, no entanto tinha um sorriso na cara. Era aquilo que eu gostava de fazer. Eu estava vivendo meu sonho, e sabia disso. Por isso ia aproveitar cada momento da festa, cada segundo e não perder nada. Fazer tudo aquilo valer a pena. Passamos pelo corredor e nos reunimos, nós mais os dançarinos e o resto da equipe. Fizemos um círculo, e só naquele momento, reparei que faltava muita gente. Desde Ryan, o meu estilista, até a Mama Jan, minha instrutora de canto. E minha mãe. Esse último pensamento me fez ficar com um nó na garganta. Seria o primeiro show que fazia sem minha mãe. E isso estava me incomodando. Eu sentia saudades dela e ainda só tinham passado três dias.
É, e desde quando Sentimental é o seu sobrenome Justin?
Nos abraçámos naquela rodinha minúscula e oramos como sempre fazemos antes de todos os shows. Pedimos para que tudo corresse bem e ninguém se machucasse. Depois, o tão famoso e conhecido nosso grito de guerra [N\\A: Beliebers, vocês sabem né? Ducks, ducks, ducks, quá quá quá, zooooom! :b]. Após aquele momento louco, a tensão se instalara no ar. Era agora. O momento. O meu momento. O meu momento e de minhas lindas e queridas fãs brasileiras.
Me dirigi à parte de baixo do palco. Ouvia o coração fazer o seu “tum-tum” bem alto. Por momentos me perguntei se mais alguém o ouvia.
–-Vai Bieber! Estamos te apoiando! – gritou Scooter, já há alguns metros de distância de mim. Pisquei para ele.
Que tudo corra bem. Aquela zona parecia uma floresta de ferros de metal. É bizarro, mas é verdade. Me agachei e tomei fôlego. Aí, a rampa começou a subir.
Eu era capaz de ouvir os gritos das minhas garotas. Cara, sou muito sortudo! Ter um bando de garotas lindas, lindas gritando seu nome é sem dúvida uma sensação maravilhosa. Sensação essa que quero continuar sentindo por muito e muito tempo. Sorri. Aos poucos fui vendo o céu azul escurecendo; os prédios altos e cinzentos; algumas Beliebers nas bancadas; mais Beliebers, e mais, e mais e mais. Caralho, o estádio estava puta de cheio de garotas que eu amo! Maravilha!
No entanto, quando elas me viram, aí sim, foi p’ra valer.
Será que os vizinhos se importam com todo esse barulho? Sorri. Nem numa hora destas eu penso coisa com coisa. A plateia estava cheia. Cheia mesmo. As garotas gritavam e eu sorria. Algumas tinham luzinhas e iluminavam o local, outras tinham t-shirts com o meu nome, outras choravam de emoção. Eu sabia que era impossível, mais se pudesse, abraçaria cada uma delas e lhes agradeceria por tudo. Por estarem comigo desde o inicio dessa jornada.
–-E aí, Brasil, tudo bom? – perguntei para o microfone. Olhando para aquela multidão. Quantos bilhetes tinham sido vendidos? 60 mil? Precorri o estádio com os olhos.
Gritos. Barulho. Gritos.
Disso eu gostava. Deste meu mudo. Eu pertencia aqui. A cada uma delas. E elas me pertenciam. Cada uma delas. E era em cima do palco, olhando para todas aquelas garotas perfeitas que me dão a maior força e que me ajudam e apoiam em todos os momentos, que eu me sinto bem. Maravilhosamente bem. Indescritível. E é olhando para elas que eu gosto de cantar e dançar. É para elas que eu gosto de falar.
–-Preparadas para o show? – perguntei, bem pertinho da berma do palco.
Gritos. Barulho e mais gritos.
–-Então vamos lá! Mas têm que cantar comigo, tudo bem? – perguntei.
Não queria saber se elas me percebiam ao não, se elas falavam inglês ou não. Só queria me sentir o mais próximo possível delas. Não só das brasileiras como todas as minhas fãs de todo o mundo. Aquelas que me amam e que nunca me irão ver. Aquelas que me amam e que já me viram. Todas elas.
Gritos, gritos e gritos. Via garotas chorando de emoção, aí, não pode evitar. Tive que tocar em algumas delas que estavam bem pertinho de meus pés. Tive que as sentir. Tive que saber que me apoiavam. Elas eram elas. Eu era eu. Mas eu sem elas não era nada e elas sem mim seriam apenas simples garotas com um coração de ouro.
Elas? Elas são a razão de meu sorriso.
Dei o sinal e a música lenta começou. A melodia escapava dos meus lábios, juntamente com a letra. Minha mãe não estava comigo em pessoa, mas estava também ali, representada no meio dos meus amores. E são só minhas.
I wait on you (Eu esperaria por você)
Forever, any day (Para sempre, todos os dias)
Hand and foot (Mãos e pés)
Your world is my world, yeah (Seu mundo é meu mundo, yeah)
Tudo o que eu cantava, eu sentia. Tudo o que as minhas cordas vocais faziam, eu deseja. Em todas as minhas músicas tento colocar um pouco de minha alma, de meu coração, e por mais que ainda não tenha encontrado a garota, minhas Beliebers são minhas garotas. E todas as canções que faço, são dedicadas a elas. Porque o meu mundo é o mundo delas e vice-versa.
Ain't no way (De forma alguma)
You ever gonna get (Você sempre vai conseguir)
Any less than you should (Menos do que queria)
Cause, baby (Porque, amor)
You smile, I smile (oh) (Você sorri, eu sorrio)
Cause whenever (Porque quando)
You smile, I smile (Você sorri, eu sorrio)
Hey, hey, hey
E quando elas sorriam, eu sorrio. Com o maior prazer. É uma relação que ninguém entende. Só nós. E naquele momento, só eu e elas importávamos realmente.
