A Passagem
5 Capítulo 4
– Wow — disse Greg.
– Também não acreditei quando li.
– Você está me dizendo que tudo o que li aqui, é verdade? — prosseguiu o garoto, espantado.
– Sim.
O garoto fechou o livro.
– Agora temos que descobrir um jeito de eu voltar para casa.
– Mas por que seu pai te deixou aqui? — continuou o garoto, inconformado.
– Não sei. Ainda estou tentando descobrir.
O início da tarde já chegava, e os garotos ficaram sentados ali, no gramado da casa de Greg.
Arthur tentava avaliar os riscos. Com tudo o que haviam lido, ele e seu melhor amigo estavam preocupados.
– Aqui não diz o que pode acontecer se você não voltar até o final da tarde.
– É, sem relatos. Nada sobre o que ele me contou ontem.
– Isso é um problema — disse Greg.
Ele pôs a mão no bolso e retirou um celular.
– Tome — disse esticado a mão para Arthur. — Ligue para casa.
Arthur pôs o celular no ouvido após discar o número. Um silêncio se fez entre os dois. Alguns segundos depois e Arthur desligou.
– Ninguém atende. — disse ele, olhando para os lados. Até que seus olhos encontraram a garagem. — Já sei! — exclamou. — Seu pai não pode me levar em casa?
– Não sei. Com certeza ele não vai entender os motivos. E sua avó? — disse ele, olhando para o outro lado do gramado.
Arthur se levantou e olhou por cima da cerca. Viu a grande casa da Sra. Gooster e um carro estacionado na frente. Então se virou. — Ela também não entenderá.
ﻙﻙ
Algumas horas depois e Arthur e Gregory estavam sentados na sala da Sra.Gooster.
Os dois se conheceram por morarem um ao lado do outro. Sempre se encontrando nas férias e nos longos feriados.
O final da tarde já estavam chegando.
Então o celular de Greg tocou. Ele puxou o moderno celular do bolso e olhou a chamada. Passou para Arthur.
– Recebi sua chamada — alguém falou na linha.
– Mãe? — perguntou Arthur. — Mãe, é você?
– Claro! Quem mais seria?
– Mãe, escute. Preciso voltar para casa — falou, com um sorriso aliviado.
– Seu pai não gostará disso. Ele o achou muito solitário depois que nos mudamos. Além disso, ela ainda não voltou da Conferência.
– Ok, mãe, mas de um je... — A voz de Arthur foi cortar por um longo e agudo grito na linha.
Quando a grito cessou, a voz de sua mão apareceu, distante. — Melissa, o que houve? — Após não ouvir nenhuma resposta, a mulher retomou a conversa. — Arthur, preciso desligar. Nos vemos em breve.
– Mãe, não desligue. Preciso saber o que está acon... — Então a linha ficou muda. A chamada havia sido encerrada.
Arthur abaixou o braço, olhando para Greg. — Temos problemas — disse ele, temendo o que podia ter acontecido com Melissa. Sua irmã.
ﻙﻙ
Na Conferencia do Prédio Nacional de Pesquisa e Estudo do Universo, o Darle Gooster assistia à uma apresentação de um novo tipo de satélite a ser mandado a alguns dias ao espaço.
O homem à frente da plateia era Sweel Gernories, um astrofísico baixo e que com seu terno largo, andava de um lado para o outro. Ele era um homem renomado em sua área, principalmente por já trabalhar na NASA, e, na frente de uma parede imersa de imagens do espaço e dos mais moderno satélites da atualidade, continuava com sua apresentação, não aparentando estar nervoso com a plateia de centenas de pessoas.
O celular do Darle Gooster tocou, dividindo sonoridade com a voz de Gernories.
Uma infinidade de cabeça se virou para ver o que está acontecendo.
– Desculpe – disse Darle em voz alta, pegando instantaneamente o celular e o colocando no mudo.
Sweel, já experiente pelos diversos tipos de palestra que havia dado, não se incomodou, apenas prosseguiu com seu discurso.
Alguns segundos depois, Darle sentiu seu celular vibrando no bolso, então viu que era sua mulher.
Ela deve estar retornando a chamada que fiz, pensou ele, se lembrando de não ter conseguido falar com a mulher durante a pausa da apresentação. Mas não posso atender agora. E desligou.
Quase que imediatamente, o celular tornou a vibrar.
Darle levantou e se espremeu entre o estreito corredor de cadeiras, até encontrar a saída. Quando chegou ao lado de fora, retornou para a mulher, imaginando ser importante.
O corredor onde estava tinha uma grande circulação de pessoas e era barulhento. Ele demorou a perceber que a mulher já havia atendido.
