A Palavra - Guerra e Morte
5 Capítulo 5 - Desejados e Indesejados
Notas iniciais
Liz e Sir Rughes chegaram com os dois cavalos no Centro Comercial. Uma área gigantesca cercada por muros grossos e densos, que rodeava todo o grande local. O que não faltava ali era barracas de vendas de tudo quanto jeito, hospedarias e os prostíbulos. O Rei havia decretado o exílio dos prostíbulos, mas como alguns são contra as ordens do rei, esconderam os locais profanos para conseguir sua barganha suja.
Os dois resolveram ir numa enfermaria para cuidar melhor de Sir Rughes, já que ainda não estava completamente curado. Na hospedaria, pagaram para mantiverem os cavalos no estábulo e se dirigiram ao refeitório. O cavaleiro loiro não achava confortável estar andando com uma garota enquanto o possível salvador do mundo estava solto por entre as florestas, perseguido constantemente pelos Perversos. Ele já vira a garota chorar muitas e muitas vezes pelo ocorrido, mas nada podia fazer. Fora pura sorte ainda estar vivo.
Enquanto comiam, um cidadão qualquer entrou apressado na hospedaria.
– Pessoal, vocês tem que ver isso! Um garoto surgiu na área leste e estava correndo de um batalhão daquelas coisas. Ele ainda conseguiu saltar o enorme poço!
Liz e Sir Rughes se entreolharam. Não pensaram duas vezes e saíram apressados da hospedaria, pegaram os cavalos e seguiram para o portão leste. Não apenas eles, várias outras pessoas, até cavaleiros seguiam para a mesma direção. Todos querendo saber quem seria o tal garoto que escapara da morte certa.
Depois de tanta correria, enfim chegaram ao portão leste, onde uma enorme multidão se aglomerava pela entrada. Dali não conseguiria passar a cavalo.
– Liz, eu sou grande demais para poder passar por entre todas essas pessoas. Vá, eu ficarei aqui com os cavalos. – A garota desmontou do cavalo e seguiu dificilmente por entre tantos cidadãos, muitos se empurravam, alguns até caíam e eram pisados. Liz pensara que eles não eram tão diferentes dos Perversos afinal.
A garota ouviu uma voz familiar.
– E – Esperem! Eu preciso chegar ao portão principal!
– Davi!
O garoto olhou por entre a multidão e conseguiu avistar a parceira. Todas as pessoas que o rodeavam olhavam curiosas e surpresas para o filhote de dragão negro que o garoto graciosamente carregava entre os braços. O livro ele guardara para não ter nenhum problema desnecessário. Mas ninguém o deixava partir para a residência do rei. E ele ficou imensamente feliz por ver que Liz estivesse bem.
– Chama da Noite, Bola de fogo! – O filhote de dragão preguiçosamente abriu a boca e cuspiu uma enorme chama, que afastou a aglomeração de pessoas pelo susto. Com isso, ele conseguira se aproximar de Liz e abraçá-la.
– O – O ovo chocou! – Surpreendera a garota, visando o belo filhote de dragão, encolhido aconchegadamente no colo de Davi. – E é lindo!
– Eu o chamei de Chama da Noite! – O garoto percebeu que a multidão voltava a se juntar. – Liz, rápido. Onde estão os cavalos? E onde está Sir Rughes? Ele está bem?
– Calma. Ele está bem. E está cuidando dos cavalos. Vem comigo. – Liz conduziu Davi para longe da multidão, mas mesmo assim, ainda estavam atrás. Quando se aproximaram do cavaleiro. Davi e Liz pegaram o mesmo cavalo, e juntos foram em direção ao portão central.
A multidão, porém, só foi com eles até a entrada. Os guardas os bloquearam. Isso os sossegaram um pouco. Durante o trajeto, Davi explicou o que havia acontecido, a perseguição dos Perversos, a aparição de Lillith, e as magias do livro. O que o ajudou muito. Mas o garoto percebeu que a garota se sentia um pouco desconfortável, mas não sabia com o quê.
Foi um pouco difícil, mas os três conseguiram entrar. O Rei, ainda desconfiado, os recebeu hesitante.
– Então, você é o tal sortudo que fugiu de um batalhão daqueles demônios... E ainda conseguiu pular aquele poço imenso? Como conseguiu?
Davi olhou para Liz, que fez um aceno com a cabeça. Chegara à hora da verdade.
– Senhor, eu achei um artefato que possa acabar com os demônios que os chamo de Perversos.
– Um artefato? E isto existe aqui em terra?
– Sim, meu Rei. – Davi tirou o livro das suas coisas. – Com este livro, podemos vencê-los!
– Um livro? – Agora o rei o olhava com curiosidade e surpresa.
– Este livro possui magias que os Perversos são fracos contra elas. Fora um próprio anjo que fizera.
– Um anjo... Pode me dizer onde exatamente achara este tão incrível artefato?
– Bem... Achamos com um velho senhor num pântano. Ele alegava que recebera das mãos de um anjo.
