A Pátria.

6 Invasão,morte e amizade — Matt


Ouço barulhos de tiros.Gritos.Passos apressados.Invasão.Saio correndo,me desviando de tiros,enquanto tento não trombar nas pessoas.Pra onde vamos?Essa é a única coisa que me vem na cabeça neste momento.Certamente não iremos mais para nossas casas buscar nossos pertences antes da guerra;eu também não me importo muito com isso.
Avancei pelos corredores,em direção ao pátio.Não sabia muito bem o que poderia esperar ali,mas me parecia ser a coisa certa a fazer.Quando chego lá,paro imediatamente.Vejo que Amy e Kyle estão agachados."Abby",pensei.Corri até lá.Amy chorava desesperadamente.Kyle gritava de ódio.Olhei bem para Abby.Tinha levado um tiro.Respirava,mas não sobreviveria.
—Vençam essa guerra por mim.Eu amo vocês. —disse Abby.Então,fechou os olhos e deu seu último suspiro.Kyle começou a gritar mais ainda.Amy quase caiu.
—Vamos,eu sei como é perder alguém.Mas Abby não gostaria que vocês morressem.Realizem o último desejo dela,faça acontecer!—eu disse.
Puxei Amy.Kyle veio atrás,relutante em deixar o corpo de Abby para trás.Corremos para a direção da maioria.Até que ouvi algué m nos chamando.
***
O homem nos guia até um corredor.Escuro,por sinal.Não conseguia enxergar quem era que estava nos guiando,mas ele sabia o meu nome.Não era do lado inimigo.Corremos pelo corredor até nos depararmos com um portão preto que se abre assim que chegamos perto.
Me deparo com um enorme estacionamento,repleto de armas e máquinas."Incrível",penso.Vários garotos e garotas estão ali.Analiso cada um deles.Parecem com medo,á procura de alguma resposta.Todos estamos afinal."Que lugar é esse' ou até mesmo "O que está acontecendo?".Me lembro que,acima de tudo,nós,guerreiros,sempre temos que estar preparados para o imprevisível.Naturalmente,sempre que há alguma coisa de errada,somos arrastado sem nenhum aviso prévio.E não podemos reclamar disso.
Paro para analisar algumas armas,quando sinto alguém se aproximar.Era o nosso diretor.
—Você certamente entente o que está acontecendo,não? —diz ele.
—Invasão. —respondo
—E o que você acha sobre isso? —
—Acho que é um método um tanto quanto covarde. —
O diretor riu.Uma risada nervosa,com um toque de preocupação.Mas riu.
—Matt,preciso que você me faça um favor —ele disse
—Estou aqui.Qual seria ele? —
—Esse ano,temos muitos sorteados mais novos. Gostaria que alguém explicasse para eles a nossa situação atual.Você pode fazer isto para mim? —
—Sem problemas. —
Assim que concordo,o diretor conduz um grupo de garotos e garotas de 12/13/14 anos para um canto mais isolado do estacionamento.
—Meu nome é Matthew Winchester.Acho que vocês me conhecem,já fui em 2 guerras,sem contar com essa que iremos agora.—eles estavam me ouvindo,podia perceber a preocupação estampada no rosto deles.—Normalmente,as coisas são mais organizadas.Vocês devem ter percebido que há alguma coisa errada aqui..Alguém quer,sei lá,dar um palpite?-perguntei.
Por um momento,todos ficaram em silêncio.Até que um garoto,que aparentava ter uns 14 anos e era ruivo e com sardas,levantou a mão.
—Primeiro,me diz seu nome e depois já pode falar o que acha que está acontecendo aqui.—falei para ele.Não gostaria nem um pouco de me dirigir à ele como "garoto" ou algo do tipo.Afinal,eu era só 3 anos mais velho que ele.
—Meu nome é Elijah Smith. —ele respondeu. —E eu acho que isso aqui é uma invasão.Do lado inimigo. —
—Você ta certo,cara.Então,em primeiro plano,vocês iriam para a casa.Mas isso não será mais possivel.Portanto,iremos direto para o centro de treinamento.O diretor dirá melhor como iremos,mas eu acho que vamos com um flutuador.No centro de treinamento,seremos divididos em Veteranos e Iniciantes.Se alguém aqui,já foi para alguma guerra,irá para a ala dos Veteranos.Se não foi para nenhuma guerra ainda,diretamente para a ala dos Iniciantes.Lá,teremos instrutores que ajudarão vocês.Podem ir agora. —finalizei.
Assim que eles foram indo cada um para um canto do estacionamento,me lembrei da primeira vez que fui para a guerra.
****FLASHBACK ON****
Estava a caminho da guerra.Me ofereci.Estava aflito,mas com vontade de ser útil.De ser lembrado.Ou talvez,até mesmo,de me afastar um pouco de casa.Me ofereci,pois sabia,que se eu morresse,ninguém ligaria,no fim das contas.Até ano passado,meu pai se importava comigo.Agora,Helena conseguiu tomá-lo por todo.Só se importa com Helena e com seu serviço.E jornal.Até ano passado,não queria que ele sentisse minha falta,caso a pior das hipóteses aconteça.Agora,não me sinto mais assim.Um ano muda muito as pessoas.Coisas acontecem.Neste momento,sou sozinho.E vou dar o meu melhor nesta guerra.
****FLASHBACK OFF****
Me afastei daquele canto do estacionamento,à procura de Amy e Kyle,quando o diretor parou em minha frente.
—Você disse para eles? —perguntou ele.
—Sim,da melhor maneira possível.Eles estão entendendo toda a nossa situação melhor do que do senhor pensa,se quer saber.Com todo o respeito,é claro. —disse.
—É,eu deveria saber que eram maduros já.Mas o que vocês,adolescentes,não sabem,é que conheço todos vocês.E sei suas qualidades,defeitos,fraquezas e pontos fortes.Conheço,principalmente,pessoas como você,Matthew,que se dispõem a lutar para o bem de nosso país.E sendo assim,considero vocês como... —ele hesitou,como se pensasse em uma palavra que expressasse o que queria dizer de maneira correta-como meus sobrinhos.E perder qualquer um de vocês,ainda é bem difícil para mim.-concluiu e depois saiu andando,não me deixando responder.Não me importei,até porque,não teria nada a dizer.
Quando estava prestes a sair,ele olhou para trás e disse:
—Ah,e se está procurando Amy e Kyle Ebertz,desista.Eles estão conversando com a minha assistente,que está explicando para eles que o corpo da irmã deles será enterrado de forma correta,junto com outros que perderam algum familiar nessa situação.Eles estão melhorando,se quer saber,mas não deixa de ser um baque e tanto,não é mesmo? —
Concordei com a cabeça e sai.Assim que andei,avistei uma garota ruiva,parecendo um tanto quanto confusa.Ao olhar mais um pouco,me dei conta de quem era:Clarice Parker,filha de dois famosos guerreiros da alta sociedade.Era aclamada pelos garotos e invejada por boa parte das meninas,pelo que dizem por ai.Gosto de pensar nela como uma garota normal,que,talvez,tenha que aguentar a pressão por ser filha de quem é.Afinal,ela nunca se voluntariou.Todos cobram muito isso dela.Decidi que ia conversar com ela.

