A Pequena Psicopata
9 O segredo de Ariana
Notas iniciais
Em itálico: Flashback
-Simples, Lincon. Quero que meu pai faça o testamento para mim e depois mato ele. Morte rápida, sem sofrimento. Depois que a minha mãe sofrer bastante com a morte dele eu foi torturar ela até a morte.
No dia seguinte Lincon e Ariana estavam no escritório do pai de Ariana. Os pais da garota ainda não voltaram da cidade. Segundo o mordomo eles haviam ido procurar um juiz de paz novo. Isso deu a Ariana um tempo para pensar e botar os planos em dia. Enfim, Lincon estava sentado em uma confortável poltrona virada para a varanda, pelo qual dava uma bela visualização do por do sol. Ariana andava pela sala e falando seus planos com Lincon. O que o garoto achava mais estranho era porque o pai tinha que morrer rápido e a mãe devagar. Então absorto pela curiosidade ele perguntou.
-O que seus pais fizeram para você desejar a morte deles assim?- Então virou a cadeira, mas viu o rosto de uma garota. A garota que Ariana poderia ter sido.
Ela soltou um longo suspiro e foi até a cadeira, sentou no colo de Lincon e encostou a cabeça no ombro dele. Então começou a contar
Eram mais ou menos uma da tarde na mansão Carter. Na sala de estar, a família estava reunida. Audrey e Luke estavam sentados em uma cadeira admirando uma garota alta, de cabelos loiros dourados, que devia ter uns 7 anos, que fazia uma dança descoordenada e sem nexo. Mesmo assim eles batiam palmas e falavam que a garota era demais. Em um canto da sala, sentada no chão, Ariana, que na época tinha 5 anos, lia um livro que aparentemente tinha 800 páginas. A leitura era feita compreensivamente. Ariana estava muito quieta, até que Audrey gritou para ela fazendo a garota de cabelos Loiro-dourados cair na gargalhada.
-Ei sua nojentinha! Olhe sua irmã e veja como uma garota normal deve ser!
Luke fez uma cara de quem comeu e não gostou e disse para Audrey
-Querida, não fale assim com Ariana... Ela tem também suas qualidades e...
-Eu sei muito bem como eu falo -retrucou Audrey- Nós dois sabemos que Thalita é muito mais talentosa e inteligente que essa nojentinha. Não é Thalita?
-Claro mamãe.-respondeu a garota de cabelos loiro-dourados que se chamava Thalita- Ouviu seu saco de estrume?
Ariana que até aí fingia que não escutava simplesmente ergueu os olhos do livro e fitou Thalita por alguns segundos. E depois respondeu simplesmente \"Que seja\" e saiu da sala sobre olhares de desprezo de Audrey e Thalita, e um olhar de pena de Luke.
Lincon escutava aquilo e quase chegou a não acreditar que Ariana tinha uma irmã. Resistiu ao desejo de perguntar o que acontecera a irmã e apenas continuou a ouvir Ariana. De qualquer modo estava adorando estar abraçado a garota sentindo o perfume dos cabelos loiros-brancos. Ele escorou a cabeça em cima da dela enquanto ela continuava falando.
Arnaldo estava servindo o jantar naquela noite. As garotas mostravam aos pais o boletim com as notas da escola. Ariana estava agora com 9 anos, e já era a mais avançada da classe, tanto que a professora teve que adiantar a garota dois anos, fazendo com que ela ficasse na sala de Thalita. Todos a admiravam, menos as duas pessoas que ela queria receber admiração. Audrey pegou as notas de Thalita que exibiam apenas \"Cs\" \"Ds\" e \"Fs\". A mãe das garotas sorriu para a mais velha das irmãs e disse.
-Tha-tha! Que ótimas notas! Iremos hoje a uma loja para comprar alfumas roupas novas para você!
Ariana suspirou baixinho e olhou para os trapos que vestia, que haviam pertencido a Thalita. Ela nunca ganhava roupas novas. Então vendo que as adulações a Thalita haviam acabado entregou seu boletim, que exibia apenas \"As\". Audrey olhou com desprezo e apenas disse:
-Não fez nada mais que a sua obrigação. Agora retire-se.
