A Pessoa Que Eu Quero.
3 Três
Notas iniciais
AULA DE QUÍMICA
A Sra. Ferraz não é o amor em pessoa. Mas é mais que possível sobreviver a aula dela ficando de boca calada enquanto ela estiver falando e copiar as fórmulas que ela passa.
Queria contar a Pris sobre o acontecimento hoje mais cedo no ônibus. Porém essa minha quedinha Por Nathan Stark é um segredo nosso e não há muitos momentos que ficamos a sós, sem o Noah. Não que eu goste de guardar segredos, Pris tão pouco. Mas não quero que ele me olhe diferente. Ou me trate diferente.
Fico tentando entender se há algum motivo para ele ter se sentado do meu lado. Porque o último dia de aula antes das férias de meio de ano não é o dia que mais bomba de alunos no colégio. O ônibus estava quase vazio. Talvez ele não queria sentar sozinho, para que Beatrice não se sentasse com ele. É, deve ter sido isso.
***
As outras duas aulas seguintes (história) o Sr. Brown resolveu passar um filme para "Recompensar os esforços do Semestre" mas todos sabiam que ele não estava afim de se preocupar conosco hoje.
Não me pergunte sobre o que é o filme. Eu só conseguia prestar atenção em Nathan. Ele estava folgado na cadeira com os braços cruzados olhando para o além. E esse além era na minha direção. Mas sabia que não estava olhando para mim e sim para o que estava atrás de mim. Beatrice. Junto à um garoto do terceiro ano que de algum jeito conseguiu entrar na sala sem ninguém perceber.
Eles não estavam fazendo nada demais apenas conversando. Mas até mesmo a mais pura conversa se transforma em algo sacana nas mãos de um ciumento.
Ele de repente olhou para mim e eu estava olhando para ele. Não consegui desfiar o olhar porque os olhos dele tiveram um certo impacto sobre mim. Eu estava apoiado nas costas da cadeira, com a cabeça apoiada nos braços. Ele sorriu e eu sorri de volta.
– Ok? — mexi a boca sem emitir nenhum som somente para que ele entendesse.
Ele balançou a cabeça positivamente mas muito desanimado.
O sinal tocou.
Eu e Noah fomos os últimos a arrumar os materiais. Quando me virei para sair Nathan estava lá. Noah pareceu confuso.
– Será que posso almoçar com vocês? — Ele perguntou erguendo os ombros.
– Claro. — respondi mais animado do que pretendia ser.
Seguimos pelo corredor e encontramos Pris no seu armário nos esperando.
Ela o viu e tentou conter a surpresa. Sem sucesso.
Fomos ao refeitório pegamos nosso almoço e nos sentamos. Pris estava falando sobre um filme que havia visto na noite anterior quando Beatrice fez questão de passar ao nosso lado.
Noah não se aguentou e perguntou:
– O que aconteceu entre vocês dois?
Noah era parceiro de Nathan na aula de Química avançada. Então tinham uma certa relação.
– Demos um tempo. — Nathan respondeu fingindo normalidade. O que não era já que eles nunca passaram um dia separados deste que começaram a namorar no começo do ano.
– Achei que estava tudo bem. — eu disse lembrando da conversa no ônibus.
– É... eu também. — disse ele mordendo sua maçã.
Meia hora depois já havíamos terminado de almoçar. Ficamos conversando e a conversa esta consideravelmente agradável.
Até que Pris deu um salto da cadeira e disse para Noah:
– Meu Deus! Estamos atrasados para o ensaio da banda.
Noah não pareceu de importar.
– Ah. Qual é. É o ultimo dia. Eles não precisam da gente. — disse Noah com voz de preguiça.
–Precisam sim. Temos uma apresentação na InverCamp.
– O que é Invecamp? — perguntei mas fui ignorado enquanto Pris puxava Noah refeitório a fora.
– É o acamamento de inverno. — Respondeu Nathan incrivelmente tinha me esquecido que ele estava ali. Falta de costume talvez. — É para lá que metade dos alunos do Ensino Médio vão nas férias.
– Meu deus eu sempre perco esses eventos. — eu disse.
– Você pode vir esse ano. Talvez quem saiba fique na mesma casa que eu.