—Posso me sentar aqui?—perguntei,ao que ela respondeu com um aceno de cabeça.

Por alguns minutos,ficamos em silêncio,até que Clarice o quebrou.
—Eu te conheço.—disse.Normalmente,as pessoas me conhecem por ter ido a guerra.Mas mesmo assim decidi perguntar:
—Conhece?Então,me diga.Quem eu sou?—
Ela riu um pouco,antes de responder.
—Você é Matthew Winchester.E foi para a guerra duas vezes.Segundo fontes,você é um cara engraçado e algumas das minhas amigas classificam você como o gato.—agora foi a vez de eu rir.
—Tudo bem,mas até agora você só me disse coisas que os outros dizem sobre mim.Quero saber de você.—respondi,como se a desafiasse.
—Eu te acho corajoso.Por,você sabe,ter ido a guerra duas vezes.Nunca tive essa coragem.—respondeu ela.
—Olha,vou te dizer uma coisa,Clarice.Cada tem o seu momento de coragem.O seu foi agora.Não se sinta "obrigada" a lutar por causa de seus pais.Não ligue para o que os outros dizem.Faça o que tiver vontade,à sua margem de conforto.—respondi com sinceridade.
—Sabe,você é uma das poucas pessoas que me dizem isso.Acho que todos nessa escola esperam que eu seja uma guerreira incrível como meu pai,mas vêem como uma garota mimada que não sabe fazer nada além de ir ao salão de beleza,ir ao shopping e coisas do tipo.—
—Não vou mentir pra você.Isso é verdade.Você aparenta ser assim,mas isso não significa que você seja assim.—
—Muito obrigada por falar a verdade,sério mesmo.—ela riu—Creio que podemos ser grandes amigos.—

—Também acredito nisso,Parker—respondi,me levantando e esticando a mão para ela.-Agora,o diretor está chamando para irmos ao flutuador.—ela aceitou a ajuda e se levantou.

Seguimos para uma fila,enquanto aguardávamos o flutuador.Ele era bem grande,para comportar com conforto todos os guerreiros.Por dentro,tinha poltronas e uma cozinha.Mas nada que se encontre em uma casa normal.Era tudo muito moderno.
O flutuador chegou e aterrissou num lugar vazio do estacionamento.Enquanto os novatos,como Clary,estariam indo para o novo,eu e os outros veteranos estaríamos indo para o já conhecido.Entramos nele,um por um,se acomodando em nossas poltronas.Eramos divididos em Veteranos e Iniciantes;os iniciantes mais para a frente e os veteranos para trás.
Deborah chegou e começou a se apresentar.
—Olá,meu nome é Deborah e eu irei coordenar vocês.—depois disso,não ouvi mais.E aposto que nenhum dos outros veteranos,se concentrou no que ela dizia também.Afinal,já conheciamos todo o flutuador.E também já sabemos o principal.