A Paixão da Princesa
1 Capítulo 1
Notas iniciais
Era uma manhã fria e senti alguém retirando a minha coberta.
— Acorde Princesa, você deve se levantar para o café da manhã. — Minha empregada, Diana me chamou enquanto ajudava a outra empregada a abrir as cortinas do quarto.
— Que horas são? — Me virei de bruços enquanto reclamava por estar cedo demais e querer ficar mais 5 minutos na cama.
— É a hora perfeita para se levantar! — Diana afirmou e puxou meus braços na tentativa de me retirar dali. — Não vai se levantar? — Ela andou pelo meu quarto e então senti uma almofada atingir minha cabeça.
— Ei! — Me levantei e endireitando meus cabelos a adverti — Isso é agressão contra uma princesa! — Peguei um travesseiro que estava na cabeceira da cama e o taquei.
Eu, Diana e a outra empregada ficamos de guerrinha de travesseiros e almofadas até que a minha "instrutora" adentrou no quarto e arregalou os olhos por eu não estar "agindo" como uma princesa e por estar "brincando".
— Princesa Emilly! Isto são modos? Eu lhe ensino a ter boas maneiras e é assim que você age? — Sarah, uma velha, era a pessoa que me ensinava os modos e maneiras para se agir em um castelo, o único problema é que eu queria me divertir também e não ficar cheia de obrigações. — Seus pais confiaram você a mim, eu lhe ensino desde os 8 anos, e agora que está prestes a fazer 19 ainda não aprendeu nada. Isto é um absurdo! Só conseguirá aprender ao se casar!
— Não precisa exagerar tanto, não é como se acontecesse isso sempre. — A respondi e andei até o meio do quarto para pegar as almofadas e colocá-las em seus devidos lugares.
— Ainda está pegando as coisas e arrumando-as, você virou uma empregada agora? — Sarah veio até mim e arrancou as almofadas das minhas mãos e as jogou para o meio do quarto. — Você! — Ela apontou para Diana que tomou um susto. — Arruma isto agora, e você que está ao lado dela, venha comigo. — Sarah caminhou até a porta e se virou para mim. — E princesa, lhe darei dois dias para me mostrar o contrário do que penso a seu respeito. — Saindo do quarto, ela bateu com a porta e a ouvi brigando com os guardas por não terem prestado atenção no que nós fazíamos.
— Dois dias. — Suspirei e fui em direção ao meu guarda roupa. Retirei uma sapatilha e um vestido verde-turquesa, um laço e luvas brancas. Ao me redirecionar para o banheiro, Diana me chamou:
— Quer ajuda princesa? Você tem que estar pronta em apenas 20 minutos.
— Não precisa, apenas avise aos meus pais que já irei descer. — Diana concordou e fez uma reverência ao sair do quarto.
Tomei um banho e coloquei a roupa, fiquei pensando como seria o dia de hoje. Antes de sair do quarto fiz uma trança de lado, passei um gloss labial e perfume, ao olhar no relógio vi que estava atrasada por apenas 3 minutos, e então saí do quarto indo em direção as escadas encontrar minha família.
Os guardas me acompanharam até o final da escada, reparei que meus pais e meu irmãozinho estavam rindo, mas ninguém havia começado a comer.
— Minha filha! — Meu pai se levantou rapidamente da cadeira ao me ver e então veio até o pé da escada e me abraçou.
— Bom dia pai. — Retribui o abraço, até que Sarah me direcionou a palavra e advertiu:
— Está atrasada 5 minutos!
— Apenas 5 minutos. — Comentei e então meu pai me levou até a mesa e puxou a cadeira para mim. — Obrigada pai. — Lhe dei um sorriso.
— 5 minutos? E se fosse uma reunião com um duque? Ou um príncipe? Você.. — Sarah estava furiosa e vermelha até que minha mãe a interrompeu:
— Sarah, você é muito competente e eu e o Rei Stefan lhe agradecemos por cuidar de nossa filha, mas você não precisa ser tão dura, apenas aproveite o café da manhã.
Sarah ainda não estava convencida disso, mas mesmo assim fez uma reverência e foi ver um guarda que a chamava para receber as cartas enviadas para o meu pai.
— Estou com fome — Meu irmão Erick, estava com um bico no rosto e braços cruzados.
— Vai ficar igual um pato se continuar com este bico, e tem apenas 10 anos. — Apertei suas bochechas e o próprio se virou tentando fugir de minhas mãos.
— Então vamos comer! — Minha mãe falou e meu pai fez sinal para os garçons servirem a comida.
Os garçons foram colocando os pratos na mesa e nos servindo, um garçom colocou camarão em meu prato e Sarah no mesmo momento veio com as cartas do correio nas mãos e fuzilou o garçom com os olhos ao ver o que tinha feito.
— Você! A Princesa Emilly é alérgica a camarões! Retire isto já! — Ela gritou com o garçom que ficou meio sem graça e respondeu:
— Me desculpe madame, eu sou novo aqui. — Ele abaixou a cabeça e Sarah ainda o criticava até eu a interromper:
— Sarah, está tudo bem, foi um erro e erros acontecem. — Falei e depois me virei para o garçom, que parecia ter menos idade do que eu. — Depois lhe darei uma lista do que não posso comer, mas por enquanto pode me passar um pedaço de frango?
Meus pais sorriram e o garçom agradeceu, Sarah ainda estava nervosa até que ela cochichou no ouvido dos meus pais e os mesmos a olharam surpresa.
— Não pode ser. — Meu pai abaixou os talheres e pegou a carta que ela o ofereceu, minha mãe abaixou a cabeça e depois me olhou.
— Alguém morreu? — Perguntei devido o clima pesado que estava.
— Princesa! — Sarah bateu os pés, e depois olhou sorrindo para a carta que meu pai segurava.
— É mesmo necessário isso meu bem? — Minha mãe perguntou a meu pai.
— O que houve? — Cortei um pedaço de frango e antes de colocá-lo na boca, meu pai falou:
— A família Bittencourt quer que você se case com o filho deles. — Meu pai colocou a carta na mesa e então continuou — O problema é que eu não posso recusar, eles têm muita influência sobre outros países. — Ele parou e suspirou. — Apesar de eu ser o Rei deste país e ter contrato com outros, o Rei Klaus Bittencourt pode nos ameaçar se quiser, pois ele já fez guerras com vários outros países e dominou todos.
— E isso quer dizer que... — Eu perguntei tentando chegar a uma conclusão.
— O casamento é tipo um contrato de paz, é melhor do que eles guerrearem contra nós e seu pai perder a coroa. — Minha mãe falou e pegou um guardanapo para limpar a boca. — A questão é quando eles querem que ocorra a cerimônia.
— Mas eu não quero me casar agora! Pai, por favor. — Me ergui na mesa para pegar a mão dele.
— Ou é o casamento e nossa segurança, ou a nossa vida em perigo. — Ele me olhou tristemente e o que pude fazer foi apenas concordar.
— Qu-quando é a cerimônia? — perguntei, não podia fazer nada, nunca havia visto meu pai com aquele olhar.
— Pelo o que diz a carta eles querem a cerimônia daqui a 5 meses... E depois um herdeiro.
— O quê?!
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