A Pequena Katie
2 Família
Notas iniciais
Depois de beber água, coloquei o copo na pia e comecei a andar de volta para o quarto. Quando entrei, bati a porta e caminhei vagarosamente até a cama. Me deitei e me virei na cama para desligar o abajur que havia ligado na hora em que tinha ido beber água. Me virei novamente, ficando com a barriga para cima. Fiquei um tempo pensando sobre a menina. Quem seria ela? E porque ela estava chorando? Eu queria descobrir. Depois de um longo tempo sem conseguir dormir, apesar de estar morrendo de sono, atirei o lençol para o lado e levantei. Liguei o abajur novamente e abri a porta do quarto, atravessando o corredor em direção ao meu “escritório”. Tinha apenas o computador em cima de uma mesa, uma estante com livros e um pequeno sofá, mas eu gostava de passar as tardes lendo ou escrevendo ali. Me sentia bem, inspirado. Sempre que estava lá, tinha ideias para novas fotos. Adentrei o quartinho pequeno, liguei a luz e fui em direção a estante. Passei os olhos pelos títulos expostos, mas um me chamou atenção. Era Harry Potter e a Pedra Filosofal. Foi o meu primeiro livro. Ganhei-o de presente quando tinha apenas 6 anos. No começo, achei a leitura difícil, complicada demais para mim, mas me encantei pelo livro e acabei comprando a coleção toda. Sorri comigo mesmo e retirei o exemplar com cuidado da estante. Desliguei a luz e voltei para o meu quarto. Fechei a porta e fui em direção a cama. Abri o livro e meus olhos percorreram a primeira frase do capitulo:
“O Sr. e a Sra. Dursley, da rua dos Alfeneiros, n° 4, se orgulhavam de dizer que eram perfeitamente normais, muito bem, obrigado...”
*
No dia seguinte, estava com muito sono. Passei a noite quase toda em claro e acabei lendo o livro inteiro. Acordei com o livro em meu rosto. Levantei da cama e andei pesadamente até a cozinha, já que eram 08:30 da manhã. Fiz um café e me sentei na bancada, bebericando-o de leve, até que meu celular tocou. Fui até a sala, onde ele estava carregando, e atendi. Era minha mãe.
– Jake? Bom dia querido. Dormiu bem?
– Hm, oi mãe. Bom dia. Na verdade eu passei a noite quase toda acordado, lendo. – do outro lado da linha, ela suspirou.
– Sabe que não pode perder todas as noites.
– Eu sei, eu sei. Foi só essa.
– Porque? – replicou.
– Eu posso almoçar aí? Conto a você e ao meu pai quando chegar, pode ser?
– Claro. Eu já estou curiosa! Mas eu aguento esperar, sim. – ela riu. – Beijo filho. Te amo.
– Também. – desliguei. Terminei meu café rápido e corri para o banheiro. Enquanto tomava banho, pensei na reação de minha mãe e do meu pai ao sonho. Minha mãe talvez dissesse que era um sinal, que eu precisava conhecer essa garotinha. Meu pai só iria ouvir atentamente e falar que eu deveria pesquisar o que aquele sonho significava. Ele era meio maníaco por sonhos. Saí do banho e coloquei uma roupa. Quando vi, já eram nove horas. Aproveitei para ir caminhar no parque e tirar algumas fotos. Peguei o molho de chaves, o celular e a câmera. Saí de casa e tranquei a porta. Andei até o parque e vi um casal empurrando uma menina ruivinha no balanço. Ela aparentava ter uns quatro anos e sorria a cada vez que os pais a empurravam, indo cada vez mais alto. Me aproximei do casal e perguntei:
– Com licença. Teria algum problema se eu tirasse uma foto de vocês e de sua filha? Sou fotografo e acho que daria uma linda foto.
– Claro, sem problemas. – disse a moça, que aparentava ser um pouco mais velha que eu. O rapaz ao seu lado apenas sorriu e assentiu, se dirigindo para o balanço. De mãos dadas, eles empurraram a menininha, que deu um sorriso. Tirei a foto por trás, que ficou linda. Quando me despedi deles, olhei mais atentamente para a foto no visor da máquina. Eles tinham uma bela família, uma linda menininha.
Coisas que eu provavelmente não teria.
Fale com o autor