A Pequena Psicopata
6 O Juiz de paz
Notas iniciais
Em meio da névoa densa que cobria as vidraças da cidade, um homem caminhava por uma estrada de terra que levava ao pomar da mansão Carter. O homem carregava sobre os ombros um pesado embrulho que se mexia debilmente. O homem caminhou até um lugar bem no centro do pomar e encontrou Ariana Carter sentada em uma pedra, que apesar de ter o rosto, as mãos levemente machucadas, as vestes e os pés descalsos sujos de terra estava sorrindo com um sorriso malicioso e falso.
-Obrigada Arnaldo! -Exclamou ela, que apesar de calma sua voz estava ofegante- Coloque ele aqui -E apontou para um fundo buraco no chão que ela mesma cavara, e parecia uma cova.
O mordomo virou o saco para baixo e um outro homem de aparência macilenta caiu. Ele estava amarrado, amordaçado e com um visível ferimento na cabeça. Mas ainda estava vivo e consiente.
-Já busquei o homem. Agora me diz porque você quer matar ele?
-Não é óbvio? Esse homem é o único juiz de paz da cidade. A morte de Everaldo atrapalhou tudo que eu tinha e mente.
-Achei estranho essa morte do Everaldo. Pelo o que eu conheço de você, você gosta de mortes com muito sangue e tortura...
-Já disse que não fui eu que matei ele. Ele não devia ter morrido. Agora vou ter que manter vivo aquele chato do Lincon. E não me pergunte porque! -Ela interrompeu quando o mordomo abriu a boca para dizer algo- E pelo o que eu sei dos meus pais eles vão querer adiantar esse casamento...
-E o que tem a ver?
-Ãã. Ele é o único juiz de paz que tem aqui! Se ele sumir, até arrumar um novo me dá um tempo para pensar. Lincon vai ficar na casa dos meus pais até acharem o testamento de Everaldo. Agora me ajude aqui.- E jogou uma pá para o mordomo.
-Você vai enterrar ele vivo?
-Claro que sim. O que achou que seria?- Agora o mal humor de Ariana era realmente notável.
O juiz olhou desesperado para Ariana e depois para Arnaldo. Mas não teve nenhum efeito. Os dois cobriram em menos de meia hora o agitado juiz. Depois de se certificarem que o chão estava bem coberto, Ariana cobriu aquilo com algumas folhas. Então ela e o mordomo volaram para a mansão, os dois sujos de terra. Arnaldo ccoemçou a fazer perguntas para Ariana sobre seus planos mas esta não respondeu e subiu para o banheiro.
Meia hora depois, Ariana saiu da banheira que contia uma água já turva, enroscou-se na toalha felpuda e se voltou para o espelho. Uma garota macilenta, loira e com olhos muito azuis olhou ara ela. Ela contemplou o próprio corpo. Não tinha as formas que uma garota normal de 14 anos tinha. Era demasiado magra e branca, e seus cabelos quase brancos que chegavam a cintura eram muito lisos. Ela observou por alguns minutos. Fazia tempo que não olhava atentemente para si mesma. Por um momento desejou ser um pouco mais bonita, mas esse desejo passou com alguém batendo a porta. Ela se vestiu com o roupão e abriu.
Lincon estava com uma expressão perplexa no rosto, suas roupas estavam amarrotadas. Ariana olhou ele dos pés a cabeça e se alegrou que suas suspeitas estivessem realmente corretas. Ela sorriu com seu melhor sorriso falso e perguntou:
-O que foi?
-Vim avisar que seu pai contratou um legista e te perguntar uma coisa — Ele baixou os olhos para o chão
-O que?
-Quero saber quando vai parar de me tratar assim. Com essa ignorância e desdém.
-Um deixe-me ver... Quando os porcos criarem asas?- Ela deu uma gargalhada.
Uma pessoa normal acharia que Lincon abaixaria a cabeça novamente e sairia desconsolado dali. Mas Ariana prescentiu que ele mudaria aquela atitude inocente e calma para uma atitude totalmente agressiva. E acertou. Ele pegou ela pelos ombros e jogou-a na parede. Usando o braço ele prendeu o pescoço dela e disse.
-Olha aqui. Já perdi meu pai e não vou aturar essa sua atitude de uma nojenta fria.- A boca dele estava a uns três centimetros do rosto dela — Vamos nos casar afinal! E eu não adimito uma esposa com essa grosseria!
Ariana riu e afastou Lincon delicadamente com a mão.
-Casar? Veremos então...
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