A Parábola do Astronauta
1 Capítulo 1
Notas iniciais
Capítulo I
24 Horas restando para a meia noite...
Eu não acordei bem, digamos. Minha cabeça doía, muito, tirei o cobertor xadrez de minhas costas e apoiei as mão no colchão, usando a força que me restara para levantar meu próprio corpo. Saí da cama e olhei para a silhueta no espelho.
Edgar
Sim, o nome do cara no espelho era Edgar. Ele não era bonito, mas tinha boa aparência, uma cicatriz na bochecha esquerda, de muito tempo atrás. Alguns drogados ameaçaram queimar sua casa e quebrar todos os ossos do corpo dele, se ele disse a alguém que eles estavam ali.
Edgarusava uma camiseta cinza e um calção preto, ele não parecia muito feliz, ou acordado... Edgar olhou para o relógio no bidê. Eu estava atrasado, vesti-me com pressa e desci as escadas,quando vi, já estava colocando uma maçã e uma garrafa de água na mochila, não tinha tempo para algo mais elaborado, abri a porta e dei de cara com Daniel andando na calçada ao lado, falaria com ele depois.
*
O sinal ecoou meio surdo em minha mente, a aula de espanhol tinha um tipo de efeito narcótico. Finalmente me dei conta novamente que possuía uma mandíbula, sim, eu era besta demais por esquecer um simples detalhe como esse. É claro que eu possuía uma mandíbula. Virei minha cabeça devagar, e ao lado de minha mesa estava Daniel.
Daniel, bem... Ele não é o tipo de pessoa de quem a maioria seria amiga, na verdade, ele eraMUITOirritante. Ele tinha o biotipo mais comum de todos, cabelos castanhos e pálido, se não fosse por um detalhe, seus olhos eram de um castanho avermelhado.
-Dezembro de 19... Cara, pode me dizer o motivo de você nunca completar essas datas?-Ele me perguntou apontando para a folha de caderno em cima do dito caderno de capa azul, quando não tinha nada para fazer eu escrevia.
-Eu não quero que esta história fique presa á um ano específico, eu quero que ela possa existir em qualquer ano dessa década, e você sabe quem mais fazia isso?
-Edgar Allan Poe...-Ele disse levantando o canto da boca em um sorriso quase impercebível.
-Ele mesmo...
Saímos da sala e descemos as escadas, começava a chover.
*
-Merda!-Daniel exclamou girando a maçaneta mais uma vez-Fecharam a biblioteca...
-E o quê diabos fazemos agora?
-Eu não sei...
-Será que a P. veio?
Por incrível que pareça, eu só tinha três amigos.
O Daniel
A P.
E o J.
Tinha o Habib, mas eu nem o conhecia direito. O chamávamos de Habib porque um dia ele levou um rojão para a escola, nós somos muito bestas, eu nem sei o que um rojão teria a ver com um homem bomba.
-Não... Ela não veio...Hoje...
-Bom... Acho que o jeito é conversar...
*
Por algum motivo estranho, uma das melhores amizades que eu tinha era com a professora de matemática, e sério, eu preferiria bater minha cabeça em uma parede de tijolos vermelhos cem vezes do que fazer a maldita prova.
-E aí...-Eu disse a J.
-Oi Edgar...
-J, nós não podemos tentar mais uma vez?-Eu perguntei estendendo um pedaço médio de papel para ele.
-Eu não quero...
-Você tem que completar a ficha! Ou assim você nunca vai sair da taverna!
-Eu não jogo mais...-Ele disse.
-Tudo bem então...
Me sentei novamente e peguei um livro da mochila.
-Edgar? Esse livro do Moacir Scliar é bom?-Ela disse apontando para o meu livro com a régua
-Sim... É... Eu na verdade estou terminando de ler e amanhã eu entrego
-É pois eu quero ler também...
*
O sinal tocou da mesma forma isolada. Em alguns minutos estava do lado de fora, passei pelo salão do cabeleireiro e pela padaria normalmente, e depois cheguei em casa e subi as escadas.
*
A nova mensagem fora anunciada com um efeito sonoro, em cima da janela o número “4”, e essas quatro mensagens diziam:
P: Você acha que a moderação vai me deixar publicar isso?
Daniel: Não sei... Acho que você deveria pegar mais leve com isso...
P: Isso o quê?
Daniel: Essa coisa de automutilação...
As nossas conversas nunca chegaram a algum assunto sério de verdade... Nunca...
*
TRECHO DO NOTÍCIARIO “JORNAL DA NOITE” DIA 1/01/15 20:30
-Hoje foi anunciado que um submarino russo foi avistado se aproximando da costa, tentamos contato com a tripulação, mas, sem efeito. Mais detalhes com a repórter[...]
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