Notas iniciais
Aqui está mais um. Obg pelos comentários! Boa Leitura!

Aya pareceu um tanto confusa quando acordou e viu Sakura, na manhã seguinte. Claro, ainda era uma estranha para ela.

Sakura resolveu pedir que Kyoko, a ex-babá, viesse vê-la, mas quando ela chegou, ao invés de sentir-se aliviada, a pequena começou a chorar.

Imediatamente Sakura a tirou do berço, conversando suavemente com ela para que se acalmasse. Amuada, Kyoko resmungou:

– Ela não gosta de mim... Na verdade, não é uma boa menina. Fiquei com ela só porque precisava do dinheiro. E também por causa de sua pobre mãe. — Ela atravessou o quarto enquanto falava, sem desviar os olhos de Sakura, que pegava outra mamadeira para oferecer a Aya. — Ela não toma o leite... É uma criança muito difícil. Vou gostar muito de voltar para Roma.

– Roma! — Sakura exclamou.

– Estava trabalhando lá quando a mãe dela me disse que precisava de alguém para tomar conta da criança. Disse que não podia cuidar dela sozinha e que o pai não a ajudava. Ele não ligava para a filha, brigavam o tempo todo. Ela sempre dizia que queria não ter se casado com ele, que era muito grosseiro.

Sakura resolveu ouvi-la calada. Não lhe parecia conveniente que a outra ficasse a falar dos problemas conjugais entre o Uchiha e sua falecida esposa. Mas não a interrompeu. Queria ouvi-la, apesar de sentir sua indignação crescer a cada instante.

– Ela não queria ter a criança. Mostrou-me muitas fotografias de quando vivia em Londres. Usava roupas bonitas, posava para fotos...

– É muito triste que tenha morrido. — foi tudo que Sakura conseguiu dizer.

– Sim, uma tragédia. — A empregada concordou, continuando: — Antes do acidente eles haviam tido uma briga séria. Ela tinha bebido demais. Disse que o deixaria assim que voltassem para Roma.

Sakura tentou não demonstrar o quanto as revelações de Kyoko a chocavam. Como o Uchiha podia ter se comportado daquele jeito com a própria esposa, a mãe de sua filha? E nenhum dos dois desejar a criança?

– Pobre menininha... — Sakura não pôde deixar de lamentar enquanto oferecia a mamadeira à pequena. — Perder a mãe tão cedo e ter uma pai tão displicente...

– É verdade, ele não tinha sentimentos.

Cansada, Sakura pediu a Kyoko que levasse as roupinhas sujas da bebê para o andar de baixo. Queria sossego para aproveita um pouco mais aquele momento com Aya.

Estava cantarolando uma canção de ninar quando o Uchiha entrou no quarto. No momento em que o viu, Sakura pôde sentir claramente a raiva que vinha se formando dentro de si. Aquele homem não tivera nenhum controle nas brigas com a esposa, e deixara que ela se atirasse para a morte. Nunca desejara e nem amara a pequena Aya.

Quando ele caminhou na direção delas, Sakura ficou tensa.

– Como ela está?

– Com sono, mas tomou toda a mamadeira.

Sasuke olhou para Aya, que parecia alegre nos braços de Sakura, e não pôde deixar de sentir uma ponta de ciúme.

– Dormiu a noite toda?

– Bem, não... não dormiu... mas eu não esperava que o fizesse. Sou uma estranha para ela, e ela não estava bem. Deve estar confusa, pobrezinha. São muitas mudanças em seu tão pouco tempo de vida.

– Foi por isso que frisei na agência que queria um contrato de longo prazo com você. Espero que tenham lhe informado de que preciso de um compromisso seu de que ficará com Aya pelos próximos cinco anos.

A arrogância do Uchiha era mesmo indescritível. Seu tom autoritário fez com que Sakura automaticamente exibisse uma expressão mal-humorada.

– Sei que para uma mulher como você não deve ser fácil assumir esse tipo de compromisso. — ele disse e fez uma pausa, examinando cuidadosamente a reação dela.

Tanto a cor de Sakura quanto o seu mau humor ganharam intensidade. O que ele queria dizer com "uma mulher como você"? Ela desejou responder com ironia, mas seu treinamento não permitia.