Your lips, my biggest weakness (Os seus lábios, a minha maior fraqueza)
Shouldn't I let you know (Eu não devia deixar você saber)
I'm always gonna do what they say (hey)(Eu vou sempre fazer o que eles dizem)
Já disse que as amo? Provavelmente já, mas nunca ninguém vai saber a veracidade desse sentimento. E quando eu disse que ter um monte de garotas gritando seu nome era uma experiência fenomenal? Não estava mentindo. Mas vendo todo um estádio cantando suas músicas, que você fez a elas, é muito, muito melhor.
If you need me (Se você precisar de mim)
I'll come running (Eu venho correndo)
From a thousand miles away (De milhares de quilómetros de distância)
When you smile, I smile (Quando você sorri, eu sorrio)
(Oh, whoa)
You smile, I smile (Você sorri, eu sorrio)
Hey
Elas sabiam que por mais que eu quisesse, não as poderia ter todas. Mais que todas elas estavam em meu coração. E que, se eu pudesse, faria de tudo para as fazer sentir especiais, queridas. Dignas do amor de alguém.
Baby take my open heart (Amor, leve o meu coração aberto)
And all it offers (E tudo o que ele oferecer)
Cause this is as (Porque isto é)
unconditional as it'll ( Tão Incondicional)
ever get You ain't (E você)
seen nothing yet, (Ainda não viu nada)
I won't ever hesitate ( E não irei hesitar)
to give you more (Em te dar mais)
Se magoasse uma delas nunca me perdoaria. Se quebrasse o coração de algumas delas, seria uma dor gigante. Mas não tão gigante comparada com a dor que eu sentiria se as perdesse. Se elas me trocassem. E, às vezes, tenho medo disso. Tenho medo que elas não me aceitem, não aceitem o fato de eu crescer, e me deixem, me troquem.
Cause baby (hey) (Porque, amor)
You smile, I smile (Você sorri, eu sorrio)
(Whoa)
You smile, I smile (Você sorri, eu sorrio)
Hey, hey, hey
–-Vamos lá Brasil! Cantem comigo! – disse sorrindo para meu público. Acenando para elas cantarem junto.
You smile, I smile (Você sorri, eu sorrio)
I smile, I smile, I smile ( eu sorrio)
You smile, I smile (Você sorri, eu sorrio)
Make me smile, baby (Me faça sorrir, amor)
Baby you won't ever walk for nothing (Amor, você não irá andar por nada)
You are my INs and my means now (Você é a minha alma e o meu significada, agora)
With you there's no in between (Com você aqui dentro)
I'm all in (Eu estou completo)
Seria preciso mais do que haterz para me deitarem abaixo. Não importa o quão talentoso você é, há sempre pessoas que não gostam de você. E eu já em tinha habituado a esse sentimento. As pessoas são cruéis e nos julgam sem conhecer. Por mais doloroso que fosse o apoio delas tornava tudo aquilo mais fácil de suportar. É como se elas sentissem a minha dor, e não se importassem de me ajudar a carregar com ela. E isso… é espantoso.
Cause my cards are on the table (Porque as minhas cartas estão na mesa)
And I'm willing and I'm able (Eu estou disposto, eu sou capaz)
But I fold to your wish (Mas eu sigo seu desejo)
Cause it's my command (Porque ele é o meu comando)
Durante toda a música eu dancei, corri feito doido de um lado para o outro, toquei-lhes, vi elas sorrindo e gritando me deixando com um sorriso bobo na cara. Cara, já disse o quanto eu sou babaca? Eu fico doido quando elas trazem shorts para meus shows! E quando vêem com o namorado? Aí eu fico com ciúmes…
Hey, hey, hey
You smile, I smile (Você sorri, eu sorrio)
(Whoa)
You smile, I smile (Você sorri, eu sorrio)
Hey, hey, hey
You smile, I smile (Você sorri, eu sorrio)
I smile, I smile, I smile (eu sorrio)
You smile, I smile (Você sorri, eu sorrio)
…Porque elas são só minhas. Minhas agora, minhas para sempre. E, descobri o porquê de hoje estar tão sentimental e tão fofo. A culpa é delas. Elas é que me deixam assim. São os efeitos que elas fazem em mim. Em toda a minha alma, em todo o meu coração.
You smile, I smile (Você sorri, eu sorrio)
You smile, I smile (Você sorri, eu sorrio)
E eu as amo. Incondicionalmente.
–Kensie-
Eu segurava Cassie pela mão enquanto ela pulava de alegria. Sindy bufava, com os braços cruzados. Eu também estava cansada, afinal estávamos há mais de meia hora em pé, numa fila gigante. Numa fila cheia de pessoas estranhas. Cheia de garotinhas gritando. Cheia de mamãe tão entediadas como eu. Cheia delas. Cheia de Beliebers. Só para o ir ver.
O Justin Bieber.
Quem me dera poder voltar atrás no tempo. Poder ter ignorado Singy e seguir logo para o meu quarto, o meu rumo. Assim, nesta hora, podia estar na competição a nível nacional de ginástica de solo.
Mais como é obvio, algo tinha que correr mal, não é mesmo?
Algo sempre corre mal. Nada corre como eu quero. Como eu desejo.
E tudo por causa de uma simples – não tão simples assim – birra de quase-irmãs.
E o pior é que ninguém entendia. Ninguém me entendia. Ninguém percebia que a ginástica e a dança eram os únicos desportos para os quais eu nasci para praticar. Ninguém percebia que eu me tinha dedicado de corpo e alma àquela competição. Que era extremamente difícil chegar ao ponto onde eu tinha chegado.
Para no final deitar tudo abaixo. Para no final, ter que telefonar meu treinador pessoal, dizendo que não poderia ir. Que não poderia lutar para conseguir a medalha de primeiro lugar.
“Não se preocupa, Kensie” – meu pai disse, quando lhe contei que ia perder a oportunidade de ganhar uma medalha de ouro em algo que faço bem – “Vai ter outra competição ainda antes do Natal” – ele informou.