– Então é mesmo verdade...
Davi o olhou confuso. O Rei dera uma gargalhada forte e sincera. Ao que indicava, ele estava feliz e aliviado.
– Venham comigo. – O rei se levantara do trono real e entrava numa das salas de seu castelo. Os três o acompanhavam.
– Há muito tempo, foi contado que houvera uma guerra entre anjos e demônios por aqui... E por isso, os anjos se fecharam contra nós e nunca mais apareceram. Mas, foi também contado, que alguns escolheram eles mesmos cidadãos para guardarem alguns de seus artefatos mágicos, que os próprios demônios temiam.
– Então o que aquele velhote disse... Era verdade mesmo. – Murmurara Sir Rughes.
– Sim. Mas os demônios começaram a perseguir e caçar esses escolhidos, destruindo esses artefatos tão mortais contra eles. Mas... Parece que ao menos um deles sobreviveu até agora.
– Puxa, isso é ótimo! – Exaltou-se Davi. – Então temos uma chance de vitória!
– Sim, mas é bem pequena, garoto. – O Rei dera uma olhada no livro e o entregara a Davi. – Não sei o que poderemos fazer com este livro contra um exército imenso de demônios humanos. Ao menos deverá ter uma benção para um exército inteiro.
– Eu... Eu posso procurar! Eu entendo as escritas deste livro! – Disse Davi, firme e decidido.
– Se fizer isto, não sei o que lhe darei em troca. – Comentou o Rei, e em seguida deu outra gargalhada. – Poderás ficar no castelo e terá ajuda de quem precisar!
– Agradeço meu Rei. – Os três se dirigiam para fora do cômodo onde estavam, mas o Rei anunciara:
– Esta... Esta garota... É você Liz?
Num buraco profundo, Daemon pensava sentado num trono de pedra. Até que um de seus servos se manifestara,
– Meu senhor, quando será a hora? Meu desejo de devorar aqueles humanos é muito, muito insaciável.
– Aquela burra da Lillith fora idiota demais e acabou morrendo... Mas agora sei onde eles estão... – Ele se dirigiu ao servo demoníaco. – Vá e avise aos Perversos que a hora se aproxima, precisamos destruir aquele maldito livro.
Após o servo sair e Daemon ficar sozinho, ele murmurara:
– Seres humanos idiotas, qualquer chance se esperança e eles se encorajam. Que um mero livro pode fazer contra o meu poder?
No castelo, o ambiente mudara de pura agitação de vitória para surpresa total.
– O Rei conhece a Liz? – Murmurara Davi, confuso.
– Há! Se eu conheço? Seria um completo tolo em não conhecer a própria filha!
– O quê?! Filha?!
No momento, o garoto tinha inúmeras dúvidas na cabeça, mas foi quem falou fora a própria Liz.
– Você me abandonou naquela hospedaria! Se não fosse o Davi, eu estaria morta!
– Eu apenas fiz isso para protegê-la... Não sabia que os demônios atacariam aquela área também...
– Saco, isso tá confuso demais... – Murmurara Davi, baixinho o suficiente para apenas Sir Rughes escutar.
– Eu que o diga. Nós dois parecemos dois estranhos agora.
– Bem, que seja. Agora que está aqui, poderei fazer meu acordo com o reino vizinho.
– Q – Que acordo? – Questionara Liz.
– Você se casará com o príncipe de lá.
A notícia chocou o garoto e o cavaleiro. Mas, no entanto, aquilo não pareceu abalar muito a garota.
– Eu não vou fazer isso!
– Sinto muito, mas é algo necessário para termos o apoio do reino vizinho contra esses...
– EU NÃO QUERO SABER DE APOIO ALGUM! NÃO É APENAS ME CASAR COM O PRÍNCIPE DELES QUE TERÁ O QUE QUER! – O grito ecoou por todo o castelo, como se ele fosse vazio.
– Não me questione. Ainda temos muita coisa para fazer antes que isto aconteça. Tem muito tempo para pensar sobre o assunto. – O rei saiu do cômodo, deixando os três à beira do silêncio. Davi queria falar algo, mas não tinha coragem. Não queria magoar ainda mais a garota.
– M – Me desculpem por não ter contado. Vocês nunca me aceitariam como filha do rei. – Liz começou a chorar.
– N – Não diga isso! Numa situação daquelas, eu te levaria comigo mesmo se fosse a filha de um vassalo! Isso não me interessa.
– É verdade. E mesmo assim nos encontramos e aqui continuamos juntos. – Disse o cavaleiro. – Não se culpe de uma coisa que faz parte de você.
– Acontece que é algo que eu não queria que fosse parte de mim! Eu nunca me senti parte dessa família. E eu pude-me sentir livre quando eu fui embora! Agora tenho que me casar com um estranho que nem conheço.
– Entendo... Não sei como se sente, mas, como o rei disse, ainda temos essa guerra, talvez muita coisa mude até essa hora chegar.
Liz parara de chorar, e abraçara forte o garoto.
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