– Além disso. — ele continuou. — Mesmo que não haja nenhum homem em sua vida agora... — o conde interrompeu-se novamente para olhá-la de um modo que fez o sangue dela ferver de indignação. — Os homens italianos têm um fraco por mulheres da sua cor, mesmo que a experiência mostre que relações entre pessoas de culturas diferentes só trazem complicações. Quero que saiba que não poderá estimulá-los. As mulheres européias teimam em pensar que os italianos são apenas homens de sangue quente, amantes apaixonados, movidos pelas emoções e não pela razão. Não se empolgue.

Sakura não pôde se controlar mais. Ela era uma profissional e não uma garota tola em busca de romance. E se era isso que ele pensava dela, por que a teria contratado? Antes que pudesse dar voz à sua indignação, o Uchiha prosseguiu friamente:

– Devo admitir que pela foto que a agência me mostrou achei que fosse menos... menos atraente do que é.

Atraente? Ela? Sakura não conseguia decidir se se sentia ofendida ou lisonjeada. Era verdade que as fotos que a agência havia tirado dela estavam desatualizadas fazia uns dois anos. Nelas, seus cabelos estavam presos e usava uma franjinha sem graça. Agora seus cabelos estavam mais compridos e soltos.

Também era verdade que o sol das férias de verão que passara na praia com a família para a qual trabalhava antes havia deixado seus cabelos com alguns reflexos mais claros. E que o fato de correr o dia todo atrás de dois garotos cheios de energia havia diminuído em dois números o seu manequim, sem que fizesse nenhuma dieta.

E também não faria nenhum esforço agora para parecer atraente aos olhos dos "homens italianos", que em seu entender deviam certamente preferir suas mulheres grandalhonas e robustas, com curvas generosas.

– Cinco anos é tempo demais para que uma mulher de sua idade fique...

O Uchiha continuava, mas Sakura recusou-se a deixá-lo terminar a frase.

– Fique o quê? — ela provocou diretamente.

Sabia que percorriam um caminho perigoso. Seu instinto avisava que havia algo mais naquela conversa. Algo que ela não tinha a menor vontade de perceber claramente. Algo que fazia com que seu pulso se acelerasse e que lhe provocava um tipo de excitação que não lhe era familiar.

– Você não é nenhuma freira que tenha feito votos de castidade. — ele falou sem cerimônia. — É natural que queira...

Sakura já tinha ouvido o bastante.

– O que eu quero... — ela disse pronunciando pausadamente as palavras — ...É que me permita fazer o trabalho para o qual me contratou, oferecer amor, estabilidade e segurança para uma criança de seis meses que nunca vai conhecer a mãe. E se você pensa por um instante sequer, que eu vim para a Itália com qualquer outro objetivo...

Ela dirigiu a ele um olhar orgulhoso, com um tipo de franqueza que normalmente se sentiria inibida e controlada demais para demonstrar.

– Sou uma mulher moderna, Senhor Uchiha, e posso lhe assegurar que a última coisa que tenho em mente é me envolver em flertes inconsequentes ou arranjar um marido.

– Seu currículo diz que você adora crianças.

– Eu adoro crianças. — ela concordou, franzindo o cenho.

O que ele estava tentando fazer? Talvez, devido ao que acontecera no dia anterior, houvesse mudado de idéia quanto a empregá-la. Talvez sua consciência pesasse pela irresponsabilidade de ter entregado a filha aos cuidados de uma mulher que, até onde ele sabia, havia roubado seu carro. Mas se o Uchiha estava pensando que ela permitiria que questionasse sua dedicação ao trabalho, enganava-se redondamente.

– Então é natural que em algum momento queira ter seus próprios filhos.

Sakura abriu a boca para protestar, mas fechou-a novamente. Claro que desejava algum dia ter sua própria família. E, além disso, construí-la com um homem a quem amasse e que a amasse também. Mas no futuro!

Havia apenas um bebê em sua mente naquele momento, e era o bebê dele.

– Estou pronta para assinar o contrato e me comprometer legalmente com os cuidados de Aya pelos próximos cinco anos. — ela declarou com firmeza.

Sakura não disse, mas já estava comprometida emocionalmente com Aya, o que era muito mais importante. Nada a faria abandonar o pequeno bebê daquele homem descuidado e irresponsável!