Claro, como se eu não soubesse disso. Mais essa competição é constituída por duas provas: a de solo – aquela em que você faz uma sequência num colchão – e a de saltos – aquela que você tem que fazer um ou mais saltos obrigatórios numa cama elástica (N:A – é um trampolim giganteeeee :b) para ter a pontuação total. E você tem que fazer as duas provas. Obrigatoriamente. E esse é o meu problema.
–-Mana, quando eles abrem as portas para entrar no estádio? – Cassie perguntou, olhando para mim me puxando pela blusa.
Ela estava tão bonitinha. Uma t-shirt do Justin, com o seu nome, umas jeans roxas – ouvi dizer que é a cor preferida dele – e eu tinha feito uma trança em seu cabelo.
Pois, mas o fato de minha doçura estar linda, não faz com que eu fique menos aborrecida, chateada e irritada por ter que estar aqui à espera que a droga dos seguranças decidam abrir as portas para entrarmos no estádio onde se vai realizar o show.
–-Não sei, querida. – admiti com um sorriso, pondo uma mecha de seu cabelo loiro atrás da orelha. – Mas espero que seja logo, logo, logo. – disse.
Ela sorriu, contente. Eu sabia que ela queria mesmo vê-lo. Afinal, fui eu quem lhe mostrou o primeiro vídeo que Justin Bieber colocou na internet. E fui eu que a incentivou a gostar dele. Fui eu que lhe comprei a maioria das t-shirts e posters. Fui eu que quis que ela se tornasse fã dele, para, aí, ter uma desculpa de que estava comprando as coisas para ela e não para mim. De que ela era a fã extremamente louquinha e não eu. De que é ela que o ama e não eu.
Porque apesar de achar o amor de fã-ídolo lindo, sei que nunca vai ser retribuído da maneira como nós gostaríamos. Vamos ficar desiludidas, e desilusões, eu já tenho muitas em minha vida. Não preciso de mais problemas.
Porque, admito, fui eu quem digitou o nome dele no youtube, há quatro anos atrás. Antes mesmo de ela nascer. Antes de muitos conhecerem a estrela pop. Antes de eu saber onde ele ia parar.
Porque quando eu tinha onze anos e digitei o nome do garoto pelo qual a minha irmãzinha é totalmente apaixonada, pela primeira vez, eu só queria uma coisa: deixar um comentário querido, numa das músicas que um garotinho tinha colocado na internet. Pois foi isso que, há quatro anos atrás, enquanto passava férias em Startford, eu prometi, para o rapaz de olhos cor-de-mel, quando falámos pela primeira vez.
Flasback (4 anos atrás)
Mamãe e eu passeávamos pelas ruas de Startford. Era sábado e nós estávamos de férias. Tudo parecia bonito. A calçada era feita com pedras brancas, todas alinhadinhas. Na berma, tinha várias árvores plantadas, verdes e grandes, que demonstravam a estação em que estávamos. As casas eram todas em filinha, da mesma cor e eu, pessoalmente achei isso super legal. Era uma cidade pequena, calma, tranquila, totalmente diferente de Londres. As pessoas, só por si, pela maneira como andavam e como olhavam para nós, pareciam simpáticas e carinhosas.
Nada como as multidões da capital de Inglaterra. Onde todo mundo tinha sempre algo a fazer, roupas para comprar, um trabalho para chegar, uma rotina a seguir.
No entanto, ao lembrar de casa, recordei que as coisas entre papai e mamãe, não estavam bem.
Minha mãe trazia o cabelo loiro pelos ombros, solto. Estava um sol radiante e calorento, por isso os óculos escuros tapavam o tom azulado de seus olhos. Trazia uma blusa rosa clarinha, de meia manga, e uma saia cinzenta bem justa, acima dos joelhos. Os sapatos fechados, também eram do mesmo tom da blusa. Nem de férias, mamãe deixava de se vestir com classe e glamour, o que para ela, eram aspectos essenciais num outfit.
Quando a chamei, ela olhou para mim, me dando a atenção que eu queria.
–-Mãe, a senhora e o pai, estão brigados? – perguntei, na minha inocência.
Desde há uns tempos para cá, eles não paravam de discutir; havia sempre uma tensão no ar, o que tornava tudo péssimo. Papai, andava regularmente aos telefonemas com alguém importante e falava em uma língua que eu não compreendia muito bem. Deve ser brasileiro. E mamãe tem andado sempre com mau humor. Com cara fechada e cerrando os dentes a toda a hora. Sempre que papai fala com ela, ela é sempre arrogante. Porém, as coisas estavam-se resolvendo, até ante-ontem, que papai chamou minha mãe para o escritório e falou qualquer coisa sobre ir para o Brasil. Ela ficou chateada, gritou com ele – e disse palavras que eu não tenho autorização para dizer. No final da briga, eu fingi que estava somente no meu quarto lendo um livro. Mas não era verdade. Eu tinha ouvido a discussão deles, só não sabia o que é que era. E apesar de só ter onze anos, deu para perceber que algo não correu nada bem dentro daquele escritório. Não só por ter ouvido todos os palavrões que mamãe disse ao meu pai; não só por minha mãe ter deitado uma lágrima quando saiu do sitio onde ela e papai estavam – e minha mãe não chora, é demasiado orgulhosa – mas também por estarmos aqui, nesta cidade do Canadá, que eu nem sabia que existia, as duas, sozinhas.
Mãe olhou para mim e cruzou os lábios, numa linha fina. Ficou me encarando durante alguns segundos, até que voltou a olhar em frente, dando uma sacudidela do cabelo longo.
Como é óbvio, ela não ia responder.
Continuámos caminhando sem dizer nada uma a outra. As compras estavam feitas, entre elas um vestido com babadinhos para mim, com o qual eu ia aparecer no jantar de negócios que papai ia ter na próxima semana – para minha mãe, o de fora é o que conta – juntamente com várias peças de roupa deslumbrantes para minha mãe, e também já tínhamos lanchado. Não havia nada para falar. A nossa relação era assim. A maior parte do tempo, ficávamos sem nos falar uma com a outra, apenas com o “papo-obrigatório-entre-mãe-e-filha”. Por mais que eu quisesse desabafar com ela sobre coisas que estavam acontecendo, ou ter a oportunidade de perguntar sobre o seu passado, mamãe nunca me demonstrou essa confiança. E eu também não sentia falta dela. Talvez por não ter uma mãe que me a desse.
