A Perda

1 Capítulo Único


Eu olhava para meu irmão e minha amada parados em frente ao altar da iniciada catedral de Kingbridge. Ela trajava um simples vestido de lã da cor original da lã e um véu branco sem muitos detalhes e Alfred não vestia algo muito melhor, pelo contrário.

Na minha mente eu ainda repetia inúmeras vezes que Aliena não se casaria com Alfred, que na hora H ela diria não. Mas isso não aconteceria, o casamento estava prestes a começar logo na minha frente e eu era um simples homem que estava sendo treinado para um dia se tornar monge.

Eu sabia que não poderia s~e-lo, pois desejar a mulher do outro era pecado e ainda mais a do irmão.

Pensei em sair correndo pelo corredor da nave, mas os monges perceberiam que havia algo de errado e após a celebração perguntaria pelo feito e eu não poderia responder.

Minhas mãos estavam fechadas a frente de meu peito, palma a palma, em adoração a Deus. O prior celebrava o casamento e os demais rezavam para que os noivos fossem felizes juntos. Soltei as mãos deixando-as paradas e coladas ao corpo, eu não prezava pela felicidade de meu irmão, não por tudo que ele já havia feito comigo e minha mãe.

Foi então que lembrei-me: Ontem a noite Aliena e eu havíamos feito o maior ato de amor entre um homem e uma mulher, mas parecia não significar nada para ela. Levei as mãos a face para certificar se ela não estava rubra, mas estava.

Tentei dar um passo a frente, mas havia mais monges ali impedindo a passagem. Respirei fundo e o homem ao meu lado percebeu que eu estava inquieto.

Respirei fundo novamente controlando-me, mas foi em vão.

- Não — sussurrei como se estivesse ensaiando algo.

Os monges ao redor estavam, agora, distraídos sussurrando preces ao casal. Era a minha chance — pensei.

- Não — gritei ultrapassando os monges a minha frente sem pensar o que havia feito — Não, Aliena!

Mas foi em vão; o casal se assustou, os monges pararam as rezas e vieram em sua direção. Segurando-me, quatro monges me arrastavam em direção a nave.

O casamento continuaria de qualquer modo, embora eu não o quisesse. Lágrimas escorriam pelos meus olhos e eu não as podia limpá-las, pois os outros seguravam o meu braço mesmo sem haver uma resistência de minha parte.

Ao passar pela porta da frente vi minha mãe, Ellen, segurando uma galinha e uma faca. Queria que ela viesse ao meu encontroe assim poderia me aconchegar em seu colo, mas ela não o fez.

Ellen entrou na igreja determinada a fazer algo e assim saiu de minha visão.

A partir daquele dia eu sabia que o prior não me aceitaria como monge e as esperanças de um dia me casar com Aliena se foram para sempre.

FIM

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