A Outra Filha do Natal
9 Epílogo
O tempo passou, e a vida no Polo Norte encontrou um ritmo de harmonia que antes parecia impossível. Nora sentia-se cada vez mais segura de si, confiante em suas origens e nas pessoas que a cercavam. Olivia se dedicava a ela com atenção e carinho, levando-a para passeios pelos jardins de neve, conversando sobre histórias e compartilhando momentos só das duas. Lizzie continuava com suas futilidades, roupas brilhantes e distrações, mas mostrava um amor genuíno por Nora à sua maneira, sempre preocupada quando algo a afligia.
Stevan, apesar de estar sempre ocupado com os preparativos da fábrica e os voos de Natal, encontrava tempo para suas filhas, para abraços, conselhos e sorrisos. A família, mesmo com diferenças e passados complicados, parecia finalmente completa.
E então, o grande dia de entregar os presentes de Natal havia chegado. Nora acompanhava o pai, vestida de forma prática, sentindo a expectativa e o nervosismo típicos da missão. Juntos, voavam pelo céu, entre a neve e as luzes cintilantes das aldeias e cidades abaixo. Ao longe, uma estrela brilhante chamou sua atenção.
— Que estrela linda… — murmurou Nora, maravilhada.
Stevan olhou para ela com um sorriso suave, os olhos refletindo a luz que a estrela espalhava.
— Sabe, Nora… — disse, a voz quase um sussurro no vento gelado — o nome daquela estrela é a poesia mais curta e linda que eu já ouvi.
— E qual é o nome? — perguntou ela, curiosa.
— Hila. — respondeu ele, firme, com emoção contida — Ela foi a luz da minha vida, e agora brilha ali para nos lembrar do amor, da generosidade e do que realmente importa.
Nora sentiu o vento bater em seus cabelos, o frio envolvendo seu rosto, mas dentro dela havia calor. Ela sorriu, olhando para a estrela, sentindo a presença da mãe que nunca conheceria, do pai que a amava incondicionalmente, e de Olivia, que completava aquela família tão única.
E naquele instante, com a brisa soprando e a luz de Hila cintilando ao fundo, Nora sentiu-se inteira, feliz e plena, sabendo que carregava consigo a força de todas as gerações de amor que a precederam, e que continuariam a brilhar, sempre.
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