Estávamos fechadas entre aquele silêncio pouco constrangedor, até que ouvimos alguém cantando. Eu sorri. Gostava de música e cantava, por vezes. Não que minha família soubesse dessa minha paixão. Também eu nunca lhes contara. Porém, eu ia amar aprender a tocar um instrumento.
A melodia era bonita, assim como a voz, que parecia não estar muito longe. Olhei em volta, e reparei, que ao fundo da pracinha, nas escadas de um teatro estava um garoto cantando.
Nem perguntei a minha mãe se podia ir ouvi-lo ou não. Ela não iria querer perder o seu precioso tempo ver alguém cantando. Mas eu queria ouvir de mais perto, nem que fosse só para deixar de haver um buraco emocional tão grande entre nós as duas. Meus pés simplesmente me guiaram para lá, após ter libertado minha mãe da de mamãe.
Me aproximei mais do edifício. Era grande e as escadas eram feitas de pedra. Em cima tinha um letreiro que dizia “Avon Teathre”.
O garotinho que cantava usava uma t-shirt comprida azul – a minha cor favorita – e umas jeans. Tinha cabelo loiro e olhos castanhos, que estavam fixados em ponto algum. Ele aparentava ter mais ou menos a minha idade. Não reconheci a música que ele cantava, mas eu gostava bastante da voz dele.
No entanto não era única querendo ouvir o tal garoto. Reparei que as janelas das casas mais próximas estavam todas abertas. E que alguns vendedores das lojas estavam cá fora, apreciando a música. Também havia outros adultos ali parados, escutando com atenção. Senti minha mãe se aproximar, me tocando no ombro, como quem diz que é para irmos embora. Mais eu não queria. Não mexi um músculo. Ela revirou os olhos. Para minha sorte, o celular dela tocou e ela se afastou no mesmo instante, atendendo a quem quer que seja e começando a falar, já bem longe de mim.
O garoto loiro continuava cantando.
Quando ele acabou, não fui a única que bateu palmas. Ele sorriu e agradeceu. Outros adultos puseram moedinhas e notas no boné dele, também azul, que estava no chão.
Eu também queria dar dinheiro. Olhei para trás, procurando minha mãe com os olhos. No entanto ela não estava mais no meu campo de visão. Tinha evaporado.
Depois ela voltaria para me buscar, certamente.
Os adultos que assistiam ao mini-show eram poucos e rapidamente se dispersaram. Uns indo em lojas, outros entrando no teatro e outros continuando a caminhada. E eu fiquei ali, sem saber o que fazer.
Olhei para as minhas sandálias de salto. Ia ou não falar com ele?
Por fim lá me decidi, me aproximando das escadas e sentando perto do garoto, que agora bebia água.
–-Oi. – eu disse, olhando para ele.
O rapaz, que nem tinha notado minha presença, quando me olhou, sorriu.
Eu sorri também.
–-Oi. – ele disse, pondo a garrafa de água no lugar, me examinando, de cima a baixo.
–-Posso me sentar aqui com você? — Perguntei, educada, inclinando ligeiramente a cabeça.
Ele riu, sacudindo o cabelo para trás e respondeu, num tom brincalhão:
–-Já esta sentada, ‘pra quê que pergunta? – eu ri, encarnando-o nos olhos — Eu sou o Justin, qual seu nome? – ele perguntou, se apresentando, recolhendo o dinheiro que estava na capa preta do violão e guardando-o no bolso do jeans. Depois olhou novamente para mim. Os olhos dele eram castanhos-avelã, totalmente diferentes dos meus que eram de um azul vivo.
–-Kensie, mas pode me tratar por K– respondi, pondo uma mecha do meu cabelo castanho atrás da orelha. Todos os meus amigos me tratavam por K. Só minha família e os professores é que me tratavam por Kensie. E a verdade é que eu não gostava do meu nome. Minha alcunha era muito mais bonitinha.
– Você mora aqui? – ele perguntou com um brilho nos olhos e um sorriso. Eu abanei a cabeça. Até que não era má ideia. Tudo parecia tão calmo, tão bom. Uma outra realidade. Um local sem stress, sem problemas. Papai ia gostar deste sítio. Era mesmo a cara dele.
–-Não. Estou cá com a minha mãe, passando férias. Sou de Londres.
Vi o sorriso dele desaparecer e olhar rapidamente para o chão. Também murmurou qualquer coisa, porém eu só percebi as palavras “garota” e “escola”. Depois olhou novamente para mim. Aquilo era estranho. Eu estava batendo papo com um garoto que nem conhecia.
– Você canta muito bem, sabia? — De certeza que eu não era a primeira pessoa a lhe dizer isso. Mas também não seria a última. Porém, um elogio, desde que seja verdadeiro, nunca tem problemas em ser dito. Ele me olhou e fez um sorriso torto e corou. Ok, ele era mais do que apenas-bonito. – Quantos anos você tem?
–-Tenho doze e você, K?
Doze. Ele era mais velho que eu. Apenas um ano, mas era mais velho. Por nós passavam pessoas que nem ligavam para a nossa conversa besta. A maioria, olhava mas continuava a sua caminhada, com um sorriso na cara.
–-Tenho onze. – disse fazendo careta. – Mas faço doze em Novembro. – sorri.
–-Eu fiz no dia um de Março. – ele comentou, brincando com suas próprias mãos, pondo uns dedos por cima de outros e retirando-os.
Quando ele disse a data, me lembrei do que me tinha acontecido nesse dia.
–-Enquanto você festejava, eu estava indo para o hospital porque tinha quebrado o braço. – comentei, com um sorriso.