Absolutamente contra sua vontade, Sasuke não conseguia desviar a atenção do belo movimento que os seios dela faziam enquanto falava tão furiosa, só desejava poder tocá-la e confirmar se eram mesmo tão macios quanto pareciam.

Claro que Sakura, mesmo inconscientemente, percebia o que ele pensava e reagia. Uma mensagem secreta parecia ter sido enviada aos sentidos dela, e seus mamilos se contraíram sob o tecido Dino da camiseta, exatamente como da primeira vez em que ele a vira.

Ela sentiu o rosto queimar de vergonha e de raiva. Como aquilo podia estar acontecendo com ela? Nunca fora do tipo de pessoa que reagisse daquela maneira.

Para seu alívio, Sasuke afastou-se dela.

– Muito bem, então. Podemos ir para o meu escritório, onde poderá ler o contrato e assiná-lo.

Antes de sair, Sasuke se aproximou do berço de Aya e sorriu ao ver a criança adormecida. Tocou gentilmente o rostinho rosado e beijou-lhe a testa. Quem não o conhecesse e assistisse à cena diria estar diante do pai mais amoroso e dedicado do mundo.

– As pessoa que trabalham comigo há mais tempo me chamam pelo meu primeiro nome, Sasuke. Quero que faça o mesmo.

Sasuke. Forte e melodioso ao mesmo tempo... Como uma combinação de aço com veludo... Na verdade, um nome que combinava com ele.

– Vou ter de me ausentar durante a manhã. Se Aya não lhe parecer bem, chame o médico no mesmo instante. Madalena tem o número.

Enquanto o acompanhava ao longo do corredor, Sakura forçou-se a lembrar que era pelo bem de Aya que fazia aquilo. O bebê precisava dela, e Sakura não podia abandoná-lo. Não naquele momento.

O caminho para o escritório de Sasuke era decorado com peças belíssimas, de tirar o fôlego. Mas, para surpresa de Sakura, o interior do cômodo era decorado num estilo bem mais moderno e clean, prático e de extremo bom gosto.

Era o escritório de um homem singular, ela reconheceu. A princípio imaginara que fosse obra de um decorador contratado, mas um exame mais minucioso indicou que havia ali vários detalhes que marcavam um estilo único, pessoal. Havia um porta-retrato com a impressão de um pezinho, que ela concluiu ser de Aya, e uma escultura do busto de um homem cujas feições lhe pareciam familiares, embora ela não houvesse entendido o porquê até que Sasuke lhe disse.

– Meu pai. Ele e minha mãe morreram em um desastre de avião. Meu tio, irmão mais novo de meu pai, estava pilotando. Ele e outro tio também morreram.

Sakura suspirou audivelmente. O que ele acabara de dizer fazia com que parecesse tão mais humano, tão... vulnerável. Mas ela não queria pensar nele daquela forma, não queria que seu coração se condoesse por um homem que era na verdade insensível.

– Foi meu pai quem me encorajou a estudar arquitetura. — Sasuke continuou, como se falasse mais consigo mesmo do que com Sakura. — Ele dizia que, embora um dia eu fosse herdar tudo o que era dele, eu precisava ter minha própria vida, ser independente, em vez de andar à sombra dele... Claro que ele não podia imaginar que morreria tão cedo. Sinceramente, eu queria ter tido mais tempo...

Sakura pôde perceber a dor na voz dele. Chamava-lhe a atenção que ele falasse sobre a perda dos pais e mostrasse a dor que sentia, mas que não tocasse no nome da esposa. Nem mesmo quando falava de Aya ele a mencionava.

Será que o pensamento era tão insuportável que ele não conseguia falar a respeito? Será que se sentia culpado pro sua morte?

Sakura observou-o enquanto abria umas das gavetas da mesa e pegava algumas folhas de papel.

– Aqui está meu contrato. — disse, o olhar severo quando percebeu que ela mantinha uma distância segura entre eles. — Se você chegar um pouco mais perto, posso lhe explicar algumas cláusulas. — Marco disse em tom irônico, indicando com a mão o espaço entre eles. Relutante, Sakura deu alguns passos à frente.

A sala estava agradavelmente fresca quando ela entrara, mas naquele instante sentia tanto calor que o ar parecia lhe faltar. O aroma masculino, perigosamente íntimo, a embriagava.

