A Outra Face

1 Capítulo Único - Ferido


Notas iniciais
Olha eu aqui chegando com mais uma one, galerinha! ^-^ E meus planos de postar o próximo cap. da minha fic em 1 de Janeiro vão pras Cucuias T-T Mas quando você não consegue dormir porque uma história fica martelando na sua cabeça, não dá para simplesmente não escrevê-la. Então, é isso. Espero que aproveitem, boa leitura :)

Nami acordou repentinamente naquela madrugada, sentindo-se encostada a algo quente. Estranhou de primeiro momento, mas assim que abriu os olhos sonolentos e fitou por uns segundos o torço moreno onde estava encostada, sorriu. Aproveitou o aperto do braço direito de Luffy em sua cintura (sendo que o outro estava jogado do outro lado da cama).

Ela se sentia tão bem ali, quente e protegida. Principalmente depois da noite que tiveram. Sabia que o moreno agia por seus instintos e muitas vezes se comportava como um verdadeiro macaco ou outro animal, mas ela nunca esperou que ele fosse tão... selvagem. Não sabia se se impressionava mais com isso ou pelo fato de, mesmo naquele torpor de sensações, ele ter conseguido fazê-la se sentir amada.

Amor... Instintivamente, pousou sua mão sobre a de Luffy. Ela realmente o amava, como poderia não fazê-lo? Foi ele quem a salvou do inferno, foi ele quem lhe devolveu seu sonho. Ele era seu herói indestrutível e guardião leal, quem sempre a protegeria e defenderia. E ela era eternamente grata por isso.

Ainda com um sorriso no rosto, Nami voltou a se aconchegar perto de Luffy e estava para fechar os olhos, quando de repente ouviu um resmungo. Ergueu a cabeça e viu que o som vinha do próprio moreno, que contorcia o rosto como se estivesse com dor.

— Não...

Ouviu o leve praguejo e ficou preocupada.

— Você prometeu... — Luffy começou a ofegar e Nami sentia o corpo dele tremer e se mexer em agonia, quase se debatendo. – Você prometeu pra mim... prometeu que não ia morrer... Ace.

E ao citar o nome do irmão, a ruiva viu algo que jamais vira e nem imaginava ver no rosto sempre tão sorridente de seu capitão: lágrimas.

Aquela visão esmagou o coração da navegadora, que apenas ficou ali, assistindo em choque o choro sofrido de Luffy.

— Não me deixa sozinho... Por favor!

Nami não soube direito o que a fez acordar do transe, se o pedido tão suplicante de Luffy ou a encravada que ele deu em sua cintura com a mão que depositara lá, ela só sabia que precisava acordá-lo daquele pesadelo.

— Luffy. – Começou a chama-lo, subindo no tronco do moreno para que ficasse cara a cara com ele. – Luffy. – Chamou de novo, sem resultados. – Luffy! – Mais alto dessa vez.

E finalmente o moreno acordou; ofegante, suado, com os olhos assustados e que ainda soltavam lágrimas. Seus ânimos só se acalmaram um pouco após reconhecer Nami ali, fitando-o com os olhos castanhos preocupados. Embora não quisesse que ela o visse nesse estado, a presença dela o acalmava.

A ruiva se ergueu de cima dele, dando espaço para o garoto fazer o mesmo e respirar, virando a cabeça para um lado qualquer. Não queria encará-la.

— Você está bem? – Ok, era uma pergunta meio boba, era óbvio que ele não estava bem, mas Nami não sabia mais o que dizer.

Luffy simplesmente assentiu com a cabeça, tentando secar as lágrimas.

— Me desculpe por isso.

Nami não teve outra reação se não arregalar os olhou, para logo crispa-los e ranger os dentes. O que, diabos, ele estava dizendo?!

— Ficou louco?! – Ela gritou, sem se importar se acordaria os outros ou chamaria a atenção de Robin, que estava de vigia aquela noite. Tudo o que queria era enfiar juízo naquela cabeça de carne. – Não peça desculpas se quem está sofrendo é você!!

— Mas eu sou o capitão. – Luffy falou em tom de voz baixo. – Eu não posso me mostrar tão fraco na frente da tripulação.

Aquilo só fez com que a raiva de Nami aumentasse ainda mais. Cansada de ele falar para os lados ao invés de encará-la, ela segurou o rosto dele entre as mãos e forçou-o a olhá-la nos olhos.

“Você não pode se mostrar tão fraco”?!— O grito saiu ainda mais alto dessa vez, seu olhar de fúria fazendo Luffy engolir em seco. – E quem disse que sofrer é fraqueza?! Quem disse que você precisa sofrer sozinho para ser forte?! Com certeza não fui eu, Luffy, já que você me ensinou a fazer justamente o contrário!!

A garota falava de Arlog Park, quando ela chorou pela primeira vez em oito anos, pedindo a ajuda dele. O moreno a mostrou que, se tendo amigos, você só precisa pedir que eles te ajudarão. Não é necessário sofrer sozinho.

E agora ele fazia exatamente isso!