Justin gargalhou alto e eu gargalhei junto. E nós dois ficamos falando de nossas vidas, brincando e rindo juntos, como se fossemos amigos há muito tempo. Ele me falou que a sua cor preferida era roxo e que os pais eram separados. Eu falei que gostava de dançar e que meu ídolo era o Michael Jackson. Ele comentou que tinha como diva a Beyonce. Aí entrámos numa pequena discussão de quem era melhor e Justin admitiu que não havia ninguém acima do rei da pop. Também falámos de como eram os nossos amigos e que a escola era um saco. Eu ria das besteiras que dizia que fazia na escola e dos absurdos que ele falava para os professores. Justin era engraçado, me fazia rir, e eu gostava disso. Acabámos fazendo luta de polegares e ele ganhou duas vezes, a terceira eu ganhei – mais provavelmente foi ele que deixou. Eu continuava sem saber de minha mãe. O mais certo era ela ter entrado numa loja e se ter “perdido” lá dentro. Não que me preocupasse. Estar na companhia de Justin era em mais legal do que experimentar vestidos com babadinhos. Continuámos brincando e rindo, e acabámos por dar alcunhas bobas um ao outro. Eu comecei a tratá-lo por rockstar – não que ele usasse pirceings, tattos ou algo do género, mais porque eu imaginava o rock com um estilo de música livre, divertido, barulhento. E era tal e qual Justin. Ele me fazia rir, falava alto, e também gostava de música. E ele começou a me tratar por angel – dizia que os meus olhos eram lindos e que o faziam lembrar de anjo. Como é certo, eu corei após esse elogio. Estávamos ali já há algumas horas. Entretanto, o sol se punha e eu fui incapaz de não notar, que o brilho deste se reflectia nos olhos dele. E o mais incrível era que ele também estava olhando para mim. Muito, muito, muito perto. Virei a cara rapidamente olhando para outro sítio que não fosse ele. Uma sensação estranha estava percorrendo a minha barriga, no entanto, eu não sabia nem o que era, nem o porquê. Quando me dei conta, estava fitando o violão, jogado dois degraus abaixo de nós.
–-Sempre quis aprender a tocar violão, mas não tenho nenhum. – me lamentei, olhando para minhas pernas, apenas cobertas pelos shorts brancos.
Senti Justin se levantar e voltei a olhá-lo. Ele desceu os dois degraus e se agachou, pegando no violão. Depois de pegar no instrumento, se voltou e veio em minha direcção, com um grande sorriso no rosto. Me perguntei o que ele tinha em mente.
–-E se eu te ensinar a tocar vilão? – ele perguntou com um sorriso travesso no rosto.
Acho que meu sorriso naquele momento foi a única coisa que eu precisei mostrar para ele perceber minha resposta.
Justin se sentou do meu lado direito, bem juntinho, pondo o instrumento feito de madeira, nas minhas pernas. Aquela estranha sensação na barriga voltou e eu fiquei um tanto constrangida.
–-Com essa mão aqui… – ele disse pegando gentilmente a minha mão direita, o que fez meu coração bater mais forte. Os meus olhos não desgrudavam das nossas mãos que ainda estavam em contacto. – …Você faz os acordes aqui nessas cordas – a pele dele era macia e a mão estava quentes. Olhei para ele de relance que sorria feito um bobo. Eu sorri também – assim… – ele posicionou os meus dedos de maneira a que agarrassem o violão e fizessem uma nota, cuja qual eu não conhecia. – Essa aqui é a nota sol. – ele explicou – Agora com a outra mão, basta você fazer cócegas nas cordas aí desse lado.
Fazer cócegas… sorri. Fiz o que ele mandou e logo saiu uma vibração do instrumento. Fiz de novo. E uma outra vez. Justin sorria.
–-Desse jeito? – perguntei, olhando para ele. Ele acenou com a cabeça em forma afirmativa. – Mas não dá para fazer uma música só com essa nota, né? – perguntei.
–-Não, mas se você aprender outras notas e novos acordes, consegue criar a sua própria melodia. – ele explicou. Eu observava todo o seu rosto. E mais uma vez, reparei que ele era muito bonito. Todos os traços de seu rosto eram simétricos e perfeitos. O cabelo loiro caía no meio da testa, os olhos só por si reflectiam luz, os lábios eram rosados e perfeitos. Mas quando ele sorria, parecia um deus. – Me empresta o violão e tocamos uma música juntos. – ele pediu.
Não percebi como é que ele ia fazer isso, porém não estava preocupada. Tirei o violão do meu colo, e pus no colo dele. – Agora eu faço os acordes e você faz…
–-…Cócegas nas cordas. Sim eu percebi. – falei o interrompendo, sorrindo, vitoriosa, após apanhar o raciocínio dele.
E começámos. Tocámos violão em conjunto. Tocámos só um pouquinho mas foi bastante divertido. Que bom, em um dia eu tinha aprendido a tocar violão. Desde que estivesse acompanhada. Posteriormente, que passei o violão e ele tocou sozinho. Era incrível a rapidez com que os seus dedos dançavam e rapidamente reconheci a melodia. “Broken Hearted Girl” da Beyonce. Já deveria estar esperando. No entanto, maravilhoso foi quando o Justin começou a cantar, olhando para mim. Como se me dedicasse a música. Me fazendo sentir extremamente especial. Única.
Me perguntei se o que eu estava sentindo era normal. Coração batendo forte e aquela sensação. Os olhos dele captavam a minha atenção e se encontravam com os meus. Estávamos acorrentados. Era como se ele conseguisse ver a minha alma.
Eu quis que aquele momento nunca acabasse. Que durasse para sempre. Aquele pôr-do-sol, aquela cidade, aquela música, aquele momento, aquela sensação. Aquele sentimento. Eu, ele. Nós. Eternamente.
Reconheci que a música estava acabando, mas nem mesmo ele desviou o olhar. Eu tinha um nó na garganta, e, por mais incrível que pareça, meu pulso ia aumentando à medida que ele se aproximava de mim.
E então, a música acabou, deixando as últimas notas ecoarem no ar e serem apagadas com o vento.