Sakura ficou ainda mais tensa quando Sasuke se aproximou dela e lhe entregou o documento.

– Se concordar com todos os termos do contrato, por favor, assine.

Sakura leu e, sem nada dizer, assinou o papel, observando enquanto ele assinava seu nome abaixo do dela. — Então... — ele falou com suavidade. — Você agora tem um compromisso com o futuro de Aya.

Sakura começou a afastar-se, mas parou quando seu quadril esbarrou na ponta da mesa, fazendo-a soltar um pequeno gemido. Sasuke se voltou para ela, perguntando o que tinha acontecido. Ela começou a explicar que não fora nada, mas para seu constrangimento, ele se aproximou e tocou seu quadril, os dedos quentes contra o tecido fino de sua roupa.

Sakura imediatamente corou e Sasuke ficou tenso. Em uma comunicação sem palavras ele a segurou firmemente a sua frente, e ela soube exatamente o que iria acontecer. Já não havia imaginado aquela cena uma dezena, não, uma centena de vezes, em seus pensamentos mais profundos e secretos?

A corrente elétrica entre eles era forte e excitante. Sakura pensou em afastá-lo com as mãos, mas ao tocar o tecido de algodão da camisa, sua razão pareceu evaporar-se. Podia sentir a rigidez dos músculos do peito largo, a textura dos pelos por baixo do tecido macio. Ele era tão incrivelmente másculo! Estaria ela enlouquecendo?

Quando levantou o rosto, encontrou o desejo explícito nos olhos dele. Como uma presa nas garras de seu predador, ela ficou paralisada.

– Não. — murmurou quando percebeu que ele inclinava a cabeça em sua direção. Mas era tarde. Sasuke tomou sua boca em um pedido suave, silenciando qualquer objeção.

Os lábios dele despertavam em Sakura pensamentos caóticos, o desejo fluía... Ele se movia com experiência, primeiro destruindo suas defesas e depois seduzindo, provocando, até que ela lhe desse a resposta que tanto desejava.

Com o roçar suave dos lábios dele nos seus, podia fazer surgir um desejo tão forte, quase incontrolável de se encostar a ele, de segurá-lo com força, abraçá-lo e continuar beijando-o para sempre?

As mãos que antes a aprisionavam não precisavam mais de qualquer esforço. Ao contrário, podiam acariciar seu pescoço, agarrar-se a seus cabelos, envolvê-la totalmente no encantamento daquele beijo.

Sakura sentia seu corpo em chamas... Ansiava por Sasuke...Desejava-o...

Mas de algum lugar veio o pânico que lhe deu forças para retirar-se da correnteza que a carregava. Afastando-se bruscamente dele, ela perguntou, a emoção transparente em sua voz:

– Por que... Por que fez isso?

O mero olhar dele a fazia tremer.

Sasuke perguntava-se como ela reagiria se lhe dissesse a verdade, que a beijara simplesmente porque não tivera opção. Fingindo uma frieza que estava longe de sentir, ele respondeu:

– Fiz isso porque você esperava que eu fizesse, desde o primeiro momento em que a vi. Era inevitável que acontecesse, e uma vez acontecido, o caminho será mais fácil, daqui para frente.

Sakura não podia acreditar no que ouvia.

– Não! Eu nunca...

– Sim. — Sasuke se adiantou a ela. — Quando vi você atravessando a rua, você olhava para a minha boca como se quisesse experimentá-la em lugar do sorvete que tomava. Uma vez que satisfiz sua curiosidade, talvez possamos...

Sakura estava prestes a irromper em lágrimas. Como ele se atrevia a sugerir aquilo?

– Não. — Ela se recusava a voltar atrás e assumir a culpa pelo que ele começara. — Foi você que ficou me encarando...

Ela sentiu-se corar ao lembrar-se do olhar de Sasuke detido em sua camiseta molhada. Não seria possível trabalhar para aquele homem...

Seu olhar desceu até o contrato que acabara de assinar. Como se pudesse ler seus pensamentos, Sasuke falou em tom autoritário:

– É tarde para arrependimentos, mocinha.

Continua...

Notas finais
Será que já mereço recomendações? Hn? Comentem!