A Pequena Menina Da Morte

1 A Pequena Maria, um amor à dor.


Em uma tradicional casa de Santa Felicidade, tradicional bairro de Curitiba, há muito tempo atrás, houve um caso que chocou a população da época. Num tempo conservador e tradicional, exclusivamente naquela casa amarela, houve algo que mudou a reputação da família que lá vivia, que já não era das melhores.

Para começar, o casal que lá vivia havia se separado antes da filha de Catarina, então grávida de Mauro, nascer. Como na época, mãe solteira era cruelmente discriminada e excluída, Catarina casou-se novamente, com Felipe, o qual criou a menina, que veio a chamar-se Maria, como se fosse seu pai.

O tempo foi passando, e os problemas da família aumentando. Para começar, Felipe havia desenvolvido um sério problema de alcoolismo, Catarina havia tido outro filho, José, que já tinha um ano de idade, enquanto a irmã, dois. Maria apanhava todos os dias da mãe, por não ser uma criança comunicativa, por nunca demonstrar bons modos e afeto aos outros.

Mais tempo passou desde o início do caos na casa, os problemas foram aumentando, e o problema do padrasto com o alcoolismo também. Agora, com três anos, além de apanhar todos os dias da mãe, também sofria abusos frequentes do padrasto.

Maria era uma criança diferente das outras, se isolava e sumia, não conversava com as outras garotas, e comia pouco. A garotinha que, aparentemente, era doce, era um demônio para seu irmão mais novo, o qual sofria com as torturas da irmã. Ela enfiava agulhas em sua pele,o batia, deixando sequelas, cortada a costas dele e o deixava louco com suas palavras maquiavélicas, e o coitado, não podia pedir ajuda a ninguém por causa das ameaças de Maria. Por muito, os pais não haviam notado nada, mas com o tempo, as marcas foram aumentando, e Felipe e Catarina começaram a se preocupar e a perguntar ao filho como conseguira as marcas. Quanto mais se negava a responder, mais os pais perguntavam. Até que em um dia nublado e frio, ele acabou respondendo que fora a irmã, do seu jeito desajeitado, já que tinha apenas um ano. Os dois, furiosos com Maria, a castigaram mais que o normal, além de apanhar, Maria fora castigada a ficar trancada em seu quarto dia e noite, podendo sair duas vezes ao dia, para comer, ir ao banheiro e tomar banho. Com isso, Maria, que já tinha guardado dentro de si muito ódio e rancor pela mãe e padrasto, só o fez aumentar.

Certo dia, quando a mãe da mesma ira ao mercado fazer as compras do mês com José, Felipe, em sua costumeira embriaguez, entrou como um furacão no quarto da pequena, a qual estava em um canto, sentada com sua boneca toda costurada e remendada. Puxou-a pelo braço tão forte que quase o arrancou, e jogou-a na cama. A menina gritava, batia, tentava de tudo, mas o padrasto era mais forte, e novamente, ela fora abusada. Logo depois, Felipe pegou no sono, de tão bêbado que estava, o que foi o ponto de sorte de Maria. Pegou a chave no bolso do padrasto e a escondeu, voltou ao seu canto e lá sentou-se. Logo, o homem acordou e foi-se embora, sem dar falta da chave, e esquecendo-se de trancar a porta.

Quando a mãe voltou do mercado e foi levar o que comer à filha, nada de errado notou, por a garota havia trancado a porta. Felipe já havia dado falta da chave, mas não podia dizer nada, se não Catarina ficaria furiosa, e era ela que trazia dinheiro para sustentar a bebedeira do marido e todas as despesas da casa. Logo, Maria estava com tudo na mão.

Quando a noite caiu e todos foram dormir, a pequena destrancou a porta e saiu noite a fora para a mata que ficava não muito longe da casa. Lá encontrou um coelho, pegou-o e voltou para casa, entrou em seu quarto, fazendo menos barulho que uma lagartixa faz ao andar nas paredes, trancou-se e amarrou o coelho. Pegou as agulhas, as pequenas facas e vidros quebrados e cordas que escondia pelo quarto. Amarrou o coelho e começou a enfiar as agulhas na pele do animal, a menina sentia puro prazer em ver os belos olhinhos inocentes do bicho ao sentir as agulhas entrar em contado sua pele. Maria cansada, tirou as agulhas e colocou o coelho em uma caixa, escondida no quarto.

