A Pequena Psicopata
7 A repórter
Notas iniciais
Ariana acordou com sono naquele dia. Não era pelo fato de ter dormido mal, ou tarde, mas sim pelo fato de que sua mãe a acordara bem na hora que ela desejava dormir mais. Desejando que a mãe sumisse do planeta, ela de má vontade desceu para tomar café. Mas quando chegou lá viu que na mesa havia duas pessoas a mais naquele café. A primeira era uma mulher alta e atlética com os cabelos curtos, volumosos, anelados e castanhos. Uma franja rebelde descia e lhe tampava o olho esquerdo, Seus olhos eram castanho-escuro e tinha na boca um sorriso com dentes muito brancos. Em seu nariz havia óculos retangulares e largos. A pessoa ao seu lado era um garoto um pouco mais baixo que ela, com o cabelo loiro como o de Ariana e os olhos negros. Os dois conversavam com o pai de Ariana até que a mulher viu a garota loira que acabava de chegar.
-Ah, olá!- Disse a Mulher- Sou Maíra Rockford, repórter e editora-chefe do siário da manhã, e este é meu assistente Loren Guevard. Estamos aqui para saber sobre a morte do renomado psiquiatra Everaldo Rechi- Ela apertou a mão de Ariana e começou a sacudir- Você é Ariana Carter não é?
-Sou sim. É realmente empolgante ter uma reporter em minha casa xeretando na vida de minha família.
Maíra abriu a boca para responder mais antes mesmo de falar algo, o pai de Ariana soltou uma exclamação e disse para Ariana se sentar logo ao lado de Lincon, que por sinal tinha um certo ar constrangido. Maíra que havia interrompido seu descurso voltou a falar enquanto Loren anotava febrilmente tudo o que ela dizia.
-...então sr. Carter, me conte mais detalhadamente o que aconteceu. Não se esqueça de nenhum detalhe.
-Bom, eu estava no meu escritório resolvendo alguns problemas de minha fábrica de vidrais quando escutei gritos de minha filha. Apavorado, achando que ela tinha se machucado eu corri até o escritório e a encontrei a minha garota chorando e o pobre Everaldo inconsiente na poltrona. Chamei na hora um médico, e ele disse que não sabia a causa da morte mas, disse que um legista poderia me dizer. Então eu contratei um que me disse que o pobre homem tinha sofrido parada cardíaca.
Ela escurtou atentamente e murmurou para Loren uma coisa que parecia ser \"pegou tudo?\". ele confirmou com a cabeça energeticamente e ela se voltou para Lincon, que quando foi questionado se engasgou com o chá.
-Então querido como está reagindo com a morte da única pessoa que te amava nesse mundo? Deprimido, Angustiado?
-Sinto muito triste e com falta.- Respondeu Lincon depois que se recompos do engasgo com a ajuda de caridosos tapinhas nas costas dados por Ariana.
-E você?- Maíra se virou para Ariana- Deve ter sido terrível encontrar o pobre Everaldo não é?
-Verdade. Tão terrível como olhar para essa sua cara de metida a intelectual.
Maíra lançou um olhar fatal para Ariana e disse para Loren (que anotara a última frase) para rabiscar o que acabara de escrever. Lincon abafava uma sonora gargalhada com o guardanapo e o sr. e a sra. Carter tinham a cara de quem tinha engolido um ovo inteiro. Maíra após uma manhã de perguntas foi embora deixando um certo ar de dúvida no ar.
Um pouco mais tarde Ariana, que para matar o tédio, já que Lincon devia estar confinado em seu quarto e seus pais haviam ido a cidade, decidiu ir a biblioteca da casa para ler alguma coisa. Se sentou em uma confortável poltrona e pegou um livro. O livro estava interessante até o ponto que Ariana não aguentava mais de tanto sono e dormiu ali na cadeira mesmo.
Quando Ariana acordou, viu que já havia escurecido. Olhou no relógio e viu que já eram 7:25. Se surpreendeu consigo mesma. Dormira quatro horas seguidas ainda por cima em uma poltrona da biblioteca. Ela se espreguiçou e saiu. Constatou, pelo fato de que o automóvel ainda não estava na porta que seus pais não haviam chegado. Ela perambulou pela casa escura, e andava pelos corredores iluminados apenas pela luz da lua que já estava no céu.
Apesar de ser uma pessoa totalmente difícil de se assustar, Ariana tomou um belo susto quando alguém a empurrou contra a parede e segurou-a dessa vez pela cintura. Mas ela constatou rapidamente que a pessoa em questão era apenas Lincon.
-Olha quando quiser falar alguma coisa comigo, por favor não me empurre desse jeito, apenas fale comigo. Decididamente é uma forma menos dolorosa de comunicação.- Ela disse sem um pingo de emoção na voz.
-Presciso... falar... com você- Ariana apenas com a pouca iluminação pode notar que ele estava ofegante, um pouco suado e com os cabelos castanhos totalmente fora do lugar- Prescisamos nos casar, urgente.
Ariana olhou desconfiada e disse:
-Porquê?
-Porque... Porque...- Lincon não encontrou resposta nenhuma como Ariana previra mas fez uma coisa totalmente imprevisível.
Ele puxou Ariana pela cintura e deu um beijo na boca dela. Por exatamente cinco minutos inteiros, Ariana esqueceu de tudo que tinha em sua cabeça e não sentiu os pés tocarem o chão. Ela se sentiu ao mesmo tempo deconcertada e relaxada. E durante esses cinco minutos ela desejou que Lincon não parasse de beijá-la ao mesmo tempo que com uma mão segurava sua cintura e a outra mão segurava sua cabeça.
Mas isso tudo passou exatamente tão repentinamente como chegou, Ariana deu um empurrão nele e sorriu com seu sorriso mais falso e fatal. Ela começou a rir, e ainda encostada na parede disse:
-Acha que me ilude? Quer se casar comigo logo para me matar, matar meus pais e ficar com o dinheiro. Quer nos matar assim como fez com o seu pai não é?
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