Continuámos imóveis, um olhando para o outro. Como se através daquele olhar pudéssemos explicar tudo o que estávamos a sentir. Ele levou a mão à minha face e fez uma leve carícia. Eu senti o calor vir até minhas bochechas tendo a certeza que elas tinham ficado vermelhas e olhei para minhas mãos que agora estavam grudadas uma na outra, tentado fugir do toque dele e da felicidade espontânea que senti, após aquele gesto.
No entanto, Justin, posicionou o polegar de baixo do meu queixo e me obrigou a olhá-lo. Levantei minha cabeça e, durante um segundo, o meu coração parou. Ele estava inevitavelmente perto. Tão perto que eu conseguia sentir a sua respiração quente na minha cara; distinguir os vários tons de castanho presentes em seus olhos. Eu sabia o que ia acontecer, e naquele momento, eu também o queria beijar. Não queria saber se só o tinha conhecido hoje, se só tínhamos falado umas horas, se ele ia ser o primeiro garoto que beijaria, se estávamos no meio da rua onde poderia estar pessoas passando.
Algo me dizia que estava certo. Por mais irracional que fosse. Porque, certamente aquele não seria um acto racional.
Ele colocou a outra mão do outro lado da minha face, e a acariciou novamente, enquanto nos aproximávamos mais e mais. E cada vez mais. E depois, fechei os olhos. Fechei os olhos, o mundo, a respiração, tudo ficou demasiado afastado. Aí, foi quando eu senti. Os lábios macios dele nos meus. Começámos por um selinho, mas rapidamente, dei passagem para mais. As minhas mãos estavam em seus ombros. E era em momentos como aquele, em que nossas línguas brincavam envergonhadas, que eu desejei que a vida tivesse um botão de “stop”. Estávamos seguindo o nosso instinto e o nosso coração. Sem sabermos o que aquele beijo ia significar para o outro. Sem ter a certeza de nada. Apenas daquele momento mágico e único, entre dois pré-adolescentes que nada sabiam sobre a vida. Não tinha sido que nem aqueles beijos que aparecem nos filmes debaixo da chuva, ou aqueles em que o garoto finalmente descobre que a ama e vai correndo ter com ela. Não. Tinha sido apenas um beijo. Um simples e envergonhado beijo. O nosso beijo.
Quando nos separamos eu abri os olhos e ele também. O meu coração batia mais rápido que uma bateria nos dias de festa, assim como aquela sensação. E quando nos fitámos, olhos nos olhos, coração no coração, eu corei, olhando rapidamente para baixo.
Eu, Kensie Newton, tinha beijado um rapaz que mal conhecia. Porém, aquilo era mentira. Conhecia Justin há pouco tempo, mas algo em mim sabia que o conhecia há muito. Que o conhecia bem, muito bem.
–-Você fica muito bonita, corada, sabia? – ele perguntou, com um sorriso.
Corei mais e ele riu, tirando as mãos de minha face. Voltei a olhá-lo. E lá estava ele, com aquele sorriso perfeito no rosto. Foi inevitável não sorrir também. Por mim, não falaria do beijo, mas Justin é totalmente imprevisível.
–-Eu não queria ter que admitir isso, para você não ficar convencida, mas sim… esse foi o melhor beijo da minha vida. – ele disse com um sorrisão. – Talvez porque foi o único. – completou, com um sorriso travesso no rosto.
Gargalhei alto. Com que então não era a única. A tensão tinha-se evaporado tão rapidamente como se instalara. Revirei os olhos.
–-Eu ia te dizer a mesma coisa. Mais eu sabia que você ia ficar se achando por ter beijado alguém linda como eu. – comentei, na brincadeira. Ele riu e murmurou outra coisa que eu não percebi. Depois olhou para o violão que estava no chão e eu o segui com o olhar. Ele devia tê-lo posto no chão de pedra antes de nos termos beijado.
–-Engraçado… Acho que o violão é um instrumento para ser tocado a dois. – ele disse, com uma cara super fofa, olhando para mim.
Eu ri. Que garoto bobo. E querido. Bobo mas querido. Porém, concordava plenamente com ele.
–-Você não pensava isso há quatro horas atrás. – retorqui, lançando um sorriso vitorioso.
Ele rolou os olhos, fazendo uma careta engraçada.
–-Isso é porque há quatro horas atrás eu não conhecia você. – ele disse super fofo, querido, meigo... Ok, esgotei meu leque de adjectivos carinhosos para descreve-lo.
Dei um sorrisinho torto. Se Justin queria me deixar sem graça, ele estava conseguindo. Porque eu estava corando, muito.
–-Deixa de ser fofo, garoto! – disse, rindo, tentando fugir do tom rosado que minha bochechas estavam ganhando e ele riu também – Não vê que assim você me deixa sem graça? – perguntei, rindo da cara dele.
Ele ia me tocar outra vez mas não deixei. Agarrei na sua mão e a afastei.
–-Não percebeu que é esse o meu objectivo? – ele perguntou também rindo, se juntando mais a mim.
Rolei os olhos. Só Justin. O conhecia há tão pouco tempo, mas ao mesmo tempo há tanto. Era tão… estranho. Especialmente estranho.
Ia afastar minha mão, mas ele não deixou. Ao invés entrelaçou nossos dedos e sorriu. Eu estava nas nuvens. Nunca me tinha sentido assim. Era tão lindo. Ele se levantou e me levou com ele. E eu, segui-o, com um sorriso. Queria saber aonde íamos ou o que íamos fazer, mas nada perguntei. Ele apenas desceu os dois degraus e me pediu.
–-Dá uma volta.
Eu dei, ainda com os dedos entrelaçados nos dele. Aquilo parecia tão certo. Éramos tão novos, sem problemas, apenas dois jovens com sonhos. Dois jovens totalmente felizes.
–-Dá outra. – ele disse sorrindo.
