A Outra Metade Da Rosa
2 Até que eu dê meu último suspiro
Notas iniciais

Eliza foi acudida ao fim do embate.
Lorde Baron tirou-a da vista dos demais guerreiros que comemoravam, a levando num quarto e chamando Muriel, a curandeira, para rever seu estado.
— Está ficando pior, mais difícil de respirar. — O peitoral da armadura era removido, o fôlego vacilava.
— Terei que despir a rainha para examiná-la. Vá, e mande os soldados de vossa majestade para o banquete da vitória.
— Sim, senhorita Muriel. —Se retirou do quarto.
A curandeira removeu a armadura de Eliza, então, tateou a região do coágulo, analisando aquilo que afligia a Rainha.
— Cresceu... — Engoliu a seco. — Está definitivamente maior, majestade.
— Quanto tempo restante? — Encarava o vazio, sem expressão.
— Temos três meses até notarem, seis até você não aguentar mais lutar, senhora.
— Dê a notícia ao Baron, mas antes, prepare um anestésico. Tenho um jantar para ir, e meu discurso não pode ser tomado pela dor.
— Precisa descansar! — Elevou o tom.
— Tomamos Baptiston agora, o que preciso é estar ao lado de meus homens, comemorando a vitória.
— Está ficando sem tempo Eliza! — Era a primeira vez em tempos que sua irmã, Muriel, a chamava pelo nome.
A segurando no rosto a rainha engoliu as lágrimas e esboçou uma risada triste.
— Deus não quer mesmo me ver passar por essa vida de forma fácil, não é? Me fez nascer em uma família caída, precisando lutar para conquistar tudo o que deveria pertencer-me de berço. E agora isso, essa coisa que me consome e aniquila um pouco de mim a cada instante.
— Irmã, em Ciamp há curandeiros que...
— Não posso sair de Oventure, largar meus homens aqui, ir a outro país. Não sou tola, Muriel, sei que por ser mulher, meu papel como líder será sempre questionado.
— Então? — Apertou-lhe as mãos.
— Eu ficarei aqui. Lutarei e conquistarei, enquanto minhas mãos conseguirem brandir uma espada!
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