— É diferente, Nami. – O tom do moreno mudou para um mais sério, e era assim que ele encarava sua navegadora. – O que me faz sofrer já acabou, nunca vou poder recuperar o que perdi, e mesmo assim ainda dói. – Ele pousou a mão sobre a cicatriz em seu peito. Não era ela que doía, mas o que ela representava. – Como capitão eu preciso ser forte, preciso proteger vocês e dar segurança. Não dá pra vocês me verem tão abalado por algo que aconteceu há três anos!

Depois disso, fez-se silêncio. Luffy só queria que Nami esquecesse aquele assunto, aquele último momento que, para ele, havia estragado uma noite tão incrível e importante para os dois. O que aconteceria agora que ela sabia que ele tinha essa fraqueza? Pessoas fracas não protegem ninguém. E se ele não pudesse protegê-la, ele não via sentido para que ela continuasse ao seu lado.

Enquanto todos esses pensamentos assustadores passavam pela mente de Luffy, Nami não demorou muito mais e soltou o rosto do garoto, para colocar as mãos firmemente na cintura.

— Tsk. Maldito orgulho.

— Eh? – Luffy inclinou a cabeça para o lado, em confusão.

— Você diz que não pode aparentar fraqueza na frente da tripulação, mas quer saber de uma coisa? Desde ontem a noite eu deixei de ser somente uma integrante desse bando e virei também a sua namorada! – Ela encostou o dedo indicador no peito dele, olhando-o com firmeza. – E eu não quero meu namorado me escondendo coisas, você tem que me contar tudo, desde a mais simples bobagem da sua infância até os seus momentos de maior medo. Eu exijo isso e você não pode reclamar, porque foi você quem me escolheu, você me pediu e agora vai ter que me aguentar!

Apesar do tom sério e meio bravo, Luffy conseguia ver a preocupação naqueles olhos castanhos que o deixavam hipnotizados, e saber que ela se importava tanto com ele o fez sorrir de leve.

— Nami...

— Luffy. – Ela interrompe-o, com o tom agora mais calmo. Voltou a colocar a mão sobre a face do moreno, porém só uma dessa vez e foi apenas para fazer um carinho na bochecha. – Que fique bem claro o que eu vou te dizer agora: Sentir dor, principalmente por algo como isso, não te faz fraco, mas um ser humano.

O coração de Luffy começou a bater com mais velocidade e uma vontade de chorar novamente quase tomou-o ao sentir como se um fardo enorme caísse de seus ombros.

Ela o via como um humano?

Luffy sempre teve de aguentar tudo sozinho, mostrar que estava firme e que estava tudo bem, tanto que várias pessoas até o consideravam um monstro por isso (entre outras coisas). Não que reclamasse, afinal esse era mesmo o dever de um capitão. Mas ter alguém que o visse como um simples humano, que se feria e necessitava de amor como qualquer outro, e que ainda por cima estava disposta a curar essas feridas e dar esse amor, o fez sentir um alívio e um calor único no peito.

Principalmente por essa pessoa ser Nami, sua amada navegadora.

— Luffy. — A ruiva chamou-o mais uma vez, dando um leve sorriso. — Eu não posso voltar no tempo e mudar o que aconteceu, não posso trazer o Ace de volta para você. Tudo o que eu posso fazer para tentar diminuir o seu sofrimento é isso.

Usando a mão que tinha posta no rosto dele, Nami o trouxe para mais perto de si até apoiar a cabeça do moreno em seu colo. Eles não se importavam com o fato de estrarem apenas de roupas íntimas. Quer dizer, Luffy se atentou um pouco a esse detalhe, sim, mas esse fato perdeu a importância (e até tornou o momento mais agradável) quando Nami o abraçou, fazendo um leve carinho com a mão em suas costas enquanto a outra mexia em seus cabelos.

A navegadora não escondeu sua surpresa quando Luffy correspondeu tão bem a carícia, abraçando-a de volta e fechando os olhos. Todavia, o que derreteu seu coração de vez foi quando ouviu o capitão ganir, como se fosse um filhote de cachorro se aconchegando na mãe.

Há quanto tempo ele estaria precisando disso? De um carinho, um colo, um ombro para chorar? Esse pensamento só fez com que seu coração apertasse mais.

"Herói indestrutível"? Luffy podia ser seu herói, sim, mas agora Nami conseguia ver que ele não era indestrutível. Por baixo daquela armadura em forma de sorriso, se escondia uma dor imensa. E que a partir de hoje, ela tentaria ao máximo diminuir.

— Nunca mais esconda as suas dores de mim. – Seu tom não deixava claro se ela estava ordenando ou pedindo.

E nem Luffy deixou clara sua resposta, apenas dizendo um:

— Obrigado, Nami.

Ele tinha mesmo muito que agradecer à ruiva. Ela era, literalmente, sua guia nessa vida. Rei dos Piratas ou não; pirata mais forte do mundo ou não, ele não conseguia ir para lugar algum sem ela. Finalmente Luffy entendia uma frase que Makino sempre lhe repetia quando era criança: “Por trás de um grande homem, sempre há uma grande mulher”.

Notas finais
E aí, o que acharam??? Ai, que nervoso! É a primeira vez que escrevo uma fic com a vibe assim, espero que tenha ficado bom. Desculpem se ficou meio OOC. Tentei ao máximo para que isso não acontecesse, mas se aconteceu, sinto muito. Bom, por esse ano é só, gente. Um bom ano novo pra vocês e até a próxima ^-^
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!