Dei outra, sem entender o que ele queria com isto. Ali eu reparei. Nós estávamos dançando, na rua. Que nem nos filmes românticos. Sem nos preocuparmos com o que as pessoas iriram pensar de tal coisa. Sem ligarmos para os carros que passavam. Sem ligar para o por do sol lindo que tornava o céu amarelo.
–-Você é louco. – disse com um sorriso.
E ele era mesmo. Era um louco lindo que em um dia, me transformou numa garota super feliz. Um louco que me fazia dançar com ele na rua. Um louco que gostava de roxo e que tinha uma almofada com o nome da sua cantora preferida. Um louco que cantava super bem e que tinha colocado seus vídeos no youtube para toda a família poder ver. Um louco que me fazia sorrir, apenas devido ao sorriso dele.
Ele encolheu os ombros. Aí tive uma ideia. Eu queria brincar, correr, me divertir. E Justin parecia ser uma companhia ótima para tal coisa. O cutuquei no ombro e gritei, começando a correr, pela pracinha:
–-Você não me apanha, Rockstar!
Ele rapidamente me seguiu. E obviamente, ele era em mais rápido. Tentei não me afastar daquela zona, correndo e gritando. Estava feliz. Bastante. Muito. Eu ria como se me minha vida dependesse disso. Como se aquele fosse o único dia que eu teria na sua companhia.
–-Te peguei! – ele gritou me abraçando por trás. – Agora você não foge, angel. — Quando me virei, para o ver, ele me roubou um selinho. Sorrimos. Os dois estávamos sem fôlego e riamos muito. Quando a risada acabava olhámos um para o outro e continuávamos a rir, voltando para as escadas do teatro. Ele entrelaçou nossos dedos e ficou brincando com eles.
–-Quando você vai embora? – ele perguntou, com um ar triste, olhando para nossas mãos.
Encolhi os ombros. Na verdade eu ia embora amanhã, mas não lhe queria contar. Não queria me lembrar disso. Queria ficar, presa no momento com ele. Assim como estávamos. Não queria ter que ir para Londres de novo. Queria ficar ali, onde meus pais não brigassem, onde não tivesse numa escola chata com pessoas chatas.
–-Não sei. – menti, olhando para a calçada debaixo de nossos pés enquanto andávamos.
Continuámos indo, de mãos dadas até ao teatro, empurrando um ao outro, rindo e brincando que nem dois idiotas. Nos sentámos de novo e ficámos vendo o por do sol, falando sobre coisas aleatórias. Ele brincava com mechas do meu cabelo e eu bagunçava o dele. Fizémos cócegas um outro e descobri que esse era o seu ponto fraco. No meio das brincadeiras e das parvoíce ele ia me deixando sem graça enquanto de roubava um ou outro selinho e pegava em minhas mãos de uma forma delicada. Ficámos ali, até que eu vi minha mãe aparecer no meu campo de visão.
E agora era a parte mais difícil. Aquela em que eu teria que ir embora. Lhe contei e ele assentiu, ficando rapidamente com uma cara super triste. Eu também estava triste. Mas não ia chorar. Minha mãe ainda estava longe mas ela não se ia aproximar mais. Me levantei, junto com Justin e ele rapidamente me abraçou. Abracei-o também, sentindo os seus braços à minha volta. O perfume dele. Porque é que as coisas boas não duram para sempre?
Naquele abraço apertado e repleto de carinho, ele perguntou num sussurro:
–-Você vai ver os meus vídeos no youtube, não vai?
Acenei que sim com a cabeça, lhe prometendo, inspirando com mais força aquele cheiro gostoso que provinha de sua pele.
–-Vou. E vou deixar um comentário bem fofinho e meloso para você, rockstar. – disse.
Ele afagou meus cabelos, fazendo carinho e falou com uma voz chorosa.
–-Espero bem que sim. Só não esquece de assinar, para eu responder com um meloso também, angel.
Eu ri, mas queria chorar. Não gostava de despedidas. Eu odiava despedidas. E aquele dia tinha sido tão diferente, tão fabuloso, tão especial. Não queria me despedir dele. Estávamos tão bem assim, juntinhos, queridos. Lágrimas molhadas com sabor a sal queriam brotar dos meus olhos azuis mas eu não deixei. Não suportaria chorar em frente a ele. Não soportaria que ele me visse chorando. No entanto eu queria ter a certeza que ele lembraria desse dia, mesmo quando fosse velhinho. Mesmo quando fosse casado, eu queria que ele se lembrasse de mim. Da sua angel.
–-Promete não esquecer de mim? – perguntei com certa insegurança, fazendo também carinho nos cabelos dele. Meus dedos se enroscavam nos fios aloirados de sua nuca, para depois se soltarem e faziam esse movimento, lento e seguido.
–-Prometo. E espero que você não se esqueça de mim. –
Eu era capaz de também ver que seus olhos tinham algumas réstias de água mas não ia comentar. Não ia ficar iludida, pensando que aquele dia tinha tido tanto significado para ele, quanto para mim. Mais eu Nunca me ia esquecer dele. Daquele sorriso bobo que ele soltava, desse abraço meigo, das suas bochechas coradas quando lhe dei um elogio. Daquele dia. Daquele momento. Nem quando fosse velhinha com cabelos brancos, eu não o ia esquecer. Ele, o meu rockstar. Era um fato.
Aí nos separámos e ficamos olhando um para o outro. E mais uma vez, vi como ele era lindo. E tentei decorar todos os traços de seu rosto. O seu nariz, o seus olhos, os seus lábios, a forma de seu cabelo. Então uma lágrima traiçoeira e nada digna de meu respeito, escorreu do meu rosto e ele a limpou, com um gesto meigo e delicado, passando seu polegar pela minha face, sorrindo.
–-Quando te verei novamente? – perguntei, olhando no fundo de seus olhos.
Eu realmente o queria voltar a ver. Um dia qualquer, numa hora qualquer. Só para saber se ele continuava igual. E nesse dia soltaria um sorriso, me lembrando daquele garoto que me roubou meu primeiro beijo. Naquele garoto que cantava nas ruas para ajudar a mãe com as finanças. Daquele garoto que me ensinou a tocar violão.