A diversão da menina foi essa durante os últimos dias de vida do animal, torturá-lo. Ele não viveria muito, lógico, mas enquanto viveu, sofreu. Assim que o pobre coelho se foi, a pequena teve que arranjar outra coisa, ou melhor, outro animal. E foi assim durante os últimos anos.

Agora Maria com sete anos, sua mãe se fora, por causada de um sério caso de tuberculose. Felipe vivia bêbado, e quase nunca cuidando dos filhos. Certo dia, o pequeno José, com cinco anos, havia sumido por dois dias de casa, o pai nem deu falta.

Em um de seus raros momentos sóbrio, Felipe entrou de surpresa no quarto de Maria e a viu torturar um pássaro. Enfurecido, o homem meteu um soco na cara da menina, que caiu no chão, e sendo chutada várias vezes mais em seguinte. O padrasto havia ficado muito mais severo com ela, tão ocupado em brigar com a menina por qualquer coisa, que acabou afastando-se um pouco da bebida, e esquecendo-se completamente de José.

Certa manhã, lendo calmamente seu jornal, como de costume, Felipe fora surpreendido. Maria e José, enfurecidos com o homem, o pegaram de surpresa, amarrando seus pés e mãos na cadeira. José se derramava em lágrimas e saiu chorando. Maria, transbordando de ódio e desejo de dor, pegou seus “instrumentos” e disse ao padrasto:

- Está na hora de o senhor, meu padrasto, pagar por tudo o que vem feito desde que me lembro.

- Eu fui um homem muito bom com sua mãe e você. Eu cuidei de você, menina insolente, enquanto seu pai sumia no mundo. – retrucou o homem.

- Cuidou? Faça-me rir! O senhor abusava de mim, há pouco batia em minha cara! – disse ela com os olhos semicerrados. Então ela começou a enfiar as agulhas no pescoço do homem de mãos atadas, ele gritando de dor, impedindo da própria menina ouvir seu cantar. Chateada com isso, ela pegou um trapo velho e tapou a boca do homem. Assim seguindo com as agulhas, cantando, a menina se sentia, pela primeira vez em sua medíocre vida, feliz.

As agulhas já não tinham mais tanta graça, então ela passou para as facas, e cortando, fazendo desenhos na pele de Felipe, ela sorria mais do que nunca. Cansada da brincadeira, decidiu acabar de uma vez por todas. Pegou uma corda e passou em torno do pescoço sujo de sangue do padrasto. Antes de puxar a corda, ela chegou perto de seu ouvido e disse:

- Boa viagem até o inferno, desgraçado!

Puxou a corda para trás com tanta vontade, que o resultado foi imediato. O homem morrera. Mais tranquila que nunca, Maria soltou as cordas e jogou da cadeira em que estava sentado, pegou seu jornal e leu as notícias do dia.

Os dias foram passando. Maria não comida, não falava, estava apenas esperando sua morte.

Como os dias sozinha eram monótonos de mais para a garota, ela começou a se auto-torturar, não era comparado a torturar os outros, mas servia. Logo, já estava tão cortada que não aguentava mais, em depressão, pegou sua melhor faca e enfiou em seu peito.

Quando a cidade descobriu o que ocorrera, todos ficaram em estado de choque. Várias lendas e boatos foram lançados ao ar sobre o ocorrido. Diziam que o espírito dos mortos continuava na casa, que o menino fora enterrado vivo, pois não se teve mais notícias de José, mas nenhum realmente comprovado como verdadeiro.

Essa é terrível história que mudou a maneira como a população local viva, muito evitavam ter filhos com medo de que acontecessem o mesmo, outros, mandavam os filhos morar fora com medo também. Afinal, quem poderia dizer que uma inocente criança de sete anos, pode ser uma psicopata de sangue frio?

Notas finais
Completamente aberta a críticas, elogios, dicas e xingamentos.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.