Só de escutar a voz da mulher ele já percebeu que a situação era mais grave do que imaginava. E, mesmo com a grande dificuldade para estar a esposa, ela não precisou escutar a mensagem novamente.
– Estou indo para aí imediatamente.
ﻙﻙ
Os dois garotos ainda estavam na sala, sobre o macio carpete, de frente para a televisão.
Arthur estava preocupado com sua avó, que falava no telefone a bastante tempo, e parecia estar preocupada. Só pelas diversas vezes que ala havia passado pelos dois, perambulando de um lado para o outro, ele já pode perceber que era com sua mãe que ela falava. Citara o nome dela e de seu pai inúmeras vezes.
Ela falava números de telefone e folheava diversas agendas.
– Tudo bem, Susana. Estou indo para aí – disse ela no corredor.
Mesmo já tendo desistido de tentar chegar em casa a tempo, os olhos de Arthur brilharam.
– Eu irei com você, vó! — gritou ele.
– Não eu irei sozinha. Fique na casa do Gregory – disse a Sra. Gooster, subindo as escadas.
– Por favor vó, há uma cisa que preciso fazer em casa.
Sua vó havia ficado em silêncio. Então finalmente disse:
– Então se arrume logo, já vamos sair.
Já estou arrumado, pensou Arthur, e puxou Gregory para fora da casa.
– Olhe, tem coisas que preciso fazer – falou ele, olhando seriamente nos olhos do amigo. — Lembra do livro que te entreguei de tarde? — Greg assentiu. — Cuide bem dele, até eu voltar – disse ele, já imaginando o havia acontecido.
– Mas, o que você vai fazer? — perguntou o amigo.
– Eu tenho um plano.
Então Arthur explicou rapidamente o que havia planejado enquanto escutava a conversa da avó.
Quando acabou, Greg ficou abismado. E, em poucos minutos, viu o melhor amigo entrar em um luxuoso carro vermelho. E ir embora.
ﻙﻙ
A viagem toda Arthur ouviu a avó falar ao telefone, e, o que mais o deixou preocupado, foi escutar a palavra polícia mais de uma vez.
Quando a floresta tomou conta da paisagem, não demorou muito até que chegassem ao destino.
– Fique dentro do carro – disse a Sra. Gooster, estacionando e saindo do carro.
Arthur assentiu, e, assim que viu a avó entrar pelo caminho de terra por entre as árvores, abriu a porta do carro e saiu.
Assim que bateu a porta, foi até um carro de polícia, estacionado a dois metros do carro. Ele andou até um policial que falava no radiofone da viatura.
– O que houve? — perguntou ao homem, se aproximando.
O policial interrompeu a chamada, olhando para Arthur. Logo então prosseguiu com a chamada.
– Sim, sim, um menina desaparecida.
Arthur congelou. Sabia o que aquilo queria dizer. Sabia que deveria ter voltado para casa. Tudo o que precisava saber estava no livro.
Sua irmã. Este foi o único pensamento que lhe veio à mente.
Rapidamente, ele saiu em disparada, entrando pela trilha na floresta, indo em direção à sua casa.
– Ei – disse o policial em seguida – não pode entrar aí.
Arthur não o escutou. Correu o mais rápido que pode, vendo logo em seguida a sua grande casa.
Se arrependeu de ter ido morar lá.
Mas não tinha tempo para pensar em outras coisas. Sabiamente ele se estreitou pela mata, tentando não ser visto pelos policiais à frente da casa.
Eles pareciam ter acabado de chegar, porque logo em seguida eles entraram na casa, com a avó de Arthur.
O garoto sabia exatamente o que estava acontecendo.
Ele correu aos fundos da casa, e, estressado com tudo o que havia acontecido, ele rezava para que seu plano desse certo. Que ele estivesse certo.
Encarou o grande poço, ele se preparou para por seu plano em prática.
A alguns quilômetros de distância, um agente especial estava grudado ao seu binóculos. Havia relatado alguma atividade suspeita nos fundos da casa.
Ele viu um garoto encarar um poço à sua frente. Logo em seguida, o garoto correu em disparada em direção ao círculo de pedra. Então ele ajustou os binóculos, vendo nitidamente o garoto dar um súbito pulo em direção ao poço, sumindo quase que instantaneamente.
Ele sorriu, após descobrir que era.
Deu meia volta e retornou para sua barraca montada em meio à floresta.
Iria arrumar suas coisas para finalmente pôr o plano em prática.
E, mesmo que parecesse sério, estava feliz por começar sua viagem com boas notícias.
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