Notas iniciais
Olá, meu nome é Julio e trabalho no correio prestando serviço para um sebo aqui de minha cidade. Em um dia comum de trabalho, embalando alguns livros, deparei-me com uma história de Minecraft e logo me bateu uma sensação de nostalgia. Eu fui verdadeiramente viciado nesse jogo quando era criança. Junto com a nostalgia veio também a inspiração de fazer minha versão desse divertido jogo.
O que trago à vocês é uma história um pouco mais séria e dramática no universo do jogo.
Espero que gostem deste primeiro capítulo.

O chão de areia morna e amarelada da praia, contrastava com a gelada água do mar que, em suaves ondas, molhavam os pés de Steve. A dor, a água nos ouvidos, a fome que sugava seu estômago, o frio que arrepiava sua pele morena o fizeram acordar. Com seus olhos castanhos incomodados com a repentina luz da manhã ele tentou se levantar cambaleante, sem ter a mínima noção de onde estava. Seus cabelos são pretos e sua barba em forma de cavanhaque também, ressaltando os traços latinos que possui.

Alguns metros à frente, a areia terminava e começava um gramado verde bem irregular, cheio de morros, no qual crescia uma floresta temperada de aparência bem agradável e serena, que seria facilmente admirada por alguém que não estivesse em estado de choque. Olhando para trás Steve viu o imenso mar azul e se lembrou: seu coração palpitava cada vez mais rápido, conforme sua memória lhe revelava a dor de flashes assustadores que assombravam sua mente: A infinidade do mar noturno; ondas gigantescas batendo na lateral do barco; sua pequena garotinha gritando, até que tudo silenciou. O terror o assolou quando as lembranças terminaram. Jogado no chão, desesperado, Steve temeu a morte de sua família no naufrágio que sofreram. E ali ficou, horas e mais horas angustiado, murmurando.

— Oh minha menininha, minha pequena Inês. Seu aniversário era amanhã, mas agora... agora você morreu. – Ele soluçava. – Olívia, porque vocês me abandonaram? Deus! Porque comigo? Eu só queria paz com minha família! De novo meu Deus, mais sofrimento?

A linda natureza daquela terra parecia totalmente incorrompida pelo desespero de um pai. Os pássaros voando graciosamente no céu claro, alguns porcos selvagens passando entre as árvores, aves brancas ciscando o chão, as ondas do mar (agora calmo), o farfalhar das folhas ao vento, tudo estava alheio ao seu sofrimento.

Horas se passaram. Quando o sol parou imponente no meio do céu, o choro sessou. Pelo jeito não há reservas de lágrimas o suficiente no corpo humano para suplantar a perda de um ente querido, muito menos de dois. Então levantou-se e olhou para o mar, outrora furioso. Há beleza nele, mas não para Steve, não agora.

— Nenhum sinal dos restos do barco. – Ele pensou – Mas talvez elas foram resgatadas. Quem sabe não estão vivas!? – Com uma pequena fagulha de esperança surgindo dentro de si, Steve secou o rosto salgado mais pelas lágrimas do que pelo mar, e traçou um plano simples:

— Já está quase entardecendo. – Pensou consigo mesmo – Acho melhor me abrigar em algum lugar, procurar o que comer e amanhã eu busco algum traço de civilização. Eu devo estar em algum lugar da América Central.

Steve saiu da praia e se embrenhou entre as árvores, procurando alguma fruta para saciar sua fome. Andou por grandes variedades de vegetação, árvores de troncos marrons, troncos brancos, pinheiros enormes, até que, perto de um grande morro, à uns cinquenta metros de onde saiu, ele avistou uma macieira carregada. Pegou tudo o que podia, sentou-se recostando-se na parede e comeu.

Com a fome satisfeita ele seguiu para o próximo estágio do plano: arranjar um lugar para passar a noite. Steve olhou para o céu e viu o alaranjado sol poente e concluiu que não daria tempo de construir nada. Olhou ao redor e avistou no morro próximo a ele uma caverna. Subiu a pequena montanha e, cautelosamente, verificou-a. Por sorte não era um lugar perigoso. Na verdade, nem poderia ser chamado de caverna, parecia mais um buraco na parede, mas ainda sim tinha profundidade o suficiente para a luz não penetrar.

Ele começou a limpar o local, o pensamento de que sua esposa e filha podem ter sobrevivido, aliado ao alivio da fome, o animou. Galhos, pedras, folhas, foram tiradas do chão; a fogueira foi acesa, iluminando e aquecendo as paredes frias e cinzentas; com grandes pilhas de pedras tampou a entrada da caverna. Tudo ficou pronto em algumas horas.

A lua prateada já mostrava timidamente sua face entre as estrelas, aliviando a escuridão que começava a marcar o anoitecer. Steve estava muito quebrado, nunca tinha imaginado que uma coisa dessas aconteceria com ele. Sempre tomou esse tipo de situação como cenas que acontecem apenas em filmes. Mas infelizmente era real. Pensando em sua família, deprimido, ele deitou-se no chão duro ao lado do fogo, adormeceu e sonhou. Sonhou com coisas horríveis. Sonhou com morte, com sua esposa e filha, sonhou com grotescos gemidos.

Notas finais
Eae, como me saí? Comentem o que vocês acharam. Obrigado.