–-Não sei. – ele admitiu. — Mas você me vai ver, angel. – prometeu — Nem que para isso eu tenha que fugir de casa e ir para Londres. – eu ri, imaginando-o bem capaz de fazer tal maluqueira. – Eu juro, que nós nos vamos voltar a ver, nem que seja para lembrar desse dia… — a voz dele estava melancólica, triste, enrolada de agonia.
Acenei com a cabeça. E então num impulso incontrolável, domando pelo momento, esquecendo que minha mãe estava assistindo e que o tempo continuava andando, eu lhe dei um selinho. Lábios nos lábios, alma com alma.
Quando nos afastamos, eu lhe dei o meu maior sorriso, tentando transparecer a imagem mal conseguida de que estava tudo bem, e virei costas.
Comecei caminhando até minha mãe que me olhava de uma forma estranha, após ter visto aquela cena. Eu sabia que ela ia fazer um interrogatório quando chegasse ao pé dela. Perguntas como “Quem era aquele garoto?”, “Vocês já se conheciam?”, “Quando você vai voltar a vê-lo?” e essas babuzeiras. Eu simplesmente encolheria os ombros e fingiria que não sabia as respostas certas para cada uma delas.
Olhei mais uma vez para trás, por cima do ombro e vi o Justin, de pé, olhando para mim com um sorriso. Já estávamos longe um do outro, mas não longe o suficiente para que eu não visse a gota de água solitária que brilhava devido aos reflexos do sol que escorria, calma e livremente pelo seu semblante.
Olhei mais uma vez em frente e suspirei.
A verdade é que eu sabia as respostas àquelas perguntas, que minha mãe me faria. Aquele era Justin, o meu rockstar, o rapaz que em um dia roubou meu coração, e sim, eu já o conhecia. De uma forma muito estranha e humanamente impossível. Mais o conhecia, melhor que ninguém. E tanto meu coração como minha alma, sabiam disso. Assim como o destino, que jogou seus poderes sobre nós.
Porém, havia um pergunta que eu nunca seria capaz de responder por mim mesma…
Quando te verei novamente?
Flasback Off
Acordei no mundo rela, devido ao toque irritante que provinha do celular de Sindy.
Ela pegou a bolsa preta, que combinava com os seus shorts minúsculos e contrastavam com a camisa de alcinha decotada rosa, e abriu retirando o celular. Rapidamente se afastou para falar com quem quer que fosse.
Vadia.
Rolei os olhos.
Entretanto, quando dei conta, um sorriso brotou de meus lábios. Tinha mais duas garotinhas pequeninas, uma de cabelo cacheado castanho e outra de cabelo liso, conversando animadamente com Cassie.
–-Qual é a sua música preferida dele? – uma perguntava para minha irmãzinha.
–- Ele é tão lindo! Amo ele! – dizia a com cabelos cacheados, dando uma voltinha e fazendo ar de apaixonada.
Crianças são uma gracinha mesmo. Suspirei. Quem me dera conseguir voltar atrás no tempo, onde apenas com uma nova Barbie ou um abraço de papai eu me sentia realizada. Onde não tinha sequer problemas. Onde viva na pura inocência da infância sem saber os perigos e desilusões que me rodeavam. Ser ter noção do que era o mundo real. Do que era viver no mundo real. Minha irmã e as duas garotas continuaram falando sobre a super estrela, todas animadas, até que eu vi Sindy se aproximar de nós, com uma cara de ódio. Olhando para mim. Sindy estava com ódio de mim. Não que isso fosse novidade, eu apenas queria saber o porquê.
–-Kensie, onde está seu celular? – ela perguntou rude, mexendo naquele cabelo loiro falsificado. Me olhava desafiadora, como se me fosse bater.
Ainda bem que ao nosso lado tem um monte de gente que conseguem afastar essa doida de mim caso algo aconteça.
Revirei os olhos.
E a drama queen entra em acção.
–-Eu não trouxe. – respondi, séria mas calma. – Ainda me roubavam nesse meio de gente – disse, sabendo que era verdade. Bem que uma daquelas garotinhas fofas que agora estavam falando com minha irmãzinha poderiam ser terroristas e ter armas escondidas. É, claro. E eu ando mesmo vendo muitos filmes de acção. – Porquê? – perguntei.
Ela revirou os olhos.
–-Seu pai ligou, e disse que você nem ter ir nessa merda de show. Ele quer que você vá ter com ele, mal possa à firma.
Dei um grande sorriso, mostrando quase todos os meus dentes. Então era por isso que Sindy estava com raiva. Ela teria que assistir ao show, cheio de menininhas gritando o nome super popular da estrela de rock e eu não. Ela teria que aturar gritinhos histéricos, choros, seguranças, músicas bobas, e eu não. Eu, só teria que arranjar a forma mais rápida de me pisgar daquele local.
Nem me despedi de Cassie, uma vez que ela continuava entretida. Só teria que ir para firma pois papai queria falar comigo.
Paizinho, meu doce, já te disse o quanto te amo?
Notas finais
u.u o beijo rolou, o beijo rolou! Gostaram lindas?
Gente, domingo vou fazer competição de ginástica *tremendo* ainda por cima aqui está frio e eu tenho que estudar Matemática porque vou ter (novamente) exame semana que vem.
Mais, vocês vão torcer por mim né? Ok, se eu ganhar a medalha de ouro eu partilho tábom?
Entretanto, eu devia estar estudando para Química, uma vez que tenho exame amanhã, mais cara... Aquilo é facil e eu vou tirar ótima nota, não é mesmo?
Clarooo! *PALMINHAS*
E sabem quem faz anos daqui a um mês?
O meu Justiiiiiin! *gritinho histérico* ele faz anos no mesmo dia que meu primo ^^ O meu futuro namorado vai fazer 18 aninhos! (é, ele é meu ok?)
Rockstar (haha, alcunha do meu Justin) beijos :*
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