– Casa? — perguntei confuso
– Sim. Lá os alunos são divididos em cinco casas para concorrer entre si e no final do acampamento a melhor casa leva um troféu. A minha casa já tem 5. Empatado com a casa de Noah e Pris que também tem 5. Esse ano teremos a chance de desempatar.
– Isso é muito mais empolgante que ficar lendo as férias inteiras mas eu duvido que a minha mãe deixe.
– Eu peço para o meu pai ligar para ela e explicar. Meu pai faria questão. Ele era Monitor da minha casa quando estava no terceiro ano. Se eu te recomendasse ele faria o possível para te por no acampamento.
– Eu agradeço mas minha mãe é do tipo que quanto mais você a tenta convencer mais decidida ela fica.
Ele me olhou meio chateado mas parecia entender.
– Acho melhor a gente ir para a sala... — eu disse me levantando.
– Não. É o ultimo dia e o colégio tá quase vazio não vão dar falta se faltássemos as ultimas aulas. — ele disse com um sorriso torto.
– E para aonde vamos? Odeio admitir isso mas a sala de aula é o lugar menos tedioso dessa escola toda. — eu disse. O que era verdade. O colégio era grande mas nada que vale a pena ver.
– Isso é o que você pensa. — Ele fez um sinal com a cabeça para que eu o seguisse.
Olhei para as salas e para ele.
Bem... posso não ter outra chance como essa na vida.
O que tenho a perder? A aula de cálculo?
Então o sigo.
***
Saímos dos pavilhões principais e seguimos até o campo de Vôlei do colégio. Não há perigo de sermos pegos porque as aulas e os treinos são cancelados durante o inverno.
– É... você tinha razão... esse lugar é um show. — eu digo zoando.
– Cala a boca e venha.
Nós seguimos até o lado da arquibancada. Não entendo bem aonde ele está me levando. A algumas horas se me falassem que estou indo para o lugar mais deserto do colégio com Nathan Stark eu não acreditaria. Mas tenho que admitir que já que está acontecendo.... Estou com medo.
– Chegamos. — ele disse. Parecia fazer sentido a ele.
– Eu olho e apenas vejo a lateral da arquibancada. Ele pega um graveto enfia em um buraco na madeira da arquibancada e puxa. Nisso uma portinha vem junto. E lá dentro há toda uma área de lazer. como uma Disney secreta dentro do Colégio. O que mais me chama atenção é uma mesa de sinuca enorme lá no meio. E ao redores há poltronas, estantes de livros, prateleiras com troféus e medalhas. Um frigobar um alvo de dardos e diversas outras coisas.
Nathan se senta numa poltrona.
– Não vai sentar? — ele pergunta se divertindo com a minha cara de surpresa.
– Não. Eu vou embora.
– O que?! Porque?
– Eu que pergunto: Porque? Há algumas semanas nem sabia meu nome e agora até me mostra um quartinho do pânico dentro do colégio? PORQUE?
– Eu acho você legal.
– Você nem me conhece.
– Mas quero conhecer. Qual sua cor preferida?
– Han? Essa é a primeira pergunta que me faz? Porque não me pergunta a minha idade ou sei lá?
– Sua idade não vai me dizer nada de legal sobre você. Já a sua cor preferida vai.
– Tchau. — Eu digo ainda confuso e saio da sala/arquibancada.
Sinto ele me observando mas ele não vem atrás de mim. Parte de mim gostaria que ele viesse. Grande parte.
***
Eu chego em casa e vou direto para a cama. Deito e fico olhando para cima.
Vocês devem pensar que sou um completo idiota. Mas eu não conseguia entender o que havia acontecido. O que eu fiz. O que ele fez. E porque.
Algumas trocas de olhares e sorrisos não nos aproximaríamos tanto de uma única fez.
Passei horas pensando em como dizer um "Oi" e de uma hora para outra estávamos sozinhos em um esconderijo no meio da escola. Isso não faz sentido algum.
Meu celular vibra.
1 Nova Mensagem
" Pris: Aonde você está? Cansei de esperar estou indo para casa"
Minha mãe entra no quarto.
– O que esta fazendo em casa tão cedo?
– Não me senti bem. Pedi para vir embora.
– Você está com uma cara péssima mesmo. Há uma caixa de remédios na gaveta do balcão da cozinha. Se quiser pegue qualquer coisa lá. E arrume esse nojo de quarto.
–Sim, senhora.
Simplesmente tranco a porta e me permito cochilar.
***
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