-Ainda não acabei meu jantar.- Ariana respondeu olhando para o prato.
-Mesmo assim. Está atrapalhando a glória de Thalita. Saia agora
Ariana lançou a Audrey um olhar malígno e se retirou. Luke soltou um longo suspiro mas não disse nada.
O sol já começava a se por. Lincon pensou que apesar de seu pai ser muito chato, regulamentador e manipulador, nada se comparava aos pais de Ariana, que parecia que desde que nasceu nunca havia reçebido amor na vida. Não era a toa que ela era tão fria. Mas ele pode jurar que viu uma lágrima teimosa descer pelo rosto de Ariana enquanto ela contava.
Thalita descia correndo e cautelosamente para um lugar bastante escondido no pomar. Quase estava pulando de tanta emoção, pois havia reçebido uma carta de seu amor platônico Cadu, pedindo que se encontrasse com ela naquele lugar. Ela sabia que os pais nunca aprovariam o namoro, por isso estava indo em plena noite, escondida.
Ela chegou ao locar marcado, mas estava vazio. Thalita murmurou \"Cadu?\", mas não escutou a voz de seu amado, mas sim uma voz fria, sem emoção.
-Ele não está. E nem vai vir.
Ela se virou e viu a irmã de 12 anos parada, segurando uma coisa que ela não sabia dizer muito bem o que era. Thalita sorriu maliciosamente e respondeu.
-Aposto como você o mandou embora. Quer se vingar pelo fato de eu ser a melhor não é?
-Acredite minha irmã... Cadu nem chegou perto de nossas terras. A carta que você reçebeu era minha. Sou boa em falsificar letras sabe?
-Porque fez isso em saco de estrume? Que plano idiota para me fazer de boba!
-Na verdade, eu queria voçê aqui por outro motivo...
-E porque motivo?
-Esse.
Ariana avançou para cima de Thalita com o que estava segurando. Era uma marreta. Thalita nem teve tempo de se defender. Levou uma machadada na cabeça e cambaleou para o lado. Antes que pudesse correr levou outra no toraz fazendo com que ela caisse no chão. Morrendo de dor, sentiu mais marretadas, até que não sentiu mais nada. Nem a vida.
Ariana olhou para o corpo morto da irmã. Estava coberto de sangue. Ela sentium estranho prazer em ver isso. Sentiu uma enorme satisfação de ver a pessoa que ela mais odiou morta ali, e principalmente se sentia feliz e sem nenhum remorso. Então descobriu que tinha um dom. O dom do sangue frio, o dom do desejo de matar e ver as pessoas que mais odiava mortas por ela mesma. Mas aquilo que havia feito a irmã era pouco. Ela merecia mais.
No dia seguinte, o jardineiro regava as petúnias até que suas necessidades fisiológicas falaram mais alto. Ele correu para o banheiro externo a casa, mas quando abriu a porta, viu uma coisa terrível. Ele soltou um grito que atraiu os pais preocupados com o sumiço da filha.
No banheiro, os braços, pernas e tronco estranhamente destroncados de Thalita estavam amarrados pelas parredes do banheiro por arame farpado, fazendo-a parecer um boneco controlado por cordas. Sua boca estava costurada com linha grossa. Em seu peito e resto do corpo havia cortes e hematomas cobertos por uma substancia verde e mal cheirosa que parecia fazer com que ela apodrecesse mais rápido. As pessoas ali presentes, exeto Ariana que estava fingindo, ficaram chocadas, principalmente Audrey que desejou que a filha não tivesse sido muito mimada.
-E desde aí eles me tratam com mais respeito e consideração. Até gostei do trabalho que fiz...- Concluiu ela.
Lincon estava ao mesmo tempo pasmo, ao mesmo tempo surpreso e ao mesmo tempo com pena. Não disse nada apenas acomodou Ariana em seu colo e aconchegou-a em seus braços, para observarem o por-do-sol.
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