A Pena da Cura
15 Capítulo 15 - Aula de pesca.
Notas iniciais
— Aqui não vende peixe, como você vai cozinhar um pra mim?
— Eu não trouxe essa mochila a toa, ela tem o essencial para nossa sobrevivência. Desde vara de pesca a curativos! — mostrou sua mochila preta orgulhosamente, tinha pedido para Virgo trazer ela antes de descerem do trem.
— PESCAR! OBA
— Não temos tempo para isso, precisamos nos concentrar — Laxus olhava ao redor, analisando o ambiente em que estavam.
Quando o trem finalmente chegou já era quase hora do almoço. Desceram e se depararam com árvores, árvores e mais árvores. Não tinha nenhuma construção por onde andavam, o máximo que encontraram foi um rio, onde estavam agora.
— É quase hora do almoço, pescar é a melhor alternativa — Lucy explicou.
— Não!
— Por favor, Laxus — fez cara de cachorro abandonado.
— Não!
— Vai, diz que sim — Happy se juntou.
— TÁ BOM! Vamos pescar! Felizes?
— O último a chegar é um polvo — o gatinho saiu voando feliz.
A pescaria não era algo que Laxus dominava, na verdade ele mal conseguia pescar um peixe. Observou Happy pescando e tentou entender como ele fazia aquilo, não parecia difícil, mas por que ele não conseguia?
A loira percebeu seu incomodo, ela conseguia ler os sentimentos das pessoas, apesar de com Laxus ser um pouco mais difícil. Então decidiu ir até ele para ajudar.
— Laxus? Precisa de ajuda? — perguntou gentilmente.
— Bem... Eu meio que... Nunca pesquei antes... — admitiu envergonhado.
— Não precisa se preocupar, nós vamos te ensinar tudinho o que sabemos, certo Happy?
— Aye, você vai ser o melhor pescador desse mundo — veio com um peixe nas patas.
— Obrigado — sorriu para os dois.
Começaram a aula de pescaria de forma simples e objetiva. Mostraram para Laxus as varas de pescar disponíveis: uma pequena e simples, de Happy, e outras três compactas que podiam diminuir seu comprimento, cabendo na mochila de Lucy facilmente.
Depois mostraram as iscas: pedaços de pão de forma (funciona, acreditem). Por ser bem mais fácil do que ficar por ai caçando minhoca, essa foi a isca escolhida.
— Pão? Sério isso?
— O peixe não sabe que é pão, ele simplesmente vai lá e morde — a loira explicou.
— O lado bom é que ele já vem recheado com pão — Happy riu.
— HAPPY!
— Foi engraçado pelo menos — deu de ombros.
— Certo, agora é só jogar a isca na água e esperar — entregou uma das varas para o loiro.
— Só isso? — perguntou atônito.
— Sim, achou que fosse mais difícil?
— Na verdade sim...
— Pescar é fácil em lugares assim, não precisa de muita prática. Em um mar que já é outra coisa... — coçou a cabeça.
— Entendo, obrigado pela ajuda — sorriu.
— Não há de quê. Agora precisamos fazer silêncio, se não espantamos todos os peixes.
— Certo.
Todos estavam se divertindo com a pescaria, demorou até que os loiros pescassem algo, mas não desistiram. Happy por outro lado parecia ter o dom da pesca, conseguiu dois peixes facilmente, fora o que tinha pegado antes da “aula”.
A sorte do gatinho não durou muito, pois Laxus começou a pescar vários peixes seguidos. Ele não estava fazendo nada de mais, os peixes apenas estavam indo em sua isca continuamente.
Poucos instantes depois, mais especificamente quando o loiro pegou seu sétimo peixe, eles pararam um pouco para armar uma fogueira.
— Eu quem sou o gato aqui e pesquei só três peixes — choramingava.
— Eu peguei dois, para de reclamar e... Espera — puxou sua vara. — Acho que peguei mais um — comemorou.
— Isso não se parece com um peixe — Laxus apontou para onde deveria estar um peixe.
O que Lucy tinha pescado não era um peixe, e sim uma placa no formato de um. A placa era de madeira clara e atrás estava escrito:
Na floresta não tem nada
Isso eu posso afirmar
Um acampamento abandonado
Esse é o lugar
— EU PESQUEI UMA PISTA! Só pode ser isso! — fez a dancinha da vitória.
— Essa é a dica mais apetitosa que eu já vi, que formato delicioso — Happy olhava para a placa com água na boca.
— Já temos peixes suficientes, não é pra comer a placa, Happy.
— Mas que parece gostoso isso você não pode negar.
— Então temos que encontrar um acampamento abandonado... No meio da floresta... Gostei — Laxus sorriu.
— Tá maluco? O lugar é abandonado, vai saber o que tem lá — se encolheu.
— Aye.
— Vamos ter que ir lá, vocês querendo ou não.
— Droga...
— Vocês vão cozinhar os peixes ou posso comer assim mesmo?
— Apenas peguem algo para fazer uma fogueira que eu cozinho eles — Lucy sorriu para o gatinho.
— Não precisa nem pedir de novo — saiu voando.
Enquanto os dois saiam para procurar galhos, a loira tirou uma panela e uma faca da mochila (se bolsa de mulher cabe tudo, imagina uma mochila). Limpou os peixes e os colocou na panela junto com alguns legumes, sal e um molho de tomate.
Demorou alguns minutos até os dois voltarem e armarem a fogueira, que logo foi acessa com a ajuda de um isqueiro, óleo e papel.
— Trouxe a cozinha toda nessa mochila? — Laxus olhava surpreso para cada coisa que saia da mochila.
— Apenas coloquei o que coloco em toda missão: kit médico e uma panela com os legumes embalados e sal dentro... Também tem outras coisinhas como cordas, as varas, isqueiro, óleo, papel e... Não lembro se tem mais alguma coisa — riu coçando o queixo envergonhada.
— É sério isso?
— Claro que é!
— Ela já nos salvou em muitas missões, ninguém leva nada de útil, principalmente a Erza que só leva roupa e armadura — Happy explicou — Eu chamo de “Mochila Abençoada”.
— Vocês dois são malucos — riu.
— Você ainda não viu nada, mas vamos deixar de conversa e comer — tirou pratos e talheres da mochila.
— ... Daqui a pouco sai um sofá dai de dentro...
— Não cabe...
— Você tentou? — arregalou os olhos.
— Claro que não — riu. — É uma mochila, não uma caminhão.
— Mas parece — Happy zombou.
— Ah, parem de zombar dela — se irritou.
— Ok, não está mais aqui quem — fez sinal de rendição.
Comeram calmamente, mesmo com Laxus os apressando. Happy não estava com pressa, esse era seu prato favorito, podia ficar o dia inteiro degustando.
Quando terminaram, Laxus se dispôs a lavar tudo enquanto Lucy apagava a fogueira. Com tudo arrumado adentraram mais ainda na floresta.
Estava tudo indo bem, sem animais ou insetos os atacando, se sentiam como se estivessem fazendo uma trilha.
De repente encontraram grades de ferro rodeando um acampamento aparentemente abandonado. Não tiveram dúvida, encontraram o que procuravam. Porém nem sempre a sorte ajuda.
No instante em que se aproximaram das grades para escalar, o chão cedeu fazendo os três caírem sem chances de se segurarem.
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